26 de julho de 2010

Erros.

 "Espero aprender com os meus erros, pois há muito tempo deixei de acertar..."
    Mais uma vez, a frase preenchia a primeira linha do meu caderno. Terapia, foi o que disse meu psicólogo, Escreva, vai te ajudar a se sentir melhor. O lápis preso entre meus dedos magrelos pressionava a folha, quase abrindo um buraco nela. É fácil falar para alguém que sabe qual seu maior erro. Difícil é realmente contar qual é ele.
    Retomei de onde havia parado, ou seja, das reticências. O meu maior erro foi engravidar aos dezesseis anos, escrevi. Desisti. Apaguei tudo. Não poderia deixar aquilo escrito, já que não era verdade. Principalmente porque para engravidar aos dezesseis eu tinha que ser mulher. E não sou. 
    Talvez, eu só precisasse de uma pausa. Levantei da cadeira de balanço da minha avó, carregando comigo meu lápis e minha caneca de café. Era uma tarde calma de novembro. O Sol se preparava para descansar. O céu, pintado de baunilha, carregava consigo algumas nuvens, embaladas pelo vento. 
     De repente, me lembrei de doze anos atrás, quando ficava sentado na rede da minha mãe, desenhando bonequinhos palito e tomando chocolate quente com marshmallow. Mamãe sempre me pegava no colo e sorria, vendo meus desenhos. Dizia que um dia eu ia ser cartunista ou pintor. 
    Infelizmente nunca fui nenhum dos dois. Me tornei um idiota, desempregado e mentiroso. Falhei na vida e me tornei apenas mais um. Eu realmente quis ser alguém no mundo, fazer a diferença, mudar os conceitos, inovar. Porém,para conseguir o que se quer precisa-se correr atrás. E isso eu não fiz. 
     Sentei novamente na cadeira da vovó, peguei o caderno, respirei fundo e escrevi outra palavra, e mais outra, e outra. Por fim, tinha algo que soava mais como meu epitáfio. 
     E o que me sobrou foi um parágrafo e um coração mais manso.
    "O meu maior erro foi querer acertar. Querer as palavras perfeitas quando, na verdade, as palavras perfeitas nunca passaram pela minha mente. Pequei ao deixar que o amor fosse para o segundo plano, junto de Deus. Na minha ganância cega, esqueci o que realmente valia a pena. Menti para mim mesmo, achando que estava enganando o mundo. Troquei as virtudes por sexo, drogas e champanhe. Errei sim, e não quis aceitar... " 
    Fechei o caderno, enxuguei as lágrimas que desciam por meu rosto e tentei acalmar meu corpo que se sacudia pelos soluços. A quem eu queria enganar? Podia usar quantas palavras bonitas quisesse, mas meu maior erro continuaria sendo ter pegado aquela arma entre as mãos e, embalado pela cocaína, matado a mulher que mais amei na vida. 
    Minha mãe.

Texto inteiramente fictício. 
Ah, minha prima fez um Blog (www.historiasdaescritorasofrida.blogspot.com)

9 comentários:

Christine Wengrzynek disse...

Wow! O início ficou meio confuso, mas ficou super forte, muito lindo o texto, parabéns.

http://cgw-sonhoperdido.blogspot.com/

Thais Cristina, disse...

Nossa! Arrepiei.
Muito triste, mas muito bom!

http://missthay.blogspot.com

Juliete Souza disse...

Nossa, forte o texto. Mas muito lindo, sincero e real. Estava praticamente vendo a pessoa sentada na cadeira da avó e escrevendo.
Gostei muito do blog. =D
Passa lah no meu depois.
http://cordrosachiclete.blogspot.com

Gika Stella disse...

Nossa, seu texto é ótimo,
fiquei meio em estado de choque quando terminei de ler,
adoro coisas trsites hahahaha :)

Adorei o blog,
estou te seguindo ;)

Beijokas.

A escritora sofrida disse...

Ficou meio forte
mais ficou mto mto bom
Bjs ♥ ♥ ♥

mila disse...

texto forte esse!
e muito bom, aliás!

Paloma C. disse...

o final foi bem impactante , nossa, nao imaginava esse fim, mas ficou ótimo ! parabens :)

Italo Stauffenberg disse...

Sorte nessa pauta linda!

Bjão.

Marcos Almeida disse...

Poxa esse foi demais, texto incrívelmente impactante. Ficou sensacional você escreve muito bem!