5 de julho de 2010

Fireflies


    Ela não era normal. Nunca foi, nunca será. E por isso, mais uma vez se lançavam contra o vento, estalando os pés do chão de terra seca e no capim banhado pelo sol. As pedrinhas furavam seus pés, mas ela pouco se importava. Ter as pontas verdes daquele matagal roçando em suas mãos era tudo que mais queria. Seu cabelo loiro solto cobria-lhe o rosto e confundia sua visão.
   Aquela campina era para ela, o que o ar é para um ser humano. Fazia parte dela estar ali, jogada para o nada, curtindo a liberdade. Sem compromissos, sem hora marcada, sem fim, nem começo.
   - Ei, menina! - gritou um homem, caminhando na direção dela. - Saia daí, é local proibido.
    Lara voltou a cabeça na direção do homem, parando a dança no meio.
   - Pois não? 
   - É local vendido, minha filha. - explicou ele, que carregava na roupa um distintivo de guarda florestal, com o nome Clapt, destacado - Logo, logo vai virar uma pousada chique. Ouviram dizer que tem uns rios maravilhosos aqui perto e, ixi!... paparam logo o lugar. 
   - Mas... eu...! - ela exclamou, com a mão nos olhos. - Eu não posso ficar sem vir aqui!
   - Cruzes, menina! - Clapt resmungou, erguendo as mãos. - Que asneira! Não pode ficar, não pode ficar! Ah, adolescentes irritantes e teimosos! 
   - Senhor Clapt, por acaso já andou por aqui à noite? 
   - Não. 
   - Pois aqui, fica cheio de vaga-lumes. E eles brilham mais do que esse sol escaldante. - os olhinhos de Lara brilharam. - Desde que eu era pequena, eu os vejo aqui, solitários, brilhando... E, prometi a eles que não sairia daqui. Entenda, senhor, sou a única pessoa que têm. 
   - Ora essa, tá maluca? SÃO VAGA-LUMES! - berrou, furioso. 
   - Está errado, senhor. São muito mais do que isso. 
   - Você precisa ser internada, isso sim. - murmurou ele, bufando. - Pois bem, deixo ficar por mais essa noite, se não desaparecer amanhã garota, vou levá-la direto para os seus pais. 
   E o guarda florestal saiu andando, reclamando alto e repetindo "Garotinha teimosa!" até se sentar por fim em uma espreguiçadeira azul, colocada no outro extremo da campina. Ficaria ali aquela noite, vigiando Lara, para que não fizesse nenhuma besteira. 
   Compreendendo que o lugar não era mais só seu, Lara deitou na campina e se afundou entre o verde, àquela altura coberto pela escuridão da noite. E, cantando uma canção leve e doce, adormeceu para sempre, tendo seu corpo carregando por milhares de pontinho brilhantes. 
   Seus únicos e melhores amigos.

"You would not believe your eyes
If ten-million fireflies
Lit up the world
As I fell asleep


Cause they fill the open air
And leave teardrops everywhere
Youd think me rude
But I would just stand and stare..."
FIREFLIES - OWL CITY


Notas da autora: Me desculpem se o texto não saiu lá tão bom. Mas é que essa história me veio à cabeça e, mesmo não sabendo muito bem como redigi-la, me obriguei a postá-la aqui. 
Beijos


2° Lugar - Once Upon a Time

4 comentários:

Rene Santos disse...

Garota
Eu Gostei do seu texto. Bem criativo e muito bem escrito. Neste mundo vale quem somos, como nos semtimos e de louco todos temos um pouco.
Final emocionante emais!!!

Italo Stauffenberg disse...

Parabéns pelo OUAT. Só vi gente nova nesssa edição do OUAT. E quanto ao texto eu não sei!

Vou mandar pra comu, email e blog quando fizer.

E as idéias?

Estão surtindo?

Ainda não sei o que escrever.

Abraços.

@juusep disse...

Ser normal não é normal.

Thizi disse...

Sabia que vc ia ganhar!!!!