30 de junho de 2010

E é isso...

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Digamos, que FINALMENTE consegui arrumar uma final mais ou menos decente para a história Perigosamente ao seu lado.
Para quem acompanhou, espero que tenha gostado :)
Eu sei que ficou meio confusa (qualquer coisa é só me perguntar nos comentários), mas, mesmo assim, ficou legal?
Normalmente quando escrevo histórias muito grandes elas não dão certo :(
Beijos da ♥ Garota ♥

Perigosamente ao seu lado - Parte X (E ÚLTIMA)

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E, como no meu sonho, a campainha tocou de madrugada. Atendi e o homem, que pelos meus cálculos se chamava Harold. 
   - Po-pois não? - gaguejei. 
   - Pode evitar todo o clichê. A chave já está comigo e minha perna está melhor, obrigado. - ele sorriu, acariciando minhas bochechas. E novamente minha pele formigou a seu toque. 
   - Co-como? 
   - A guerra acabou, Roxanne. Mas nós não. 
   Afinal, o sonho parecia real demais para ser mentira. E o toque dele, aconchegante demais para ser desconhecido.
   - Eu não sonhei, sonhei? - perguntei, me aproximando dele. 
   - Pelo menos não terei que desenterrar as memórias de novo. 
   - Foi o pó? Ele me trouxe para cá? 
   - Ele nos salvou, Anne. - explicou - Depois que você quebrou Hernesta, que você conhece por Felícia, e jogou o pó, todos os inimigos se desfizeram. Porém... você foi junto. Aí, deduzi que te encontraria aqui, espetando o bumbum em agulhas. 
   - Mas como você...?
   - Não faça perguntas difíceis. 
   - E então, Har. Teremos mais batalhas?
   - Não, graças a Deus. Por que, queria mais? 
   Minha cara apavorada provocou seu riso. Harold me abraçou e me beijou. E, pela primeira vez desde que o conheci, ou o reencontrei, ficamos sozinhos. Nada de Inferno, demônios e o escambau a quatro.
   Isso até Yara aparecer com cara de paisagem e a gente tentar explicar que Harold, era na verdade Richard, meu ex-namorado anjo, que agora habitava outro corpo. 
   Não sabem como foi difícil para mim entender isso. 
   Mas apesar da aparência diferente, consegui recordar das palavras e dos toques de Richard. E eram os mesmos. E agora, sempre serão meus.
   Até que a minha morte e a quinta dele... 
  Nos una eternamente!


                           FIM

29 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte IX

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Doía e muito. Segurei meu braço esquerdo com os dedos nervosos e fiquei de pé. A figura inabalável dela me encarava, com um sorriso descarado. Caminhei devagar, medindo esforços e palavras, evitando minha morte. 
   - O que quer de mim? 
   - Já ouviu falar que um anjo se rendeu ao inferno?
   - O que quer de mim? - repeti, entredentes. 
   - Harold já se rendeu. Mas seu melhor amigo o convenceu a voltar. Por mim, ele ainda estaria ao meu lado, casado comigo. - seu indicador cerrou meus lábios. - Ah, garotinha ingênua. Ele é muito mais experiente que você. 
   - Só tem 18 anos. - observei, arfando. 
   - E daí? 
   Ignorei a pergunta - já que era bem retórica -, e recolhi minha harpa do chão. Desamassei a túnica branca que agora eu vestia e conferi se minha temporária aureola continuava lá. Sim., estava tudo certo. Exceto por uma coisa. 
   - Sua calcinha de ursinho é uma gracinha. - debochou. 
   - Que por.. caria! - passei as mãos por minhas costas, encontrando um rasgo de vinte centímetros, se estendendo de minha cintura ao meu bumbum. - Você pode acabar com meu braço, quebrar meus dentes, destruir meu cabelo, mas rasgar a minha roupa?!! Aí é demais! 
    Pulei em seus ombros e lancei uma sequência de murros em seu rosto, detendo sua arma com meus pés. Só ouvia gemidos, mais de raiva do que de dor. Bem feito!, pensei
   - Sua idiota! - berrou ela por fim. - Me largue, imbecil! 
   - Nunca rasgue uma roupa minha! - eu disse, recolocando a harpa em meu cinto. 
    Olhei para mim mesma vestida de anjo. Nunca fiz o estilo certinha, sempre fui mais a garota do cabelo cheio de mexas e unhas com esmalte preto descascado. Mas tinha que admitir, até que eu ficava bonita.  
    E então, encarei a mulher toda quebrada à minha frente. O cabelo embaraçado, alguns dentes quebrados e o olho já meio troncho. Nunca soube que minha mão tinha todo esse poder. 
    E então, me lembrei do saquinho. Puxei-o de meu bolso e desamarrei o laço marrom e vermelho. Um pó dourado, parecido com o da Sininho, estava lá dentro. 
    Ergui o saco e joguei o pó pelo ar, que empurrou-o em duas direções diferentes, espalhando por todo o campo. 
    Tudo apagou. 
                                        
                                                    -               -                -

- Bom dia, dorminhoca. - Yara sorriu, com uma xícara de café nas mãos.
   - Hmm... - me espreguicei. - Que horas são? 
   - Dez e meia.
   Joguei os pés para fora da cama e levantei. O dia estava ensolarado e as cortinas já todas abertas. A bagunça continuava a mesma de sempre. Tropecei em tudo, me jogando no sofá. 
   - Ai! 
   - O quê?
   - Uma agulha espetou meu bumbum. - expliquei, tirando a agulha de lá. 
   - Tenho que te avisar. Hoje à noite, vai chegar um novo hospede. 
   - Sério?... 
   - Seríssimo. 
   - E qual o nome dele? 
   - Harold. 
   Meu estômago começou a embrulhar e eu vomitei.

28 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte VIII

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   A mulher contornou a cabine e pousou os braços na janela. Depois de dar um longo beijo em Harold, me encarou em toda sua fúria. Minha boca abriu e comecei a piscar freneticamente, olhando ora para ele, ora para ela.
   - O... o quê? Eu... ele! Mas nós... 
   - Todos erram, Roxanne. - sussurrou Harold, em minha orelha. - Até mesmo os anjos. 
   - Você não podia...! - meu rosto queimou de raiva e eu pulei para fora do carro, segurando minha mochila. - Tchau! 
   - Ah, não! Embora você não vai!
   - Mesmo? - fitei-o - E quem vai me impedir?
   - Adivinha? - arqueou uma sobrancelha.
   Harold agarrou minha cintura com os braços fortes e me pendurou em seu ombro, ignorando quando comecei a socá-lo. Seu risinho cínico soou pela estrada, enquanto ele me prendia com o cinto de segurança. 
   - Não é justo! - esperneei. 
   - Shh... - ele falou, se inclinando sobre mim. - Fica quietinha, tá bom? 
   Seu corpo pesou sobre o meu, enquanto seus lábios deslizavam de meu queixo para meu pescoço e dele para os meus ombros. Suas mãos abriram o bolso de meu casaco e colocaram um saquinho dentro dele. Meu cérebro estava revirado demais para pensar.
   - Para.- murmurei, sem muita animação.
   - Desiste... não vou parar, não. 
   Meu olhos, enfeitiçados por suas pele de cetim, perceberam que a mulher infernal já não estava lá. 
   - Cadê ela? 
   - Ela quem? - indagou ele, beijando minha testa.
   - Ninguém. Deixa para lá. 

