16 de maio de 2010

Gun



A arma pregava em meu crânio, acompanhando com "clacs" minha respiração. O cano espetava minha têmpora e me fazia suar. Uma camada fina de suor frio se formou ao longo de meu pescoço. Talvez fosse o medo de morrer. Ou a certeza.
- O que você quer de mim, Josh?
- Os papelotes. - disse, trincando os dentes.
- Não estou com eles. 
- Não tem como provar. Ou tem? - perguntou, malicioso. Suas mãos deslizaram por minha calça jeans, encontrando seus bolsos. 
- Me solta! - berrei, fazendo-o se sobressaltar. 
- Ei, calminha... - sussurrou Jeffrey, que ainda apontava a arma para minha cabeça. - Só queremos a maconha. 
- EU NÃO ESTOU COM ELA! 
- Então conte-nos: Com quem está? - pediu Josh.
- Não posso. Jurei segredo.
     Jeffrey entregou a arma a Josh e apertou os dois lados de meu rosto, me forçando a abrir a boca. Jogou um liquido esbranquiçado por minha garganta. Engoli, com um estalo desagradável. O gosto era horrível.
- Q-que isso? - perguntei, tossindo.
- Relaxa, garota - disse - É só água com sal. Muito sal. É tudo o que vai beber até soltar a verdade.
- Eu disse a verdade. - falei, desgastada. - O que mais querem de mim?
- Depende... - uma sugestão de sorriso surgiu nos lábios de Jeffrey. - O que pode nos dar? 
- Não estou com paciência, Jeff. 
- Que tal...? - ele tocou no zíper de minha calça. 
- Argh! - falei, cuspindo em seu rosto - Você é nojento. 
- Mesmo? - seu tom era colérico - Então teremos que apagar você. 
- Pois que o façam! - berrei, irritada. 
     Jeffrey pegou o cacetete que estava na mesa e bateu em minha perna direita, provocando um barulho e uma dor dilacerante em meu joelho. Fechei os olhos e trinquei os dentes, mas não demonstrei a dor. Não fiz ruído algum. 
- Pode me quebrar inteira, mas nunca vai arrancar minha dignidade de mim! 
- Dignidade? - repetiu Josh incrédulo. - Ainda acha que tem alguma? 
- Óbvio. - retruquei, sorrindo - Pelo menos não preciso esmolar sexo. 
      A raiva transbordou pelos olhos de Jeffrey, fazendo-o agir como um animal selvagem. Josh conteve o capanga e não se deixou levar pela provocação.
- Quieto! - censurou-o.
- Parece até um cachorrinho... - provoquei novamente.
- Cale a boca dela! - pediu Jeffrey, ficando vermelho.
- Eu digo com quem estão os papelotes. - propus - Se me soltarem.
- Vai ter que prometer ficar quietinha.
     Assenti.
     Minhas mãos e pés foram desamarrados e a arma devolvida à mim. Andei até Josh e sussurrei em sua orelha:
- Bem aqui, ó...
     Apontei a arma para sua cabeça e puxei o gatilho. Ele caiu gemendo e sangrando no chão.
     Quando vi Jeffrey preparando-se para atirar, puxei o gatilho novamente e ele também caiu.
- Desgraçada! - gritou Josh.
- É o que dá confiar em mim.
     Em seus últimos suspiros, pude ouvir meu nome sendo sussurrado, junto a pragas e xingamentos.
- Ah, Josh... - mexi em seu corpo morto - Não importa o quanto tente ser bom, não dá pra segurar uma garota má. Né?

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Pauta para o projeto Once Upon a Time (Ganhei o segundo lugar) *-*

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Inspirado no filme Os infiltrados

Um comentário:

Ariane disse...

CARACA! Muito boa!
Gostei dessa garota KKKKK'



Beeijos.