25 de junho de 2010

Gente que finge ser

    Já diz o Hino Nacional: Ó pátria amada, idolatrada. Salve! Salve!. Quantas pessoas já repetiram isso ao longo das gerações? Milhares, provavelmente. O Brasil, realmente é uma pátria admirável. Variedade étnica, florestas enormes, praias fantásticas! Quem não teria orgulho de ser brasileiro? Ou, quem não fingiria ter? 
    Dando mais uma volta, o Brasil tem um dos times de futebol mais aclamados do mundo. Em época de Copa, as ruas ficam enfeitadas com perucas, vuvuzelas, apitos e gritos de torcedores fanáticos. Os bares se enchem de pessoas que devoram seus petiscos e bebem cerveja e refrigerante enquanto, em um grande telão, o time brasileiro joga. 
    E em dias comuns, como funciona a vida?
    Se alguém experimentar andar pela rua em uma tarde de domingo, em alguma esquina com certeza encontrará um mendigo dormindo em cima de um pedaço de papelão. Ou então, lixos espalhados, terrenos baldios... Coisas tristes que, na época da Copa, ficam encobertas por bandeiras verdes, amarelas, azuis e brancas, com a majestosa frase Ordem e Progresso. É mesmo? E que progresso estamos fazendo? 
    Sequestros relâmpago, roubos, assassinatos, estupros. Além de hospitais sem leitos suficientes, educação deficiente... Isso é, de verdade, um progresso?
    Tudo tem seu lado positivo e negativo. Mas, no caso do Brasil, o negativo agora supera o positivo. O dinheiro que devia ser para melhorar esses problemas, é usado para acobertá-los, aumentando estádios para a Copa de 2016, preparando-se para as olimpíadas. De que vale tudo isso, quando pessoas morrem de fome? 
    Aí, chegamos ao x da questão: Com tudo isso, quem tem verdadeiro orgulho de ser brasileiro?
    Temos uma torcida gigante, que se reúne na hora da Copa para gritar e comemorar os gols. Para beber cerveja e se divertir. Mas eles só se reúnem nos jogos, certo? Não se torce todos os dias pelo Brasil, pois não há pelo que torcer, não há o que comemorar ou do que se orgulhar. 
    Há muito sofrimento, muita dor. Muita tristeza e depressão. 
    A monotonia diária, já se apoderou dos corpos, que não vêem a vida como suas, e sim, das obrigações. Obrigação de trabalhar, estudar, comer, dormir e de aceitar as coisas como são. Para eles, não existe solução.
    Afinal, é muito mais fácil torcer por um gol, do que se convencer de que um dia o Brasil irá mudar. 
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2° lugar - Bloínquês

2 comentários:

Talitha disse...

Na copa todo mundo ama o Brasil e depois que a copa acaba o volta as suas tarefas normais e se esquecem que moram no Brasil.
Que vergonha hein.
Ô povo falso.
Kiss...

Ariane disse...

Nossa Leeti, falou e disse. Deviam publicar esse texto. Porque tá resumindo o que muita gente quer dizer e não sabe colocar em apalvras. Parabéns , mais uma vez.
E que haja vergonha no governo para termos orgulho de ser brasileiro um dia,não é?