28 de outubro de 2010

When I Look At You

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2° Lugar - Bloínquês (Edição Visual)

- Você mentiu, seu idiota!
     Monique berrou, começando a correr na direção contrária. O sol escaldante dificultava sua respiração e seus pensamentos, transformando -os em flashbacks confusos. Mas ela ainda tinha certeza das últimas palavras de Jake, assim como de sua mentira. 
     E ela ainda não conseguia acreditar. 
     - Ei, espera, Nique! - ele berrou, tentando conter a fúria dela. - Não vai assim! Conversa comigo, por favor... 
     - NÃO! 
     - Mas, eu não sou como você pensa, - insistiu, agora com um tom desesperado em sua voz. - eu te amo! 
     - É mesmo? - devolveu, com o olhar enfurecido - Bom pra você! 
     Não adiantava, qualquer esforço que ele fizesse seria em vão. Ela estava irredutível. 
     Ela era assim. 
     Monique não era uma garota comum - disso Jake sabia bem até demais. Seus sentimentos eram instáveis, seus sorrisos tinham múltiplos sentidos e suas palavras muitas vezes não soavam agradáveis. Ele tinha aceitado tudo isso no momento em que se viu apaixonado por ela. Conseguia aceitar tudo, menos perdê-la. Isso era inadmissível. 
     - Eu menti, eu sei! - berrou -, mas você não vai me deixar assim!
     - É mesmo?! E por quê?
     Jake não respondeu com palavras. Em vez disso respirou fundo e caminhou em sua direção. Monique ofegava pela correria e pelo cansaço. Vinha fugindo da realidade desde que ele lhe contara a verdade sobre o acidente. O acidente que quase matara os dois. 
     Lembrava-se de cada palavra, desde o "A culpa foi minha", até o "Sinto muito". 
     Jake sabia que o freio estava estragado. Sabia que podia morrer, e ainda assim carregou os dois para aquela loucura. Viajar sem freios pelo meio da floresta! Além disso, admitiu estar drogado, entupido de cocaína, cheirando a álcool e exalando perigo. Mas o que mais a irritava, era que ela foi com ele assim mesmo. 
     Arriscou sua vida por ele. 
     Ele continuava andando. Cada vez chegava mais perto dela - uma menina trêmula, arisca e furiosa. Monique estava vermelha - só não sabia se de raiva ou de vergonha. Talvez os dois - Jake não queria pensar naquele momento. O que iria fazer, provavelmente a irritaria ainda mais. Mas ele faria mesmo assim. 
     Agarrou-a sem explicações e começou a carregá-la, ignorando seus chutes e xingamentos. Parou à beira de um lago, tirou os chinelos e jogou-se lá dentro. Os dois mergulharam, voltando a superfície segundos depois. A vermelhidão foi substituída por uma palidez assustadora. Ela estava totalmente apavorada.
     - Você está drogado, Jake?
     - Não. - disse ele, convicto - Nunca estive mais sóbrio. 
     - Então por que fez isso?! Me molhou da cabeça aos pés! 
     - Gostei disso. - sorriu malicioso, olhando para a camiseta transparente que ela usava - Se tirar o sutiã, fica melhor. 
     - Cala a boca! 
    Ele riu. 
    - Falo sério - Monique insistiu, olhando-o incisivamente - Por que fez isso?
    - Nique, - encarou-a, sério. - se lembra quando eu te contei que quase morri uma vez? 
    - Sim. 
    - Foi aqui. Eu quase morri aqui, nesse lago. 
    Ela franziu a testa, confusa. Por que ele mergulharia justo no lugar onde quase morreu? 
    - Eu... não te contei o motivo - hesitou - Eu quase morri afogado porque me droguei dentro do lago. E apaguei. De repente, só senti a água entrando pela minha boca, pelo meu nariz. Sentia o lago me engolindo, sugando minha vida. - fez uma pausa - Isso foi logo depois do nosso acidente. Eu... queria morrer. Eu ainda me culpava por sua quase-morte. Ainda me culpo. E quero saber, se... você me perdoa. 
    Monique sentiu o rosto molhado, mas não pela água. Lágrimas. 
    - Sim, eu perdôo. Eu... - engasgou - eu te amo, Jake. 
    Enlaçou-o pelo pescoço, beijando seus lábios arrependidos e meio frios, perdidos. 
    - Me desculpe, Nique. 
    - Não tem problema, já passou... 
    Ele agarrou seu corpo molhado e apertou-a contra si. Nunca mais ia magoá-la. Nunca mais ia machucá-la. Senão, a dor o mataria também. E ele ainda era egoísta demais para isso. Egoísta, ela pensou, e completamente emotivo
    E sorriu, abraçando-o de volta.

"Yeah, when my world is falling apart
And there's no light to break up the dark
That's when I, I, I look at you
When the waves are flooding the shore and I
Can't find my way home anymore
That's when I, I, I look at you"
 - When I look at you - Miley Cyrus - 


.    .    .

Notas da autora
Quem já leu o livro A última música, de Nicholas Sparks, deve perceber que tem muito de Ronnie e Will nessa história. Eu acabei de lê-lo hoje, e me deu uma vontade de escrever uma história inspirada no livro... 
Desculpem pelo tamanho, e espero que gostem.

