19 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte III

OBS: para que essa parte fosse escrita, tive que mudar o final da outra, e por isso, não entenderão nada dessa se não lerem o final daquela, então...
- Harold? Harold!
- Sinto muito. - ouvi a voz de Yara responder - Seu príncipe encantado vazou há uma hora. Sabe o quanto você dormiu?
- Droga... - eu falei, ignorando a pergunta dela. - Preciso falar com ele.
- Não vai dar.
- Por quê?
- Porque ele viajou para Acapulco há uma hora.
- E quando ele volta?
- Nunca.


- Rox? - ouvi uma voz sussurrar em minha orelha. - Roxanne?
   Esfreguei os olhos com o intuito de enxergar. Mas estava escuro como breu. Nem minha própria mão eu conseguia ver.
- Meu amor, você está me ouvindo? - a voz voltou a falar. - Sou eu, Harold.
- O QUE?! - berrei, me sentando na cama. - Não pode ser... 
   Voltei a esfregar os olhos, pensando se não era um sonho daqueles bem reais.
   Harold não poderia estar ali, ele estava em Acapulco. Tinha se mudado para lá há um mês. E não ia voltar, nem mesmo se eu implorasse.
- Mas é, Rox... - insistiu, tocando em meu braço.
- Ah, é mesmo? Então, me diga, por que foi embora?
- É que é... complicado.
- Como assim complicado?! Você vem morar aqui em um dia, e no outro já está indo embora. - explodi, me balançando para frente e para trás. - Além disso, vem falar comigo, me lembra de que te amo, e então SOME! Simplesmente pega um avião e vai para Acapulco!
- Acalme-se, Roxanne! - pediu, me obrigando a parar.
- E agora? Vai sumir de novo amanhã?!
- Não, não vou.
- Me dê uma razão para acreditar em você.
- Eu te amo.
     Fiquei em silêncio por um instante, pensando se aquilo era mesmo verdade, ou se era só mais um enigma, uma pergunta sem resposta ou uma brincadeira idiota. Até que por fim, respirando fundo, murmurei:
- Não esteve em Acapulco.
- Isso não é uma pergunta. - assinalou, soprando suas palavras em meu pescoço. - Tem provas de que não estive lá?
- Nenhuma. Mas...
- Por favor, Rox. - interrompeu-me - Será que pode calar a boca?
    Parei de falar, deixando que somente ele sussurrasse em minha orelha. Ele contou ou inventou como foi a viagem, disse que sentiu minha falta e que pensou em mim o tempo inteiro. Seus lábios beijaram meu pescoço, meu queixo, minha bochecha, o canto de meus lábios...
- PARA! - berrei, me afastando dele.
- O que foi, meu amor?
- Não sou amor, muito menos o seu.
- E ainda está com raiva de mim.
- E muita. - completei, sorrindo maliciosamente. - Onde você esteve?
- Em Acapulco.
- Vou ser mais clara: Onde você esteve... de verdade?
- Não posso falar. 
    Levantei da cama e acendi a luz. 
    Quando olhei para a cama de novo, encontrei um Harold todo machucado. Seus lábios estavam cortados e uma de suas pernas quebrada. Seus olhos roxos e seu cabelo cortado curto. A camisa de linho que usava, estava toda rasgada e a calça, esfolada e queimada. 
- Ah, meu Deus! - gritei, voando de volta para a cama - O que aconteceu com você?
- Nada. 
- É realmente, todo nada deixa os outros assim. 
- Irônica como sempre. 
- Mentiroso como sempre. - rebati, arqueando uma sobrancelha. - Não vai mesmo me contar a verdade?
- Não vou. 
    Ameacei sair do quarto, caminhando vagarosamente até a porta. Sabia que isso arrancaria alguma coisa dele. Faltava um passo para eu sair de vez, quando com um tom de voz culpado, ele confessou: 
- Estava no Chile. 
- Interessante. E por que está todo arrebentado?
- Simples. - ele deu de ombros. - Eu morri.

Um comentário:

Talitha disse...

Nossa que loucura ele morreu
Como assim ele morreu ? Ai que suspense...
Kiss...