28 de junho de 2010

Perigosamente ao seu lado - Parte VIII




   A mulher contornou a cabine e pousou os braços na janela. Depois de dar um longo beijo em Harold, me encarou em toda sua fúria. Minha boca abriu e comecei a piscar freneticamente, olhando ora para ele, ora para ela.
   - O... o quê? Eu... ele! Mas nós... 
   - Todos erram, Roxanne. - sussurrou Harold, em minha orelha. - Até mesmo os anjos. 
   - Você não podia...! - meu rosto queimou de raiva e eu pulei para fora do carro, segurando minha mochila. - Tchau! 
   - Ah, não! Embora você não vai!
   - Mesmo? - fitei-o - E quem vai me impedir?
   - Adivinha? - arqueou uma sobrancelha.
   Harold agarrou minha cintura com os braços fortes e me pendurou em seu ombro, ignorando quando comecei a socá-lo. Seu risinho cínico soou pela estrada, enquanto ele me prendia com o cinto de segurança. 
   - Não é justo! - esperneei. 
   - Shh... - ele falou, se inclinando sobre mim. - Fica quietinha, tá bom? 
   Seu corpo pesou sobre o meu, enquanto seus lábios deslizavam de meu queixo para meu pescoço e dele para os meus ombros. Suas mãos abriram o bolso de meu casaco e colocaram um saquinho dentro dele. Meu cérebro estava revirado demais para pensar.
   - Para.- murmurei, sem muita animação.
   - Desiste... não vou parar, não. 
   Meu olhos, enfeitiçados por suas pele de cetim, perceberam que a mulher infernal já não estava lá. 
   - Cadê ela? 
   - Ela quem? - indagou ele, beijando minha testa.
   - Ninguém. Deixa para lá. 

   Harold estacionou o carro do acostamento. Mais à frente, um lojinha vendia água mineral e bananas. Desci do carro, com a carteira em minhas mãos. Ele veio logo atrás de mim. 
   - Vai me seguir sempre? 
   - Pelo resto da sua vida... - completou. 
   Ele me abraçou pela cintura e caminhamos assim até a portinhola. Ao longe, um vulto vermelho irrompeu. 
   - Ah, Harold. - falou uma voz nervosa - Mágica barata para me impedir? Acho que não, meu amor...
   Um tridente surgiu em suas mãos e foi batido contra o chão. E, em um segundo, tudo desapareceu. Vi as cores vivas da estrada serem substituídas pelo vermelho-sangue e o azul-celeste. O chão era composto de nuvens e tábuas de madeira, que sambavam sobre o vácuo e a lava quente. Algumas partes borbulhavam e escorriam, se misturando ao vazio imenso. 
   - Preparem-se, meus amigos. - um velhinho de túnica branca anunciou. - Infelizmente, uma guerra se inicia. Será uma luta de iguais, mas, devido a pedidos inimigos, não será limpa. Cada um com sua estratégia e armas secretas. Boa sorte...
   - O que faço agora, Har? - questionei, recuando. 
   - O saquinho do seu bolso. Use-o quando achar que deve. 
   - Certo...
   Busquei uma harpa prateada com o velhinho e caminhei com passos lentos até o meio do campo de batalha. O sangue escorria por toda parte, enquanto se equilibravam em nuvens e tábuas corroídas pelos cupins. 
   Pulei sete nuvens e invadi o campo inimigo. 
   - Fim de jogo, garotinha. - murmurou a mulher. 
   E seu tridente foi fincado em mim.

  

Um comentário:

Talitha disse...

Ai que coisa louca... não acredito, o que será que vai acontecer com ela...
Kiss...