29 de dezembro de 2010

Em 2011.

6 passaram por aqui
 

Eu vou...
1 - Comer menos pirulitos 7 Belo, porque já engordei 2 quilos por culpa deles.
2 - Ir mais à Igreja, preciso muito de Deus
3 - Cuidar das minhas unhas, que estão um lixo 
4 - Cortar meu cabelo - depois de dois anos - e fazer escova inteligente. 
5 - Terminar meu namoro com o computador para estabelecer um relacionamente com meus livros da escola. 
6 - Ser menos pavio curto - talvez assim mantenha minhas amigas por mais tempo. 
7 - Segurar minha lingua dentro da boca, mesmo quando ela estiver coçando MUITO.
8 - Parar de provocar minha mãe, nem que isso me custe minha reputação de chata
9 - Deixar o sarcasmo num canto mais escondido e me concentrar no carisma
10 - Ser mais sociável, aguentando até as pessoas que me matam de preguiça
11 - Guardar melhor meus segredos - e os dos outros também, obrigada
12 - Aprender a tocar Guitar Hero no nível médio
13 - Ganhar do meu primo em uma briga de galo. 
14 - Demorar mais de dois dias para ler um livro, por mais que ele seja maravilhosamente ótimo e perfeito
15 - Amadurecer o suficiente para não sucumbir à vontade de apagar esta lista.
Amém.

Pauta para a 14ª semana do projeto Entrelinhas, parte da gincana de fim de ano

24 de dezembro de 2010

Wish

4 passaram por aqui
2º Lugar - Blorkutando 
Nevada, 23 de dezembro de 2010

Querido, 

    Estranho não lhe chamar pelo nome que por tantos anos insisti em repetir. Papai Noel. Simplesmente não faz mais sentido para mim. Sou uma mulher agora, acredita? Tantos e tantos anos acreditando no senhor, e tudo se foi em questão de segundos, quando fui apresentada à verdade de que Noel não passava de um homem com barriga falsa e barba de plástico. Não me lembro de ter tido reação, apenas de ter retirado a meia rendada de cima da lareira e guardado o leite na geladeira e os biscoitos na lata. Mas eu superei você em pouco tempo, e não me doeu, ainda bem.
    Noel, deve estar se perguntando o que venho lhe pedir dois dias antes do Natal. Com certeza deve imaginar que não é algo que caiba em um papel de presente. Na verdade, é uma coisa tão simples e tão especial que nenhum embrulho seria capaz de aumentar sua beleza. O que eu quero, Papai, é que apareça de verdade nesse Natal. Não somente por intermédio dos fantasiados do supermercado e do shopping. Não apareça em pessoa, mas em espírito. Resgate o verdadeiro Natal, e faça renascer a felicidade das crianças.
    Ah, se o senhor soubesse... ontem mesmo cheguei ao quarto de minha filha Mary - minha queridinha de apenas oito anos - e ela estava no computador, paquerando um garoto com quase o dobro de sua idade. Ela mentiu, Noel! Disse ter quinze anos. Simplesmente permitiu que a inocência fosse embora, sem ao menos dizer tchau a ela. Mary quis que sua inocência fosse embora.
     E eu não consigo deixar meu anjinho perder o que tem de mais precioso. A infância.
     Faça isso por mim, Noel. Sei que o senhor pode. Reviva o espírito de Natal, e traga-o a nós. Acenda as luzes de sua árvore e encha-a de presentes. E traga minha Mary de volta, como toda sua meiguice e sua alegria. E sem namorado, por favor.
     Serei-lhe eternamente grata.
Lindsay

20 de dezembro de 2010

Obaa *---*

6 passaram por aqui
Mais selinhos super lindos e mega fofos, indicados pelo Italo, do blog Manuscrito

E os selinhos vêm acompanhados de uma perguntinha:  
P:Qual a coisa (pessoa, objeto, o que quiser) mais complexa que você já admirou?
R:O amor de Deus, com certeza. Quer coisa mais complexa e maravilhosa?
 


CAAAALMA AE que tem mais um selinho


E meus indicados são...
SUSPENSE
- ARTeiro, por Dilermano martins 
- Mundo Adolescente, por Helen Oliveira
- Disintegration, por Jack
- Só podia né?, por @Juusep

Vou acrescentar dois selinhos de última hora, indicados pela @juusep, do blog Só podia, né?

 
E os meus seis indicados são:
- #AEscritoraSofrida, com seu Histórias, Histórias
- #SraOpiniao, com seu I Think So...
- #NinaAuras, com seu Milk in Desktop
- #Thatz, com seu O Diário
- #Leeh, com seu Segredos do meu Fichário
- #NatyAraujo, com seu Revelando Sentimentos

