7 de setembro de 2010

Sentimentos que nunca morrem - Parte 2

Parte 1 
[Ponto - de -vista da neta] 
    Ela o conhecia de algum lugar, eu tinha certeza. 
    Não só pelo modo como o encarava, mas pelo sorriso bobo que surgiu em seus lábios. Vovó não era dessas coisas. Não se encantava tão fácil assim. Aquele senhor tinha alguma coisa de especial, com certeza. Pôxa, mas aquele bigode cinza era meio estranho. E aquele cotovelo pontudo...
    - Vovó? - falei. Ela não deu sinal de vida - VOVÓ! 
    - Hã? - respondeu - O que foi, querida?
    - A senhora tá legal? 
    - Ótima. - suspirou. Ela nunca suspirava. - Me dá só um minutinho, sim?
    - Tudo... bem. - concordei, relutante. 
    Dona Henrietta largou a caneca de chocolate quente na beirada da varanda e se apressou, quase correndo até aquele senhor. De repente vovó se tornou fã de agentes funerários? Eu, hein. Continuei acompanhando tudo de longe, mantendo os ouvidos antenados. Nunca vi ela tão animada desde que chegou aqui em casa. 
    - Ah, a dona do café... - falou ele, sorrindo. Varios pés de galinha surgiram em seu rosto - Desculpe pela grosseria de não me aprensentar aquele dia. Eu estava meio irritado pelo atraso do meu voo. Sou Adolfo. - estendeu-lhe a mão, que ela apertou depois de uns minutos de hesitação - Parece que vim cuidar do enterro do seu vizinho. - ele conferiu na prancheta - Heitor Oliveira, certo?
    - Ah, grande homem ele... - sussurrou ela, olhando para a casa vizinha - Foi uma fatalidade. 
    - Era amiga da familia? 
    - Sim. Muito. 
    - Sinto muito, então. - ele baixou os olhos na altura do rosto da velhinha. Adolfo era um homem alto, de traços fortes. A voz era doce, apesar da aparência severa. Ele sorriu novamente, baixando a prancheta. - Gostei da senhora, dona Henrietta. Por que não saimos qualquer hora dessas?
    O QUÊ?! 
    - Eu adoraria. - vovó respondeu. - Aqui tem o melhor café de todos. 
    Minha vó estava... paquerando? 
    - Adolfo? - disse um dos homens da funeraria. - Temos que ir.
    - Nos vemos. - ele disse para minha avó. Ela sorriu e acenou.
    O senhor do bigode engraçado entrou no caminhão.
    Dona Henrietta voltou para a varanda estática, os olhos brilhando animados. Qual é? Isso já estava ficando estranho. 
    - Não acredito! - berrei, rindo - APAIXONADA, APAIXONADA!
    - Mais respeito. - disse.
    - Por que não me contou antes? 
    - Ah, querida... - murmurou - Isso não é de sua conta... 
     Fechei a cara, batendo o pé. Vovó tinha mesmo me dado uma tirada? O que estava acontecendo aqui? 
    - Querida?
    - Oi? - respondi, encarando-a. 
    - Você tem maquiagem?
     Foi o que bastou para que eu começasse a rir.


Dedicado ao Allison ♥

Notas da autora:
Deixei aberto a continuação de propósito. Se gostarem dessa parte, eu continuo.
Beijos

6 comentários:

MichelleM. disse...

Adorei seu blog!

Naty Araújo disse...

O resultado do projeto remember já saiu.
Confira no blog e entre nessa comunidade para maiores informações sobre como participar como autora.

Parabéns, Letícia... gosto do seu blog e achei que vc seria ótima para "trabalhar" com a gente.

Beijos..
Aqui está o link da comunidade http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=100127137

Monique Premazzi disse...

Adorei essa parte *-*
O final ficou fofo KKKKKKKKKKKKKK Adoro vós <3

Italo Stauffenberg disse...

^^

Lê, tem selinho pra vc lá no meu blog.

Dá uma conferida!

http://manuscritoperdido.blogspot.com/2010/09/selos-e-um-pouco-de-mim.html

Allison disse...

Mandou muito bem querida

Continuaaaaa

Quero saber timtim por timtim dessa história!!!

Thatz disse...

Leeeeetiii!
OMG*-* termina essa historia!!!
t'amo!