17 de abril de 2010

Personalidades estranhas... [2]

O relógio já marcava as dez. Vesti minha calça jeans, minha camiseta e meu casaco, peguei a mochila e saí pela porta do quarto, em silêncio. Tranquei o portão e peguei a chave.
  O vento acariciava minha pele, bem de leve. Era um calmante, de certa forma.
  Encontrei-o na metade do caminho.
- Evangeline...
- Ah, oi Jeff! Achei que não te encontraria por aqui hoje...
- Ah, querida, achou que eu me esqueceria de você?
- Deixa de ser bobo...
- E então, aonde está indo? - perguntou.
- Preciso fazer um coisa muito importante.
- Não me diga que vai estudar com aquele idiota de novo?
- Não, Jeff, não vou...
- Assim não vou adivinhar nunca. Me dá uma pista?
- Não precisa ficar ansioso, logo saberá - afirmei.
    Continuei caminhando pela escura avenida até que cheguei ao lugar que queria. Joguei minha mochila no chão e me sentei, deitando a cabeça nos joelhos. Era naquele momento, ou nunca.
- Um beco?
- Eu disse para não ficar ansioso! Não era nada!
- Ah... parece que estava falando sério... 
- Eu não mentiria pra você... 
- Bom, tenho que ir... Até mais... 
- Até! E... Jeff? 
- O quê?
- Eu te amo...
- Eu também. 
    E ele desapareceu na escuridão daquela avenida vazia. 
    Era hora de pesar os prós e os contras. A vida já havia me tirado muito para eu pensar que ainda tinha alguma coisa. E, seja pela morte ou não, todo mundo que eu amava tinha partido: Minha mãe - falecida de câncer -, meu pai - edema pulmonar-, minha irmã - assassinada pelo ex-namorado - e meu unico e eterno amor, Jeff, morto com três tiros na cabeça... fora as pessoas que foram para longe, morar em outras cidades ou outros paises. Querendo ou não, eu estava só.  
   Destaquei uma folha do meu caderno e peguei a unica caneta que me restava no estojo. 
   Foi então que me lembrei de uma música dos Beatles. Com a letra torta escrevi um trecho:
- All you need is love...
   Tudo o que preciso, é de amor, certo? Pois é disso que estou correndo atrás.
   Dobrei o papel e coloquei-o no chão.
   Abri o bolso e peguei o pequeno pote. Destampei e joguei sessenta comprimidos na mão. Enfiei-os na boca e engoli.
   Depois disso, vi meu mundo se apagar e tudo perder o sentido.
   E o que importava? Jeff me esperava do outro lado da vida. E agora, com certeza, eu faria a travessia...

       

2 comentários:

Jéssica :* disse...

Jeff .. nome ou melhor apelido do meu namorado *-*

gostei aqui

Naty Araújo disse...

Noooooooooooooooossa... eu não esperava a morte.
Caracas... muito show.

Perfeito.
Me surpreendeu.
Beijos