17 de dezembro de 2010

My first kiss

3 passaram por aqui
- Quanto tempo, Mack. 
     Nathanny falou, entrando na cozinha. Enrolava a ponta do cabelo nos dedos, mordendo os lábios. Era um tarde fria de novembro. Nevava. Preparei um chocolate quente para nós dois, na tentativa de diminuir a tensão e o constrangimento que nos invadiam. Mas era impossível. Nathanny ainda me olhava estranho, meio torto. 
     Baixei os olhos, corando.
    - Agora você cozinha? - ela perguntou com sarcasmo. 
    - Sempre cozinhei. 
    - Ah. 
    Silêncio. 
    - Nath, o que aconteceu para que acabássemos assim? Quer dizer, éramos amigos antes. Por que não somos mais, hein? 
    - Ah, Mack. - deixou meu nome escorregar por sua língua, como se quisesse sentir seu gosto. - Você é mesmo um idiota! Como pôde esquecer? - riu, divertindo-se - Anos atrás, naquele píer. Nosso primeiro beijo, lembra-se? Foi a experiência mais esquisita da minha vida! Mordemos a língua um do outro, babamos. Éramos tão pequenos! Mal sabíamos o que fazer...
    Lembrei-me do que ela falava. Realmente foi uma experiência estranha - e completamente maravilhosa, eu diria. 
    Trouxe o beijo à memória. Estávamos os dois sentados no píer, comendo o chocolate que restara da Páscoa. Ano de 1983. Ríamos da cara lambuzada um do outro. Então falei a ela que tinha visto um filme em que os protagonistas comiam a boca um do outro. E o mais estranho é que eram felizes por isso. Nathanny apontou para mim e berrou:
    - Rá rá, Mack não sabe o que é um beijo!
    Fiquei vermelho, morto de raiva. Nath ria, olhando para mim. Era a menina mais bonita que já tinha visto. Tinha cachos castanhos que lhe cobriam o rosto e olhos gigantes que davam um ar de boneca a ela. Fazia muito sucesso entre os meninos. Mas era minha amiga, e isso ninguém podia tirar de mim. 
    Subitamente me acalmei, pensando que independentemente de quantas besteiras eu falasse ela continuaria ali, ao meu lado. Sorrindo com seus lábios de meia lua e seus olhos imensos. Corei, envergonhado. Não devia estar pensando isso, Mack, repreendia-me, irritado. Sorri, achando graça e falei a ela:
    - Eu te amo, Nathanny. Quer casar comigo?
    Para minha surpresa, ela respondeu:
    - Sim, eu quero, Mackenzie
    Depois disso nos beijamos. E, mesmo que tenhamos nos mordido e babado, ambos rimos e lembramos aquele beijo por muito tempo. Até que eu comecei a namorar. Mas naquele momento do beijo, Nathanny estava tão feliz, parecia quase... apaixonada. 
    Ah, não. 
    - Desculpe-me, Nath... - sussurrei, envergonhado. - Não cumpri minha promessa, não foi?
    - Esperei por anos pelo garoto do primeiro beijo. E onde estava você, Mack? Onde?
    - Estava aqui, pensando em você. No nosso primeiro beijo. No único beijo. 
    - Você disse que me amava, Mackenzie. Por que mentiu?
    - Não menti. Eu te amava. Eu te amo, Nathanny. Sempre vou te amar, entende isso?
    Ela esfregou os olhos, incrédula. 
    - Desculpe, como?
    - Isso mesmo. E, a propósito - pigarreei -, Nath, quer casar comigo?
    Nathanny sorriu, caminhando em minha direção. E depois dos seus lábios nos meus, não tenho muitas lembranças. A não ser as daquela tarde, naquele píer, lambuzados de chocolate...

"Like a little school mate
In the school yard
We'll play jacks and uno cards
I'll be your best friend
And you'll be my valentine
Yes, you can hold my hand
If you want to"
- Big Girls Don't Cry - Fergie -


Pauta para a 12ª semana do projeto Entrelinhas, parte da gincana de fim de ano. Espero que curtam

12 de dezembro de 2010

About [2]

2 passaram por aqui
Oi pessoas, vim dar uns avisinhos básicos. O primeiro deles é que por mais que eu queira, não vai dar para eu postar com MUUUITA frequência nessas férias. Por quê? Simplesmente porque minha melhor amiga inspiração me abandonou (Sniff). Portanto, me verão um pouco menos do que estão me vendo - que já não é muito. De qualquer forma, a diva Hellen Oliveira, do blog Mundo Adolescente, me mandou esses lindos selinhos:

 
 

Que por acaso vêm acompanhados de um meme. Tenho que falar dez coisas sobre mim. Vejamos...
   1 - Sou a menina mais sorridente que conheço. Rio e sorrio por muito pouco, simplesmente porque me faz bem. Felicidade nunca é demais.
   2 - Leio um livro atrás do outro. Consigo ler por horas seguidas sem ficar cansada, por isso devoro um livro e um ou dois dias, mesmo que tenha 600 páginas.
   3 - Tenho preguiça da escola. Estudo, tiro boas notas, mas tenho pouca paciência para isso. Começo prestando atenção na matéria e termino pensando na morte da bezerra.
   4 - Me estresso fácil. Algumas coisas bobas me deixam irritada pra caramba.
   5 - Detesto que me mandem calar a boca, mas sou a primeira a fazer isso com outra pessoa.
   6 - Gosto do frio. Agasalhos de lã e cachecóis são fofinhos. A-D-O-R-O.
   7 - Assisto filmes de madrugada. Parece-me a melhor hora, porque está tudo em silêncio.
   8 - Amo dormir tarde. Lá pelas 3 ou 4 da madrugada. Talvez mais, até.
   9 - Desenhar é minha maior paixão. A sensação da figura surgindo no papel, a emoção de vê-la pronta. Tudo.
  10 - Posso passar um bom tempo calada, apenas pensando. 

Indico a...:
~ Revelando Sentimentos, por Naty Araújo.
~ Milk in Desktop, por Nina Auras
~ I think so, por Sra. Opinião
~ Miss Thay, por Thais Cristina

3 de dezembro de 2010

Vencer, verbo intransitivo

3 passaram por aqui
"Primeiro eles te ignoram, depois riem de você, depois brigam, e então você vence."
Mahatma Gandhi

