29 de janeiro de 2010

Telefonema

- Tá tudo bem? - perguntou.
- Tá, é só que... Um minuto. - fui para o meu quarto. - Pode falar agora.
- Na verdade não é nada de muito importante. É só que eu queria te ver mais uma vez... - confessou. Um sorriso surgiu no meu rosto sem nem mesmo que eu quisesse isso. Eu queria vê-lo também? Eu já sabia a resposta... Mas antes ainda tinha mais perguntas...
- Como sabia meu telefone?
- O Jonathan tem o telefone do Paulo, que é seu irmão e provavelmente mora com você, então...
- Já entendi... - falei, rindo. 
- E então, a gente pode se encontrar? 
- Hmm... - hesitei - Tudo bem... Mas onde? 
- Bom, amanhã eu vou ao clube, onde eu jogo pelada com meus amigos. - hesitou - Eu estava pensando se você não queria ir comigo...?
- Por mim tudo bem, só vou perguntar a minha mãe e eu te ligo de volta.
- Quer meu telefone?
- Eu tenho bina... - ele riu.
- A tá, saquei. - respondeu - Então tá. Tchau Ju.
- Tchau Pedro.
- Aí? É Pê. - afirmou.
- Então... até mais Pê...
    Desliguei o telefone e voltei para a sala. O cheiro de calda era irresistível. Corri para a cozinha. Meu pai me conhecia melhor do que achei. Logo me entregou uma colher e a leiteira com o resto da calda. Assim que detonei o que ainda sobrava ele abordou o assunto.
- Quem era no telefone?
- Ah, você percebeu. 
- Sim. E então, quem era?
- Um amigo. Ele queria saber se posso ir ao clube com ele e os amigos dele... Posso?
- Hmm... - pensou - por mim tudo bem. Já pela sua mãe...
- Tá, pode deixar que eu pergunto... - concordei de cara fechada.
    Voltei para a sala e me sentei ao lado de minha mãe. Ela lia um livro que nunca tinha visto...
- Mãe? - pedi sua atenção.
- Sim querida? 
- Posso ir ao clube com um amigo amanhã? - tentei ser o menos objetiva e óbvia possível. Assim talvez ela dissesse sim.
- Que amigo?
- É o irmão mais velho do Jonathan.
- Hmm... Pode ir se prometer voltar antes do jantar.
- Eu prometo... E eu nunca descumpro uma promessa...
- Bom... Da ultima vez que você falou isso, você foi sincera, então sou obrigada a acreditar...
- Obrigada mãe! - disse, abraçando-a. 
     Peguei o telefone de novo e liguei para o telefone que eu tinha anotado como sendo dele. Uma voz grossa rosnou do outro lado da linha:
- Alô?
- Oi, é, eu poderia falar com o Pedro?
- Ah, sim, claro. PEDRO! - de repente do outro lado da linha não tinha mais ninguém. Esperei pacientemente até que ele atendesse. Não demorou mais do que um minuto.
- E então?
- Ela deixou! - anunciei, sorrindo.
- Ótimo! Eu passo aí às duas da tarde pra te pegar. Até lá.
- Até. - e ele desligou. Coloquei o telefone no lugar e me sentei do lado do meu irmão. - Posso jogar uma?
- Tá, pega aqui - falou ele, me passando o outro joystick. Guitar Hero era o jogo mais divertido dele, principalmeente por causa das músicas perfeitas que tinha. - Qual vai querer?
- Mississippi Queen, por favor - pedi. Ele selecionou a música. Eu conhecia a sequencia de trás para frente. 
- Você só vai nessa porque ganha! - acusou ele.
- Exatamente! - concordei.
    O cheiro de bolo era cada vez mais forte. 
    
Na manhã seguinte acordei bem mais cedo do que de costume. A ansiedade me tirou da cama às nove em ponto. Aproveitei para arrumar as coisas, separar a roupa, procurar meu chinelo. Por fim acabei no computador, twittando um pouco, precisava corrigir as besteiras que tinha escrito sobre o meu pai:
  "Ele tá tentando..."
  "O presente foi o melhor, não tenho do que reclamar"
  "Não é o melhor pai do mundo, mas com certeza está lutando para entrar na lista"
- Filha?
- Hã?
- Café da manhã.
   Pulei da cadeira e corri para a sala. A fome já estava me consumindo. Pão com manteiga e café com leite, clássico e gostoso...
   Comi tudo e voltei ao meu quarto. Ainda tinha muito tempo. Decidi abrir ou meu Orkut, que já não abria há séculos.
   Havia uma solicitação de novo amigo:
   Seu nome era Gabriel. Não fazia ideia de quem fosse, mas aceitei.
   Procurei na minha lista de amigos e cliquei em seu nome. Assim que abri seu álbum de fotos não pude acreditar. Ele não se esquecera...

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