26 de julho de 2010

Erros.

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 "Espero aprender com os meus erros, pois há muito tempo deixei de acertar..."
    Mais uma vez, a frase preenchia a primeira linha do meu caderno. Terapia, foi o que disse meu psicólogo, Escreva, vai te ajudar a se sentir melhor. O lápis preso entre meus dedos magrelos pressionava a folha, quase abrindo um buraco nela. É fácil falar para alguém que sabe qual seu maior erro. Difícil é realmente contar qual é ele.
    Retomei de onde havia parado, ou seja, das reticências. O meu maior erro foi engravidar aos dezesseis anos, escrevi. Desisti. Apaguei tudo. Não poderia deixar aquilo escrito, já que não era verdade. Principalmente porque para engravidar aos dezesseis eu tinha que ser mulher. E não sou. 
    Talvez, eu só precisasse de uma pausa. Levantei da cadeira de balanço da minha avó, carregando comigo meu lápis e minha caneca de café. Era uma tarde calma de novembro. O Sol se preparava para descansar. O céu, pintado de baunilha, carregava consigo algumas nuvens, embaladas pelo vento. 
     De repente, me lembrei de doze anos atrás, quando ficava sentado na rede da minha mãe, desenhando bonequinhos palito e tomando chocolate quente com marshmallow. Mamãe sempre me pegava no colo e sorria, vendo meus desenhos. Dizia que um dia eu ia ser cartunista ou pintor. 
    Infelizmente nunca fui nenhum dos dois. Me tornei um idiota, desempregado e mentiroso. Falhei na vida e me tornei apenas mais um. Eu realmente quis ser alguém no mundo, fazer a diferença, mudar os conceitos, inovar. Porém,para conseguir o que se quer precisa-se correr atrás. E isso eu não fiz. 
     Sentei novamente na cadeira da vovó, peguei o caderno, respirei fundo e escrevi outra palavra, e mais outra, e outra. Por fim, tinha algo que soava mais como meu epitáfio. 
     E o que me sobrou foi um parágrafo e um coração mais manso.
    "O meu maior erro foi querer acertar. Querer as palavras perfeitas quando, na verdade, as palavras perfeitas nunca passaram pela minha mente. Pequei ao deixar que o amor fosse para o segundo plano, junto de Deus. Na minha ganância cega, esqueci o que realmente valia a pena. Menti para mim mesmo, achando que estava enganando o mundo. Troquei as virtudes por sexo, drogas e champanhe. Errei sim, e não quis aceitar... " 
    Fechei o caderno, enxuguei as lágrimas que desciam por meu rosto e tentei acalmar meu corpo que se sacudia pelos soluços. A quem eu queria enganar? Podia usar quantas palavras bonitas quisesse, mas meu maior erro continuaria sendo ter pegado aquela arma entre as mãos e, embalado pela cocaína, matado a mulher que mais amei na vida. 
    Minha mãe.

Texto inteiramente fictício. 
Ah, minha prima fez um Blog (www.historiasdaescritorasofrida.blogspot.com)

24 de julho de 2010

Gatos versus gatos [?]

