16 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - parte II

- Pode falar. - respondi, respirando fundo. 
- Você está sozinha?
- Eu... eu... - gaguejei, hesitando - Sim.
- Então vou aí. 
    E desligou. 
    Meu estômago de repente estava embrulhado. Minhas ideias reviradas e incoerentes. Eu queria e não queria ajudar Harold. E queria e não queria ele aqui, comigo. Ficar sozinha com ele parecia perigoso demais. 
    Proximidade demais. 
    O ding dong da campainha estourou em minha cabeça como uma bomba. Com as mãos tremulas e as pernas bambas, fui atender à porta. Afinal, por que eu estava com tanto medo de meu próprio vizinho?
    Mas algo naquela voz me apavorou. O tom aterrorizante e sinistro que ela tinha me dizia que ajuda que ele me pedia, não era algo como "me ajuda a cozinhar não sei o quê", ou "abre pra mim não sei o que lá". 
- O que quer de mim? - perguntei, assim que ele irrompeu pela porta. 
- Ainda bem que está a salvo. - respirou aliviado. - Precisamos conversar, Roxanne. 
- Sobre...?
- Nós. 
    Caí no sofá lotado de caixas de sapato, sem me importar quando uma delas espetou as minhas costas. A conversa estava tomando um rumo desagradável. E eu não queria que ela continuasse. Não queria saber sobre o nós. Só sobre o eu. 
- Não quero saber, Harold. - murmurei, com a voz fraca. 
- Não confia em mim? - perguntou, aflito. E depois, com um tom ressentido, indagou: - Não se lembra de mim? 
- Do que esta falando? 
- Mas que me... - sussurrou, andando de um lado para o outro, com passos tão pesados que poderia abrir um buraco no chão. - Droga, droga, droga!
- O quê? O que é uma droga?! - insisti. - Poxa, Harold, me explique!
- Ainda é a mesma curiosa. - disse ele, sorrindo para mim. 
    Lentamente Harold caminhou até mim e se sentou ao meu lado. Sem aviso prévio, meu coração começou a disparar e meu corpo todo a tremer. Sentia-me uma idiota, enquanto me encolhia no canto do sofá, fugindo do toque dele, lutando contra meu desejo de abraçá-lo, tentar acalmá-lo. Beijá-lo. 
    NÃO!, uma vozinha berrou em minha cabeça, exigindo que minhas mãos voltassem para o meu colo. Mas era tarde. Eu já estava ao lado dele, enrolando seus cachos negros com meus dedos. E sussurrando em sua orelha para que se acalmasse um pouco. 
- Seu corpo se lembra... - ele sussurrou, com um tom emocionado. - Seu corpo me reconhece, Rox! 
- Hã? 
- Meu Deus, como senti sua falta. - Harold me puxou pela cintura e me sentou em seu colo, me obrigando a olhar em seus olhos. 
- Mas o que vo...
- Shh... - usou um tom baixinho quando voltou a falar. - Nunca mais vou te deixar, Rox... Nunca mais. 
    Senti minhas pálpebras pesarem.
    E depois, o vazio. 

- Harold? Harold!
- Sinto muito. - ouvi a voz de Yara responder - Seu príncipe encantado vazou há uma hora. Sabe o quanto você dormiu?
- Droga... - eu falei, ignorando a pergunta dela. - Preciso falar com ele.
- Não vai dar.
- Por quê?
- Porque ele viajou para Acapulco há uma hora.
- E quando ele volta?
- Nunca.

2 comentários:

Naty Araújo disse...

Caracas... ainda errou o nome da garota kkkkk.
eu faria o mesmo nele kkkk.

Eles quem, heim?
Continuação... quero, quero, quero.

Bjão

Talitha disse...

Nossa esta ficando cada vez mais interessante.
Não tem como não ler...
To louca pra ver a continu...
Kiss...