Afinal, o que é a vitória comparada a milhões de derrotas? Com certeza não é o fim da batalha. Conquistar a vitória só faz com que mais derrotas tentem se suceder, pelas mãos daqueles que muitas vezes dizem estar ao seu lado. Não, eles não estão. E no fim, quem está? 
    Se você respondeu sua família, parabéns. Sente-se rodeado de amor, por isso é vitorioso. 
    Se você respondeu seus amigos, tem sorte. Nem todos tem a chance de encontrar amigos verdadeiros.
    Se você não encontrou resposta, continue a ler esse texto; sinta-se bem-vindo e ouça-me, pois tenho algo a lhe dizer. 
    Meu nome é Letícia; tenho quatorze anos, mas muitas vezes ajo como se tivesse bem mais. Minha mãe diz que sou uma idosa por dentro e uma adolescente por fora, mas às vezes sou tão imatura que me sinto obrigada a discordar dela. Como uma criança ranheta. 
    Nunca tive toda a família ao meu lado. Metade dela se desmantelou quando meu pai faleceu. A outra metade permaneceu no muro desde então. E eu? Fiquei perdida no meio do caminho, que de uns tempos para cá se tornou um campo de batalha. Mentira versus sinceridade. Amor versus ódio. Compreensão versus egoísmo. 
    Eu versus minha decepção
    E por tudo isso, minha maior vitória foi permanecer inabalável no meio da guerra, mesmo nos momentos mais difíceis. Foi ter controle suficiente sobre mim mesma para abraçar minha mãe e dizer: Eu te amo, conta sempre comigo. Foi ser forte o suficiente para não massacrar os fracos, porque eles no fim não tinham a mínima culpa. Foi não culpar o mundo por tudo de ruim que acontecia. Foi sorrir para o céu nublado e ter certeza de que depois o sol apareceria, porque é impossível chover para sempre. 
    Não sou mais nem menos que ninguém por isso. Só sou eu, em meio a mais um monte de pessoas. Partilhamos do mesmo sofrimento, sentimos na pele a mesma chuva, sorrimos para o mesmo céu nublado; e mesmo assim, mal nos falamos. Muitas vezes até nos odiamos, por motivos triviais. 
    Mas, sabe qual é a maior vitória de todas que alguém pode conquistar? Passar por todas as tempestades do mundo, ouvir todos os trovões, sentir sobre si todos os raios e mesmo assim não deixar de acreditar que sobre todos os dias tristes, existe algo muito maior.
    O amor.

Que semana apertada essa minha, meu Deus! Caíram questões nas provas que eu nem sabia como começar a resolver. Fiquei completamente louca! O pior é que segunda ainda tenho a de matemática. Só não choro porque são as últimas do ano. E depois? FÉRIAS! Finalmente, depois de uns nove meses de aula vou poder ter um descanso. Amém. Quanto ao texto, espero que tenham gostado, ganhei o 3° lugar do Blorkutando com ele :) Beijos a quem me escuta e um abraço de urso a quem me lê.

23 de novembro de 2010

Used to love her

9 passaram por aqui
- Eu nunca fui o seu problema, não é, Ben?
    Ashley insistia, sacudindo meus ombros de forma a me deixar tonto. Lágrimas corriam por suas bochechas rosadas, e a vontade de secá-las doía fisicamente. Não o fiz, simplesmente por não achar certo. Já era drama demais para nós dois. 
    - Está enganada. - disse, rispidamente - Você é meu único problema.
    Em resposta, ela apenas soluçou. 
    - Sempre você, Ashley! - fechei os olhos, contendo meu próprio choro. - Em todos os lugares, a toda hora. Sempre... 
    - Do que está falando, seu demente?! 
    - Eu.. eu... não sei, tá bom? Não faço a mínima ideia.
    Suspirei, sentando-me no chão. Pela primeira vez desde que a conhecera, senti que não podia fazer nada por ela. Nada que pudesse acalmá-la, ou mantê-la sã. Mas, estávamos ambos à beira da loucura - e quando dois loucos discutem, só fazem se machucar ainda mais. 
    Um vento frio invadiu o ginásio em que nos encontrávamos. Já era tarde da noite, por volta das onze. O ar ficou mais suave quando o obriguei a entrar em meus pulmões, mas só de ter seu corpo próximo ao meu, já me sentia sufocar. Ashley parecia passar pelo mesmo, apesar de disfarçar melhor. Sempre foi melhor atriz. 
    - Eu te amo, Ben. 
    - Eu sei. - cortei-a. - Isso é o que menos me importa agora. 
    Ela engoliu em seco, estalando o ar na garganta. 
    Uma mão invisível esmagou meu coração, enchendo-me ainda mais de culpa. 
    - Desculpe-me. 
    - Estou acostumada. - sorriu, descendo os dedos por meu cabelo desalinhado. - Como eu disse, eu te amo. 
    - Eu te amo também, Ashley. Como nunca pôde perceber?
    A incompreensão invadiu seu rosto. Ri alto, agarrando sua mão que descia por minhas costas, contornando minha coluna. Ashley era dona de um carisma assustador, e só um sorriso seu poderia me fazer admitir o que escondia de mim mesmo há um ano. Mais uma vez me senti sufocado. 
    - Não dá mais, Ash... 
    - Como? 
    Agarrei-a pelos ombros e preguei meus lábios aos dela, distraindo-a de minhas mãos, que remexiam nos bolsos de meu jeans. A peça metálica estalou sob meus dedos e saiu sem dificuldades de onde se escondia. Destravei o gatilho, ainda envolvendo-a em meus braços. Ela ofegava, arranhando meus ombros com desespero. 
    - Nossa... - suspirou - Eu... caramba! 
    Foi então que ela a viu. A arma, escondida sob minha coxa esquerda. Prendi suas mãos contra seu corpo e enfiei o cano em minha garganta, ameaçando atirar. O desespero de Ashley tornou-se palpável à medida percebia que eu podia mesmo me matar ali, na sua frente. 
    Tudo que se seguiu aconteceu em questão de segundos. Seus braços eram fortes contra o meu ombro, e prendiam-me contra o chão, com a arma ainda na mão. Meu Deus, como ela era forte! Pisava em meu pulso, impedindo-me de qualquer reação. E berrava, berrava alto! Eu queria mandar que se calasse, mas não conseguia impedi-la de salvar-me daquilo. Da minha própria desgraça! 
     - Por que fez isso? - perguntei, ao me deixar falar. 
     - Porque uma coisa é morrer de amor. 
     Ashley pisou mais forte em meu pulso, desviando um dos tiros, que acertou no teto.
     - Outra, é se matar por uma grande idiotice! 

    Lá fora, podia-se ouvir o barulho de sirenes e carros se aproximando.

