2 de fevereiro de 2010

Final feliz

Respirei fundo tentando me acalmar enquanto as palavras se arrastavam e tornavam o clima daquele lugar insuportável...
- Como pôde? - perguntei, tremendamente magoada.
- Dá um crédito, por favor, eu tinha que de algum jeito chamar sua atenção...
- Pra isso fingiu que me amava? - perguntei, tentando me conter. 
- Eu não achei que um dia você fosse dizer isso para mim! - falou. 
- E eu não achei que você pudesse ser tão falso e mentiroso! Era por isso que se sentia culpado? Por ter fingido me amar e eu como boba, ter acreditado? Lindo! - zombei. 
- Mas, deixe-me terminar! 
- O que? Agora vai dizer que isso foi no ínicio e que agora você realmente me ama? - perguntei - Isso é coisa de filme e de livros de conto de fadas, Gabriel! De verdade as coisas não são bem assim!
- Eu juro que mudo! Eu prometo nunca mais mentir para você! Agora por favor, me dê uma chance?
- Me responde uma coisa? 
- O que? 
- O que você sente de verdade por mim?
- Na verdade eu não sei... - confessou - se você me beijar eu posso te explicar... - pediu. 
    Fiquei de pé. Meu coração disparava e minhas pernas tremiam, mas ignorei isso tudo e continuei a andar. Meus lábios estavam nos dele. De repente suas mãos estavam em meus cabelos e seu beijo me prendia a ele de uma forma estranha. Como se, naquele momento, a pedra que voltou, estivesse subindo sozinha. Como se o erro fosse não estar com ele.
   Então eu parei.
   Ele me encarou. Sorria. Voltei e me sentei em minha cadeira.
- Agora me explique! - exigi.
- Ponha a mão em meu coração. - pediu. Obedeci. O coração dele batia tão rápido quanto o meu. - isso nunca aconteceu - confessou - E tem mais: Eu estou nervoso. Eu fico nervoso perto de você. Isso também nunca aconteceu! E eu estou com medo de te perder, eu não quero ficar longe de você! - no fim suas palavras já estavam emboladas.
- Vem comigo... - pedi, calma.
     Saí porta afora. Ele me seguiu. Paramos em uma esquina. A rua estava quase vazia, tirando os garis e algumas crianças que brincavam de peteca.
- O que?
- Você está sendo sincero comigo? - perguntei. 
- A única coisa que falei sem pensar foi o eu te amo
- Mas...
- Você sentiu meu coração, você viu como ele batia rápido. 
- E Rebeca? 
- Naquela noite em que a beijei, eu estava o tempo todo olhando para você, medindo sua reação. Nosso quase namoro não durou nem uma semana... Eu queria te beijar... 
- Nossa, eu não... Eu.. - era informação demais. Precisei me encostar na parede. Na verdade, precisei me agarrar a ela. 
- Tudo bem? - perguntou, preocupado.
- Acho que sim - arfei. 
- Eu não sei mais o que eu sinto... 
- Você está apaixonado... 
- Ah... - falou. - E você? 
- Nem sei o porquê de estar me perguntando isso! - disse. Senti seus braços envolverem a minha cintura. Passei os meus por seu pescoço e alisei seus cabelos. - Preciso fazer uma coisa antes. Venha comigo.

Andamos bastante até chegar à ladeira. Sentei no chão. Ele se sentou ao meu lado. 
  Peguei uma pedra e a lancei ladeira acima. Ela não desceu. 
- Agora sim - murmurei. 
- Tudo está como devia - completou. 
  Fiquei de pé. 
  Ele ficou também. 
  Senti seus braços em minha cintura novamente. Voltei a por as mãos em seu pescoço e alisar seus negros cabelos. Fiquei nas pontas dos pés e olhei-o nos olhos. Ele sorriu. 
- Eu te amo... - sorri, satisfeita. 
- Eu te amo... - sussurrei
  Fechei os olhos e cheguei mais perto para por meus lábios nos seus mais uma vez...

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