23 de outubro de 2010

Esclarecimento

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Gente, para quem não sabe, a maioria dos textos que eu escrevo aqui não é real. Os únicos que são, levam o marcador Sobre mim ou alguma nota minha, dizendo de que parte da minha vida se trata. 
Quero aproveitar para agradecer mais uma vez a vocês que me seguem e comentam no meu blog. Isso me deixa MUITO feliz *-*
Beeijos ;*

22 de outubro de 2010

Something Inside Me

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2° lugar - Bloínquês (Edição Visual)

    De uma forma ou de outra, eu precisava esclarecer as coisas.
    Peguei as chaves do carro e bati a porta, caminhando cautelosa até o lugar combinado. A entrada da campina era escondida, mas de muito fácil acesso para quem já conhecia bem o lugar. E Jack e eu conhecíamos como ninguém. Ele mais do que eu, o que lhe dava vantagem.
    E me deixava na defensiva mais uma vez.
    Parei depois de dez passos e respirei fundo. O que exatamente eu esperava que acontecesse? Sim, eu queria um milagre. Queria que tudo voltasse no tempo e fosse diferente. Não devia tê-lo conhecido, muito menos ido tão longe com ele.
    Engravidado.
    - Oi, Carmem - sua voz sussurrou.
    - Oi. - respondi, fria e distante - Será que pode aparecer?
    - Com prazer, amor.
    Um vulto atravessou a campina e parou à minha frente, fazendo todo meu corpo tremer. Um sorriso malévolo e sedutor atravessou seus lábios, e com o olhar fixo em mim, ele perguntou:
    - Queria me ver?
    - Sim, muito.
    - Hmm... bom ouvir isso. - dedilhou meus lábios trêmulos - Estava com saudade da minha gatinha.
    - Cala a boca, Jack. Temos que conversar.
    - Sobre o o quê? Sua gravidez?
    - Vo-você sabe?
    - Tenha dó, Carmem. - bufou - Nós fizemos sexo. Isso era previsível.
    - E o que fazemos agora?
    - Fazemos? - repetiu incrédulo - Carmem, acorda! Eu sou um fugitivo da lei! Acha que posso assumir filhinhos?!
    - Mas eu... eu não!
    - Você não é burra, meu amor. Eu sei que não é. Então não finja que não entende...
    Respirei fundo mais uma vez, digerindo as informações. Um nó esmagava meu cérebro, impedindo raciocínios lógicos como aquele que ele acabara de me impor. É óbvio que ele não assumiria nada. Mal podia usar o próprio nome!
    - Idiota! - me xinguei como conclusão.
    - Escuta, - pediu, amolecendo o tom de voz - eu te amo, Carmen. Como nunca amei ninguém na vida. Mas agora, estou numa situação ruim. Eu matei um homem. Devia estar na cadeia a essa hora.
    - Não quer ficar comigo?
    Ele não respondeu de imediato.
    Reprimi as lágrimas que lutavam com toda força para sair e esperei. Uma hora ele tinha que falar.
    - Não é isso, amor. - respondeu por fim - É só que você me encontrou na hora errada, entende?
    Assenti.
    - Eu quero de verdade ser um homem bom. - suspirou - Mas eu não sou. E já fui longe demais para voltar agora.
    - Certo... - engoli em seco - Compreendo. E o que eu faço agora?
   Ele ficou em silêncio.
   De repente, começou a chorar. Soluços irrompiam por seu corpo, chacoalhando-o em meus braços. Nunca o tinha visto chorar daquele jeito, tão impotente, inútil. Ele agarrou meu rosto e pressionou febrilmente seus lábios contra os meus, absorvendo tudo o que podia do meu beijo.
    E então, algo frio espetou minha barriga. Uma arma.
    - O que está fazendo?
    - Eu não posso ser pai, - respondeu, retornando ao tom duro - não assim, não agora.
    - Não faça isso. Por favor?
    Mas ele não me ouviu.
    Ouvi um clac e depois um único tiro. Uma dor dilacerante atingiu minha barriga, me derrubando no chão. Jack sorriu e se agachou, beijando minha testa.
    - Durma bem, amor.
    Seu vulto retornou pela campina, sumindo na noite negra e fria. Meu corpo inerte continuou ali, estirado, sozinho. Eu me sentia triste, magoada .
    E agora, tinha certeza de que por dentro, eu estava vazia.



Notas da autora
Quando vi essa imagem, pensei: "Preciso escrever sobre ela, nem que o texto saia um lixo" e bem, ele deu nisso. Se saiu um lixo ou não, eu não sei, só sei que pelo menos eu escrevi. E então, vocês gostaram?
Beeijoos ♥

19 de outubro de 2010

A base do amor

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1 ° Lugar - Bloínquês (Edição Opinativa)