   Harold estacionou o carro do acostamento. Mais à frente, um lojinha vendia água mineral e bananas. Desci do carro, com a carteira em minhas mãos. Ele veio logo atrás de mim. 
   - Vai me seguir sempre? 
   - Pelo resto da sua vida... - completou. 
   Ele me abraçou pela cintura e caminhamos assim até a portinhola. Ao longe, um vulto vermelho irrompeu. 
   - Ah, Harold. - falou uma voz nervosa - Mágica barata para me impedir? Acho que não, meu amor...
   Um tridente surgiu em suas mãos e foi batido contra o chão. E, em um segundo, tudo desapareceu. Vi as cores vivas da estrada serem substituídas pelo vermelho-sangue e o azul-celeste. O chão era composto de nuvens e tábuas de madeira, que sambavam sobre o vácuo e a lava quente. Algumas partes borbulhavam e escorriam, se misturando ao vazio imenso. 
   - Preparem-se, meus amigos. - um velhinho de túnica branca anunciou. - Infelizmente, uma guerra se inicia. Será uma luta de iguais, mas, devido a pedidos inimigos, não será limpa. Cada um com sua estratégia e armas secretas. Boa sorte...
   - O que faço agora, Har? - questionei, recuando. 
   - O saquinho do seu bolso. Use-o quando achar que deve. 
   - Certo...
   Busquei uma harpa prateada com o velhinho e caminhei com passos lentos até o meio do campo de batalha. O sangue escorria por toda parte, enquanto se equilibravam em nuvens e tábuas corroídas pelos cupins. 
   Pulei sete nuvens e invadi o campo inimigo. 
   - Fim de jogo, garotinha. - murmurou a mulher. 
   E seu tridente foi fincado em mim.

  

About

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Escolha
Dia ou noite: Noite
Amor ou paixão: Paixão
Pôr ou nascer do sol: Pôr do sol                   
Verdade ou desafio: Verdade
Piscina ou oceano: Piscina
Bolo ou torta: Bolo
Praia ou campo: Praia
Cego ou surdo:
Surdo

Nas últimas 96 horas (4 dias) você
Chorou? Não
Escreveu uma carta? Não
Falou com o seu amor? Não
Sentiu-se estúpido? Sim
Teve uma conversa séria? Sim
Viu alguém que não via há muito tempo? Sim
Conheceu alguém? Sim
Sentiu falta de alguém? Sim
Apaixonou-se? Não
Fez alguém chorar?
Sim

Você se acha
Um bom ouvinte? Mais ou menos
Uma boa companhia?
Quando estou de bom humor
Uma pessoa feliz? Bastante
Bonito? Sim
Um bom amigo? Sim
Um bom conselheiro?
Sim

Você acredita
Em você? O suficiente
Em seus amigos? Nem todos
Teoria Big-Bang? Não
Espíritos? Em parte
No verdadeiro amor? Sim
Na verdadeira amizade? Sim
Em Adão e Eva? Sim
Em magia? Não
Em amor a primeira vista?
Não

Aleatórias
Já pensou que fosse morrer? Sim
Se apaixonou por algum professor? Sim
Se declarou? Não
Guardou um segredo? Sim
Sente saudades do quê? Da minha amiga

O que costuma tomar café da manhã? Nada
O que tem nas paredes do seu quarto? Tinta e nada mais.
Você coleciona alguma coisa? Não
Uma música que marcou sua vida? Crawl - Chris Brown
Uma música que você está vivendo? Brick By Boring Brick - Paramore
Que tipo de filme você curte?
Terror, Comédia romântica, Suspense.
Qual seu ponto fraco? Coração...
Você toca algum instrumento? Não.
Se você fosse numa festa à fantasia hoje, do que você gostaria de ir vestido?

Noiva cadáver.
A primeira palavra que vier a sua cabeça:
Lindo.

27 de junho de 2010

Vida dura, sofrimento secreto

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27 de Junho de 2010

                                  Caros jogadores,

   Não sabem como foi difícil pegar essa caneta da sala principal. Tive que driblar quatro chuteiras e uma meia intrometida. Além disso, Dunga estava caminhando pelo corredores. E aquele sapatinho dele se acha tanto, mas tanto... que eu devia ganhar um troféu por aguentá-lo. Por pouco não sou pega e confinada no armário. Castigo padrão, sabe? 
   Enfim, tudo isso não foi em vão. Consegui a caneta, o papel e agora, posso escrever em paz. O fato é que, desde que comecei a trabalhar com vocês, só ouço reclamações! Porque a culpa é dela!, Ela que não tem um bom design!, É muito cheia!Já viu como é vazia?! 
   Ai, caramba, PAREM DE FALAR DE MIM! 
   Poxa, eu não tenho nada a ver com o pé torto de vocês! Sou inocente, gente... Não tentem mais me incriminar! Só quero trabalhar em paz... 
   Sou obrigada a discordar dos senhores, pois me sinto na obrigação de me defender. Respeito os noventa minutos que passam jogando e os outros quinze que aguentam bolando estratégias ou sendo xingados. Mas entendam uma coisa: os tiros de meta doem, ser jogada no chão machuca, e ser difamada... FERE!
   E no fim, quem continua sendo chutada, SOU EU!
   Vou parar de escrever antes que tenha um acesso de raiva e rasgue esse papel. 
Com o pouco carinho que ainda me resta,
                        Jabulani.
 

Luck

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Recebi um desafio, da Talitha, do blog My Confused World
Tenho que contar 6 coisas sobre mim que vocês não sabem e depois repassar do desafio para mais seis pessoas. 
Vamos lá... 

1 - Amo House, porque ele me lembra de um garoto que eu conheço. Ambos tem as mesmas manias, mesmas expressões e o mesmo temperamento. Vejo um no outro e isso me deixa feliz. 
2 - Tenho mania de fazer algo só pra ver se tenho coragem, e depois ficar morrendo de culpa, choramingando pelos cantos e enchendo o saco da minha mãe. 
3 - Prefiro desenhos animados a novelas. 
4 - Me apaixono por quase todos os mocinhos dos filmes e fico dias me perguntando se existe um cara igual. 
5 - Sou orfã de pai, e odeio quando alguém fala para mim: Sinto muito.
6 - Falo alto demais quando estou perto de quem gosto, mas só percebo quando alguém me avisa. 