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Tudo organizado. Malas prontas. Eu, papai e Rebecca no aeroporto. Faltava apenas o check-in e... CADÊ MINHA PASSAGEM?!
    - REBECCA! - berrei, apontando para minha irmã - Cadê a minha passagem? Eu te avisei, sua peste! Era pra pegar em cima do criado-mudo! Mas não... Seu chinelo idiota é MUITO mais importante! 
    - Papai. - ela gemeu - Marianna tá implicando comigo... 
    - Marianna... - ele começou - Não faz isso com a sua irmãzinha. Pôxa, ela nem te fez nada! 
    - Ela nasceu! Já não parece o bastante?
    - Sua má! 
    - Verme! 
    - Imbecil!
    - Praga!
    - Chega as duas! 
    - Argh! Whatever! - falei por fim.
    - Ih, lá vem ela com as palavras estrangeiras... 
    - CALA A BOCA!
    Estávamos oficialmente presos no aeroporto. Papai correu logo pra Lan House. Rebecca arrancou as Barbies da mala e, logo no inicio da brincadeira colocou a mulher na cadeira de rodas, com o namorado pegando a melhor amiga. Gentil ela, não? 
    Peguei um café na lanchonete e desabei em um banco do aeroporto. Estava lotado de pessoas. Uma velhinha batia no neto com a bengala, um garoto quebrava o avião de brinquedo na parede. Um sorvete jazia sozinho no chão... Nada demais, pelo menos pra mim. Afinal, eu já tinha visto minha irmã enfiar dois canudos do McDonald's inteiros no nariz!
    - E aí? Tá tão quietinha... - disse um menino, se sentando ao meu lado. 
    - Que nada... - falei - Minha irmã esqueceu minha passagem. Tô presa aqui. 
    - E por que não voltou pra casa? - me olhou, se perguntando se eu era retardada ou algo do tipo. 
    - Papai já despachou os cachorros dele, e não vai embora por nada desse mundo. 
    - Interessante. 
    - Sabe o que me irrita? - eu disse de repente - Minha irmã! Ela me irrita mais que aquelas vilãs de novela, que sempre envenenam o suquinho das mocinhas!
    - É... acho que não entendo... 
    - Ah, é. Não vê novelas, certo? Então... ela me irrita mais que o Galvão Bueno!
    - Aí tá falando a minha língua. 
    - Mamãe devia contratar uma babá. Mas ela reclama do preço e sempre diz, com aquela voz de chorar miséria: Existe um mundo melhor, mas é caríssimo! - remedei-a - Onde já se viu? Eu tava falando da minha irmã! Pra mim o resto do mundo que se dane!
    - Você tem probleminha, cara! - ele disse.
    Olhei para ele pela primeira vez. 
    E então, eu tive certeza de estar delirando. Eu vi Felipe Neto materializado na minha frente. E ele repetia sem parar "Você tem probleminha, cara!". Senti meu estômago embrulhar, meu coração acelerado e meus dedos formigando. 
    E, para completar um dia perfeito, vomitei na minha blusa novinha. 
    EU ODEIO A MINHA IRMÃ!

Acordei com uma bolada na cara. Olhei para cima, minha irmã me encarava com uma cara de "Bem feito", com uma bola de vôlei nas mãos. 
    - Que dia é hoje?
    - Vamos para Belo Horizonte! - ela berrou. 
    - Sério?
    - Claro, sua retardada. Por acaso você tem proble...
    Peguei as passagens no criado-mudo, coloquei-as na bolsa e, saindo pela porta, disse:
    - Eu posso ter tudo! Mas probleminha? Ah, isso eu não tenho, não!

Notas da autora
   P.s. :Felipe Neto, para quem não conhece, é um cara que faz videos para o Youtube. Adoro os videos dele e acho muito engraçado. Assim... ele entrou na minha história :)
   P.s.2: Me ferrei! O texto tá péssimo, né?

Post dedicado a Marianna, prima que eu amo demais ♥
  
  

20 de julho de 2010

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Procuramos demais um destino. Acabamos nos perdendo no meio do caminho...

19 de julho de 2010

É gol!