O mundo está rodeado de amantes. Apaixonados, vivendo em um mundo de rosas e flores vermelhas. Infelizmente - sim, muito infelizmente -, muitas vezes eles são taxados de idiotas, burros e cegos. Acusados de esquecer a realidade, de inventar uma idiotice para escapar da verdade da vida.
    Mas não, o amor nunca foi e nem vai ser válvula de escape ou alienação de mentes vazias.
    O amor é simplesmente um sentimento. Um sentimento especial, mas ainda assim, um sentimento. E ele não é problema, o problema mora no modo que as pessoas encontram para lidar com as sensações avassaladoras que o acompanham.
    E quem é você para falar de amor?, vocês se perguntam.
    Pois essa que vos fala, está apaixonada há muito tempo. Apaixonada sem ser correspondida, mas encontrando motivos para continuar sentindo o que sente agora. Dois anos atrás, ela conheceu um garoto meio diferente, mas muito especial. E desde então, encontrou várias razões para ver nele o que não havia visto em ninguém até aquele momento.
    E ela encontrou vários motivos. Entre eles, dez se destacaram.
    O primeiro deles, foi o modo como dizia tudo no silêncio. Conseguia tirar mais palavras do vazio do que a maioria tenta dizer com a voz. Era quieto por ser, não por obrigação. E isso era impressionante, assustador e intrigante, tudo ao mesmo tempo.
    Em segundo lugar, ficava o fato de que ele sorria sem mover os lábios, sorria com os olhos. Nunca precisava de gargalhadas para rir. Sua felicidade se prendia no breu de seu olhar. Além disso, escondia-se sob uma máscara misteriosa e intransponível. Era difícil saber quando sua ironia era verdadeira, quando era apenas uma forma de se esconder de motivos maiores. Ou quando não era uma coisa nem outra.
    Suas lágrimas, eram sempre transparentes e destemidas. Nunca caíam por consolo, por mentira ou por sofrimentos fúteis. Só apareciam quando eram frutos de uma dor verdadeira, de uma angustia maior que seu próprio ser. Sua voz era leve e medida. Raramente dizia algo só por dizer. Sempre escondia um segundo sentido, ou uma ideia meio louca por trás dela.
    A sexta razão, era - e é - o motivo mais estranho, porém o mais forte de todos: Ele nunca olhava diretamente nos olhos dela. Encontrava outra coisa em que fixar seu olhar, sem nunca trocar um olhar direto. Parecia esconder um segredo por trás de seus olhos perdidos.
    O oitavo motivo da lista, era que raramente o via com amigos. Soava tão anti-social e ao mesmo tempo tão especial, exclusivo entre os tantos outros garotos, que viviam se estapeando, brincando de coisa estranhas, ridículas.
    E, a mesma menina que começou esse texto, descobriu que o amava por suas esquisitices, suas manias estranhas e seu jeito de andar. É, talvez as três coisas não tenham uma conexão real, mas acabaram se tornando a base para que os outros motivos se sustentassem. O amor é mesmo um chão fixo sustentando em um malabarismo os outros tantos defeitos ou as qualidades.
    É a lei da vida.
    Por isso, o fato de a cada dia ele ter uma opinião diferente, mas sempre sustentada pelo mesmo principio, só fez com que se tornasse mais diferente. As diferenças de opinião formam a mente humana, criando dentro de nós um manual, uma base sobre a qual as opiniões se formam.
    O décimo motivo foi o mais absurdo e inesperado de todos: Ela nunca descobriu que músicas haviam no seu Mp4. Era um motivo diferente, uma obsessão por músicas, talvez até uma paranoia. Mas quem não as têm?
    Por isso eu, a garota apaixonada, falo do amor.
    Evitar a primeira pessoa é costume de quem esconde o que sente para os outros, mas não esconde si mesmo. A realidade dos amantes que rondam o mundo é essa: buscar motivos, razões, fatos concretos que mantenham vivo um sentimento que é bastante abstrato.
    E afinal, o que é o amor, além de uma lista de motivos meio bobos, mas completamente verdadeiros?

Desculpem de verdade pelo tamanho do texto. Mas eu fui escrevendo, escrevendo e quando vi, já estava desse tamanho :) De qualquer forma, espero que gostem *-* Beeeeeeijos ♥



17 de outubro de 2010

Send It On - Parte IX

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 Todas as partes, aqui
    Pedi a meu tio que chamasse um táxi e fui para o único lugar que achei que Jared pudesse ir: a praia. A praia mais próxima, na verdade. Jared tinha uma paixão louca por praias desde pequeno, dizia que gostava da areia nos pés, da água nas canelas. E disse também que nos casaríamos em uma. Duvido muito que a segunda parte ainda esteja de pé.
    O taxista me deixou na esquina. 
    Corri o mais rápido que pude, olhando para todas as direções, procurando por algum sinal dele. Nada. Várias pessoas nadavam, faziam castelos de areia, tomavam sol. Mas nenhuma delas era ele. Onde meu namorado tinha se metido?
    Dois braços agarraram minha cintura.
    - Procurando por mim?
    - Ai, que susto, Jared!
    - Foi mal, amor. - sorriu. 
    Beijei de leve seus lábios. 
    - Por que fugiu?
    - Foi difícil ver você se pegando com meu primo. 
    - Mas eu não...! 
    - Ei, relaxa! Eu não tô te acusando de nada. Só falei uma verdade. - e, aumentando o tom de voz, berrou para quem quisesse ouvir - EU MORRO DE CIUMES DE VOCÊ!
    Rimos das caras assustadas de quem ouviu.
    - Mas eu amo você. - decretei - E nada, nada no mundo vai mudar isso. 
    - E eu amo você. Nem Angelina Jolie muda isso.
    - Olha... o Brad Pitt tem uma grande chance de mudar... 
    Jared lançou um olhar brincalhão.
    - Ninguém é mais bonito que o papai aqui. 
    - Ah, vai sonhando! 
    Demos as mãos e saímos caminhando pela praia, curtindo o pôr-do-sol. 
    - Sabe... - murmurou - acho que tudo isso teve um motivo.
    - Hmm? - respondi, desatenta. 
    - É. - confirmou - Uma razão, entende?
    - Sim. 
    - Porque se você não tivesse conhecido o Ian, não estaríamos juntos de novo.
    - Faz sentido.
    Meu celular tocou. Apertei o botão vermelho e desliguei a porcaria do aparelho. Jared riu, cúmplice da minha ideia. Então me pegou no colo e correu para água. 
    A minha viagem, começava agora...

