3 de junho de 2010

Quem dita as regras?

   Cada vez mais adolescentes usam, comentam, reclamam e riem das tão faladas pulseirinhas do sexo. De um lado, aqueles que concordam, usam e reclamam de quem é contra. Do outro, aqueles que não gostam, não usam e não concordam com os novos significados que elas tomaram. Mas afinal,isso tudo é mesmo necessário?
   Simples acessórios coloridos, de uma hora para a outra, tomaram um significado apelativo sexualmente e que traz perigo à quem as usa simplesmente por gostar delas. Porque sim, ainda existem garotas que as tem por achá-las legais, descoladas, bonitas, e não para conseguir sexo fácil com um marmanjo qualquer. 
   Essa brincadeira, que devia ter muita graça, está se desviando para uma estrada cheia de riscos e consequencias, pagas muitas vezes por quem não tem nada a ver com a história. Alguns "jogadores" ficam tão alienados, que quando as meninas não aceitam as condições impostas, apelam para a violência física, verbal, ou pulam de uma vez para o estupro. 
   E o sofrimento muitas vezes não se basta ao adolescente, passando a perturbar os pais, que choram por verem seus filhos com as pulseiras, se submetendo às "regras do jogo" e curtindo a brincadeira. E há também os pais que sofrem por ver suas filhas inocentes violentadas e destruídas, carregando um trauma difícil de superar. Afinal, estupro não é agradável à ninguém. 
   Falando do ponto de vista do adolescente "jogador", as peças de silicone facilitaram sua vida, já que agora poupam palavras e passam logo para a ação. Basta um puxão para eles irem para o motel, se beijarem, arrancarem suas roupas e curtirem loucamente a adolescência. Não é esse o objetivo?
   Pois sejamos realistas: arrancaram o direito de uso das pulseiras, criaram uma brincadeira sem sentido algum, fizeram a tristeza de muitas pessoas, arriscaram a vida de outras. E tudo a troco de quê? Sexo? Beijo? 
   Bastava uma frase se era isso que se queria. Não era necessário dar todo o crédito à essa brincadeira, englobar todas as meninas que as usavam, acabar com uma moda e criar outra totalmente vulgar.
   É impressionante o poder que as regras têm sobre as pessoas. O jogo é imposto, as regras ditadas e as pessoas, submetidas. Um ciclo viciante, inquebrável e sem fim.      

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1° lugar - Bloínquês - Edição opinativa 

 

5 comentários:

Rene Santos disse...

Garota
Nada melhor que o diálogo... proibição só leva a rebeldia e é por isso que criei meus filhos com liberdade mas com diálogo aberto.
Parabéns 1o. lugar merecido.
Beijos

Projeto Entrelinhas ¹ disse...

Olá, conheça o projeto Entrelinhas e participe da nossa primeira edição (e das próximas também!).

http://entrelinhas-projeto.blogspot.com/

Hakani disse...

Creio que seria tudo melhor sem regras.

Eu creio, :)

Paz.

Ariane disse...

Nossa Leeti, arrasou! Você abordou esse assunto de forma inquestionável.
Parabéns. Beeijos
Arii

Ariane disse...

Ah esse é o selinho?
Que lindo*-*
parabéns ,mereceu mesmo!