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As tardes de domingo aqui em casa são bem... interessantes. Principalmente quando tem jogo do Brasil, não interessa se da Copa ou não. Basta anunciar na televisão e já começa a organização: Cervejas, petiscos, televisão no último volume e muita gritaria. 
     Acontece, que no último domingo que teve jogo, eu - a besta quadrada - inventei de comprar uma vuvuzela! É óbvio que minha mãe armou uma tromba, né? Tudo bem, comprei uma vuvuzela verde, um apito daqueles bem irritantes e uma corneta amarela inofensiva, se comparada ao resto. 
     Quando já era lá pelas três da tarde, todos nós - eu, vovó, vovô e mamãe - fomos para sala que fica no primeiro andar. Ela tem dois sofás azuis, uma mesa de vidro e sete cadeiras e ainda duas janelas e uma porta que dão para o jardim. Vovô foi logo se esparramando no sofá maior. Mamãe, escolheu, por sua vez, o menor, que acabou dividindo com vovó. E eu, sob os protestos da minha mãe, decidi sentar na beirada da maior janela que já estava aberta. Cruzei as pernas e coloquei meus objetos de comemoração no colo. 
     O jogo começou trinta minutos depois. 
     Depois de alguns minutos de tensão, disputa de bola e xingamentos, finalmente saiu o primeiro gol do Brasil. E eu, claro, resolvi dar uma de metida. Fiquei ajoelhada na janela com a vuvuzela na mão e comecei a comemorar como uma louca, pulando sobre os joelhos e gritando igual ao Galvão Bueno (sem exageros). Só não contava com o fato de que mamãe tivesse encerado a janela...
     Já dá para adivinhar o que aconteceu, certo? Meus joelhos escorregaram de um lado para o outro até que eu caísse de cara na terra do jardim que tinha em frente  à janela. Sorte que era terra, e não cimento. Porque, provavelmente ainda vou querer meus dentes por um bom tempo. 
     Nunca imaginei que diria isso, mas: Eu engoli terra, literalmente! Quando me sentei - não sei como fiz isso, já que mamãe disse que havia uma grande chance de eu ter me arrebentado toda - vi minha blusa nova toda esfolada e suja, e minha calça de moletom com um rasgo de vinte centímetros, bem na parte do bumbum. 
    E, como se não bastasse, um grupo de criança que comemorava o gol na rua, começou a olhar pra mim, apontar e rir sem parar. 
    É... a partir dali, eu definitivamente tive uma razão para odiar vuvuzelas!


Notas da autora: Nem que me paguem eu vou contar com quem aconteceu isso!

Primeiro lugar - Blogueando *---*

16 de julho de 2010

Acima de tudo...

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    Já diziam nossos avós que tudo que é demais, sobra. E eles não poderiam estar mais certos. Sal demais, deixa a comida salgada. Açúcar demais, deixa o suco enjoativo... e assim por diante. Mas, e se o excesso parte de atitudes e não de temperos?
    De repente, o que antes era um costume, um hábito, se torna algo altamente necessário. Aquela mancha que tinha no tapete, se torna uma cratera que precisa de qualquer forma ser eliminada. E então, milhares de produtos de limpezas são comprados, faxineiros são obrigados a esfregar por horas a fio. Pois aquele tapete, tem que ficar limpo. 
    Esse é apenas um exemplo da velha perseguidora, chamada obsessão. 
    É indiscutível o fato de que algumas coisas necessitam de uma atenção maior, um cuidado, uma cautela. Porém, isso não quer dizer que você tenha que ficar 24 horas por dia atrás da(o) sua/seu namorada(o), vigiando seus passos para saber ela(e) o(a) está traindo. Afinal, não somos animais no cio, que bastam ficar sozinhos para saírem pegando o primeiro que vemos pela frente. 
    Mas, a obsessão não se limita ao fator relacionamento, se estendo por pessoas obcecadas por limpeza, objetos e, até por si mesmos. Sim, os narcisistas, precisam olhar sempre para si mesmos, para garantirem que sua beleza não foi roubada ou destruída.
    As consequências geradas por isso são diversas. Afastamento de pessoas, de amigos. Términos de relacionamento (inclusive alguns acabam em mortes e suicídios), brigas na família... 
    Porém, em um mundo onde mortes são estatísticas e não tragédias e os próprios brasileiros desprezam o país, o que tem demais em matar a ex-esposa, brigar por um objeto e olhar para si mesmo o dia inteiro? 
  
