30 de setembro de 2010

Send It On - Parte II

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    Não sei se inocência era a palavra certa. Talvez burrice soasse melhor. 
    Por que mesmo achei que minha mãe me entenderia? 
    Inúmeros eram os motivos para ela concordar comigo, mas ela usou o único que era contrário: eu era menor de idade. Tudo bem, era um bom motivo, concordo. Mas ela não podia só uma vez na vida ser minha mãe e não minha psicóloga? Pôxa, eu não preciso da confirmação da minha loucura, eu já tinha certeza dela. 
    Deixe-me explicar uma coisa sobre Nora Sttanford. Nascida e criada por pais cristãos, aprendeu que o amor não tem idade e para ele não existe distância. Manteve-se fiel à essa filosofia até conhecer Rogério dos Santos, mineiro, 45 anos atualmente. Namoraram por cerca de dois anos antes de ela engravidar de Yasmin Sttanford dos Santos, 15 anos e dois meses desde janeiro de 2010. 
    O casal feliz viveu nas nuvens por dois meses, até minha mãe descobrir que meu pai tinha fortes tendências adulteras. Ou, nas palavras dela: "Era um galinha sem coração". 
   E quanto a mim, prefiro não me pronunciar sobre isso.
   Fazer soar como notícia de jornal é um elogio comparado ao escândalo que foi quando ambas as famílias souberam da separação. Eu mesma chorei por... sei lá, um ano.
  Não moro com a minha mãe porque meu pai tem minha guarda, coisas judiciais, não entendo direito. E hoje sou obrigada a chamar de pais minha madrasta e ele. 
   Voltando ao que eu dizia...
   Minha mãe agora acha que eu pirei, enlouqueci de vez. 
   Perfeito, ótimo, maravilhoso. 
   Ian... Eu precisava falar com ele, ouvir sua voz.
   Peguei o celular, disquei na velocidade da luz. 
   - Alô? - disse, num sussurro. 
   - Ainda bem. - respondi, aliviada. - Estamos com problemas sérios. 
   - Pode falar. 
   - Minha mãe também não concordou comigo. Já não sei mais com quem falar. 
   - Eu sei. 
   Ele ditou um telefone que anotei no braço. 
   - Hmm... - hesitei - Ian?
   - Fala, minha morena. - senti que ele sorria. 
   - Eu te amo, viu?
   - Também te amo. 
   Desligou.
   Olhei o telefone anotado com canetinha no meu pulso. Tecla por tecla passei o número para o celular, rezando para não errar nenhum número. Assim que terminei, apertei o botão de chamada. 
   Três toques depois uma voz forte atendeu. 
   - Alô?
   Arregalei os olhos, assustada. 
   Aquela voz, a rouquidão. 
   Era ele.     


Notas da autora: Agora que comecei, vou terminar essa história. Mas se ela estiver confusa, estranha ou qualquer coisa parecida, por favor me avisem. A opinião de vocês é muito importante para mim. Ah, e assim que der eu posto a terceira parte de Sentimentos que nunca morrem, tá?

27 de setembro de 2010

Estrela

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 Ele: O seu pai é uma estrela. 
Ela: Não é, não. 
Ele: É claro que é! Ele morreu, não morreu?
Ela: Não.
Ele: Mas você me disse...
Ela: Ele ainda mora no meu coração.
.   .   .

22 de setembro de 2010

Onde eles estão?