"She bitched so much,
she drove me nuts
And now we're happier this way, alright"
- Used To Love Her - Guns N' Roses



~ Pauta para o Palavras Mil
~ Foto: GettyImages
~ Outro link, aqui
~ Visitem o blog: Segredos do Meu Fichário, by: Léeh

;*

28 de outubro de 2010

When I Look At You

8 passaram por aqui
2° Lugar - Bloínquês (Edição Visual)

- Você mentiu, seu idiota!
     Monique berrou, começando a correr na direção contrária. O sol escaldante dificultava sua respiração e seus pensamentos, transformando -os em flashbacks confusos. Mas ela ainda tinha certeza das últimas palavras de Jake, assim como de sua mentira. 
     E ela ainda não conseguia acreditar. 
     - Ei, espera, Nique! - ele berrou, tentando conter a fúria dela. - Não vai assim! Conversa comigo, por favor... 
     - NÃO! 
     - Mas, eu não sou como você pensa, - insistiu, agora com um tom desesperado em sua voz. - eu te amo! 
     - É mesmo? - devolveu, com o olhar enfurecido - Bom pra você! 
     Não adiantava, qualquer esforço que ele fizesse seria em vão. Ela estava irredutível. 
     Ela era assim. 
     Monique não era uma garota comum - disso Jake sabia bem até demais. Seus sentimentos eram instáveis, seus sorrisos tinham múltiplos sentidos e suas palavras muitas vezes não soavam agradáveis. Ele tinha aceitado tudo isso no momento em que se viu apaixonado por ela. Conseguia aceitar tudo, menos perdê-la. Isso era inadmissível. 
     - Eu menti, eu sei! - berrou -, mas você não vai me deixar assim!
     - É mesmo?! E por quê?
     Jake não respondeu com palavras. Em vez disso respirou fundo e caminhou em sua direção. Monique ofegava pela correria e pelo cansaço. Vinha fugindo da realidade desde que ele lhe contara a verdade sobre o acidente. O acidente que quase matara os dois. 
     Lembrava-se de cada palavra, desde o "A culpa foi minha", até o "Sinto muito". 
     Jake sabia que o freio estava estragado. Sabia que podia morrer, e ainda assim carregou os dois para aquela loucura. Viajar sem freios pelo meio da floresta! Além disso, admitiu estar drogado, entupido de cocaína, cheirando a álcool e exalando perigo. Mas o que mais a irritava, era que ela foi com ele assim mesmo. 
     Arriscou sua vida por ele. 
     Ele continuava andando. Cada vez chegava mais perto dela - uma menina trêmula, arisca e furiosa. Monique estava vermelha - só não sabia se de raiva ou de vergonha. Talvez os dois - Jake não queria pensar naquele momento. O que iria fazer, provavelmente a irritaria ainda mais. Mas ele faria mesmo assim. 
     Agarrou-a sem explicações e começou a carregá-la, ignorando seus chutes e xingamentos. Parou à beira de um lago, tirou os chinelos e jogou-se lá dentro. Os dois mergulharam, voltando a superfície segundos depois. A vermelhidão foi substituída por uma palidez assustadora. Ela estava totalmente apavorada.
     - Você está drogado, Jake?
     - Não. - disse ele, convicto - Nunca estive mais sóbrio. 
     - Então por que fez isso?! Me molhou da cabeça aos pés! 
     - Gostei disso. - sorriu malicioso, olhando para a camiseta transparente que ela usava - Se tirar o sutiã, fica melhor. 
     - Cala a boca! 
    Ele riu. 
    - Falo sério - Monique insistiu, olhando-o incisivamente - Por que fez isso?
    - Nique, - encarou-a, sério. - se lembra quando eu te contei que quase morri uma vez? 
    - Sim. 
    - Foi aqui. Eu quase morri aqui, nesse lago. 
    Ela franziu a testa, confusa. Por que ele mergulharia justo no lugar onde quase morreu? 
    - Eu... não te contei o motivo - hesitou - Eu quase morri afogado porque me droguei dentro do lago. E apaguei. De repente, só senti a água entrando pela minha boca, pelo meu nariz. Sentia o lago me engolindo, sugando minha vida. - fez uma pausa - Isso foi logo depois do nosso acidente. Eu... queria morrer. Eu ainda me culpava por sua quase-morte. Ainda me culpo. E quero saber, se... você me perdoa. 
    Monique sentiu o rosto molhado, mas não pela água. Lágrimas. 
    - Sim, eu perdôo. Eu... - engasgou - eu te amo, Jake. 
    Enlaçou-o pelo pescoço, beijando seus lábios arrependidos e meio frios, perdidos. 
    - Me desculpe, Nique. 
    - Não tem problema, já passou... 
    Ele agarrou seu corpo molhado e apertou-a contra si. Nunca mais ia magoá-la. Nunca mais ia machucá-la. Senão, a dor o mataria também. E ele ainda era egoísta demais para isso. Egoísta, ela pensou, e completamente emotivo
    E sorriu, abraçando-o de volta.

"Yeah, when my world is falling apart
And there's no light to break up the dark
That's when I, I, I look at you
When the waves are flooding the shore and I
Can't find my way home anymore
That's when I, I, I look at you"
 - When I look at you - Miley Cyrus - 


.    .    .

Notas da autora
Quem já leu o livro A última música, de Nicholas Sparks, deve perceber que tem muito de Ronnie e Will nessa história. Eu acabei de lê-lo hoje, e me deu uma vontade de escrever uma história inspirada no livro... 
Desculpem pelo tamanho, e espero que gostem.

23 de outubro de 2010

Esclarecimento

4 passaram por aqui
Gente, para quem não sabe, a maioria dos textos que eu escrevo aqui não é real. Os únicos que são, levam o marcador Sobre mim ou alguma nota minha, dizendo de que parte da minha vida se trata. 
Quero aproveitar para agradecer mais uma vez a vocês que me seguem e comentam no meu blog. Isso me deixa MUITO feliz *-*
Beeijos ;*

22 de outubro de 2010

Something Inside Me

2 passaram por aqui

2° lugar - Bloínquês (Edição Visual)