    
Notas da autora: Ficou meio confuso, né? Foi mal, eu fiz com pressa e estava meio sem ideia hoje... 
Beijos ♥

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15 de julho de 2010

Alone

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     Há momentos da vida, que nunca devem ser lembrados. São instantes de dor, sofrimento e lágrimas. O mais impressionante é que poucos segundos conseguem deixar cicatrizes profundas. Marcas que curativos não curam e cirurgias plásticas não consertam. Marcas que não desfiguram o rosto, o corpo, mas destroem para sempre a alma.
    Eu queria de verdade dizer que não tenho momentos assim. E provavelmente eu não teria se não tivesse sido curiosa e invadido os arquivos de minha memória em uma sessão de hipnose. Porém, depois que aquele homem de branco me colocou em transe e me fez revirar meu passado, revivi um dia que eu não sabia ter existido. 
    Morávamos na Walt Street 37, numa casinha modesta. Eu devia ter um ano na época. Mamãe me embalava no colo, ajeitando volta e meia meu chapéu rosa e branco. Nevava bastante e eu me encantava com os flocos caindo do céu. Se tivesse crescido lá, provavelmente adoraria senti-los em minha língua, derretendo pouco a pouco. 
    Mas, naquela noite de inverno, mamãe me fez olhá-la nos olhos e escutá-la. Sua voz estava tensa e seus olhos apreensivos. Lembro-me de achá-la linda, uma rainha. Deve ser também porque ela me chamava de sua princesinha.
    - Sabe, princesinha... - ela começou, sorrindo - Eu cometi muitos erros na minha vida. Eu admito, afinal, nem sei quem é o seu pai... - corou levemente, agora com lágrimas nos olhos - Mas, eu não vou mais viver como alguém que só espera um novo amor. Cansei de procurar príncipes encantados que vão querer a você e a mim. Não aguento mais isso... Por isso, vou deixar a casa de papai essa noite. Mas... - hesitou - Você não vai comigo. Sei que não pode me entender, e por isso, vou apenas lhe dizer o que farei. - engoliu em seco - Vou vender você. 
    E aí morreu o assunto e minhas lembranças. 
    E então, foi como outro flashback. Eu estava em uma escadaria de um convento. Minha mãe ainda estava comigo, conversando com um homem. Ela estava claramente bêbada e drogada. 
    Bruscamente pegou o cesto onde eu estava e deu ao homem, que sorriu para mim com dentes amarelados. A última coisa que vi, foi um pacote de cigarros na mão da minha mãe e ela acenando para mim. 
    Há lembranças minhas que merecem morrer, outras precisam morrer, e ainda tem as que fazem eu querer me matar. 
    Essa foi uma delas. 

    Um bipe soou em algum lugar. Meu olhos abriram, embaçados atrás dos cílios. E eu acordei na minha cama de metal, coberta com o lençol branco, na ala psiquiátrica, lugar onde moro desde que descobri que minha mãe me trocou por um maço de cigarros...

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11 de julho de 2010

Limitação, saudade e derivados...

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    Agachada sobre minha cama, apoiando os cotovelos no parapeito na janela, sinto como se tivesse cinco anos outra vez. Respiro fundo o ar puro, sinto o cheiro de terra molhada. Fecho os olhos por um segundo, buscando os lampejos, as lembranças e a saudade que sempre vêm, cada vez mais fortes. 
    Deixo-me levar pelas ondas de emoções variadas, que vão de um extremo ao outro. Tristeza, arrependimento, culpa, amizade, amor, paixão... Parece muito para uma simples janela, certo?
   Mas foi nela que consegui minha primeira cicatriz. Sentada naquele parapeito estreito, escrevi meu primeiro poema, falei mal de alguém pelas costas, contei minha primeira mentira, fofoquei ao telefone, ri de besteiras, vigiei meu vizinho gato, joguei papeis em quem passava na rua. 
   Minhas melhores lembranças estão impregnadas naquele vidro que todo dia eu abro. Naqueles detalhes amarelados, e naquele pequeno desenho de tinta feito por mim, que nunca saiu, por mais que o esfregassem. 
   Engraçado dizer isso... Afinal, a visão agora é bastante limitada. Apenas um prédio - marrom e branco, com detalhes azuis - com cara de banheiro, uma casa amarela, onde mora uma velha com três filhos e outra cheia de grades - com aparência de prisão - onde mora uma família fofoqueira. E, mais ao fundo, uma favela...
   Antes, podia-se ver a Serra da Piedade, lugar onde estive quando ainda era um embrião. 
   Ainda assim, posso sentir o toque leve do vento em meus cabelos, como se ainda estivesse lá. Acho que isso me guia na longa jornada de "Janeleira obsessiva", sabe? Essa ideia de estar em outro lugar, um lugar mais calmo, com ventos leves e acariciadores.  
   Nunca vi a janela como a passagem para algo místico, inexplicável, desafiador!, ou para um mundo de fadas e princesas que lançariam sua mágica. 
   - Letícia! - ouço minha mãe me chamar. 
   - Já vou! 
   Desço calmamente da cabeceira, fecho a trinca e caminho para escada. A janela, a minha janela, ainda estará lá quando eu voltar. Para, mais um vez, me ajoelhar na cama, pregar os cotovelos no parapeito e deixar minha mente vagar para outros tempos. 
   Tempos que jamais voltarão...