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2° lugar - Bloínquês (Edição Opinativa)
    A opinião sempre foi direito de todos. Mesmo o regime militar, por mais repressivo que fosse, não conseguiu impedir a UNE, assim como Collor não evitou o impeachment e Jango, o golpe militar de 1964. Tudo porque o povo sempre impôs sua voz, exigiu seus direitos.
    E, mais que isso, sempre deu um jeito de ser ouvido.
    Mas onde estão os caras-pintadas hoje? Onde estão os estudantes, o povo que queria mudanças? A verdade é que estão em algum lugar dentro de todo mundo, só que as portas desse lugar já se cansaram de abrir, já não têm mais forças para se destrancar.
    Agora, 2010, ano das eleições. Todos vão a suas zonas eleitorais dar sua opinião, seu voto. Mais por obrigação que por vontade, o que é realmente irônico já que ao longo da história as pessoas sempre desejaram e lutaram por essa liberdade de escolha, esse direito. Porém o desejo se desgastou, e o direito se tornou um peso, um estorvo. 
    A obrigatoriedade de voto faz sentido até certo ponto. É verdade que todos devem votar naqueles que querem ver governando seu país, mas existem apenas possibilidades de aquele candidato ganhar. São chances, não garantias. Por isso, o eleitor desanima de votar, porque se vai contra a maioria, sabe que vai perder. 
    Assim chegamos a um ponto de discussão: Se existe na urna a opção de votar nulo, qual o problema de votar? Tudo acontece em uma sequência: Campanha eleitoral, estatísticas, domingo, acordar, ir à zona eleitoral, votar, esperar resultados, ver seu candidato perder/ganhar, torcer para aquele candidato - sendo seu escolhido ou não - mudar o país.  
    Mas é desanimador não ver nada acontecer. E se nada acontece, para que votar? Para que tentar mais uma vez? Para que ter esperanças? 
    E inevitavelmente volta-se à obrigatoriedade de voto. Sim, ela deve existir. Porque se votasse só quem quisesse, muito provavelmente não haveriam tantos votos como há. Não há contradições, nem democracia versus obrigação, há apenas a necessidade.
    Isso até o dia em que todos decidirem deixar seu cara-pintada voltar à tona e votarem nulo. 
    E eu pago para ver quem terá a coragem de mudar.




Notas da autora: É, finalmente deixei meu lado brasileira revoltada falar. E me sinto otimamente ótima. Há tempos venho querendo dizer o que estava entalado em mim. E eu disse. 

19 de setembro de 2010

Send It On - Parte I

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    Eu devia mesmo estar louca. 
    Apertei as têmporas, lutando para clarear os pensamentos. Onde eu tinha me metido? Provavelmente na maior encrenca da minha vida. Ou da história. Chega, Yasmin, repreendeu-me minha consciência, irritada. Já que tinha começado, o melhor que tinha a fazer era ir em frente com isso, por mais que me custasse. E me custava muito.
    Pulei da cama assustada quando meu celular berrou na gaveta do criado-mudo. Ainda com o coração aos pulos, atendi:
    - Fala, Ian. 
    - Meus pais já foram. - disse, alegre - Tô livre, amor.
    - Ai, uma notícia boa, pelo menos. 
    - E por aí, como andam as coisas? 
    - Péssimas. - suspirei - Vou ficar de castigo até o fim do século. 
    - Não precisa fazer isso se não quiser. - murmurou.
    - Eu quero. Muito. - ouvi berros no andar de baixo. Meu irmão. - Tenho que ir. 
    - Certo...
    - Beijos. 
    Desliguei apreensiva. Como ia encarar meus pais? Quer dizer, eu não podia dizer nada sobre nada a eles. Não sabiam quase nada sobre Ian, muito menos que ele era meu namorado. Meu namorado que morava a quilômetros de distância. Bufei, contendo as lágrimas. 
    Ainda tinha de encarar meu irmão chorão. 
    - Ya-Ya. - gemeu. - Quero naninha. 
    - Calma, Pedro. - pedi, terminando de descer as escadas. Ele estava estirado no sofá, babando sem parar. - Pôxa, Peteco, tinha que babar? 
    - Desculpa... - sorriu, estendendo os braços. - Iup!
    - Sem baba, amor. - sussurrei, levando-o escada acima. 
    Mal caiu na cama, iniciou uma roncaria insuportável. 
    De repente, dormir pareceu uma ótima ideia. Caí na cama, cansada. Meus olhos começaram a arder, pesando. Olhei mais uma vez para a passagem que escondia sob os livros de Jane Austen. Fugir para encontrar o namorado parece loucura demais quando se tem 15 anos. Pelo menos é o que os sites de bate-papo dizem. E o que meus pais dizem. 
    É o que todo mundo diz. 
    Não. Eu não podia estar tão errada assim. Levantei, peguei meu casaco e saí, quase arrombando a porta do quarto. Só uma pessoa no mundo poderia me entender de verdade. Concordar comigo. 
    E era com ela que eu iria falar.