FIM
  

Send It On - Parte VIII

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    Já estávamos entrando no avião quando o celular tocou de novo.
    Era minha mãe, avisando que tinha conseguido um lugar para nós dormirmos naquela noite - não queria que alugássemos nenhum de nossos parentes. O hotel chamava Sant Crusoé. Nossos quartos eram o 107 e o 108, no terceiro andar. Jared torceu o lábios, reclamando por serem dois quarto e não um. Mas meu pai tinha suas restrições quanto aos meus namoros. E não era minha mãe quem iria discutir com ele. 
     O vôo foi tranquilo, tirando o ronco irritante do velho à nossa frente e os espirros nojentos do pirralho atrás de nós. O tempo todo Jared segurava minha mão, evitando que eu tremesse mais do que minha preocupação permitia. 
     Chegamos ao Rio com vantagem, já que um táxi esperava por nós na porta. Dentro dele estava meu tio avô que eu nunca tinha visto pessoalmente, só por fotos. Ele nos abraçou rapidamente e nos puxou para dentro, mandando o taxista correr o mais depressa possível. 
     Era hora de botar o plano em ação. 
     Peguei o celular da bolsa e cliquei no segundo número da minha discagem rápida. 
     - Alô? - a voz trôpega respondeu. 
     - Sou eu, Ian. Estou aqui, no Rio. Onde encontro você?
     - No Norte Shopping. Vou te esperar na entrada do estacionamento.
     - Tá. 
     Desligamos.
     Falei para meu tio aonde ia. Paramos na casa dele, deixamos as malas e continuamos o caminho no carro dele. Meu Deus, ele corria como louco! Voamos pelas ruas como se só nós estivessemos por lá. Chegamos com uns quinze minutos poupados pela correria desenfreada. 
     E, pela primeira vez, eu o vi. 
     Um Ian de carne e osso me esperava na entrada. Tinha uma aparência péssima, mas era bonito. Cabelos castanhos, olhos negros, lábios de meia lua. Moreno, alto. Era exatamente como imaginei, só que mais bêbado e afetado. 
      - Oi, Ian. - falei, sorrindo. - Queria me ver? 
      - Sim, muito. - respondeu, rindo. Ele me abraçou forte e olhou para mim - Como você é linda... Minha morena. Desculpe-me pelas ameaças, mas eu precisava te ver. Porque eu preciso te dizer que... 
     Não continuou. 
     - Dizer...? 
     - Meu Deus, eu te amo, Yasmin! - berrou. Quem passava por ali olhou e aplaudiu. 
     Depois disso, Ian me agarrou. Prendeu-me junto ao seu corpo e beijou minha boca como se ela fosse o último copo d'água da Terra. Meu corpo amoleceu. Fiquei fraca e ofegante. 
     - O que...? - consegui perguntar. 
     - Diga que me ama. 
     Mas ele não me deixou responder. 
     Abraçou meu corpo mole e voltou a me beijar, pressionando seus lábios frios contra o meu pescoço, meus ombros, meu queixo, minha testa. Por um momento, me senti fraca, inútil. Como explicar a ele que não o queria mais? 
     Que meus sentimentos tinham me enganado?
     - Ian... - comecei. - Eu, eu te amei, muito. Mas... algo dentro de mim mudou. Eu confundi tudo. O amor que eu sentia por você não é esse tipo de amor. Esse tipo de amor eu sinto pelo seu primo... Nós namoramos, terminamos, mas eu ainda o amo, Ian... 
     - Como?! 
     - Me desculpe. Eu sinto muito. 
     - Foi bom te ver. 
   Ele falou. Depois saiu sem mais explicações. Deu as costas e foi embora. Aos poucos, o público se desfez, cada um voltou para o que fazia. Respirei fundo, absorvendo todo o ar que podia. O peso era menor agora. Eu já tinha esclarecido as coisas. 
   Fui de encontro a Jared. Mas, onde ele estava?
   Olhei para o meu tio. Ele apenas deu de ombros e apontou para trás. Jared estava dentro do carro, dando a partida e saindo de ré. Duas lágrimas escorriam, uma de cada olho. 
    Antes de ele sair, pude ler algumas palavras em seus lábios. Com um sorriso triste, ele sussurrou:
    - Eu te amo. 
    E sumiu no fim da rua.

Send It On - Parte VII

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Minha cor voltou aos poucos, quando os berros de mais umas pessoas ecoaram atrás dele. 
    - Você não está sozinho. - falei, aliviada. 
    - Não, não estou mesmo. Mas se você não vier me ver, eu juro que me mato. Está me ouvindo, Yasmin? 
    - Sim. 
    - Ótimo. - disse com a voz áspera - Eu sei que suas passagens são para hoje. Então, apareça aqui. Ou... Bem, não preciso repetir, né?
    E, fazendo um barulho de queda, ele desligou o celular. 
    - Quem era? - perguntou Jared, assim que desliguei. 
    - Ian. Ele disse que vai se matar se eu não for para o Rio ainda hoje. 
    - Engraçado, as pessoas normalmente fazem ameaças de morte, não de suicídio. 
    Jared riu.
    - Isso não devia ter graça, Jared.
    - Qual é, Yasmin? O Ian nunca se mataria! É egoísta demais para isso. 
    - Como pode ter tanta certeza? 
    - Acredite, eu sei. 
    Deixei passar. 
    - E agora, o que fazemos?
    - Vamos para o Rio. - ele deu de ombros. - Não é o que o bebê chorão quer? 
    - Para de zoar. 
    Demos meia volta e caminhamos de volta para casa, esgotados. Até onde meu ex-namorado aparentemente psicótico poderia ir? Parece que eu ia descobrir aos poucos, começando pela ameaçada de suicídio. 
    Quantos andares ele pretendia subir antes de se jogar? 
    - Estou com medo, Jared... 
    - Não precisa. - me abraçou - Eu estou contigo nessa.
    Não respondi, apenas aproveitei o gosto daquelas palavras enquanto elas sumiam no vácuo. 
    Assim que entramos pela porta da cozinha, um novo ar surgiu. Era denso, dolorido, pesado. Na sala, estavam meu pai, minha mãe, minha madrasta e meu irmão. Todos calados, com semblante preocupado.
    Foi só ficarmos à vista que todos os olhares se voltaram para nós. 
    - O que...? - comecei a perguntar.
    Então, olhei para o telefone no centro da mesinha e senti meu chão tremer e girar várias vezes. Precisei que Jared me segurasse para não desabar. Ian tinha ligado para eles também. Agora sim eu estava ferrada. 
     Montei o acontecido: Ian ligou para a empregada, que se desesperou e ligou para o escritório de meu pai, que ligou para minha madrasta, que aquela hora devia estar buscando meu irmão. Ela o trouxe para casa e esperou meu pai. Quando ele chegou, ligou para minha mãe, que veio me esperar também. E agora, eu estava sendo fulminada por olhares apavorantes.
     Eram ques demais para mim. 
     - E o que fazemos agora? - ecoei minha pergunta. 
     - Vocês vão para o Rio. - ordenou meu pai. - Temos que salvar esse maluco. 
     - Vão indo, - disse minha mãe - providenciamos a autorização no caminho.
     Os outros deram de ombros. 
     - Sorte, Ya... - disse meu irmão, com o dedo na boca. 
     Assenti, ainda sem fala. 
     O celular tocou de novo. Puxei-o do bolso, murmurando um alô quase mudo. Previa o inferno pela frente. Uma voz aflita murmurou:
     - Oi, Yasmin. - era o pai do Ian - O Ian saiu daqui descontrolado. Sabem para onde ele pode ter ido?
     Desliguei sem responder.
     Tínhamos menos tempo do que eu imaginava.