"...Pela janela do meu quarto vejo a chuva
Penso em você e no meu amor que nunca muda..."
STEVENS - O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS
  

9 de julho de 2010

Agora, para sempre...

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3° lugar - Once Upon a Time
                          
   Arrastei meus chinelos de borracha pelo chão de madeira. O roupão enrolado no corpo, a garrafa vazia de champagne na mão, tudo misturado a uma ressaca de matar. Admito que eu e Renata tínhamos bebido mais do que devíamos noite passada. Mas era nosso aniversário de namoro, e merecíamos passar da conta. 
   A manhã seguinte foi uma manhã de solstício de verão tão bela e fresca quanto se possa imaginar, céu azul sem nenhuma nuvem, e o sol dançando na água transparente da nossa piscina.
   Encontrei Renata jogada na cadeira de balanço da avó, abraçando um velho álbum de fotos, com a capa meio rasgada e um nome destacado. Lembranças, era o que diziam as letras. 
   - Ah, venha cá um momento, querido. - pediu ela, estendendo a mão para mim. - Quero que veja umas coisas. 
   - Me dê um segundo. - caminhei até a ponta da escada e lancei a garrafa, estourando-a no chão da rua. Mil cacos se espalharam. 
   - Louco! - Renata me acusou, rindo escandalosamente. 
   - E o que dizia...? - incitei-a a continuar, me sentando ao seu lado.
   - Ah, sim. - concordou ela, virando a primeira página do álbum. - Como ontem comemoramos sete anos de namoro, resolvi remexer naquele velho baú. Aquele, que tem nossas coisas de faculdade, sabe? 
   - Com certeza. 
   - Então, eu achei essa álbum e resolvi vê-lo. E uma das fotos me emocionou. Olha. - ela me mostrou a foto. Nela, estávamos nós dois no baile, dançando valsa. Olhávamos um nos olhos do outro, apaixonados. Senti um nó na garganta e meu coração disparou. 
   - Faremos algo especial hoje. - decretei - Nos casaremos em Vegas, conheceremos Paul McCartney, veremos o Coliseu, visitaremos Paris... 
   - Nada disso! - riu - Apenas sente-se aqui e me abrace. Já é o bastante. 
   Ali, com os braços em sua cintura, lentamente coloquei um anel em seu anular, murmurando o pedido em seu ouvido. E, com um sim abafado, ela docemente me beijou.       
  Perguntei-me se podia ser mais feliz. E, com seus lábios nos meus, descobri que não...  




Notas da autora: Espero que tenha curtido a história. Estava com um bloqueio de pensamento, mas a foto é de um filme que eu amei, e alguma hora eu tinha que pensar de verdade no que ela me dizia. 
 E ela me disse isso...