Notas da autora
Desculpem por mais uma história em partes, mas é por uma boa razão. 
E prometo que essa vai ser menor 
(e menos enrolada).   

15 de setembro de 2010

Profundo, amargo e insano

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3° Lugar - Bloínquês (Edição Poemas)
 A semente desaprendeu a brotar
Porque o regador deixou de regar
O Sol esqueceu de aquecer
E a sombra deixou de proteger.
-
É estranho como todo mundo revida
Como tudo odeia a sua partida
O adeus sempre foi doloroso 
Amargo, desgostoso.
-
Você era meu coração conciso
Meu pedacinho do paraíso 
A única esperança de salvação. 
A alegria do meu coração.
-
Então, não me mata de saudade
Não me deixe morrer de ansiedade
Porque é irritante morrer de dor.
Se ainda tenho o seu amor.
-
  E não venha me dizer que não
Eu sei que ainda sou seu chão
Porque eu, garoto insano
Mesmo contra minha vontade, te amo.


Notas da autora: 
- Desculpe pelos traços, mas meu computador 
resolveu não separar as estrofes, então só consegui
resolver assim

11 de setembro de 2010

Crazy

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2° Lugar - Palavras Mil

    De onde eu vim, odiar não tem duplo sentido. 
    Bom, parece que para ele tem. E deve significar "Eu faço tudo o que você quiser", já que faz duas horas que estou sentada nesse banco traseiro, implorando para voltar para casa. Mas agora Jonathan resolveu dar uma de guarda-costas e proibir minha viagem de avião, me obrigando a ir de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro de carro. E, já que pra mim odeio não tem duplo sentido, eu o odeio! 
    - Me leve para casa! - repeti. 
    - Não. - respondeu sério. - Seu namorado me pagou cinquenta reais para eu não deixar você entrar naquele avião. E eu não tenho condições de recusar grana fácil, entende? - riu - Qual é? Não é tão ruim assim!
    - Escuta bem, Jon - disse entredentes - Eu não sua amiga, não sou sua namorada e não preciso obecer suas regras. Você não passa de um idiota com a cueca para fora da calça. 
    - Anda olhando demais, não é, Mel?
    - Vai pro inferno!  
    Ele resmungou um palavrão. 
    - Diga que me odeia. - exigi. 
    Silêncio.
    - Diga! 
    - Eu não te odeio, Melissa. - respondeu por fim. 
    - Como assim não? 
    - Por quê? - me olhou pelo espelho retrovisor. - Quer que eu te odeie? 
    - Talvez... - mordi o lábio inferior - Eu bem que mereço.
    Jon não disse nada. 
    Deitei no banco traseiro e me calei. Tudo ficava melhor quando eu calava minha boca. Vi os olhos dele me espiarem mais uma vez antes de se voltarem para a estrada. Fiquei olhando seus cabelos castanhos, distraída. Como meu namorado pode confiar tão pouco em mim?
    Mal percebi quando comecei a chorar. Um choro calmo demais para ser notado. 
    - Vou terminar com Zack. - falei de repente. 
    - Ah... - murmurou.
    - Não quer saber por quê?
    - Deixe-me adivinhar... - sorriu, irritado - Conheceu outro cara e está totalmente apaixonada. E, o cara também está apaixonado por você. O que não é surpresa nenhuma, porque praticamente todos os caras te amam. Você é linda e eu entendo isso. - respirou fundo, tentando se acalmar - Mas por que eu ia querer saber?
    - É, tem razão... - engoli mais lágrimas - É grosso demais para se importar comigo. 
    Vi sua expressão desmoronar. 
    - Desculpa, Mel... - gemeu - Não queria te magoar. 
    - Esquece - resmunguei.
    Ajoelhei no banco e pedi que encostasse o carro. Ele o fez, tentando se redimir. Um vento forte batia, embolando meu cabelo. Tampei seus olhos e ri. Ele continuava calado, mas sorria. Baixei a cabeça na altura de sua orelha. 
    - Eu te amo, seu idiota. 
    Ele largou o volante e buscou meus braços, puxando-me para o seu colo. Seus olhos estavam mais azuis do que costumavam ser. Queimavam por dentro. Amor ou ódio o estavam consumindo. Ou os dois. 
    - Nesse caso. - disse - Esquece o que eu disse, tá?
    - Arrã.  - concordei - Temos que chegar hoje ainda, não é?
    - Infelizmente... - sussurrou. 
    Ri mais uma vez, voltando ao banco traseiro. Nosso primeiro beijo teria que esperar.
   Jonathan deu a partida e voltou à estrada. Algo me dizia que aquela viagem não seria igual as outras...