~~ INDICADOS: 
- Nina-chan

25 de junho de 2010

Mente aberta, garota solitária.

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   Ouvi certa vez, que há sempre um livro que vai mudar sua vida, seu modo de ver as coisas, e também, seus sentimentos. De início, não acreditei, pois tudo o que lia não me dizia absolutamente nada. Nenhum autor me tocou profundamente, a ponto de me parar e me fazer pensar: "De que vale tudo, se algumas coisas são assim?"
    Mas, um boêmio mineiro, chamado Lúcio Cardoso, conseguiu isso. E, aos treze anos, mudei meu ponto de vista e meu coração. Sim, as palavras tem esse poder sobre as pessoas, mesmo que estejam impressas em um papel e não soando em seus ouvidos. Afinal, o que entra por um ouvido, sai pelo outro, mas o que passa pelos olhos, reflete na alma. 
    Ano passado, era um dos livro requisitados pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Encontrei-o escorado em uma prateleira da biblioteca de minha escola. Seu nome praticamente me chamou. Crônica da Casa Assassinada. Pensei "Claro, uma história de terror!". Enganei-me feio nessa. Era, na verdade, uma trama misteriosa, construída de flashbacks, cartas, relatos, depoimentos e confissões. Sob vários pontos de vista. Entre eles, o de um médico, de uma moça e de uma empregada. E, todos eles envolvem os, aparentemente amaldiçoados, Meneses. 
    Logo na primeira página, apaixonei-me por André. O modo como ele era sincero, como descrevia seus sentimentos foi me conquistando aos poucos. E ali, Lúcio ganhou uma leitora apaixonada e envolvida. André - se é que isso é possível -, fez meu coração disparar. Sim, realmente desenvolvi um amor platônico por ele. Desejei que existisse um adolescente com igual coragem de demonstrar sua dor e chorar, de verdade, lágrimas reais e não de crocodilo.
    E ali, eu já havia me envolvido o bastante para não poder mais parar.
    Dali em diante, foi um passo para que eu mergulhasse no complexo mundo de uma família em decadência. Valdo, Demétrio e Timóteo, três irmãos problemáticos, dois deles lutando para manter o nome de sua família intacto. E, entre os três, a mulher que mexeria com a vida de todos. A sedutora, inconsequente e impulsiva, Nina. 
    Timóteo, tornou-se seu melhor amigo. Por quê? Simplesmente porque ele era travestido. A ovelha negra da família. Vivia preso em seu quarto, sem desejar a luz do dia. O único dos irmãos Meneses que não se importava com o quanto seu nome estava na lama. 
    E, por fim, Ana, esposa de Demétrio, sua pior inimiga, vítima da inveja doentia. Via-se desejada como Nina, e não enterrada em vestidos acinzentados e condenada à prisão que se tornara seu matrimônio. 
    Se for fazer um básico resumo, tudo se desenvolve à partir da chegada de Nina à chácara dos Meneses, depois de ter se casado com Valdo. Ela estava acostumada demais com a cidade para aceitar a vida pacata do campo. E assim, refugia-se em um pavilhão. O pavilhão que mudaria para sempre sua vida.
    Em uma chácara de Minas Gerais, várias vidas se cruzam, em excessos de inveja, orgulho, desejo, paixão e traição.  

Gente que finge ser

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    Já diz o Hino Nacional: Ó pátria amada, idolatrada. Salve! Salve!. Quantas pessoas já repetiram isso ao longo das gerações? Milhares, provavelmente. O Brasil, realmente é uma pátria admirável. Variedade étnica, florestas enormes, praias fantásticas! Quem não teria orgulho de ser brasileiro? Ou, quem não fingiria ter? 
    Dando mais uma volta, o Brasil tem um dos times de futebol mais aclamados do mundo. Em época de Copa, as ruas ficam enfeitadas com perucas, vuvuzelas, apitos e gritos de torcedores fanáticos. Os bares se enchem de pessoas que devoram seus petiscos e bebem cerveja e refrigerante enquanto, em um grande telão, o time brasileiro joga. 
    E em dias comuns, como funciona a vida?
    Se alguém experimentar andar pela rua em uma tarde de domingo, em alguma esquina com certeza encontrará um mendigo dormindo em cima de um pedaço de papelão. Ou então, lixos espalhados, terrenos baldios... Coisas tristes que, na época da Copa, ficam encobertas por bandeiras verdes, amarelas, azuis e brancas, com a majestosa frase Ordem e Progresso. É mesmo? E que progresso estamos fazendo? 
    Sequestros relâmpago, roubos, assassinatos, estupros. Além de hospitais sem leitos suficientes, educação deficiente... Isso é, de verdade, um progresso?
    Tudo tem seu lado positivo e negativo. Mas, no caso do Brasil, o negativo agora supera o positivo. O dinheiro que devia ser para melhorar esses problemas, é usado para acobertá-los, aumentando estádios para a Copa de 2016, preparando-se para as olimpíadas. De que vale tudo isso, quando pessoas morrem de fome? 
    Aí, chegamos ao x da questão: Com tudo isso, quem tem verdadeiro orgulho de ser brasileiro?
    Temos uma torcida gigante, que se reúne na hora da Copa para gritar e comemorar os gols. Para beber cerveja e se divertir. Mas eles só se reúnem nos jogos, certo? Não se torce todos os dias pelo Brasil, pois não há pelo que torcer, não há o que comemorar ou do que se orgulhar. 
    Há muito sofrimento, muita dor. Muita tristeza e depressão. 
    A monotonia diária, já se apoderou dos corpos, que não vêem a vida como suas, e sim, das obrigações. Obrigação de trabalhar, estudar, comer, dormir e de aceitar as coisas como são. Para eles, não existe solução.
    Afinal, é muito mais fácil torcer por um gol, do que se convencer de que um dia o Brasil irá mudar. 
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2° lugar - Bloínquês

23 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte VII

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"O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente que há no mundo." - Mahatma Gandhi