7 de julho de 2010

Personalidades estranhas [3]

5 passaram por aqui
- Italo encontrou-a em uma banco de rua, chorando em silêncio, observando os pedestres. - comecei, recolhendo minhas coisas do armário. - Estava descabelada e semi-nua, apenas com uns restos de vestido cobrindo os seios e as partes intimas. A barriga, as costas, as pernas e todo o resto estava de fora. 
   - O que mais sabe? - perguntou oficial Smith, fazendo rápidas anotações em seu bloco azul. Investigava o sumiço de uma jovem, na ultima terça-feira.
   - Bem... - revirei os arquivos de minha memória - Sua pele estava toda encardida, mais nos pés e nas mãos. Ele perguntou a ela como se chamava, porém ela não respondeu. Então, ele insistiu e ela acabou soltando. Se chamava Suzan Herrera, moradora de rua desde os dez, sozinha desde o quinze. 
   - E quanto anos ela teria agora?
   - Dezessete... - respondi, guardando na bolsa minha carteira e meu caderno. - Fez aniversário no último sábado. Perdeu o pai no mesmo dia, dois anos atrás. Demorou uma hora para dizer isso. Ficou soluçando sem parar. 
   Quase todas as luzes do hospital estavam apagadas, exceto as do meu quarto e as do quarto ao lado. Um velho resmungava com a filha, pedindo mais morfina. Podia ouvir os espirros e as tosses vindos de outras áreas do corredor.
   O oficial ainda me encarava, esperando uma continuação.
   - Desculpe-me. - eu disse, prendendo o cabelo em um rabo-de-cavalo mal feito - Onde eu estava? Ah, sim... Italo levou-a a seu apartamento e fez com quem tomasse um banho, comesse alguma coisa e dormisse aquela noite lá. 
   - E depois...? - incitou, ansioso.
   - Digamos que ela... agraceu - tropecei na última palavra. 
   - Explique-se. 
   - Bom... No meio da noite, Suzan pegou uma faca, se enfiou no banheiro e se cortou inteira, da cabeça aos pés, caprichando nos pulsos e no pescoço, que deixou por último, claro. Cortou os cabelos com a tesoura de cozinha e, usando de pincel, pintou na parede uma única frase, que dizia "Cuide direitinho de mim." - dei uma risadinha cínica e prossegui - Ele encontrou o corpo entre o vaso e a banheira, debaixo de um rio de sangue... literalmente. E, seguindo o que a frase de sangue dizia, cuidou direitinho dela...
   - Co-como assim? - Oficial Smith estava apavorado, isso era visível. 
   - Não é muito fácil de explicar... - fiz suspense, sorrindo maliciosamente. - Bom, ele deixou uma lembrancinha no corpo dela. Antes de levá-la para o enterro, cravou em suas bochechas as iniciais IT, que diria Italo Tavares. Sinistro, não? 
   - Deveras. - murmurou, estático. - E... - pigarreou, recompondo a expressão. - E como sabe de tudo isso, Sra. Johanne? 
   - Eu poderia dizer que é segredo, mas aí perderia a graça, não é mesmo? 
   Com passos lentos e ritmados, dei a volta na cama e tirei a faca de meu cinto prateado. Cortei a ponta de meus dedos, fazendo-os sangrar sem dó. 
   - Não te contaram como vim parar aqui, contaram? - indaguei, friamente. 
   - Nã-não senhorita. 
   - Pois bem. Um imbecil fez o favor de me ressuscitar. Um idiota curandeiro me recompôs e me enfiou de volta nesse mundo de ninguém. Não parece legal, parece? 
   - Nã-não. 
   - Respondendo à sua pergunta de antes: Eu sei disso tudo porque sou Suzan, meu amor. 
    Com um grito escapando de sua garganta, torci o pescoço do oficial. O grito abafado dele, me lembrou o que dei quando me cortei pela primeira vez, era como o meu sinal. Meu sinal sumiu no ar, andou para longe e jamais encontrou ouvidos
    E, por coincidência, o dele também não.