"It's awkward and silent
As I wait for you to say
What I need to hear now,
Your sincere apology"
- Seven Things, Miley Cyrus -

   
Notas da autora:
- Pauta para o Palavras Mil
- Foto do We♥It
- Outro link aqui

10 de setembro de 2010

Pais vs Filhos

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1° Lugar - Bloínquês - (Edição Opinativa)
"A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora."
(Benedetto Croce)

   Vivemos em um mundo fragmentado, divido entre ricos e pobres, negros e brancos, poderosos e submissos. Infelizmente, o mundo está começando a se subdividir. E essa subdivisão não está agradando ou nem está sendo aceita. Afinal, o que fazer quando a sociedade se divide entre pais e filhos? 
    Tudo começa com um rompimento do horário imposto pelos pais. Em seguida, vem o castigo, porque o filho precisa ser punido. Mas o filho simplesmente resolve fugir do castigo. Os pais então se desesperam, se perguntando onde erraram, o que podiam ter feito para que isso não acontecesse. Mal percebem que o filho criou uma personalidade revoltada porque adolescentes muitas vezes são revoltados, querem quebrar regras só para provar que podem tudo. Aí entram as drogas, o álcool e sexo. Surgem as DSTs, as overdoses e mais uma vez os pais se enchem de culpa. 
    E inevitavelmente os dois lados, mesmo divididos, acabam sofrendo da mesma forma.
    Então, outros pais resolvem não cometer o mesmo erro e criam seus filhos na base do tapa. É a velha história "Se fizer isso apanha". O resultado disso são filhos reprimidos, emocionalmente mal resolvidos, com medo de mostrar os sentimentos. O mais estranho é que esses parecem ser os filhos que mais amam seus pais. Por quê?
    Simplesmente porque o ser humano não sabe dar valor ao que tem. 
    Os pais estão sempre em busca da melhor criação. Os que julgam errado a ideia de bater, partem para o diálogo. Mas quando o filho chega a adolescência, eles sentem que tomaram a decisão errada, porque criaram uma pessoa que não os respeita, não os obedece e os trata como um amigo qualquer. Talvez até pior que isso. 
    Pois pais, digo que não fizeram errado em tentar uma criação sem violência, seus filhos é que  acabaram desaprendendo a dar valor. Digo isso porque eu mesma acabo esquecendo o quanto devo a minha mãe. Ela nunca bateu em mim. Mas as pessoas costumam estranhar a bondade, a compreensão. É uma coisa explicável, levando em conta que hoje o amor parece praticamente extinto - não só entre namorados, como entre amigos, colegas, irmãos. A inveja, o ciume e a busca pelo poder têm superado o carinho. Têm dominado o mundo. 
    No fim, todas as criações são falhas. A perfeição entre os mortais não existe. Não precisa-se de um adolescente perfeito, apenas de alguém que tenha orgulho de quem é, de quem foi e de quem pretende ser. E que, acima de tudo, seja grato ao que tem. 
    O pais não são tão diferentes dos filhos. Até porque um dia os filhos serão pais. Pode-se até tentar vence-los jogando isso na cara deles, mas não costuma adiantar. A convivência não pode ser uma guerra. Guerras terminam em mortes. E quem ama nunca ia querer isso.
    Bom... pelo menos não de verdade.


9 de setembro de 2010

Selinhos *-*

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Oi blogueiros :)
Ganhei selinhos do Italo, do blog Manuscrito. Falar nisso, é um blog que indico (textos perfeitos *-*)
Beeeeem, voltando aos selinhos...









E são acompanhados por um meme (adoro *-*). Vamos as perguntinhas? 


