11 de julho de 2010

Limitação, saudade e derivados...

    Agachada sobre minha cama, apoiando os cotovelos no parapeito na janela, sinto como se tivesse cinco anos outra vez. Respiro fundo o ar puro, sinto o cheiro de terra molhada. Fecho os olhos por um segundo, buscando os lampejos, as lembranças e a saudade que sempre vêm, cada vez mais fortes. 
    Deixo-me levar pelas ondas de emoções variadas, que vão de um extremo ao outro. Tristeza, arrependimento, culpa, amizade, amor, paixão... Parece muito para uma simples janela, certo?
   Mas foi nela que consegui minha primeira cicatriz. Sentada naquele parapeito estreito, escrevi meu primeiro poema, falei mal de alguém pelas costas, contei minha primeira mentira, fofoquei ao telefone, ri de besteiras, vigiei meu vizinho gato, joguei papeis em quem passava na rua. 
   Minhas melhores lembranças estão impregnadas naquele vidro que todo dia eu abro. Naqueles detalhes amarelados, e naquele pequeno desenho de tinta feito por mim, que nunca saiu, por mais que o esfregassem. 
   Engraçado dizer isso... Afinal, a visão agora é bastante limitada. Apenas um prédio - marrom e branco, com detalhes azuis - com cara de banheiro, uma casa amarela, onde mora uma velha com três filhos e outra cheia de grades - com aparência de prisão - onde mora uma família fofoqueira. E, mais ao fundo, uma favela...
   Antes, podia-se ver a Serra da Piedade, lugar onde estive quando ainda era um embrião. 
   Ainda assim, posso sentir o toque leve do vento em meus cabelos, como se ainda estivesse lá. Acho que isso me guia na longa jornada de "Janeleira obsessiva", sabe? Essa ideia de estar em outro lugar, um lugar mais calmo, com ventos leves e acariciadores.  
   Nunca vi a janela como a passagem para algo místico, inexplicável, desafiador!, ou para um mundo de fadas e princesas que lançariam sua mágica. 
   - Letícia! - ouço minha mãe me chamar. 
   - Já vou! 
   Desço calmamente da cabeceira, fecho a trinca e caminho para escada. A janela, a minha janela, ainda estará lá quando eu voltar. Para, mais um vez, me ajoelhar na cama, pregar os cotovelos no parapeito e deixar minha mente vagar para outros tempos. 
   Tempos que jamais voltarão...

"...Pela janela do meu quarto vejo a chuva
Penso em você e no meu amor que nunca muda..."
STEVENS - O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS
  

5 comentários:

Italo Stauffenberg disse...

Stevens?

Não curto muito o som deles não. Sei lá. Ficou tão legal teu post. Muita sorte.

^^

mila disse...

Adorei o post. É tão bom lembrar, reviver o passado, dá uma saudade...
beijinhos! :*

Sra. Opinião disse...

Lembranças... Tem até um filme com este nome. É sempre bom relembrar algo. Adorei *-*

garota adolescente e estilosa disse...

ooi linda, eu vi que tu tava seguindo o meu blog, e fiz o mesmo com o seu, quero te parabenizar pelo trabalho do teu blog, tá demais!se quiser linka o meu blog: http://garotaadolescenteestilosa.blogspot.com/
vou começar a postar nele apartir de sexta feira, lê os recados lá que tu entende melhor!
beijao linda

Italo Stauffenberg disse...

O filme Lembranças que a Sra. Opnião mencionou é ótimo. Fez-me quase chorar. Sim, é o filme do vampiro bonzinho do Crepúsculo.

hehehehehehe

Bjo.