20 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte IV

Parte I, II e III

- Desculpe, como? - perguntei, sentindo meu sangue disparando nas veias.
- Estou morto, ué! - tornou a falar, enquanto torcia com os dedos a ponta de meu lençol.
- Isso não faz sentido nenhum, Harold! 
- Por que não? 
- Sério mesmo? - olhei em sua direção. Ele balançou a cabeça, com um sorriso amarelo no rosto. - Primeiro: mortos não falam, não andam, já que estão... MORTOS!
- Juro que tenho uma explicação. - falou Harold, piscando freneticamente. - Mas ela é meio estranha. 
- Me diz uma coisa em você que não é estranha... - murmurei, sentando na cabeceira da cama. - Prossiga. 
- Bom. Eu não sou... daqui. 
- Do Brasil? 
- Da Terra. - disse ele, com a voz fraca. 
- Um alienígena? Era só o que me faltava... - caí na cama, pressionando o travesseiro contra a cabeça. Ela doía muito. - Continue. Não pode ficar mais estranho que isso. 
- Não sou uma alienígena, Rox. Sou um anjo. 
- COMO É QUE É?
- É! Faço o estilo asas, auréola, túnica branca - que insistem em chamar de vestido-, harpa e tudo mais. Mas, eu tenho sexo, tá? - sua expressão apavorada me fez rir. 
- Nunca achei que fosse hermafrodita ou assexuado, Harold.
    Aos poucos, suas roupas destruídas foram desaparecendo e em seu lugar, um leve tecido branco, um pouco transparente na área do toráx, surgiu. Um arco brilhante em sua cabeça, dourado e esfumaçado, iluminou ainda mais o quarto. Em seus braços, uma harpa acinzentada pendia, tocando sozinha uma leve canção de ninar. 
    Era impossível não se encantar. E, por mais que seus lábios ainda estivessem inchados, sua perna quebrada e seus olhos roxos, ele representava a perfeita figura de um anjo. Um protetor incontestável. 
- Nossa... - meus olhos se esbugalharam, quase saltando das órbitas. - Impossível. 
- Pra que fui abrir minha boca. - ele reclamou, quando me viu praticamente babando. - Rox?! Está aí?
- Hã? Ah, é, foi mal. - balancei a cabeça, trazendo minha mente de volta à realidade. - Mas você ser um anjo, não explica a sua imortalidade. Ooooou! Peraê! Você é um imortal... mortal? Porque imortais não ficariam assim, arrebentados! 
- Qual era a pergunta mesmo? - Harold sorriu, se livrando dos travesseiros e caminhando até mim. 
    Mordi o lábio inferior, decidindo por uma de minhas dúvidas. 
- Por que você não morreu, sabe... de vez? - indaguei, confusa. - Quer dizer, poucas coisas explicariam isso, a não ser que... 
    Ele levantou o braço. 
- Posso falar?
- Arrã. 
- Eu morri e não morri. - tentou explicar, se encostando no armário. 
- Não ajudou.
- É que, lá no Céu, as coisas não funcionam como aqui. Veja bem, na Terra, existem milhões de anjos vagando. Vocês costumam chamá-los de almas gêmeas, sabe? 
- Sim.
- Pois então. Quando São Pedro nos mandou para cá, não imaginou que vocês se apegariam tanto. Mas, aconteceu. Assim sendo, Deus assinou um contrato, onde dá a nós, anjos, cinco chances de... errar. Se atingirmos nosso limite, morremos de vez e retornamos ao Céu. 
- E quantas vezes você já morreu?
- Quatro.  

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Foi mal, gente, mas a história está totalmente incoerente. Prometo esclarecer no próximo post. Sinto muito, porém ela se tornou gigante. Tentarei melhorar na próxima :|

Um comentário:

Talitha disse...

Uau, quem diria hein.
Esse jeito todo e na verdade é um anjo que incrível.
Nossa conti... please =D
Kiss...