1 - Qual é o seu melhor texto?
    Eu tenho o grande defeito de botar defeito em tudo o que eu escrevo. Acho que é porque quero sempre a perfeição, mas nenhum humano é perfeito, certo? Se é assim, escolho como meu melhor texto Show me the way. Ele resume bem o que vejo espalhado pelo mundo, que é de muitas formas bastante triste. Cheguei aonde queria e fiquei feliz... 
2 - O que mais te inspira a escrever?
    Vou confessar que de inicio escrevia inspirada em mim mesma, repetindo em palavras os dramas que viviam em minha cabeça. É claro que fiz textos fictícios, que graças a Deus não aconteceram comigo. Mas há um em especial, na verdade um poema, Dependente, que ilustrou o que eu sentia. Acho que aquela foi a primeira vez que um garoto me decepcionou de verdade. Mas com o passar do tempo, o que se tornou minha maior inspiração foi o mundo e os mistérios simples que esconde. E desde então, meus textos giram em torno disso.
3 - Escrever para você é?
    Essencial, um jeito de me manter sã. Existem coisas que, se não forem escritas, se tornam insignificantes. E eu não posso deixar isso acontecer. 
4 - Você admira algum escritor? Qual?
    Admiro demais a Jane Austen, autora de Orgulho e preconceito. Foi sem duvida um dos livros mais bonitos que já li. Não pelo exagero de palavras ou da história, mas justamente pela simplicidade do ambiente. Porque isso fez com que o holofote caísse sobre o romance principal e os outros em torno. 
5 - Indique um bom livro.
    Bom, já puxei o saco de Orgulho e Preconceito, então agora vou indicar um livro brasileiro. É da escritora Lúcia Junqueira, se chama Uma rua como aquela. Cheguei a chorar com as surpresas da história. 
6 - Indique um blog. 
    Ah, indicar um só é maldade. Eu amo muitos, alguns porque são de amigos, outros porque dizem um pouco de mim, mesmo sem querer. Tem O Diário, da minha amiga. Também Histórias, histórias, da minha prima Marianna (♥) e [TER]Remoto Controle... Gosto muito do próprio Manuscrito, do Secrets of a little girl, da Monique... O Revelando Sentimentos, da Naty... Ah, e MUUUUITOS outros... Se for falar todos eu não acabo nunca. KKKK'
7 - Indique blogs para ganhar o selo.
   Já que falei os acima, indico os mesmos (com exceção do Manuscrito, que já tem os selinhos) e mais os abaixo:
   - ... (depois coloco mais)

    Beeeeeeijoooooos

7 de setembro de 2010

Sentimentos que nunca morrem - Parte 2

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Parte 1 
[Ponto - de -vista da neta] 
    Ela o conhecia de algum lugar, eu tinha certeza. 
    Não só pelo modo como o encarava, mas pelo sorriso bobo que surgiu em seus lábios. Vovó não era dessas coisas. Não se encantava tão fácil assim. Aquele senhor tinha alguma coisa de especial, com certeza. Pôxa, mas aquele bigode cinza era meio estranho. E aquele cotovelo pontudo...
    - Vovó? - falei. Ela não deu sinal de vida - VOVÓ! 
    - Hã? - respondeu - O que foi, querida?
    - A senhora tá legal? 
    - Ótima. - suspirou. Ela nunca suspirava. - Me dá só um minutinho, sim?
    - Tudo... bem. - concordei, relutante. 
    Dona Henrietta largou a caneca de chocolate quente na beirada da varanda e se apressou, quase correndo até aquele senhor. De repente vovó se tornou fã de agentes funerários? Eu, hein. Continuei acompanhando tudo de longe, mantendo os ouvidos antenados. Nunca vi ela tão animada desde que chegou aqui em casa. 
    - Ah, a dona do café... - falou ele, sorrindo. Varios pés de galinha surgiram em seu rosto - Desculpe pela grosseria de não me aprensentar aquele dia. Eu estava meio irritado pelo atraso do meu voo. Sou Adolfo. - estendeu-lhe a mão, que ela apertou depois de uns minutos de hesitação - Parece que vim cuidar do enterro do seu vizinho. - ele conferiu na prancheta - Heitor Oliveira, certo?
    - Ah, grande homem ele... - sussurrou ela, olhando para a casa vizinha - Foi uma fatalidade. 
    - Era amiga da familia? 
    - Sim. Muito. 
    - Sinto muito, então. - ele baixou os olhos na altura do rosto da velhinha. Adolfo era um homem alto, de traços fortes. A voz era doce, apesar da aparência severa. Ele sorriu novamente, baixando a prancheta. - Gostei da senhora, dona Henrietta. Por que não saimos qualquer hora dessas?
    O QUÊ?! 
    - Eu adoraria. - vovó respondeu. - Aqui tem o melhor café de todos. 
    Minha vó estava... paquerando? 
    - Adolfo? - disse um dos homens da funeraria. - Temos que ir.
    - Nos vemos. - ele disse para minha avó. Ela sorriu e acenou.
    O senhor do bigode engraçado entrou no caminhão.
    Dona Henrietta voltou para a varanda estática, os olhos brilhando animados. Qual é? Isso já estava ficando estranho. 
    - Não acredito! - berrei, rindo - APAIXONADA, APAIXONADA!
    - Mais respeito. - disse.
    - Por que não me contou antes? 
    - Ah, querida... - murmurou - Isso não é de sua conta... 
     Fechei a cara, batendo o pé. Vovó tinha mesmo me dado uma tirada? O que estava acontecendo aqui? 
    - Querida?
    - Oi? - respondi, encarando-a. 
    - Você tem maquiagem?
     Foi o que bastou para que eu começasse a rir.