- Não abra a janela! - ordenou, apertando o botão do ar-condicionado. - Isso aqui vai ajudar.
- Tô com medo, Har... - um calafrio percorreu minha espinha. - Talvez haja outra saída.
- Não há, Anne. - seus olhos buscaram os meus - Eu queria que houvesse, mesmo...
- Cansei de aventuras.
     Finas gotas respingaram na janela de vidro fumê. Pude ver o reflexo cansado dele, suas mãos pousadas no volante e seus olhos fixos na estrada. Eu sentia muito, por mim, por ele, e por todos os outros que também passavam por isso.  
     Sentia muito pelo mundo. 
     Algumas vezes na vida, sua coragem é posta à prova. A minha era pouca, muito pouca. Minhas pernas tremiam, meu coração disparava e minhas mãos suavam sem parar. Nunca pensei em guerrear com alguém. Principalmente com quem não posso ver nem tocar. 
     Ou atingir. 
- Fico me perguntando agora... - murmurei, dedilhando o vidro embaçado - Como faremos isso dar certo...
- Se um dia souber a resposta, me conte. 
- Vamos lutar às cegas, usando de armas que desconhecemos? 
- Exatamente. 
- Retiro o que eu disse. Estou apavorada.
     Um som incomum encheu meus ouvidos. Era musical e leve. Um riso que se transformou aos poucos em gargalhada. Em pouco tempo, éramos dois panacas rindo num carro roubado. Rir das próprias desgraças às vezes ajuda. Pelo menos em nosso caso. 
- Não sei o que faria sem você. - sussurrou segurando minha mão
- Voltaria para o Céu. - respondi, engasgada - Caia na real, Harold, você ficaria bem sem mim. 
- Acha mesmo que não temos sofrimento no Céu? Não sofremos por dor, mas por amor, sim. 
- Deixa de dar uma de romântico. Não cola comigo. 
- Tuuuudo bem. - brincou, acariciando meus dedos. 
     Um último pedágio faltava ser pago. Retirei a carteira da bolsa vinho e passei-lhe cinco reais. Harold baixou o vidro e entregou à mulher, que atendia - segundo seu crachá, por Felícia.
     Fiquei observando enquanto os olhos dela passavam do azul claro ao vermelho-sangue. 
     E, com um tridente surgindo em suas mãos, ela disse:
- Bem-vindos ao jogo.  
   

22 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte VI

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    Acompanhei com o olhar enquanto Harold jogava minhas roupas na cama. Encolhida contra parde, estava eu, chorando aterrorizada e deixando as cenas voltarem em flashback... 

- Quem são essas pessoas? - indaguei, hesitante. 
- Onde tem Céu, tem Inferno... - respondeu, com um suspiro cansado. 
- Quer dizer que estamos fugindo de... demônios?- arregalei os olhos. - Quan-quantos? 
- Atrás de nós? - franziu o cenho, com os dedos no queixo. - Uns três. 
- E por quê? 
- Não entende, Roxanne? Não percebe quanto poder temos juntos? A união do Céu e da Terra. A aliança perfeita. - seus lábios se curvaram nos cantos. 
- Se for desse jeito, mais um monte de casais estão sendo perseguidos? 
- Por aí... 
- E o que acontece agora? - perguntei, com a garganta travada. 
- Fugimos.

   Mais coisas eram lançadas em meu colchão, que apenas balançava devido ao peso. Uma mochila já lotada de roupas afundava meu travesseiro. No momento, ele só servia de apoio. Harold já ia para a cozinha pegar comida para nós, quando num cicio, perguntei: 
- E Yara? O que vai acontecer com ela? 
- Nada. Ela está solteira, não está? 
- Sim. 
- Pois é. 
    Com as pernas bambas, fiquei de pé e caminhei até ele. Sua túnica branca balançava no ritmo de seus bruscos movimentos. 
    Foi então que me lembrei de seus ferimentos. 
- Isso seria...? - toquei a ponta de seus lábios, depois sua perna quebrada. 
- Não se preocupe, não vou mancar por aí. Posso voar, lembra? 
- Assim você ganha de qualquer um. Tem todas as cartas na manga. - sorri, passando a mão por sua cabeça quase careca. - É uma pena que tenha cortado seu cabelo.
- Cabelo cresce de novo. 
- E pra onde vamos agora? 
- Não sei direito. Qualquer lugar longe daqui. 
- Quando a guerra começa?
- Ah, Rox... A guerra já começou. 
- E como vai terminar?
- Eu não faço ideia. 
_____________________________________

Mais tarde eu posto mais, certo? :)

21 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte V

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- Mais uma vez e você vai embora... - contei mentalmente, procurando chances de ele não morrer novamente - E por que eu me importo tanto, Harold?
- Sinto muito não ter respondido à essa pergunta antes. - desculpou-se ele, com um sorriso estampado no rosto. - Lembra-se de três anos atrás, naquele acidente de moto?
- Claro que me lembro, perdi parte de minha memória nele. Poxa, fiquei um ano tentando me lembrar o dia do meu aniversário.
- Sim, eu me lembro. - pigarreou, tentando disfarçar o que acabara de dizer. - Foi uma difícil recuperação.
- E como você sabe disso mesmo?
- Tinha mais alguém com você na moto. E esse alguém era eu.
- Jesus, ajuda! - sibilei, escorregando pela parede até o chão. - Você quer me confundir, me matar, me irritar, ou qualquer coisa parecida? Se é isso que quer, tá conseguindo, sério. 
- Credo, Roxanne! - ele fez o sinal da cruz e olhou novamente para mim - Te matar? NUNCA! 
- Quer dizer que tá mesmo me irritando?
- Não. Mas não seria má ideia. - Harold limpou a garganta e respirou fundo. Lá vinha. - Como eu estava dizendo... Você não se lembra de mim porque essa parte foi apagada de sua memória. Mas, eu te conheço desde que era um criança. Sou eterno, assim como seu esquecimento. Porém seu corpo , por um milagre, não me esqueceu. Ele ainda sente o que sentia antes daquele motorista idiota avançar o sinal vermelho. Ele ainda me quer.
- Disso eu sei bem, pode apostar. - caí na gargalhada. 
- Seu senso de humor é bem... questionável. 
- Vem cá, quantos anos você tem? Tipo, fica falando como se estivessemos no século passado! - reclamei. 
- Não se preocupe, não sou secular, milenar ou qualquer coisa parecida. Tenho apenas dezoito anos, como diz minha identidade. - respondeu, rindo de minha careta decepcionada. - Qual é? Queria um cara de o quê? Trezentos anos? 
- Esperava mais. - torci o nariz, emitindo um som esquisito.
- Você ronca acordada, é? 
- Cala a boca! - resmunguei - E então, o que éramos antes de minhas lembranças serem sugadas?
- Namorados. 
- Surpreendente. Nunca imaginei que namoraria um cara como você. 
- Um anjo?
- Um gato. 
- Devia imaginar. - e se sentou ao meu lado, assobiando, disfarçando e por fim, me deitando em seu colo - E me diga: Se sente segura para dizer que me ama? 
   Mais segura impossível. 
- Te contei que leio pensamentos? - perguntou, claramente se divertindo. 
- Ah, não...
- É mentira. 
- Que vergonha... - sussurrei, corando.
- E aí, se sente segura? 
- Eu te amo. - repliquei, presa em seu olhar. - Demais. 
- Ou você mente muito bem. Ou, caramba, como você me ama! 
- Para de falar e me beija, vai!
    E com seus lábios roçando nos meus, Harold soltou: 
- Temos um problema. 
- Explique.
- Você não perdeu a memória por causa do acidente. Fizeram isso com você. 
- E quem fez isso? 
- Pessoas que realmente nos odeiam.

