21 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte V


- Mais uma vez e você vai embora... - contei mentalmente, procurando chances de ele não morrer novamente - E por que eu me importo tanto, Harold?
- Sinto muito não ter respondido à essa pergunta antes. - desculpou-se ele, com um sorriso estampado no rosto. - Lembra-se de três anos atrás, naquele acidente de moto?
- Claro que me lembro, perdi parte de minha memória nele. Poxa, fiquei um ano tentando me lembrar o dia do meu aniversário.
- Sim, eu me lembro. - pigarreou, tentando disfarçar o que acabara de dizer. - Foi uma difícil recuperação.
- E como você sabe disso mesmo?
- Tinha mais alguém com você na moto. E esse alguém era eu.
- Jesus, ajuda! - sibilei, escorregando pela parede até o chão. - Você quer me confundir, me matar, me irritar, ou qualquer coisa parecida? Se é isso que quer, tá conseguindo, sério. 
- Credo, Roxanne! - ele fez o sinal da cruz e olhou novamente para mim - Te matar? NUNCA! 
- Quer dizer que tá mesmo me irritando?
- Não. Mas não seria má ideia. - Harold limpou a garganta e respirou fundo. Lá vinha. - Como eu estava dizendo... Você não se lembra de mim porque essa parte foi apagada de sua memória. Mas, eu te conheço desde que era um criança. Sou eterno, assim como seu esquecimento. Porém seu corpo , por um milagre, não me esqueceu. Ele ainda sente o que sentia antes daquele motorista idiota avançar o sinal vermelho. Ele ainda me quer.
- Disso eu sei bem, pode apostar. - caí na gargalhada. 
- Seu senso de humor é bem... questionável. 
- Vem cá, quantos anos você tem? Tipo, fica falando como se estivessemos no século passado! - reclamei. 
- Não se preocupe, não sou secular, milenar ou qualquer coisa parecida. Tenho apenas dezoito anos, como diz minha identidade. - respondeu, rindo de minha careta decepcionada. - Qual é? Queria um cara de o quê? Trezentos anos? 
- Esperava mais. - torci o nariz, emitindo um som esquisito.
- Você ronca acordada, é? 
- Cala a boca! - resmunguei - E então, o que éramos antes de minhas lembranças serem sugadas?
- Namorados. 
- Surpreendente. Nunca imaginei que namoraria um cara como você. 
- Um anjo?
- Um gato. 
- Devia imaginar. - e se sentou ao meu lado, assobiando, disfarçando e por fim, me deitando em seu colo - E me diga: Se sente segura para dizer que me ama? 
   Mais segura impossível. 
- Te contei que leio pensamentos? - perguntou, claramente se divertindo. 
- Ah, não...
- É mentira. 
- Que vergonha... - sussurrei, corando.
- E aí, se sente segura? 
- Eu te amo. - repliquei, presa em seu olhar. - Demais. 
- Ou você mente muito bem. Ou, caramba, como você me ama! 
- Para de falar e me beija, vai!
    E com seus lábios roçando nos meus, Harold soltou: 
- Temos um problema. 
- Explique.
- Você não perdeu a memória por causa do acidente. Fizeram isso com você. 
- E quem fez isso? 
- Pessoas que realmente nos odeiam.

2 comentários:

Talitha disse...

Nossa quem diria hein ?
É um anjo, é lindo, super engraçado... e a ama.
O bom é que ela também ama ele, senão ficaria meio constrangedor. Ta muito bom.
Kiss...

♥ Garota ♥ disse...

*-*