Notas da autora: Gente, antes que alguém me interne como psicopata, quero esclarecer que isso tudo é obra da minha imaginação - bem sombria e sinistra, mas tudo bem - e nada é baseado em fatos reais. Sinto muito se saiu exagerada, pesada ou até mesmo, horrenda. Mas, pelo menos, eu tentei 

Pauta para a gincana do OUAT- 1ª fase (Aprovada)

5 de julho de 2010

Fireflies

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    Ela não era normal. Nunca foi, nunca será. E por isso, mais uma vez se lançavam contra o vento, estalando os pés do chão de terra seca e no capim banhado pelo sol. As pedrinhas furavam seus pés, mas ela pouco se importava. Ter as pontas verdes daquele matagal roçando em suas mãos era tudo que mais queria. Seu cabelo loiro solto cobria-lhe o rosto e confundia sua visão.
   Aquela campina era para ela, o que o ar é para um ser humano. Fazia parte dela estar ali, jogada para o nada, curtindo a liberdade. Sem compromissos, sem hora marcada, sem fim, nem começo.
   - Ei, menina! - gritou um homem, caminhando na direção dela. - Saia daí, é local proibido.
    Lara voltou a cabeça na direção do homem, parando a dança no meio.
   - Pois não? 
   - É local vendido, minha filha. - explicou ele, que carregava na roupa um distintivo de guarda florestal, com o nome Clapt, destacado - Logo, logo vai virar uma pousada chique. Ouviram dizer que tem uns rios maravilhosos aqui perto e, ixi!... paparam logo o lugar. 
   - Mas... eu...! - ela exclamou, com a mão nos olhos. - Eu não posso ficar sem vir aqui!
   - Cruzes, menina! - Clapt resmungou, erguendo as mãos. - Que asneira! Não pode ficar, não pode ficar! Ah, adolescentes irritantes e teimosos! 
   - Senhor Clapt, por acaso já andou por aqui à noite? 
   - Não. 
   - Pois aqui, fica cheio de vaga-lumes. E eles brilham mais do que esse sol escaldante. - os olhinhos de Lara brilharam. - Desde que eu era pequena, eu os vejo aqui, solitários, brilhando... E, prometi a eles que não sairia daqui. Entenda, senhor, sou a única pessoa que têm. 
   - Ora essa, tá maluca? SÃO VAGA-LUMES! - berrou, furioso. 
   - Está errado, senhor. São muito mais do que isso. 
   - Você precisa ser internada, isso sim. - murmurou ele, bufando. - Pois bem, deixo ficar por mais essa noite, se não desaparecer amanhã garota, vou levá-la direto para os seus pais. 
   E o guarda florestal saiu andando, reclamando alto e repetindo "Garotinha teimosa!" até se sentar por fim em uma espreguiçadeira azul, colocada no outro extremo da campina. Ficaria ali aquela noite, vigiando Lara, para que não fizesse nenhuma besteira. 
   Compreendendo que o lugar não era mais só seu, Lara deitou na campina e se afundou entre o verde, àquela altura coberto pela escuridão da noite. E, cantando uma canção leve e doce, adormeceu para sempre, tendo seu corpo carregando por milhares de pontinho brilhantes. 
   Seus únicos e melhores amigos.

"You would not believe your eyes
If ten-million fireflies
Lit up the world
As I fell asleep


Cause they fill the open air
And leave teardrops everywhere
Youd think me rude
But I would just stand and stare..."
FIREFLIES - OWL CITY


Notas da autora: Me desculpem se o texto não saiu lá tão bom. Mas é que essa história me veio à cabeça e, mesmo não sabendo muito bem como redigi-la, me obriguei a postá-la aqui. 
Beijos