20 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte IV

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Parte I, II e III

- Desculpe, como? - perguntei, sentindo meu sangue disparando nas veias.
- Estou morto, ué! - tornou a falar, enquanto torcia com os dedos a ponta de meu lençol.
- Isso não faz sentido nenhum, Harold! 
- Por que não? 
- Sério mesmo? - olhei em sua direção. Ele balançou a cabeça, com um sorriso amarelo no rosto. - Primeiro: mortos não falam, não andam, já que estão... MORTOS!
- Juro que tenho uma explicação. - falou Harold, piscando freneticamente. - Mas ela é meio estranha. 
- Me diz uma coisa em você que não é estranha... - murmurei, sentando na cabeceira da cama. - Prossiga. 
- Bom. Eu não sou... daqui. 
- Do Brasil? 
- Da Terra. - disse ele, com a voz fraca. 
- Um alienígena? Era só o que me faltava... - caí na cama, pressionando o travesseiro contra a cabeça. Ela doía muito. - Continue. Não pode ficar mais estranho que isso. 
- Não sou uma alienígena, Rox. Sou um anjo. 
- COMO É QUE É?
- É! Faço o estilo asas, auréola, túnica branca - que insistem em chamar de vestido-, harpa e tudo mais. Mas, eu tenho sexo, tá? - sua expressão apavorada me fez rir. 
- Nunca achei que fosse hermafrodita ou assexuado, Harold.
    Aos poucos, suas roupas destruídas foram desaparecendo e em seu lugar, um leve tecido branco, um pouco transparente na área do toráx, surgiu. Um arco brilhante em sua cabeça, dourado e esfumaçado, iluminou ainda mais o quarto. Em seus braços, uma harpa acinzentada pendia, tocando sozinha uma leve canção de ninar. 
    Era impossível não se encantar. E, por mais que seus lábios ainda estivessem inchados, sua perna quebrada e seus olhos roxos, ele representava a perfeita figura de um anjo. Um protetor incontestável. 
- Nossa... - meus olhos se esbugalharam, quase saltando das órbitas. - Impossível. 
- Pra que fui abrir minha boca. - ele reclamou, quando me viu praticamente babando. - Rox?! Está aí?
- Hã? Ah, é, foi mal. - balancei a cabeça, trazendo minha mente de volta à realidade. - Mas você ser um anjo, não explica a sua imortalidade. Ooooou! Peraê! Você é um imortal... mortal? Porque imortais não ficariam assim, arrebentados! 
- Qual era a pergunta mesmo? - Harold sorriu, se livrando dos travesseiros e caminhando até mim. 
    Mordi o lábio inferior, decidindo por uma de minhas dúvidas. 
- Por que você não morreu, sabe... de vez? - indaguei, confusa. - Quer dizer, poucas coisas explicariam isso, a não ser que... 
    Ele levantou o braço. 
- Posso falar?
- Arrã. 
- Eu morri e não morri. - tentou explicar, se encostando no armário. 
- Não ajudou.
- É que, lá no Céu, as coisas não funcionam como aqui. Veja bem, na Terra, existem milhões de anjos vagando. Vocês costumam chamá-los de almas gêmeas, sabe? 
- Sim.
- Pois então. Quando São Pedro nos mandou para cá, não imaginou que vocês se apegariam tanto. Mas, aconteceu. Assim sendo, Deus assinou um contrato, onde dá a nós, anjos, cinco chances de... errar. Se atingirmos nosso limite, morremos de vez e retornamos ao Céu. 
- E quantas vezes você já morreu?
- Quatro.  

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Foi mal, gente, mas a história está totalmente incoerente. Prometo esclarecer no próximo post. Sinto muito, porém ela se tornou gigante. Tentarei melhorar na próxima :|

19 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte III

1 passaram por aqui
OBS: para que essa parte fosse escrita, tive que mudar o final da outra, e por isso, não entenderão nada dessa se não lerem o final daquela, então...
- Harold? Harold!
- Sinto muito. - ouvi a voz de Yara responder - Seu príncipe encantado vazou há uma hora. Sabe o quanto você dormiu?
- Droga... - eu falei, ignorando a pergunta dela. - Preciso falar com ele.
- Não vai dar.
- Por quê?
- Porque ele viajou para Acapulco há uma hora.
- E quando ele volta?
- Nunca.


- Rox? - ouvi uma voz sussurrar em minha orelha. - Roxanne?
   Esfreguei os olhos com o intuito de enxergar. Mas estava escuro como breu. Nem minha própria mão eu conseguia ver.
- Meu amor, você está me ouvindo? - a voz voltou a falar. - Sou eu, Harold.
- O QUE?! - berrei, me sentando na cama. - Não pode ser... 
   Voltei a esfregar os olhos, pensando se não era um sonho daqueles bem reais.
   Harold não poderia estar ali, ele estava em Acapulco. Tinha se mudado para lá há um mês. E não ia voltar, nem mesmo se eu implorasse.
- Mas é, Rox... - insistiu, tocando em meu braço.
- Ah, é mesmo? Então, me diga, por que foi embora?
- É que é... complicado.
- Como assim complicado?! Você vem morar aqui em um dia, e no outro já está indo embora. - explodi, me balançando para frente e para trás. - Além disso, vem falar comigo, me lembra de que te amo, e então SOME! Simplesmente pega um avião e vai para Acapulco!
- Acalme-se, Roxanne! - pediu, me obrigando a parar.
- E agora? Vai sumir de novo amanhã?!
- Não, não vou.
- Me dê uma razão para acreditar em você.
- Eu te amo.
     Fiquei em silêncio por um instante, pensando se aquilo era mesmo verdade, ou se era só mais um enigma, uma pergunta sem resposta ou uma brincadeira idiota. Até que por fim, respirando fundo, murmurei:
- Não esteve em Acapulco.
- Isso não é uma pergunta. - assinalou, soprando suas palavras em meu pescoço. - Tem provas de que não estive lá?
- Nenhuma. Mas...
- Por favor, Rox. - interrompeu-me - Será que pode calar a boca?
    Parei de falar, deixando que somente ele sussurrasse em minha orelha. Ele contou ou inventou como foi a viagem, disse que sentiu minha falta e que pensou em mim o tempo inteiro. Seus lábios beijaram meu pescoço, meu queixo, minha bochecha, o canto de meus lábios...
- PARA! - berrei, me afastando dele.
- O que foi, meu amor?
- Não sou amor, muito menos o seu.
- E ainda está com raiva de mim.
- E muita. - completei, sorrindo maliciosamente. - Onde você esteve?
- Em Acapulco.
- Vou ser mais clara: Onde você esteve... de verdade?
- Não posso falar. 
    Levantei da cama e acendi a luz. 
    Quando olhei para a cama de novo, encontrei um Harold todo machucado. Seus lábios estavam cortados e uma de suas pernas quebrada. Seus olhos roxos e seu cabelo cortado curto. A camisa de linho que usava, estava toda rasgada e a calça, esfolada e queimada. 
- Ah, meu Deus! - gritei, voando de volta para a cama - O que aconteceu com você?
- Nada. 
- É realmente, todo nada deixa os outros assim. 
- Irônica como sempre. 
- Mentiroso como sempre. - rebati, arqueando uma sobrancelha. - Não vai mesmo me contar a verdade?
- Não vou. 
    Ameacei sair do quarto, caminhando vagarosamente até a porta. Sabia que isso arrancaria alguma coisa dele. Faltava um passo para eu sair de vez, quando com um tom de voz culpado, ele confessou: 
- Estava no Chile. 
- Interessante. E por que está todo arrebentado?
- Simples. - ele deu de ombros. - Eu morri.