    De uma forma ou de outra, eu precisava esclarecer as coisas.
    Peguei as chaves do carro e bati a porta, caminhando cautelosa até o lugar combinado. A entrada da campina era escondida, mas de muito fácil acesso para quem já conhecia bem o lugar. E Jack e eu conhecíamos como ninguém. Ele mais do que eu, o que lhe dava vantagem.
    E me deixava na defensiva mais uma vez.
    Parei depois de dez passos e respirei fundo. O que exatamente eu esperava que acontecesse? Sim, eu queria um milagre. Queria que tudo voltasse no tempo e fosse diferente. Não devia tê-lo conhecido, muito menos ido tão longe com ele.
    Engravidado.
    - Oi, Carmem - sua voz sussurrou.
    - Oi. - respondi, fria e distante - Será que pode aparecer?
    - Com prazer, amor.
    Um vulto atravessou a campina e parou à minha frente, fazendo todo meu corpo tremer. Um sorriso malévolo e sedutor atravessou seus lábios, e com o olhar fixo em mim, ele perguntou:
    - Queria me ver?
    - Sim, muito.
    - Hmm... bom ouvir isso. - dedilhou meus lábios trêmulos - Estava com saudade da minha gatinha.
    - Cala a boca, Jack. Temos que conversar.
    - Sobre o o quê? Sua gravidez?
    - Vo-você sabe?
    - Tenha dó, Carmem. - bufou - Nós fizemos sexo. Isso era previsível.
    - E o que fazemos agora?
    - Fazemos? - repetiu incrédulo - Carmem, acorda! Eu sou um fugitivo da lei! Acha que posso assumir filhinhos?!
    - Mas eu... eu não!
    - Você não é burra, meu amor. Eu sei que não é. Então não finja que não entende...
    Respirei fundo mais uma vez, digerindo as informações. Um nó esmagava meu cérebro, impedindo raciocínios lógicos como aquele que ele acabara de me impor. É óbvio que ele não assumiria nada. Mal podia usar o próprio nome!
    - Idiota! - me xinguei como conclusão.
    - Escuta, - pediu, amolecendo o tom de voz - eu te amo, Carmen. Como nunca amei ninguém na vida. Mas agora, estou numa situação ruim. Eu matei um homem. Devia estar na cadeia a essa hora.
    - Não quer ficar comigo?
    Ele não respondeu de imediato.
    Reprimi as lágrimas que lutavam com toda força para sair e esperei. Uma hora ele tinha que falar.
    - Não é isso, amor. - respondeu por fim - É só que você me encontrou na hora errada, entende?
    Assenti.
    - Eu quero de verdade ser um homem bom. - suspirou - Mas eu não sou. E já fui longe demais para voltar agora.
    - Certo... - engoli em seco - Compreendo. E o que eu faço agora?
   Ele ficou em silêncio.
   De repente, começou a chorar. Soluços irrompiam por seu corpo, chacoalhando-o em meus braços. Nunca o tinha visto chorar daquele jeito, tão impotente, inútil. Ele agarrou meu rosto e pressionou febrilmente seus lábios contra os meus, absorvendo tudo o que podia do meu beijo.
    E então, algo frio espetou minha barriga. Uma arma.
    - O que está fazendo?
    - Eu não posso ser pai, - respondeu, retornando ao tom duro - não assim, não agora.
    - Não faça isso. Por favor?
    Mas ele não me ouviu.
    Ouvi um clac e depois um único tiro. Uma dor dilacerante atingiu minha barriga, me derrubando no chão. Jack sorriu e se agachou, beijando minha testa.
    - Durma bem, amor.
    Seu vulto retornou pela campina, sumindo na noite negra e fria. Meu corpo inerte continuou ali, estirado, sozinho. Eu me sentia triste, magoada .
    E agora, tinha certeza de que por dentro, eu estava vazia.



Notas da autora
Quando vi essa imagem, pensei: "Preciso escrever sobre ela, nem que o texto saia um lixo" e bem, ele deu nisso. Se saiu um lixo ou não, eu não sei, só sei que pelo menos eu escrevi. E então, vocês gostaram?
Beeijoos ♥

19 de outubro de 2010

A base do amor

5 passaram por aqui
1 ° Lugar - Bloínquês (Edição Opinativa)

O mundo está rodeado de amantes. Apaixonados, vivendo em um mundo de rosas e flores vermelhas. Infelizmente - sim, muito infelizmente -, muitas vezes eles são taxados de idiotas, burros e cegos. Acusados de esquecer a realidade, de inventar uma idiotice para escapar da verdade da vida.
    Mas não, o amor nunca foi e nem vai ser válvula de escape ou alienação de mentes vazias.
    O amor é simplesmente um sentimento. Um sentimento especial, mas ainda assim, um sentimento. E ele não é problema, o problema mora no modo que as pessoas encontram para lidar com as sensações avassaladoras que o acompanham.
    E quem é você para falar de amor?, vocês se perguntam.
    Pois essa que vos fala, está apaixonada há muito tempo. Apaixonada sem ser correspondida, mas encontrando motivos para continuar sentindo o que sente agora. Dois anos atrás, ela conheceu um garoto meio diferente, mas muito especial. E desde então, encontrou várias razões para ver nele o que não havia visto em ninguém até aquele momento.
    E ela encontrou vários motivos. Entre eles, dez se destacaram.
    O primeiro deles, foi o modo como dizia tudo no silêncio. Conseguia tirar mais palavras do vazio do que a maioria tenta dizer com a voz. Era quieto por ser, não por obrigação. E isso era impressionante, assustador e intrigante, tudo ao mesmo tempo.
    Em segundo lugar, ficava o fato de que ele sorria sem mover os lábios, sorria com os olhos. Nunca precisava de gargalhadas para rir. Sua felicidade se prendia no breu de seu olhar. Além disso, escondia-se sob uma máscara misteriosa e intransponível. Era difícil saber quando sua ironia era verdadeira, quando era apenas uma forma de se esconder de motivos maiores. Ou quando não era uma coisa nem outra.
    Suas lágrimas, eram sempre transparentes e destemidas. Nunca caíam por consolo, por mentira ou por sofrimentos fúteis. Só apareciam quando eram frutos de uma dor verdadeira, de uma angustia maior que seu próprio ser. Sua voz era leve e medida. Raramente dizia algo só por dizer. Sempre escondia um segundo sentido, ou uma ideia meio louca por trás dela.
    A sexta razão, era - e é - o motivo mais estranho, porém o mais forte de todos: Ele nunca olhava diretamente nos olhos dela. Encontrava outra coisa em que fixar seu olhar, sem nunca trocar um olhar direto. Parecia esconder um segredo por trás de seus olhos perdidos.
    O oitavo motivo da lista, era que raramente o via com amigos. Soava tão anti-social e ao mesmo tempo tão especial, exclusivo entre os tantos outros garotos, que viviam se estapeando, brincando de coisa estranhas, ridículas.
    E, a mesma menina que começou esse texto, descobriu que o amava por suas esquisitices, suas manias estranhas e seu jeito de andar. É, talvez as três coisas não tenham uma conexão real, mas acabaram se tornando a base para que os outros motivos se sustentassem. O amor é mesmo um chão fixo sustentando em um malabarismo os outros tantos defeitos ou as qualidades.
    É a lei da vida.
    Por isso, o fato de a cada dia ele ter uma opinião diferente, mas sempre sustentada pelo mesmo principio, só fez com que se tornasse mais diferente. As diferenças de opinião formam a mente humana, criando dentro de nós um manual, uma base sobre a qual as opiniões se formam.
    O décimo motivo foi o mais absurdo e inesperado de todos: Ela nunca descobriu que músicas haviam no seu Mp4. Era um motivo diferente, uma obsessão por músicas, talvez até uma paranoia. Mas quem não as têm?
    Por isso eu, a garota apaixonada, falo do amor.
    Evitar a primeira pessoa é costume de quem esconde o que sente para os outros, mas não esconde si mesmo. A realidade dos amantes que rondam o mundo é essa: buscar motivos, razões, fatos concretos que mantenham vivo um sentimento que é bastante abstrato.
    E afinal, o que é o amor, além de uma lista de motivos meio bobos, mas completamente verdadeiros?