Dedicado ao Allison ♥

Notas da autora:
Deixei aberto a continuação de propósito. Se gostarem dessa parte, eu continuo.
Beijos

Outside

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3° Lugar - Bloínquês (Edição Visual)

    Ela sempre quis ver pela terceira pessoa. Admirar de longe, sem participar. Como a plateia no teatro, o espectador no espetáculo, o pintor com sua tela. Mas suas esperanças pareciam meio inúteis. No fim ela sempre terminava do lado de dentro. Sempre era obrigada a sentir o que os outros sentiam, agir como os outros queriam. E ela mesma ficava para depois. 
    Só que tudo o que se repete, um dia cansa. E ser coagida perdeu a graça.
    Por isso, naquela manhã, Julie tomou o caminho contrário ao que a levaria à escola, virando duas esquerdas antes da sua esquerda de costume. Não sabia bem para onde ia. Sei lá. Talvez qualquer lugar, menos a escola. Era rotina demais, repetitivo demais.
    Acabou no jardim comunitário do bairro. 
    Como era início de primavera, o chão estava infestado de flores de todas as cores e tamanhos. Julie largou a mochila no primeiro banco que viu e correu para se aninhar entre elas. Ela sempre alimentou uma paixão secreta pela primavera. Todas aquelas cores sempre deixaram a garota encantada, não importava quantos anos tivesse: dois ou doze . 
    Julie arrancou uma flor do chão e começou a analisar cada centímetro dela. Nunca tinha percebido como uma simples flor podia deixá-la tão feliz, esperançosa. Esperanças sempre lhe pareceram bestas, infantis. Mas ali, sentada naquele jardim, todas elas pareciam fazer um enorme sentido, se encaixar uma na outra - assim como todas as plantas se encaixam na natureza. 
    E se meus sonhos forem reais?, pensou ela, sorrindo consigo mesma. Talvez nem todas suas fantasias de garota, com fadas e príncipes fossem tão bobas. Talvez existissem mesmo sonhos que acontecem, que não terminam ao abrirmos os olhos.
    - Já chega, Julie - brigou consigo mesma - A primavera tá te deixando piradinha.
    Sem olhar para trás, Julie recolheu a mochila e saiu correndo, ansiosa por fugir dali. Parecia que agora que pudera ver o desabrochar da natureza de perto, o amor platônico que alimentava se tornara real demais. Íntimo demais. E isso a assustava.
    Porque ainda era estranho para ela não ser atriz. Era estranho estar na plateia pela primeira vez.