Send It On - Parte VI

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    Era difícil acreditar que ele estava ali de novo.
    Depois de dois anos, meu Jared estava de novo perto de mim, me beijando como fazia antes de terminarmos. Antes de eu magoá-lo. Entrei na cozinha e procurei a coca-cola. Onde meus pais a tinham colocado? 
    - Droga, tudo some quando eu to procurando. 
    Senti dois braços me envolverem pela cintura. 
    - Eu acabei de aparecer. 
    Me virei para ele, agarrando seu pescoço e puxando seu rosto para o meu. 
    - Me desculpe por mentir, Jared... - engasguei com as lágrimas. - Eu... eu não sei por que fiz aquilo. 
    - Eu sei. 
    Como?
    - Porque eu disse que podia estar gostando de outra. 
    Disso eu não me lembrava.
    - E estava?
    - Não... porque eu sempre gostei de você, minha boneca. Só de você. Para sempre. 
    - Para sempre, sempre. - repeti, sentindo o gosto das palavras na minha boca. 
    Fui interrompida por seus lábios ávidos contornando meu pescoço e meu queixo. Agarrei seu pescoço mais forte, espremendo seu corpo de encontro ao meu. Caramba, que saudade desse cheiro de colônia, desses cabelos cacheados, desse sorriso malicioso que sempre me irritava. Desses lábios carnudos e rosados. 
     Nossa... eu estava realmente louca. Minha mãe tinha toda razão.
     - Diga? - pediu ele, docemente. 
     Hesitei.
     Quando eu e Jared éramos pequenos, inventamos uma promessa de amor que a maioria consideraria ridícula, mas que por um motivo desconhecido por mim, se tornou a coisa mais especial para ele. Eu não tinha que perguntar o que devia dizer, só tinha que ecoar as palavras que usara anos atrás. 
     - Mesmo que me arranquem os biscoitos, que me tirem os brinquedos, eu nunca vou esquecer você. Porque mais que os carrinhos e as bonecas, mais que o chocolate, você é um pedacinho de mim. E de todas as lembranças que eu vou guardar, é a única que vou cuidar todos os dias para não esquecer. 
     Pigarreei.
     - Funcionou - falei - Eu nunca esqueci mesmo.
     - Eu também não.
     Ficamos em silêncio, apenas abraçando um ao outro. 
     Um momento tão intimo, que me senti envergonhada quando minha empregada chegou em casa e nos pegou assim, parados no meio da cozinha, agarrados um ao outro. Ela não disse nada, só saiu dali e começou seus serviços diários. Mas percebi que ela evitava a cozinha ao máximo. 
      Rimos.
      - E agora, o que vamos fazer? 
      - Não sei. - admiti. - Que tal, sei lá... Tomar um sorvete? 
      - Hmm... - beijou meu rosto - delícia. 
      Ri do duplo sentido. 
      - Você continua idiota, né, Jared? 
      - Minha especialidade. 
      Saímos para a rua, deixando várias preocupações para trás. 
      Já pela metade do caminho, senti meu celular vibrar no bolso. O número de Ian piscava na tela. Fiz um sinal para Jared esperar e atendi. Uma voz trôpega murmurou:
      - Alô, Yasmin?
      Meus Deus, ele estava bêbado!
      - Eu preciso de você. 
      - Onde você está, Ian?
      - No alto de um prédio. 
      E, com um soluço, completou:
      - Eu vou me matar.