2° Lugar - Once Upon a Time

4 de julho de 2010

Show me the way

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   "Ser ou não ser, eis a questão..."
   Já me fizeram essa pergunta várias vezes. E em nenhuma delas eu soube responder. Ultimamente não dou muitas respostas. De mim só saem monossílabos e acenos de cabeça. 
   Como uma máquina programada para mentir, fingir e enganar. 
   Mas, agora, só me resta essa rua fria e molhada pela qual caminho, sem um rumo certo. E, apesar de tudo, ainda pareço inabalável, com uma sombrinha e um cigarro na mão esquerda , uma garrafa de vodka na direita e muitas outras idiotices na cabeça. 
   Por acaso algum dia isso foi um exemplo de vida? 
   Para mim, foi. Nasci numa época em que tudo era sexo, drogas e rock and roll e ter uma tatuagem horrenda pelo corpo era moda. Já tive um namorado rockeiro, cheio de piercings na língua e em mais dezessete partes do corpo. Foi ele quem me apresentou o álcool, a cocaína e também, o sexo. 
    Porém, não posso dizer que me tornei quem sou, por amor a Jack. Eu me obriguei a isso, tentando convencer a mim mesma de que tudo seria mais bonito se eu estivesse dopada, grogue, bêbada. Eu estava errada, claro. 
    Sempre estou. 
    Vejo Jack no final da rua, conversando com uma prostituta de esquina. Ela também tem piercings, tatuagens e um batom vermelho-sangue nos lábios. Uma calça preta colada e um top cobrem seu corpo surrado e cheio de hematomas. 
    Talvez em outros tempos, há uns meses atrás, eu estivesse ali, abraçando aquele poste, esmolando simples cinquenta reais em troca do meu corpo. Porque, por esse idiota, eu perdi família, emprego, amigos... perdi tudo. 
    Relembrar minha burrada não vai me fazer me sentir melhor. Então, simplesmente quebro a garrafa de vodka na parede, piso no meu cigarro e continuo andando sem rumo, procurando um destino.
    De preferência, um que eu não conheça.

2° Lugar - Blogueando *-*

3 de julho de 2010

Who I am...

1 passaram por aqui

Fui indicada pelo Italo para esse desafio...
... As imagens dizem muito sobre a personalidade...

Quem sou eu:

O que me faz sorrir:

O que me faz chorar:
  
Minha cor é:
  
A melhor lembrança:

A música é:

Um filme:

Um pecado:

Um cheiro:

Esporte:

O hobby:

O livro:

Sonhos:

Três lembranças fofas da infância: 

E abaixo vão meus indicados: 


Layouts, Selinhos e Dicas

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Primeiramente, as dicas...
Tudo bem, ontem eu achei dois blogs que estão no inicio (e que inclusive me pediram para fazer o layout) e adorei, por isso, resolvi indicá-los a vocês. 
E são eles:

Segundo, o Layout. 
Sim, eu faço layouts. Não são aqueles com brilhinho, movimento e cheio de frufrus, mas, as pessoas que me pediram para fazer, gostaram. 
Até agora, eu só fiz para o meu Blog, e para os dois citados acima. Se alguém quiser que eu faça... 

E terceiro, os selinhos que eu recebi da Talitha. 
Eu indiquei a todos os meus seguidores, e tenho que avisá-los.
Peguem-nos aqui

Beeijos gente.

2 de julho de 2010

When everything seems nothing...

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Tem dias na vida em que a menina se pergunta se existe um lugar no mundo para ela. Isso acontece quando está enfiada debaixo da sua coberta de retalhos, enrolando a ponta de seu cabelo com o mindinho. Então, pega seu espelho e se vê refletida. Uma simples adolescente morena de olhos castanho-claros, sorrindo para um pedaço de vidro. E ela percebe que não é nada além de uma imagem no espelho. 
 Um dia sua melhor amiga lhe disse:
"A vida não é só futilidade, querida!"
Mas ela não quis escutar. Fez o aviso entrar por um ouvido e sair pelo outro, guardando isso em um canto isolado da memória. Até que descobriu que a amiga tinha razão. Carros, roupas caras e penteados magníficos não te tornam uma pessoa melhor. O dinheiro pôde comprar tudo o que estava nas lojas, porém ele não deu a ela o direito de comprar o que mais cobiçava:
O carinho do garoto que amava.
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Antes eu sonhava com um príncipe encantado. Agora, o tenho.