25 de abril de 2010

Wake up



- Kyle? - chamei-o. Minhas mãos tremiam muito.
- Sim, meu amor?
- Precisamos conversar... - puxei-o pelo braço até meu quarto. Seus olhos só expressavam confusão e seu sorriso, inquietação.
- Sobre...? 
- Você sabe, que eu te amo, não é? - ele balançou a cabeça e beijou meu rosto - Mas um relacionamento sempre tem como a base a honestidade e acho que por isso estamos perdendo nosso chão. De uns tempos para cá coisas, várias coisas, aconteceram. Muitas me magoaram e me tiraram a coragem de falar com você, mas não dá mais para adiar. 
- Estou ficando assustado, Joy... 
- Não, não se preocupe por enquanto... - tentei acalmá-lo. À essa altura minha mãe já me procurava, histérica, pela casa. - Bem, como eu falava, acho que não temos como continuar no silêncio. 
- Mas do que você está falando?! - insistiu, se jogando no sofá. - desculpe, mas não sou tão bom em ler pensamentos... 
- Perde o amigo, mas não perde a piada, né? - Kyle riu, sem se importar com meu tom sério. - Não é brincadeira! - foi assim que se calou. - Eu descobri umas coisas que não me agradaram nem um pouco. 
- Como...?
- Bom, primeiro, você não é católico como me disse, pelo contrário, não sabe nada sobre Ele, é ateu! Segundo, sexta-feira passada você não estava estudando, estava numa festa em sei lá onde com seus amigos malucos. Ah, e outra, sua mãe não é Espanhola, ela não fala comigo porque me odeia! - sua cara incrédula me obrigou a explicar - Eu sei espanhol, imbecil! E aquilo que ela falou não passa nem perto! 
- Ou, ou, ou! Calma aí! Você andou me espionando? - arqueou uma sobrancelha. Fiquei vermelha como um pimentão. - Por que, hein?
- Bem, acho que não sou tão burra assim. Tudo ficou muito claro quando sua mãe te xingou em português, seu amigo falou da "gata" da festa de sexta e você disse que Jesus nasceu em Belém do Pará... Mas, fora isso, nada. - meu tom de deboche o irritou, mas todos os palavrões nos quais ele pensou foram engolidos. 
- Ah... - murmurou por fim. - E, agora você me dá o fora, diz que me odeia, joga um sapato de salto em mim e me manda embora... 
- De salto, por quê? 
- Machuca mais... 
- Rá, rá! Se ferrou, eu não uso salto! - sentei do seu lado e deitei a cabeça em seu ombro. - Não vou te arrancar daqui, nem te odiar pra sempre, mas vou ter que terminar com você... Não dá, Kyle, mentiras acabam com a confiança...
- Me perdoe, por favor?
- Eu sinto muito...
    Saí do quarto, deixando em meu sofá um Kyle apreensivo, triste e arrependido.

2 comentários:

Naty Araújo disse...

Nooossa... e uma lágrima interna rolou aqui, depois da emoção de ter lido isso.
Algumas coisas não têm perdão.. ou tem?

Beijos

Garota disse...

Acho que algumas não têm :)
Beeiijoos