                                      
Dedicado à Marianna, minha priminha do coração ♥

16 de outubro de 2010

Send It On - Parte V

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    Eu precisava de um tempo sozinha. 
    Arranquei meu telefone da parede, saí do computador e me joguei na cama. Ainda tinha que pesar o quão fundo eu tinha ido na minha própria idiotice. Você tem um namorado, Yasmin, minha consciência me lembrou. E quem se importa com ele? , meu irracional rebateu, incisivo, Ele é virtual, isso não vale nada!, completou.
    As duas vozes começaram a se misturar. Uma berrava Jared, a outra Ian e no fim, eu não ouvia nenhuma das duas. Ou talvez não quisesse ouvir, tanto fazia. Só sei que tinha que dar um jeito nisso, nem que tivesse de magoar um deles ou os dois. 
    Religuei as tomadas e peguei o fone. Discar os números foi mais complicado, eu não sabia para quem ligava primeiro. Essa história de dúvida já estava cansativa. Fechei os olhos e disquei sem ver, rezando para ter feito a escolha certa. 
    Ian atendeu ao segundo toque. 
     - Alô? 
     - Oi, Ian... - sussurrei, suando frio - Podemos conversar? 
     - Não é uma boa hora... 
    Ouvi estalos, depois um chiado e então... nada. Ele não tinha desligado, mas a linha estava vazia. 
    Um minuto depois, ele voltou a falar: 
    - Vamos terminar aqui.
    - Por quê, você tem que desligar?
    - Não estou falando da ligação. Estou falando da gente. E disso que a gente chama de namoro. Tchau.
    E de repente, não havia mais ninguém do outro lado. 
    Desliguei também, mal acreditando no que acabar de ouvir. Como meu (ex) namorado podia fazer isso sem dar ao mínimo uma explicação? Mordi meus lábios, praguejando-o. Fiquei imaginando a cara com que ele me disse isso. A cara de pau. Sem vergonha.
    Mas vendo por outro lado, eu estava solteira agora. O que significava que eu era toda do Jared. E isso era... perfeito? Senti meus olhos brilharem de excitação enquanto eu arrancava novamente o telefone do gancho. 
    Como a vida dá voltas. Impressionante.  
    Quando eu ia discar o último número, a campainha tocou. Corri para atender, imaginando quem era. Meu pai não voltaria aquela noite, minha madrasta tinha ido a um SPA, meu irmão estava na casa de um amigo. Meu Deus, será que tinha acontecido alguma coisa com ele? Não... eles teriam telefonado e não batido campainha.
    Parei de cogitar e fui logo atender. 
    Mal abri a porta, alguém me agarrou com força pela cintura e pregou a boca na minha, enchendo meu rosto com um hálito de menta. E, depois de me agarrar, ele murmurou:
    - Oi. 
    E com mais um beijo, completou:
    - Vim te ver.


               Dedicado à minha amiga Thaís, que me deu idéias :)

15 de outubro de 2010

Não mais que o clichê

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    Eu sempre vi minha vida como um filme. 
    Sei lá, talvez por ser tão fora do padrão a ponto de se tornar ridícula. Não, não é nada do que vocês possam estar imaginando. Nunca me casei com vampiros, não me apaixonei por lobos. Na verdade, sangue nunca foi a minha praia. Talvez por ter completado seis anos no dia que minha primeira mãe foi assassinada. 
    Pelo meu pai biológico. 
    Depois que meu pai fugiu para ninguém-sabe-onde e minha mãe foi enterrada no cemitério da família - mórbido, eu sei -, eu fui morar em um lar carente, chamado Nanny's House. Eles eram legais comigo, me davam amor, o que não tinha conseguido até ali. Ninguém da família me quis, e até entendo por quê. A família da minha mãe a veria em mim, e a do meu pai, bem, estava ajudando-o a fugir e não queria ser exposta. Além disso, eu não queria morar com eles. 
    Quando completei oito anos, fui adotada. 
    Confesso que de inicio, meu pai me assustou. Tinha mais de um metro e oitenta, era um verdadeiro armário. Mas, mesmo com traços exageradamente fortes e mãos que mais pareciam raquetes de tênis, ele era bonito. E - desculpe-me se soar estranho - tinha pés delicados. Pés que me lembravam os da minha mãe. 
    Fui embora com ele sem hesitar. Era como ter a chance de viver de novo, longe de todo o horror.
    Tal não foi a minha surpresa ao chegar na minha nova casa e encontrar outro homem na cama do meu pai. Meu Deus, ele era gay! Por isso os pés delicados, sem uma rachadura, com as unhas feitas e tudo. De inicio, não me importei muito. Eu só queria amor, não perfeição. 
    Mas tudo começou a pesar quando eu voltei para a escola. Ninguém entendia minha família. 
    Até hoje eu costumo dizer que o preconceito é uma praga. Uma praga que se alastra por qualquer plantação. Eu nunca deixei que se alastrasse pela minha, porque aprendi que é errado julgar os outros. Aprendi isso com meus dois pais. 
    E, naquele dia, 15 de outubro, eu olhava para a foto que tirei pouco depois de chegar aqui, com um sapato de salto que achei no fundo do armário dos meus pais. Eles não os usavam, mas tinham uma paixão louca por sapatos de salto. E, excentricidades a parte, eu pedi para experimentar. Meu pai - o Ruffus, não o Coddy - tirou uma foto e a guardou. Ele me disse:
    - Um dia esse sapato vai servir em você. E quando isso acontecer, você vai olhar para essa foto e rir do tempo em que seus pés mal entravam nesse salto. 
    Depois disso, ele me abraçou. 
    Foi ali que soube que meu pai me amava de verdade. Sem regras, sem exceções. Eu pude descobrir que o amor existe, que nem todos os pais matariam minhas mães. Nem todos os pais matariam meus sentimentos sem o menor remorso. 
    Bem, talvez minha vida seja ridiculamente especial de uma forma que eu adoro. Ou talvez, não passe de um baita clichê. Seja como for, eu a amo como ela é. E nada, nada mais no mundo, pode tirar esse sentimento de mim.
    Porque, convenhamos, o clichê muitas vezes é bem melhor que o diferente. 

         "All of our memories so close to me
Just fade away..."
 
