4 de setembro de 2010

Inevitable

Primeiro lugar - Bloínquês (Edição Visual) 

Es que no enamorarme de ti, es inevitable
Quiero pero no puedo
Resistir a este sentimiento

     - Toca mais uma vez?
      Pediu minha irmã com um sorriso infantil no rosto. Suspirei e recomecei a tocar, a voz fraca e cansada da repetição. Era o quê, a quinta vez? Marianne sorriu, se sentando no meu criado-mudo. Não sei que praga tinha feito minha irmã se apaixonar pela música. A minha música.
      Marianne bocejou, os olhinhos já caídos pelo cansaço. Levantei da cama, encarando-a. Ela agarrou a madeira, recusando minha ordem antes mesmo que eu a desse. Sorri, perversa. Com uma facilidade assustadora, ergui seu corpinho magro do meu criado-mudo e carreguei-a até sua cama. Se não fosse pelo sono, ela com certeza teria me enchido de murros e socos.
      Assim que bateu a cabeça no travesseiro, caiu em um sono profundo
      Voltei para o meu quarto na ponta dos pés, evitando até respirar. Todo mundo já dormia. Entrei e fechei a porta, rápido demais para ranger. O sítio tinha uma cara horrível de mal-assombrado. Todas as portas rangiam. Inferno.
      Reparei tarde demais que havia mais alguém comigo. Ele vinha invadindo meu quarto quatro vezes por semana pelos últimos dois meses.
      - Quando vai parar de pular minha janela?
      - Quando puder entrar pela porta. - sorriu.
      - Isso é perseguição, sabia?
      Ele me ignorou.
      - Eu sei que você ainda pensa em mim. - sussurrou em meu ouvido. - Você diz meu nome enquanto dorme.
      - Mentiroso. - acusei-o. - Eu não dormi nos últimos dois dias.
      - Isso é verdade - concordou - Em vez disso, ficou tocando Garota Atriz. - aproximou-se um pouco - Sabia que estava pensando em você quando a escrevi?
      - Sério? - fingi desinteresse.
      Evan pegou meu violão e se sentou na minha cama. Fiquei observando meu ex-namorado testar as cordas, buscando as melhores notas. Ele ainda tinha o mesmo olhar curioso, o mesmo sorriso malicioso. Sua voz continuava sendo meu calmante pessoal. A única que fazia meu coração bater descompassado de uma forma boa. Sem doer.
      Perdi-me de meus pensamentos quando ele voltou a sussurrar em meu ouvido.
     - Seus olhos são espetáculo, sou plateia do seu teatro. Seus lábios de mel, pequenos pedaços do céu. Pois que seja, garota. Encene sua peça. Sou eterno apaixonado, seu para sempre. Sem seu sorriso não sou ninguém. Eu te amo, meu bem...
     - Eu também te amo. - respondi sem querer.
     - Hmm... - disse, me puxando para o seu colo - Bom saber.
     - Bobo. - ri.
      Ele me olhou e sorriu. Um sorriso meio idiota, meio encantado. Sorri também, outro sorriso idiota. Fechei os olhos, respirando fundo. Bastou um encostar de lábios para que o descompassado virasse frenético.
     - Agora que tenho mel, - falou - tenho que voltar para a colmeia.
      Ele levantou da cama e pulou pela janela com uma agilidade de mestre. Em menos de cinco minutos já estava na metade do caminho para o seu sítio, vizinho ao meu. Se ele ia voltar? Não fazia ideia.
     - IDIOTA! - berrei.
      E mais uma vez seu riso debochado ecoou em meus ouvidos.


Música - Inevitable - Dulce Maria
Notas da autora: Gente, a postagem original deu um problema e acabou sendo excluída. Desculpa mesmo :)
Obrigada pela compreensão.


5 comentários:

Caroline disse...

Adorei! Muito boom o texto. Estou seguindo.

beijoos

Stéphanie disse...

Adoro essa música da Dulce, gostei do texto, muito bom. Parabéns mesmo! Estou seguindo o blog, espero que me siga.

Bjs

http://tvfabulous.blogspot.com/

Sandra disse...

PARABÉNS PELO LINDO TEXTO. AGRADEÇO A SUA VISITA.
AMEI.
SANDRA

Sandra disse...

amiga,
Não consegui pegar o selo.
Quem sabe outro dia voltare. Muito obrigada.Já ganhei várias vezes. Fico muito feliz em receber de novo,e por vc.
Carinhosamente,
sandra

Sandra disse...

Um 1º lugar bem merecido.
sandra