15 de maio de 2010

Vazio


   Naquele momento ele era meu pior inimigo. Seus números, sua cor, sua forma... Tudo nele me irritava! Mas eu não podia quebrá-lo, escondê-lo ou simplesmente jogá-lo pela janela, porque era dele que eu dependia .
   Eu estava enfiada na blusa de frio de Aaron. A que ele usava quando nos conhecemos, na praia. Ela ainda cheirava a hortelã e oferecia o mesmo conforto que seu abraço. Um dia aquela blusa acabou com meu frio. Hoje, ela supre minha necessidade de carinho. Minha necessidade dele.
    Mas que droga de telefone! Toca!
    Um barulho. Voei do travesseiro.
- Alô?
- Oi, pequena...
- Ah, oi pai... - respondi, com meu coração desacelerando aos poucos. 
- Aconteceu alguma coisa, querida?
- Não, nada. - menti.
- Escuta, pode dizer a sua mãe que vou levar pizza para o jantar?
- Claro. - murmurei.
- Tchau.
- Tchau, pai...
    E o vácuo.
    Eu tinha que aceitar o fato de que ele não ia me ligar. Nunca. Tínhamos atingido nosso limite, não existiam mais sentimentos suficientes para encobrir a falta que ele me fazia. Não era mais solidão, nem saudade, nem vazio. Eu simplesmente precisava dele. Aaron tinha se tornado uma doença. Meu coração tinha que se curar dele.
    Sem pensar, arranquei o telefone do gancho e disquei os números. Chamou, chamou e ninguém atendeu.
    Alguém girou a maçaneta.
- Mãe? - chamei. Ninguém respondeu. - Quem é?
- Adivinha?
    Ele entrou pela porta com uma rosa vermelha na mão. Seu sorriso iluminado me fez esquecer de tudo o que eu tinha pensado nos últimos quarenta minutos. Talvez ainda existissem sentimentos, talvez ainda nos amassemos, ainda fossemos o bastante um para o outro.
- Desculpe-me por não ter ligado. - falou, me pegando nos braços e me beijando.
- Deixa pra lá. - sussurrei, empurrando o telefone para debaixo da cama.
   

Um comentário:

Ariane disse...

AHUSHSUHSUAHSUA. Adoreeeeeeeei*-*
Já senti isso várias vezes, e por sorte sempre aconteceu algo assim comigo. O garoto não entrou pela porta com um arosa, mas me ligou XD.

beeijos