Desculpem de verdade pelo tamanho do texto. Mas eu fui escrevendo, escrevendo e quando vi, já estava desse tamanho :) De qualquer forma, espero que gostem *-* Beeeeeeijos ♥



17 de outubro de 2010

Send It On - Parte IX

2 passaram por aqui
 Todas as partes, aqui
    Pedi a meu tio que chamasse um táxi e fui para o único lugar que achei que Jared pudesse ir: a praia. A praia mais próxima, na verdade. Jared tinha uma paixão louca por praias desde pequeno, dizia que gostava da areia nos pés, da água nas canelas. E disse também que nos casaríamos em uma. Duvido muito que a segunda parte ainda esteja de pé.
    O taxista me deixou na esquina. 
    Corri o mais rápido que pude, olhando para todas as direções, procurando por algum sinal dele. Nada. Várias pessoas nadavam, faziam castelos de areia, tomavam sol. Mas nenhuma delas era ele. Onde meu namorado tinha se metido?
    Dois braços agarraram minha cintura.
    - Procurando por mim?
    - Ai, que susto, Jared!
    - Foi mal, amor. - sorriu. 
    Beijei de leve seus lábios. 
    - Por que fugiu?
    - Foi difícil ver você se pegando com meu primo. 
    - Mas eu não...! 
    - Ei, relaxa! Eu não tô te acusando de nada. Só falei uma verdade. - e, aumentando o tom de voz, berrou para quem quisesse ouvir - EU MORRO DE CIUMES DE VOCÊ!
    Rimos das caras assustadas de quem ouviu.
    - Mas eu amo você. - decretei - E nada, nada no mundo vai mudar isso. 
    - E eu amo você. Nem Angelina Jolie muda isso.
    - Olha... o Brad Pitt tem uma grande chance de mudar... 
    Jared lançou um olhar brincalhão.
    - Ninguém é mais bonito que o papai aqui. 
    - Ah, vai sonhando! 
    Demos as mãos e saímos caminhando pela praia, curtindo o pôr-do-sol. 
    - Sabe... - murmurou - acho que tudo isso teve um motivo.
    - Hmm? - respondi, desatenta. 
    - É. - confirmou - Uma razão, entende?
    - Sim. 
    - Porque se você não tivesse conhecido o Ian, não estaríamos juntos de novo.
    - Faz sentido.
    Meu celular tocou. Apertei o botão vermelho e desliguei a porcaria do aparelho. Jared riu, cúmplice da minha ideia. Então me pegou no colo e correu para água. 
    A minha viagem, começava agora...