18 de junho de 2010

Estranhamente amável.

3 passaram por aqui
   Eu chamo metade do que está nessas mesas de bugiganga. Mas, como meus professores de biologia, química e física discordam, sou obrigada a ficar calada. Na mesa do Cheldon, tem uma máquina estranha, feita de rolos de papel higiêncio, canos enferrujados e uma tampa de vaso sanitário. Não ouso perguntar o nome, já que tenho medo da resposta.
   Mais a frente, na mesa da Gretchen, uma engenhoca de sacos plásticos e garrafas pet está esparramada em um pano marrom. Ouço ela dizendo que aquilo recicla papéis. Mas acreditar de verdade eu não consigo.
   Em uma das últimas mesas está Kleber, um gênio da física que constroi as melhores coisas para a Feira de Inventores. Sua mesa está forrada com um pano esverdeado meio amarrotado, parece um lençol velho. Em cima, sua máquina, dessa vez feita de uma televisão velha, uma máquina de xerox, um teclado velho, uma impressora e duas caixas de som médias. 
- Ei, Brigitte. - ouço ele me chamar - Vem dar uma olhada nisso aqui. 
- Ah, oi Kleber. - sorrio em resposta, me aproximando dele. - E então, o que está aprontando? 
- Essa é a maior invenção do século! - ele elogia a si próprio, enquanto digita sem parar no teclado. 
- Que legal. - falo, tentando me entusiasmar com a ideia. - E o que é mesmo?
- Se chama Máquina do amor Perfeito. - explica, apertando dois botões da máquina de xerox. - E, você será a primeira pessoa a usá-la! 
- Mas, eu não... 
- Sem desculpa, Brig. Já está dentro. 
    Kleber me puxa pelo braço, me colocando em frente à televisão, que está em branco, enquanto listras acinzentadas passam. Ela parece esperar uma fita de vídeo, ou algo parecido.
- Agora, segure isso aqui. - fala, me entregando uma revista Capricho. - Sei que ama esses caras. E precisa de inspiração. - Kleber ajeita os óculos e se senta na cadeira azul que está atrás da mesa. - Agora, vou lhe fazer perguntas simples e você vai me respondendo, certo? 
- Tudo bem. - concordo, nervosa. 
- Vou criar para você, sua alma gêmea. Pra isso, preciso saber como ela seria. Então... Idade?
- 17 anos. 
- Cor dos olhos?
- Azuis. - digo, sem ao menos folhear a revista. - Tipo os do Logan Lerman, sabe? 
- Urrum... - murmura, ainda digitando - Altura?
- Um e oitenta e cinco - escolho, olhando o Robert Pattinson na capa. 
- Cabelo?
- Encaracolado, preto e curto. - peço, sorrindo com a ideia de ter minha alma gêmea. 
- Certo... - ele diz, ajustando os botões do áudio. - Voz?
- Grossa e meio rouca, mas com um tom meio musical. E por favor, que não seja esganiçada!
- Prometo. - ele sorri, tirando os óculos para limpar. - O que mais poderemos colocar? Que tal, boca?
- Carnuda, mas não do tipo que é maior que cara, e sim do tipo "Meu Deus!". Entende?
- Com certeza. Nariz?
- Não muito fino, mas não quero adunco, tá? 
- Tudo bem. Musculoso, magrelo...?
- Algo entre esses dois. Não quero um fracote, mas também não quero um King Kong.
- Perfeito. - exclama, dando um ultimo toque na tecla Enter. - Agora faremos um pequeno teste de personalidade. Só pra definir a melhor personalidade pra ele, tá certo?
- Arrã. 
- Vou te dar três opções de cada vez e você vai escolhendo uma, tá?
- Sim. 
- Inteligente, despreocupado ou mediocre?
- Inteligente.
- Amoroso, adorável ou fofo?
- Não dá tudo no mesmo? - pergunto. Ele balança a cabeça, negando - Tá... Hmm... Amoroso.
- E por último o sorriso: meigo, malicioso ou divertido?
- Meigo. 
     Um barulho de ronco e a impressora começa a imprimir os resultados. Kleber me explica que eu preciso ver uma foto e uma descrição para aprovar o resultado. Pois uma vez que a máquina de xerox o reproduza, é sem volta. 
    Pego os papéis e dou uma olhada. O garoto que eles mostram é bem bonito. Entrego-os de volta à Kleber, que depois de ter minha confirmação, coloca as folhas na máquina de xerox e espera que as imagens sejam reproduzidas na tela, para que ele controle o processo de criação. Enquanto digita os últimos padrões e ajusta audição e visão, eu assisto a tudo, curiosa. 
   Depois de trinta minutos um adolescente perfeito é reproduzido na minha frente. Kleber o define como um holograma materializado. Toco em seu rosto. Sua pele é macia como cetim.
- Sou seu novo namorado. - sua voz grossa e meio rouca fala. - Mas antes, preciso que programe meu nome. 
- Você vai se chamar... Nathaniel. - decido, pensando em um cantor que eu adoro. 
   Kleber programa o nome no cérebro do meu namorado perfeito, que ainda está ligado às maquinas por um fio roxo. Um estalo na máquina e um soluço de Nathaniel e por fim, está tudo pronto. 
- Sua alma gêmea está entregue, Brig. 
- Obrigada. - falo, sorrindo - Acho que vou dar uma volta com ele. 
- Sinta-se à vontade. Eu não tenho prazo de validade. - brinca Nat, sorrindo para mim. 
   Meu coração dispara ao som daquela voz. É uma mistura de todas que ouvi durante toda a minha vida. Meu estômago também embrulha e se enche de borboletas. Não encontro palavras para agradecer à Kleber, mas acho que ele sabe o quanto me sinto grata. 
   Meu holograma materializado não é a definição de perfeição. Ele é apenas uma mistura de todas as minhas lembranças boas, é o meu conceito de perfeição. E esse, nunca vai mudar. 
   Porque eu amo a mim mesma. E agora, amo Nathaniel.