- My Happy ending - Avril Lavigne -


Notas da autora
Pauta para o Palavras Mil 
Foto do site 2Photo 
Outro link, aqui

14 de outubro de 2010

Don't Cry Tonight

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 2 ° Lugar - Bloínquês (Edição Visual) 

    Tudo girava em cores brilhantes. 
    Verde, vermelho, rosa, azul, amarelo. Talvez roxo, eu não sabia bem. Estava difícil distinguir em meio à nuvem de êxtase momentâneo. Quanto mais aquilo duraria? Drogada! , ouvi uma vozinha berrar na minha cabeça. Percebe a merda que você fez?
     Suspirei, balançando a cabeça. Era só o que me faltava. Ouvir vozes. 
     Meus olhos continuavam fechados, ardiam demais para abrir. Esfreguei as mãos no rosto, em uma última tentativa de despertar. Sinceramente, quando me piquei, não imaginei que me sentiria esse lixo depois. Viu, idiota?, a vozinha repetiu. 
     - Garota? - uma voz rouca me chamou. - Acordou?
     - É Nikki. - rosnei - E sim. Acho que sim. 
     A voz rouca riu. 
     A porta rangeu e alguém entrou. Pisquei, tentando ver. Um homem, de uns vinte, vinte e um anos, me encarava. Senti um vento frio no meu corpo, desde a perna até o ombro. Depois, a água. Eu realmente estava debaixo d'água? 
     Que tipo de piada era essa? 
     - Quer uma toalha, Nikki? - ele perguntou. 
     - Sim... - murmurei, envergonhada. Eu estava nua e chapada na banheira de um estranho. Realmente não era meu melhor dia. - Obrigada. 
     Enrolei-me na toalha. 
     Foi então que dei por falta de algo. Cadê minhas sandálias?
     - Peraí... All Star? 
     - Você só tem dezesseis anos. Aquele sapato grotesco não combinava com você. 
     Bufei, saindo do banheiro. Tudo bem, eu sei que meu estado era deplorável, que eu estava me vendendo fácil e que eu era viciada. Já tinha aceitado isso. Mas quem era ele para me julgar? Ele não sabia nada de mim. Não sabia por que eu trabalhava nas ruas, não sabia por que me submetia a isso. Não sabia nada! 
     - Não venha me julgar... - qual era o nome dele mesmo?
     - Richard. - respondeu, lendo meus pensamentos. 
     - Isso. - mordi o lábio - E quem é você mesmo?
     - Sou seu príncipe encantado. - debochou.
     - Como se já não tivesse ouvido essa antes!
     Ele me ignorou.
     - Te encontrei chapada na rua, sozinha. - hesitou - Escuta, eu conheço seu trabalho, sei como é difícil se vender por qualquer trocado. Sei como é duro viver nas ruas, à mercê de qualquer cafetão. Sei de tudo isso. Mas, por que você se drogou?
     - A verdade dói menos quando se está fora da realidade. 
     Ele não respondeu. 
     O apartamento parecia vazio, então não me importei de ser vista. Além disso, acho que já estava acostumada à exposição, afinal, era prostituta. Ele me guiou até o quarto e me emprestou um blusão e um par de meias.
     Ser tratada com tanto carinho era estranho para mim.
     - Quer ver televisão? - perguntou, deitando na cama. 
     - Seria bom. - sorri, me deitando ao lado dele. 
     A proximidade o deixou desconfortável. 
     - Desculpe. 
     - Deixa para lá. - respondi. 
     Não sei quanto tempo fiquei acordada. Sei que lá pelas tantas meus olhos começaram a arder novamente e, enquanto Richard enrolava meus cabelos em seus dedos, eu caí no sono. Um sono sem pesadelos. 
     E, pelo menos por uma noite, eu pude ser feliz.

"Do you rather like to feel what is my life
If you 're really going to listen,

Baby, at my fantasy..."
- Don't Cry Tonight - Savage -




Notas da autora
Eu li o livro DESAPARECIDO PARA SEMPRE, do Harlan Coben e nele, cita-se uma organização chamada Covenant House, que tira crianças e adolescentes da rua por um periodo de tempo e lhes dá alimento, amor e paz. Só de saber que essa organização existe, me sinto melhor. Escrevi essa história com uma vontade enorme de ajudar essas pessoas também. Espero que gostem do que tenho a dizer
(Site da organização, aqui)
:) 

13 de outubro de 2010

Send It On - Parte IV

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    Toda essa confusão de Ian e Jared me deixara com fome. 
    Desci as escadas e fui para a cozinha, imaginando que tipo de lanche rápido (e tremendamente estranho) eu faria. Achei o ketchup, a mostarda, duas fatias de pão, queijo, presunto e refrigerante. Improvisei um sanduiche e voltei para o computador. Estava na hora de encarar meus fantasmas do passado. 
     Entrei na Internet, no site do nosso antigo colégio. Digitei "Jared Flirts". Três links apareceram, mas só um deles continha a foto dele, do meu Jared. Cliquei, a ansiedade consumindo meus nervos. Eles já estavam em frangalhos quando a página finalmente carregou. 
     E então, eu sorri.
     Jared Flirts, aluno do terceiro ano do ensino médio que mantém notas excelentes (meu nerdezinho), ganhou nessa última sexta-feira, o prêmio de melhor projeto de ciências. Com seu protótipo de máquina do tempo - ideia gasta, mas bem desenvolvida por ele -, Jared conquistou a fita do primeiro lugar com êxito. O protótipo está em exposição na sala de Ciência e Cultura do colégio.
     Dei mais uma olhada e fechei a página.
     Meu celular tocou. Suspirei e o pus no ouvido, agradecendo por não ser Ian. Ainda não estava pronta para falar com ele. Para explicar tudo. Eu o amava, mas não conseguia compreendê-lo naquele momento. Para que tanta raiva do próprio primo? Ou seria ciúme. 
     O Telefone, Yasmin.
     - Alô - sussurrei, nervosa. - Jared?
     - Oi, Yasmin... - sua voz estava embargada. 
     - Você está chorando? 
     - Não. - negou - Quer dizer, sim. Mas... não é nada. 
     - Por que você me ligou? 
     - Porque eu... eu ainda te amo, minha boneca. 
     Um prazer secreto me invadiu. Busquei todo meu ar e devolvi:
     - Eu também, Jared. 
     E desliguei.