FIM
  

Send It On - Parte VIII

0 passaram por aqui

    Já estávamos entrando no avião quando o celular tocou de novo.
    Era minha mãe, avisando que tinha conseguido um lugar para nós dormirmos naquela noite - não queria que alugássemos nenhum de nossos parentes. O hotel chamava Sant Crusoé. Nossos quartos eram o 107 e o 108, no terceiro andar. Jared torceu o lábios, reclamando por serem dois quarto e não um. Mas meu pai tinha suas restrições quanto aos meus namoros. E não era minha mãe quem iria discutir com ele. 
     O vôo foi tranquilo, tirando o ronco irritante do velho à nossa frente e os espirros nojentos do pirralho atrás de nós. O tempo todo Jared segurava minha mão, evitando que eu tremesse mais do que minha preocupação permitia. 
     Chegamos ao Rio com vantagem, já que um táxi esperava por nós na porta. Dentro dele estava meu tio avô que eu nunca tinha visto pessoalmente, só por fotos. Ele nos abraçou rapidamente e nos puxou para dentro, mandando o taxista correr o mais depressa possível. 
     Era hora de botar o plano em ação. 
     Peguei o celular da bolsa e cliquei no segundo número da minha discagem rápida. 
     - Alô? - a voz trôpega respondeu. 
     - Sou eu, Ian. Estou aqui, no Rio. Onde encontro você?
     - No Norte Shopping. Vou te esperar na entrada do estacionamento.
     - Tá. 
     Desligamos.
     Falei para meu tio aonde ia. Paramos na casa dele, deixamos as malas e continuamos o caminho no carro dele. Meu Deus, ele corria como louco! Voamos pelas ruas como se só nós estivessemos por lá. Chegamos com uns quinze minutos poupados pela correria desenfreada. 
     E, pela primeira vez, eu o vi. 
     Um Ian de carne e osso me esperava na entrada. Tinha uma aparência péssima, mas era bonito. Cabelos castanhos, olhos negros, lábios de meia lua. Moreno, alto. Era exatamente como imaginei, só que mais bêbado e afetado. 
      - Oi, Ian. - falei, sorrindo. - Queria me ver? 
      - Sim, muito. - respondeu, rindo. Ele me abraçou forte e olhou para mim - Como você é linda... Minha morena. Desculpe-me pelas ameaças, mas eu precisava te ver. Porque eu preciso te dizer que... 
     Não continuou. 
     - Dizer...? 
     - Meu Deus, eu te amo, Yasmin! - berrou. Quem passava por ali olhou e aplaudiu. 
     Depois disso, Ian me agarrou. Prendeu-me junto ao seu corpo e beijou minha boca como se ela fosse o último copo d'água da Terra. Meu corpo amoleceu. Fiquei fraca e ofegante. 
     - O que...? - consegui perguntar. 
     - Diga que me ama. 
     Mas ele não me deixou responder. 
     Abraçou meu corpo mole e voltou a me beijar, pressionando seus lábios frios contra o meu pescoço, meus ombros, meu queixo, minha testa. Por um momento, me senti fraca, inútil. Como explicar a ele que não o queria mais? 
     Que meus sentimentos tinham me enganado?
     - Ian... - comecei. - Eu, eu te amei, muito. Mas... algo dentro de mim mudou. Eu confundi tudo. O amor que eu sentia por você não é esse tipo de amor. Esse tipo de amor eu sinto pelo seu primo... Nós namoramos, terminamos, mas eu ainda o amo, Ian... 
     - Como?! 
     - Me desculpe. Eu sinto muito. 
     - Foi bom te ver. 
   Ele falou. Depois saiu sem mais explicações. Deu as costas e foi embora. Aos poucos, o público se desfez, cada um voltou para o que fazia. Respirei fundo, absorvendo todo o ar que podia. O peso era menor agora. Eu já tinha esclarecido as coisas. 
   Fui de encontro a Jared. Mas, onde ele estava?
   Olhei para o meu tio. Ele apenas deu de ombros e apontou para trás. Jared estava dentro do carro, dando a partida e saindo de ré. Duas lágrimas escorriam, uma de cada olho. 
    Antes de ele sair, pude ler algumas palavras em seus lábios. Com um sorriso triste, ele sussurrou:
    - Eu te amo. 
    E sumiu no fim da rua.

Send It On - Parte VII

0 passaram por aqui

Minha cor voltou aos poucos, quando os berros de mais umas pessoas ecoaram atrás dele. 
    - Você não está sozinho. - falei, aliviada. 
    - Não, não estou mesmo. Mas se você não vier me ver, eu juro que me mato. Está me ouvindo, Yasmin? 
    - Sim. 
    - Ótimo. - disse com a voz áspera - Eu sei que suas passagens são para hoje. Então, apareça aqui. Ou... Bem, não preciso repetir, né?
    E, fazendo um barulho de queda, ele desligou o celular. 
    - Quem era? - perguntou Jared, assim que desliguei. 
    - Ian. Ele disse que vai se matar se eu não for para o Rio ainda hoje. 
    - Engraçado, as pessoas normalmente fazem ameaças de morte, não de suicídio. 
    Jared riu.
    - Isso não devia ter graça, Jared.
    - Qual é, Yasmin? O Ian nunca se mataria! É egoísta demais para isso. 
    - Como pode ter tanta certeza? 
    - Acredite, eu sei. 
    Deixei passar. 
    - E agora, o que fazemos?
    - Vamos para o Rio. - ele deu de ombros. - Não é o que o bebê chorão quer? 
    - Para de zoar. 
    Demos meia volta e caminhamos de volta para casa, esgotados. Até onde meu ex-namorado aparentemente psicótico poderia ir? Parece que eu ia descobrir aos poucos, começando pela ameaçada de suicídio. 
    Quantos andares ele pretendia subir antes de se jogar? 
    - Estou com medo, Jared... 
    - Não precisa. - me abraçou - Eu estou contigo nessa.
    Não respondi, apenas aproveitei o gosto daquelas palavras enquanto elas sumiam no vácuo. 
    Assim que entramos pela porta da cozinha, um novo ar surgiu. Era denso, dolorido, pesado. Na sala, estavam meu pai, minha mãe, minha madrasta e meu irmão. Todos calados, com semblante preocupado.
    Foi só ficarmos à vista que todos os olhares se voltaram para nós. 
    - O que...? - comecei a perguntar.
    Então, olhei para o telefone no centro da mesinha e senti meu chão tremer e girar várias vezes. Precisei que Jared me segurasse para não desabar. Ian tinha ligado para eles também. Agora sim eu estava ferrada. 
     Montei o acontecido: Ian ligou para a empregada, que se desesperou e ligou para o escritório de meu pai, que ligou para minha madrasta, que aquela hora devia estar buscando meu irmão. Ela o trouxe para casa e esperou meu pai. Quando ele chegou, ligou para minha mãe, que veio me esperar também. E agora, eu estava sendo fulminada por olhares apavorantes.
     Eram ques demais para mim. 
     - E o que fazemos agora? - ecoei minha pergunta. 
     - Vocês vão para o Rio. - ordenou meu pai. - Temos que salvar esse maluco. 
     - Vão indo, - disse minha mãe - providenciamos a autorização no caminho.
     Os outros deram de ombros. 
     - Sorte, Ya... - disse meu irmão, com o dedo na boca. 
     Assenti, ainda sem fala. 
     O celular tocou de novo. Puxei-o do bolso, murmurando um alô quase mudo. Previa o inferno pela frente. Uma voz aflita murmurou:
     - Oi, Yasmin. - era o pai do Ian - O Ian saiu daqui descontrolado. Sabem para onde ele pode ter ido?
     Desliguei sem responder.
     Tínhamos menos tempo do que eu imaginava.

