30 de janeiro de 2010

Suspense...

Como pude não perceber o quanto ele era lindo? Deve ser porque estava escondido dentro daquela cara de quem comeu e não gostou. Mas ali, sorrindo e acenando, ele era um figura perfeita de deus grego. Seus cabelos negros contrastando com sua pele branca. Seu meio-sorriso perfeito e seus olhos verdes sinceros eram insuportavelmente maravilhosos.
   Deixei minha mente vagar enquanto respondia ao recado da minha amiga. Pensei em Pedro e Gabriel, lado a lado. Por um lado Pedro era lindo: cabelo loiro e liso, perfeito para sua pele também branca, seus olhos azuis de anjo, mas por outro Gabriel também era, seu cabelo negro e cacheado... Como o lado envenenado da maça, o mistério e o perigo... Nem adiantava mais pensar, eu já estava ficando louca enquanto pensava em meninos e maçãs ao mesmo tempo. 
  Terminei de responder aos scraps e fui trocar de roupa. Ela já estava em cima da cama. Vesti tudo e fui para a sala, esperar o tempo passar.
  O tempo se arrastava enquanto esperava impacientemente. 
  Assim que o relógio da igreja anunciou as duas, desci correndo as escadas e parei no portão, quase quebrando o nariz na grade.
  O carro chegou um pouco depois de mim. Destranquei e tranquei o portão quase em um só movimento... Pulei no banco traseiro e fiquei em silêncio. Se a conversa não começava, não seria eu que a começaria.
  O silêncio reinou até que o pai de Pedro nos deixasse na porta do clube. Assim que saímos do carro e ficamos sozinhos...
- Finalmente - murmurou ele, assim que o pai virou a esquina
- O que foi?
- Eu estou te sequestrando! - falou, parecia sério. Mas não podia ser...
- Tá zoando?
- Tô - admitiu - mas a gente não vai ficar aqui mesmo não. O clube era só uma desculpa. Agora vem... - falou, virando na direção contrária.
   Ele me levou até a estação de metrô. Ele me pediu para esperar perto de uma pilastra e entrou em uma fila que eu não sabia pra que era. Dez mintos depois, voltou e pediu para que o seguisse. Passamos pela roleta. Ele tinha pagado minha passagem, que cavalheiro. Descemos a escada. Estávamos na estação Central e só Deus sabe para onde iámos. Deus e Pedro
  Assim que o trem chegou entramos nele e pela primeira vez ele falou alguma coisa...
- Vamos a um lugar que fica na estação floramar...
- E que lugar seria esse?
- Logo vai ver. - prometeu.
   As estações passavam voando enquanto a ansiedade da dúvida me consumia. Assim que descemos dali, corremos pelas escada e saimos em uma ruazinha bem estreita. Viramos a esquina e subimos por uma rua cheia de curvas até que saímos em outra ladeira, mais "em pé", porém menor. Subimos e viramos à direita, de repente estávamos em uma pracinha calma e tranquila em frente a uma igreja. Nos sentamos em um banco e ele disse:
- Vamos descansar um pouco...
- Ainda não chegamos? - o desepero em minha voz o fez rir. 
- A gente nem andou tanto assim!  
- Eu estou de chinelos, não de tênis! Podia ter me avisado que a gente ia fugir para outro bairro!
- Você não tem cara de quem segura a lingua dentro da boca!
- Tá me chamando de linguaruda?
- É - fechei a cara - Mas é uma linguaruda linda... - completou. Senti seus dedos no meu cabelo. Cheguei mais perto. Ele me abraçou. Ficamos assim, parados - Eu quero te beijar - sussurrou de repente.
- Eu também... - respondi, sem nem mesmo pensar.
    Seus lábios estavam nos meus pouco tempo depois.
    E não foi como eu pensava que seria... Foi melhor ainda.
    E acabou de repente.
- Temos que ir, senão não estaremos de volta quando meu pai for nos buscar no "clube"...
- Clube... sei, sei...
    Ele me deu a mão e saimos correndo pelas ruas, virando esquerdas e direitas em vários lugares. Por fim estávamos em um parque simples e quieto. Entramos por uma porta depois de comprarmos açaí e coxinhas na padaria que tinha em frente.
   Começamos a andar por um caminho de terra e pedras. Um lago cheio de patos tomava a nossa vista. Nos sentamos na beira dele e começamos a devorar nosso lanche.
- Sabia...
- Diz...
- Que você tem um sorriso lindo?
- Sabia - brinquei. Ele sorriu.
- Hmm, acho que tem um bicho aqui! - me alertou.
- Onde? - perguntei, alarmada.
- Bem aqui - falou, me beijando de leve nos lábios.
- Seu sem graça! 
- Que foi, vai dizer que não gostou? - perguntou.
- Não... Mentir eu também não posso!
    De repente o celular dele tocou. 
    Ficamos parados sem saber o que fazer. E se tivessem descoberto que não estávamos no clube?
   Pedro abriu o celular e viu qual era o número. Logo sua cor voltou ao branco rosado e não o branco "estou morto"... 
- Oi zé! - falou, animado. - É, ela tá aqui. Onde vocês estão? - ele esperou a resposta - Já tamo indo praí! Valeu cara, quebrô maior galhão! 
   Assim que ele desligou um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. Ainda não tinhamos chegado ao lugar certo...


   

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