"On the outside looking in
I've been a lot of lonely places
I've never been on the outside"
- The outside - Taylor Swift -

6 de setembro de 2010

#RaciocinioFail

4 passaram por aqui
    Achei uma razão super para meu contador não estar contando: As pessoas que disseram estar me seguindo, não estão me seguindo. (HSUHAUSHAU
   Eu sei que é uma razão meio... óbvia [?] e que eu JÁ DEVIA SABER disso, mas só descobri agora.
   Agora que já descobri, vou ver televisão. 
   (Affz, Letícia ¬¬)

5 de setembro de 2010

#ContadorFail

1 passaram por aqui

    É gente, mais um problema pra encher minha cabeça. Agora meu gadget dos seguidores deu para parar de contar, é mole? Meus seguidores mais recentes não tem surgido no contador e fiquei muito irritada, sério.
   Mas apesar disso, eu vim para agradecer o carinho de vocês. Ele é muito importante para mim
   Beeijos da ♥ Garota ♥

4 de setembro de 2010

Inevitable

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Primeiro lugar - Bloínquês (Edição Visual) 

Es que no enamorarme de ti, es inevitable
Quiero pero no puedo
Resistir a este sentimiento

     - Toca mais uma vez?
      Pediu minha irmã com um sorriso infantil no rosto. Suspirei e recomecei a tocar, a voz fraca e cansada da repetição. Era o quê, a quinta vez? Marianne sorriu, se sentando no meu criado-mudo. Não sei que praga tinha feito minha irmã se apaixonar pela música. A minha música.
      Marianne bocejou, os olhinhos já caídos pelo cansaço. Levantei da cama, encarando-a. Ela agarrou a madeira, recusando minha ordem antes mesmo que eu a desse. Sorri, perversa. Com uma facilidade assustadora, ergui seu corpinho magro do meu criado-mudo e carreguei-a até sua cama. Se não fosse pelo sono, ela com certeza teria me enchido de murros e socos.
      Assim que bateu a cabeça no travesseiro, caiu em um sono profundo
      Voltei para o meu quarto na ponta dos pés, evitando até respirar. Todo mundo já dormia. Entrei e fechei a porta, rápido demais para ranger. O sítio tinha uma cara horrível de mal-assombrado. Todas as portas rangiam. Inferno.
      Reparei tarde demais que havia mais alguém comigo. Ele vinha invadindo meu quarto quatro vezes por semana pelos últimos dois meses.
      - Quando vai parar de pular minha janela?
      - Quando puder entrar pela porta. - sorriu.
      - Isso é perseguição, sabia?
      Ele me ignorou.
      - Eu sei que você ainda pensa em mim. - sussurrou em meu ouvido. - Você diz meu nome enquanto dorme.
      - Mentiroso. - acusei-o. - Eu não dormi nos últimos dois dias.
      - Isso é verdade - concordou - Em vez disso, ficou tocando Garota Atriz. - aproximou-se um pouco - Sabia que estava pensando em você quando a escrevi?
      - Sério? - fingi desinteresse.
      Evan pegou meu violão e se sentou na minha cama. Fiquei observando meu ex-namorado testar as cordas, buscando as melhores notas. Ele ainda tinha o mesmo olhar curioso, o mesmo sorriso malicioso. Sua voz continuava sendo meu calmante pessoal. A única que fazia meu coração bater descompassado de uma forma boa. Sem doer.
      Perdi-me de meus pensamentos quando ele voltou a sussurrar em meu ouvido.
     - Seus olhos são espetáculo, sou plateia do seu teatro. Seus lábios de mel, pequenos pedaços do céu. Pois que seja, garota. Encene sua peça. Sou eterno apaixonado, seu para sempre. Sem seu sorriso não sou ninguém. Eu te amo, meu bem...
     - Eu também te amo. - respondi sem querer.
     - Hmm... - disse, me puxando para o seu colo - Bom saber.
     - Bobo. - ri.
      Ele me olhou e sorriu. Um sorriso meio idiota, meio encantado. Sorri também, outro sorriso idiota. Fechei os olhos, respirando fundo. Bastou um encostar de lábios para que o descompassado virasse frenético.
     - Agora que tenho mel, - falou - tenho que voltar para a colmeia.
      Ele levantou da cama e pulou pela janela com uma agilidade de mestre. Em menos de cinco minutos já estava na metade do caminho para o seu sítio, vizinho ao meu. Se ele ia voltar? Não fazia ideia.
     - IDIOTA! - berrei.
      E mais uma vez seu riso debochado ecoou em meus ouvidos.


Música - Inevitable - Dulce Maria
Notas da autora: Gente, a postagem original deu um problema e acabou sendo excluída. Desculpa mesmo :)
Obrigada pela compreensão.