Mural de recados

1 passaram por aqui
Eu sei que comecei a escrever a história Perigosamente ao seu lado. Mas como de costume eu posto para o temas do Blorkutando, Blogueando etc. Daí a história vai ficar um pouco para trás. Eu prometo continuar com ela assim que der :)
Beijos

16 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - parte II

2 passaram por aqui
- Pode falar. - respondi, respirando fundo. 
- Você está sozinha?
- Eu... eu... - gaguejei, hesitando - Sim.
- Então vou aí. 
    E desligou. 
    Meu estômago de repente estava embrulhado. Minhas ideias reviradas e incoerentes. Eu queria e não queria ajudar Harold. E queria e não queria ele aqui, comigo. Ficar sozinha com ele parecia perigoso demais. 
    Proximidade demais. 
    O ding dong da campainha estourou em minha cabeça como uma bomba. Com as mãos tremulas e as pernas bambas, fui atender à porta. Afinal, por que eu estava com tanto medo de meu próprio vizinho?
    Mas algo naquela voz me apavorou. O tom aterrorizante e sinistro que ela tinha me dizia que ajuda que ele me pedia, não era algo como "me ajuda a cozinhar não sei o quê", ou "abre pra mim não sei o que lá". 
- O que quer de mim? - perguntei, assim que ele irrompeu pela porta. 
- Ainda bem que está a salvo. - respirou aliviado. - Precisamos conversar, Roxanne. 
- Sobre...?
- Nós. 
    Caí no sofá lotado de caixas de sapato, sem me importar quando uma delas espetou as minhas costas. A conversa estava tomando um rumo desagradável. E eu não queria que ela continuasse. Não queria saber sobre o nós. Só sobre o eu. 
- Não quero saber, Harold. - murmurei, com a voz fraca. 
- Não confia em mim? - perguntou, aflito. E depois, com um tom ressentido, indagou: - Não se lembra de mim? 
- Do que esta falando? 
- Mas que me... - sussurrou, andando de um lado para o outro, com passos tão pesados que poderia abrir um buraco no chão. - Droga, droga, droga!
- O quê? O que é uma droga?! - insisti. - Poxa, Harold, me explique!
- Ainda é a mesma curiosa. - disse ele, sorrindo para mim. 
    Lentamente Harold caminhou até mim e se sentou ao meu lado. Sem aviso prévio, meu coração começou a disparar e meu corpo todo a tremer. Sentia-me uma idiota, enquanto me encolhia no canto do sofá, fugindo do toque dele, lutando contra meu desejo de abraçá-lo, tentar acalmá-lo. Beijá-lo. 
    NÃO!, uma vozinha berrou em minha cabeça, exigindo que minhas mãos voltassem para o meu colo. Mas era tarde. Eu já estava ao lado dele, enrolando seus cachos negros com meus dedos. E sussurrando em sua orelha para que se acalmasse um pouco. 
- Seu corpo se lembra... - ele sussurrou, com um tom emocionado. - Seu corpo me reconhece, Rox! 
- Hã? 
- Meu Deus, como senti sua falta. - Harold me puxou pela cintura e me sentou em seu colo, me obrigando a olhar em seus olhos. 
- Mas o que vo...
- Shh... - usou um tom baixinho quando voltou a falar. - Nunca mais vou te deixar, Rox... Nunca mais. 
    Senti minhas pálpebras pesarem.
    E depois, o vazio. 

- Harold? Harold!
- Sinto muito. - ouvi a voz de Yara responder - Seu príncipe encantado vazou há uma hora. Sabe o quanto você dormiu?
- Droga... - eu falei, ignorando a pergunta dela. - Preciso falar com ele.
- Não vai dar.
- Por quê?
- Porque ele viajou para Acapulco há uma hora.
- E quando ele volta?
- Nunca.

13 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado. - Parte I

4 passaram por aqui
    As malas estavam entre minha camiseta e minha calça jeans. Tropecei em tudo no caminho para a porta, tombando por fim com meu par de sandálias de salto. A campainha era apertada insistentemente a cada cinco segundos. Seis toques por vez.
- Calma aí! - pedi, escondendo meu biquíni debaixo da cadeira de madeira. - Deixa só eu achar a chave. 
- Tudo bem... - respondeu uma voz rouca e musical. Desconhecida, com certeza.  
    Mais um monte de meias listradas estavam espalhadas na mesa. Juntei tudo com um puxão e joguei na poltrona reclinável. Peguei a chave no pino da parede e destranquei a porta, em uma tentativa desastrosa de parecer normal. 
- Pois não? - perguntei, tirando os cabelos desgrenhados dos olhos.
- Er... eu acabei de me mudar aqui pro 312, e me disseram que eu pego a chave na administração. E aqui está escrito administração. Então... - o estranho murmurou tímido, passando os dedos pelo cabelo. - Tô certo?
- Arrã. Me dá um minuto.
    Bati a porta atrás de mim e corri até meu quarto, em busca da chave que tinha deixado na cômoda. Depois de revirar as agendas e livros da minha irmã, achei o molho debaixo do cupom de desconto do cabeleireiro. 
- Aqui está! - eu disse, entregando a ele uma pequena chave em forma de trevo.
- Obrigado.
- Por nada. E seja bem-vindo.
   O homem elegante e esguio caminhou com passos ensaiados até sua porta. E, destrancando-a, falou:
- Meu nome é Harold.
    E fechou a porta.
    Como um espelho, repeti seus gestos, fechando a minha porta branca descascada. Fiquei estática por um segundo, me perguntando o porquê de  Yara não ter me contado que um novo morador chegaria. Talvez se eu já soubesse que um modelo moraria aqui, não ficasse babando sua beleza como uma idiota.
- Quem era, Rox? - perguntou, Yara, cambaleando sonolenta até o sofá.
- Não senta aí, tem uma agulha de costura.
    Com os olhos arregalados ela se manteve de pé, caindo por fim na cadeira de madeira.
- E então, quem era?
- O novo vizinho gato que a gente ganhou. Harold.
- Ah, é. Esqueci de avisar que ele passaria aqui hoje... às três da madrugada?
- Nem me fale. Parece doidão.
- Devia estar drogado, ou algo assim.
- Isso com certeza não. - balancei a cabeça, pegando a agulha do sofá e guardando-a junto aos outros materiais de costura - Parecia mais sóbrio do que nunca.
- E você... vai sair com ele? - perguntou Yara, piscando os olhos freneticamente.
- Não sei.
    Yara não se deu ao trabalho de responder. Apenas levantou da cadeira e se arrastou até o quarto. Ouvi o barulho dela se jogando com força na cama. A conversa acabava ali. 
    Também fui para o meu quarto. E, embalada por pensamentos incoerentes, adormeci.

