19 de setembro de 2010

Send It On - Parte I

    Eu devia mesmo estar louca. 
    Apertei as têmporas, lutando para clarear os pensamentos. Onde eu tinha me metido? Provavelmente na maior encrenca da minha vida. Ou da história. Chega, Yasmin, repreendeu-me minha consciência, irritada. Já que tinha começado, o melhor que tinha a fazer era ir em frente com isso, por mais que me custasse. E me custava muito.
    Pulei da cama assustada quando meu celular berrou na gaveta do criado-mudo. Ainda com o coração aos pulos, atendi:
    - Fala, Ian. 
    - Meus pais já foram. - disse, alegre - Tô livre, amor.
    - Ai, uma notícia boa, pelo menos. 
    - E por aí, como andam as coisas? 
    - Péssimas. - suspirei - Vou ficar de castigo até o fim do século. 
    - Não precisa fazer isso se não quiser. - murmurou.
    - Eu quero. Muito. - ouvi berros no andar de baixo. Meu irmão. - Tenho que ir. 
    - Certo...
    - Beijos. 
    Desliguei apreensiva. Como ia encarar meus pais? Quer dizer, eu não podia dizer nada sobre nada a eles. Não sabiam quase nada sobre Ian, muito menos que ele era meu namorado. Meu namorado que morava a quilômetros de distância. Bufei, contendo as lágrimas. 
    Ainda tinha de encarar meu irmão chorão. 
    - Ya-Ya. - gemeu. - Quero naninha. 
    - Calma, Pedro. - pedi, terminando de descer as escadas. Ele estava estirado no sofá, babando sem parar. - Pôxa, Peteco, tinha que babar? 
    - Desculpa... - sorriu, estendendo os braços. - Iup!
    - Sem baba, amor. - sussurrei, levando-o escada acima. 
    Mal caiu na cama, iniciou uma roncaria insuportável. 
    De repente, dormir pareceu uma ótima ideia. Caí na cama, cansada. Meus olhos começaram a arder, pesando. Olhei mais uma vez para a passagem que escondia sob os livros de Jane Austen. Fugir para encontrar o namorado parece loucura demais quando se tem 15 anos. Pelo menos é o que os sites de bate-papo dizem. E o que meus pais dizem. 
    É o que todo mundo diz. 
    Não. Eu não podia estar tão errada assim. Levantei, peguei meu casaco e saí, quase arrombando a porta do quarto. Só uma pessoa no mundo poderia me entender de verdade. Concordar comigo. 
    E era com ela que eu iria falar.


Notas da autora
Desculpem por mais uma história em partes, mas é por uma boa razão. 
E prometo que essa vai ser menor 
(e menos enrolada).   

5 comentários:

@ anacarolinacorrêa disse...

Adoro histórias, exceto a minha que eu tinha uma idéia ótima e agora o sentido se perdeu,tenho que termina-la logo. Adorei a sua *-* Passa lá? http://www.fotografiadaana.blogspot.com

Ariane Roscéli @' disse...

Gracinha *-*

mila disse...

Adoro essas histórias :3

Thais Cristina, disse...

Muito fofa *-*
esperando as continuações...

p.s:ah, agradeci o selinho lá no blog, tá!?
Bjão!

Manuela Cara De Panela disse...

Primeira vez no blog, amei o texto, adoro histórias assim ;*