7 de julho de 2010

Personalidades estranhas [3]

- Italo encontrou-a em uma banco de rua, chorando em silêncio, observando os pedestres. - comecei, recolhendo minhas coisas do armário. - Estava descabelada e semi-nua, apenas com uns restos de vestido cobrindo os seios e as partes intimas. A barriga, as costas, as pernas e todo o resto estava de fora. 
   - O que mais sabe? - perguntou oficial Smith, fazendo rápidas anotações em seu bloco azul. Investigava o sumiço de uma jovem, na ultima terça-feira.
   - Bem... - revirei os arquivos de minha memória - Sua pele estava toda encardida, mais nos pés e nas mãos. Ele perguntou a ela como se chamava, porém ela não respondeu. Então, ele insistiu e ela acabou soltando. Se chamava Suzan Herrera, moradora de rua desde os dez, sozinha desde o quinze. 
   - E quanto anos ela teria agora?
   - Dezessete... - respondi, guardando na bolsa minha carteira e meu caderno. - Fez aniversário no último sábado. Perdeu o pai no mesmo dia, dois anos atrás. Demorou uma hora para dizer isso. Ficou soluçando sem parar. 
   Quase todas as luzes do hospital estavam apagadas, exceto as do meu quarto e as do quarto ao lado. Um velho resmungava com a filha, pedindo mais morfina. Podia ouvir os espirros e as tosses vindos de outras áreas do corredor.
   O oficial ainda me encarava, esperando uma continuação.
   - Desculpe-me. - eu disse, prendendo o cabelo em um rabo-de-cavalo mal feito - Onde eu estava? Ah, sim... Italo levou-a a seu apartamento e fez com quem tomasse um banho, comesse alguma coisa e dormisse aquela noite lá. 
   - E depois...? - incitou, ansioso.
   - Digamos que ela... agraceu - tropecei na última palavra. 
   - Explique-se. 
   - Bom... No meio da noite, Suzan pegou uma faca, se enfiou no banheiro e se cortou inteira, da cabeça aos pés, caprichando nos pulsos e no pescoço, que deixou por último, claro. Cortou os cabelos com a tesoura de cozinha e, usando de pincel, pintou na parede uma única frase, que dizia "Cuide direitinho de mim." - dei uma risadinha cínica e prossegui - Ele encontrou o corpo entre o vaso e a banheira, debaixo de um rio de sangue... literalmente. E, seguindo o que a frase de sangue dizia, cuidou direitinho dela...
   - Co-como assim? - Oficial Smith estava apavorado, isso era visível. 
   - Não é muito fácil de explicar... - fiz suspense, sorrindo maliciosamente. - Bom, ele deixou uma lembrancinha no corpo dela. Antes de levá-la para o enterro, cravou em suas bochechas as iniciais IT, que diria Italo Tavares. Sinistro, não? 
   - Deveras. - murmurou, estático. - E... - pigarreou, recompondo a expressão. - E como sabe de tudo isso, Sra. Johanne? 
   - Eu poderia dizer que é segredo, mas aí perderia a graça, não é mesmo? 
   Com passos lentos e ritmados, dei a volta na cama e tirei a faca de meu cinto prateado. Cortei a ponta de meus dedos, fazendo-os sangrar sem dó. 
   - Não te contaram como vim parar aqui, contaram? - indaguei, friamente. 
   - Nã-não senhorita. 
   - Pois bem. Um imbecil fez o favor de me ressuscitar. Um idiota curandeiro me recompôs e me enfiou de volta nesse mundo de ninguém. Não parece legal, parece? 
   - Nã-não. 
   - Respondendo à sua pergunta de antes: Eu sei disso tudo porque sou Suzan, meu amor. 
    Com um grito escapando de sua garganta, torci o pescoço do oficial. O grito abafado dele, me lembrou o que dei quando me cortei pela primeira vez, era como o meu sinal. Meu sinal sumiu no ar, andou para longe e jamais encontrou ouvidos
    E, por coincidência, o dele também não.



Notas da autora: Gente, antes que alguém me interne como psicopata, quero esclarecer que isso tudo é obra da minha imaginação - bem sombria e sinistra, mas tudo bem - e nada é baseado em fatos reais. Sinto muito se saiu exagerada, pesada ou até mesmo, horrenda. Mas, pelo menos, eu tentei 

Pauta para a gincana do OUAT- 1ª fase (Aprovada)

5 comentários:

Talitha disse...

Nossa achei super legal.
Acho que de tanto ver filmes de terror, acabei gostando de histórias assim, e você fez uma super legal.

Kiss...

Italo Stauffenberg disse...

Italo....

hehehehehehe'

ótima história, estranho todos somos!

Abraços

Nina Auras. ♥ disse...

Gostei *-* Ficou muito legal (: Adorei.

xoxo :*
Nina-chan

Naty Araújo disse...

Aaaaaaaaaahh adorei... bem sinistro.
Gostei.

Beijão

Italo Stauffenberg disse...

Menina eu tenho que procurar escrever sobre essa gincana. já tenho umas coisas bem bizarras em mente mas tô com uma preguiça. Tomara que quando ela (a preguiça) for embora dê tempo de eu escrever.

Abraços.