Acordei com os toques do telefone. Corri para a cômoda, empurrando o copo de vidro, que se espatifou no chão. Mais uma coisa para eu limpar.
- Alô?
   Primeiro o silêncio. Depois uma voz aflita sussurrou:
- Você precisa me ajudar.  


Three

1 passaram por aqui
Oi gnt 
Primeiramente me desculpem por ter deletado os dois ultimos posts, mas o primeiro estava dando erro no meu computador e o segundo não saiu exatamente como eu queria. 
Eu ia reescrever TUDO, mas me bateu a ideia de uma história que agora eu não consigo tirar da cabeça. 
Ela deve ter entre duas e três partes. 
Ainda nem sei qual vai ser o final. 
De qualquer forma, espero que gostem :)


"Alguns não precisam gritar ao mundo o que sentem. São eles, os que apenas amam em silêncio..."

11 de junho de 2010

Não tem explicação...

3 passaram por aqui
    Abri o jornal amassado no tédio de uma manhã qualquer de domingo. As sessões de receitas e de esportes estavam completamente recortadas e algumas páginas tinham simplesmente desaparecido. A única parte que tinha sobrevivido era aquela que falava das fofocas dos famosos, intitulada de "Paparazzi all day!"
   Eu não costumava ler aquilo. Considerava infantil e uma perseguição à vida alheia. Mas quando vi aquela notícia gritante, meu coração disparou e eu mordi minha língua, enquanto mentalmente gritava de dor.
   Em letras garrafais, a manchete dizia: "Calypso norte-americano". 
   Até aí, nada demais. Bastou mais um parágrafo para meu ar ir todo embora, sendo assim substituído por uma vontade louca de rir. 

  "Nesta manhã de domingo, dia onze de Junho, começou a circular pela Internet uma informação que surpreendeu à maioria dos fãs do grupo norte-americano, Black Eyed Peas. Segundo a empresária da banda Calypso, a banda que faz muito sucesso nos Estado Unidos, tem plagiado as músicas de Joelma e as usado em seus shows. 
   A única integrante feminina do grupo, conhecida como Fergie, negou todas as acusações, dizendo que suas músicas são originais. Mas anotações encontradas no camarim de Chimbinha, comprovam o plágio. 
   O grupo norte-americano terá de dar a autoria das músicas 'Boom Boom Pow' e 'Meet Me Halfway' para a banda paraense até o próximo dia treze, além de pagar uma indenização de R$ 1.000.000,00.
   Ainda segundo a empresária, a banda norte-americana não é merecedora do sucesso que tem, já que é baixa a ponto de plagiar.
   Pois é, William, e agora?..."

   Larguei o jornal no sofá e saí gritando pela casa, procurando minha irmã. Precisava contar a ela que os heróis musicais dela eram plagiadores de quinta categoria. 
   Encontrei-a chorando deitada com a cabeça no teclado. Um CD deles nas mãos e na tela do computador, a imagem da Fergie e do William abraçados. 
- Por que, Mel? Por quê? - perguntou-me, soluçando.
- Já sabe de tudo, né? 
- Sei...
- Legal. Té mais! - respondi, fechando a porta. 
   Saltitei até o protão pra procurar a banca de revista mais próxima e terminar de ver esse "babado". 
- IDIOTA! - pude ouvir minha irmã gritando da janela - ELES AINDA SÃO DEMAIS! 

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3° Lugar - Blorkutando - 89° edição

Outro rumo

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A maré alta molhava nossos pés descalços. Os meus tremiam de ansiedade e desconforto. Os de Leo apenas balançavam ao som da música que ouvia em seu IPod. Pelo pouco que podia ouvir, quem cantava era John Lennon. 
  - Quando ela vem, Leo? 
  - Daqui a pouco, eu prometo. - lançou-me um sorriso encorajador. - Quer repassar o plano? 
  - É sempre bom. - pigarreei, nervosa - Ela vai chegar. Eu te dou um selinho e digo que vou comprar sorvete. Nisso você fica falando de mim até ela dar um ataque. Daí você fala que é ela que você ama de verdade. Fim.
  - Perfeito! - bateu palmas exageradas. - Só uma coisa...
  - O quê?
  - Tenta tremer menos na hora. - debochou - Aliás, por que está tão nervosa?
  - Não sou boa atriz.
  - Mas é minha melhor amiga e sei que pode fazer isso por mim. Vai... Por favor? 
  - Tudo bem. - concordei, com um suspiro resignado. 
  - Eu te amo, Kay! 
    Em seus braços fortes eu quase acreditava nele. E quando sua boca encontrou a minha, acreditei por completo. Um beijo rápido e afobado. 
  - Por que fez isso? - perguntei, ofegando. 
  - Tenho que ser convincente. - seus olhos se desviaram para a moça alta e magra que vinha em nossa direção. A ex-namorada dele e a vítima do nosso plano. Respirei fundo e me preparei para a atuação. - Calma Kay... - ele sussurrou, apertando a minha mão. 
  - Oi, amores - nos cumprimentou secamente, enquanto tirava o cabelo comprido do rosto. - Como vão vocês?
  - Bem, obrigada. - respondi, pouco à vontade - Já volto, amor. - disse, beijando de leve os lábios de Leo - Vou comprar um sorvete. 
  - Não vai, não. - me prendeu pela mão - Meredith, essa aqui é Kayla, minha namorada. 
  - No-nossa! - vi seu queixo cair de surpresa e indignação. Era como se ela já soubesse do plano inicial e tivesse se surpreendido com o rumo que tomou. - Então os amiguinhos se tornaram pombinhos? Que meigo... 
    Ela sorriu em toda sua falsidade, arrancando um riso zombeteiro de Leo. 
  - Irônico, não? - arqueei uma sobrancelha e sorri maliciosamente.
  - Não. É ridículo. 
    Meredith deu as costas e caminhou em direção à esquina da Herdlock com a Brighthere, sumindo após uma empinada de bumbum. 
    Ficamos calados por um bom tempo, envergonhados demais para falar. 
    Até que, não resistindo, perguntei:
  - O que foi isso? 
  - Acho que gostei mais do que devia de te beijar. 
  - Ah. - murmurei, assentindo e pegando sua mão. 
    Ali, éramos um retrato perfeito de dois amigos sentados conversando na beira do mar
    Ou mais que amigos. 
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Pauta para a edição musical do projeto Bloínquês (eu e você - catch side)
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Desculpem-me se a história soou muito clichê, ou muito melosa, fiz o que pude.
Mesmo assim, espero que gostem :)