Send It On - Parte VI

1 passaram por aqui

    Era difícil acreditar que ele estava ali de novo.
    Depois de dois anos, meu Jared estava de novo perto de mim, me beijando como fazia antes de terminarmos. Antes de eu magoá-lo. Entrei na cozinha e procurei a coca-cola. Onde meus pais a tinham colocado? 
    - Droga, tudo some quando eu to procurando. 
    Senti dois braços me envolverem pela cintura. 
    - Eu acabei de aparecer. 
    Me virei para ele, agarrando seu pescoço e puxando seu rosto para o meu. 
    - Me desculpe por mentir, Jared... - engasguei com as lágrimas. - Eu... eu não sei por que fiz aquilo. 
    - Eu sei. 
    Como?
    - Porque eu disse que podia estar gostando de outra. 
    Disso eu não me lembrava.
    - E estava?
    - Não... porque eu sempre gostei de você, minha boneca. Só de você. Para sempre. 
    - Para sempre, sempre. - repeti, sentindo o gosto das palavras na minha boca. 
    Fui interrompida por seus lábios ávidos contornando meu pescoço e meu queixo. Agarrei seu pescoço mais forte, espremendo seu corpo de encontro ao meu. Caramba, que saudade desse cheiro de colônia, desses cabelos cacheados, desse sorriso malicioso que sempre me irritava. Desses lábios carnudos e rosados. 
     Nossa... eu estava realmente louca. Minha mãe tinha toda razão.
     - Diga? - pediu ele, docemente. 
     Hesitei.
     Quando eu e Jared éramos pequenos, inventamos uma promessa de amor que a maioria consideraria ridícula, mas que por um motivo desconhecido por mim, se tornou a coisa mais especial para ele. Eu não tinha que perguntar o que devia dizer, só tinha que ecoar as palavras que usara anos atrás. 
     - Mesmo que me arranquem os biscoitos, que me tirem os brinquedos, eu nunca vou esquecer você. Porque mais que os carrinhos e as bonecas, mais que o chocolate, você é um pedacinho de mim. E de todas as lembranças que eu vou guardar, é a única que vou cuidar todos os dias para não esquecer. 
     Pigarreei.
     - Funcionou - falei - Eu nunca esqueci mesmo.
     - Eu também não.
     Ficamos em silêncio, apenas abraçando um ao outro. 
     Um momento tão intimo, que me senti envergonhada quando minha empregada chegou em casa e nos pegou assim, parados no meio da cozinha, agarrados um ao outro. Ela não disse nada, só saiu dali e começou seus serviços diários. Mas percebi que ela evitava a cozinha ao máximo. 
      Rimos.
      - E agora, o que vamos fazer? 
      - Não sei. - admiti. - Que tal, sei lá... Tomar um sorvete? 
      - Hmm... - beijou meu rosto - delícia. 
      Ri do duplo sentido. 
      - Você continua idiota, né, Jared? 
      - Minha especialidade. 
      Saímos para a rua, deixando várias preocupações para trás. 
      Já pela metade do caminho, senti meu celular vibrar no bolso. O número de Ian piscava na tela. Fiz um sinal para Jared esperar e atendi. Uma voz trôpega murmurou:
      - Alô, Yasmin?
      Meus Deus, ele estava bêbado!
      - Eu preciso de você. 
      - Onde você está, Ian?
      - No alto de um prédio. 
      E, com um soluço, completou:
      - Eu vou me matar.

                                      
Dedicado à Marianna, minha priminha do coração ♥

16 de outubro de 2010

Send It On - Parte V

0 passaram por aqui
    Eu precisava de um tempo sozinha. 
    Arranquei meu telefone da parede, saí do computador e me joguei na cama. Ainda tinha que pesar o quão fundo eu tinha ido na minha própria idiotice. Você tem um namorado, Yasmin, minha consciência me lembrou. E quem se importa com ele? , meu irracional rebateu, incisivo, Ele é virtual, isso não vale nada!, completou.
    As duas vozes começaram a se misturar. Uma berrava Jared, a outra Ian e no fim, eu não ouvia nenhuma das duas. Ou talvez não quisesse ouvir, tanto fazia. Só sei que tinha que dar um jeito nisso, nem que tivesse de magoar um deles ou os dois. 
    Religuei as tomadas e peguei o fone. Discar os números foi mais complicado, eu não sabia para quem ligava primeiro. Essa história de dúvida já estava cansativa. Fechei os olhos e disquei sem ver, rezando para ter feito a escolha certa. 
    Ian atendeu ao segundo toque. 
     - Alô? 
     - Oi, Ian... - sussurrei, suando frio - Podemos conversar? 
     - Não é uma boa hora... 
    Ouvi estalos, depois um chiado e então... nada. Ele não tinha desligado, mas a linha estava vazia. 
    Um minuto depois, ele voltou a falar: 
    - Vamos terminar aqui.
    - Por quê, você tem que desligar?
    - Não estou falando da ligação. Estou falando da gente. E disso que a gente chama de namoro. Tchau.
    E de repente, não havia mais ninguém do outro lado. 
    Desliguei também, mal acreditando no que acabar de ouvir. Como meu (ex) namorado podia fazer isso sem dar ao mínimo uma explicação? Mordi meus lábios, praguejando-o. Fiquei imaginando a cara com que ele me disse isso. A cara de pau. Sem vergonha.
    Mas vendo por outro lado, eu estava solteira agora. O que significava que eu era toda do Jared. E isso era... perfeito? Senti meus olhos brilharem de excitação enquanto eu arrancava novamente o telefone do gancho. 
    Como a vida dá voltas. Impressionante.  
    Quando eu ia discar o último número, a campainha tocou. Corri para atender, imaginando quem era. Meu pai não voltaria aquela noite, minha madrasta tinha ido a um SPA, meu irmão estava na casa de um amigo. Meu Deus, será que tinha acontecido alguma coisa com ele? Não... eles teriam telefonado e não batido campainha.
    Parei de cogitar e fui logo atender. 
    Mal abri a porta, alguém me agarrou com força pela cintura e pregou a boca na minha, enchendo meu rosto com um hálito de menta. E, depois de me agarrar, ele murmurou:
    - Oi. 
    E com mais um beijo, completou:
    - Vim te ver.


               Dedicado à minha amiga Thaís, que me deu idéias :)