12 de outubro de 2010

À minha pequena

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Itália, 12 de setembro de 1989
  
Minha pequena sereia, 

    Não sei ainda com que coragem comecei essa carta. Sim, eu sei como essa frase soa clichê, piegas ou como queira chamar, mas nada se encaixa melhor do que ela. Eu me sinto vazio, minha pequena. Vazio, sozinho e preso - como um peixe em um aquário. A verdade é que me sinto preso há um certo tempo. Sinto-me preso a você, à sua doçura, ao seu olhar, à sua voz. E isso está me matando, Ariel. 
    Lenta e gradualmente. 
    Agora, aqui na Itália, é noite. Uma noite fria e sem estrelas. Às vezes me perguntava como sobrevivia a noites assim, negras e gélidas. Hoje, eu sei bem a resposta: eu sobrevivia por sua causa. Porque eu sabia que quando voltasse ao mar, quando sorrisse, você sorriria de volta para mim. 
    Mas a distância com o tempo matou isso.
    Há dois anos - marquei todos os dias nos meus intermináveis calendários - que não a vejo. Dois terríveis e longos anos. Você foi para o Pacífico, eu vim para cá e assim ficamos. Não posso ir aí, você não pode vir aqui. Empacamos.
    Hoje, a noite é cor de breu. Mas ela não está mais escura que minha alma. E, eu descobri uma coisa nesses últimos anos. Sabe o quê, amor? Descobri que sou dependente. Eu preciso de você como preciso do ar para respirar. E nem a maior distância matará isso. 
    Ela terá que me matar primeiro. 
    Mas, Ariel, tudo vai mal para mim. Porque a escuridão da minha alma se tornou maior que a da noite e depois disso, a minha tendência só é piorar. Então... volta logo. Vem me ver.
    Por favor?

Uma promessa de amor eterno, 
Eric.



Dedicado à minha amiga:)
(ele te ama sim, calma. kkkk') 

9 de outubro de 2010

Sentimentos que nunca morrem - Parte 3 (e última)

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Partes I e II

    A madrugada chegou mais cedo do que todos queriam. 
    Adolfo foi o primeiro a protestar, batendo a caneca na mesa e rindo. Ele tinha bebido além da conta, assim como meu pai, minha tia e minha avó. Sim, dona Henrietta estava mais do que chapada. Pelas minhas contas, somando tudo, tinham tomado por volta de quinze latas de cerveja cada um. O quintal inteiro cheirava a cigarro e bebida.
     Meu Deus, que loucura era aquela?
     Olhei para Etan. Meu primo mordia os lábios, o rosto alternando entre o pálido e o rubro. Etan nunca foi de expressar emoções, sempre engolia os próprios sentimentos e os revelava para alguém de confiança. Em geral, esse alguém era eu. Crescemos juntos, rindo das mesmas piadas, zoando as mesmas pessoas, dividindo os amigos. 
     E agora, compartilhando da mesma vergonha.
     - Acho que já chega para vocês. - me intrometi, como um último gesto de desespero. - Já está na hora de parar, tá? 
     - Deixa de ser chata! - berrou meu pai, enrolando a língua. 
     - A gente tá bem, querida. - concordou minha tia. 
     Suspirei, tirando as latinhas vazias da mesa. Joguei-as no latão e voltei a me sentar na escada. 
     Quando vovó resolveu sair, não imaginei que fosse com um cara que curte "altas festas". Isso estava enjoado até para mim que sou adolescente. Eu sabia que dali até o fim da noite as conversas só envolveriam "O idiota", "O rídiculo", "A cretina" e "Mais cerveja". Era assim todas as vezes que meu pai e minha tia estavam no meio. Os dois pombinhos não fariam diferença alguma, até porque eles pareciam estar adorando. 
      Eu poderia continuar citando os micos, mas prefiro ir a parte que interessa. 
      Por volta das quatro da madrugada, os quatro se separaram. Minha tia foi discutir futebol com meu pai e minha vó e Adolfo foram caminhar para aliviar a sensação adiantada de ressaca. Eu os segui, ajudado por Etan - meu amigo para as confusões. E foi então que eu vi... 
      Dona Henrietta sorria, os olhos brilhando de animação. Adolfo puxou-a pela cintura e ergueu seu corpo na altura do próprio rosto. A iniciativa de aproxima os lábios partiu dela. Em pouco, já estavam se agarrando como dois adolescentes loucos. Não de forma vulgar, claro. De uma forma simples, bonita e verdadeira. A felicidade infantil unida à maturidade adulta.   
      - Não acredito, vovó... - disse Etan, arregalando os olhos. E se virando para mim: - Você sabia disso?
      - Arrã. 
      - Nem pra me contar, né, prima?
      - Ah, você sabe... 
      - É. Eu devia ter percebido antes que vovó estava apaixonada. - sorriu - Ela andava felizinha demais. 
      - É, Etan. - suspirei - Assim se tira uma lição de tudo isso...
      - Qual é?
      - Não importa o quanto tentem matá-lo...
      E, sorrindo para minha avó, completei:
      - O amor nunca morre. 

 FIM 

6 de outubro de 2010

Send It On - Parte III

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   Se tem uma verdade, é a de que o mundo dá voltas. 
   E nelas, a gente sempre se encontra de novo. 
   Respirei fundo, encontrando voz para responder. Do outro lado da linha, um suspiro impaciente me deixava ainda mais nervosa. E eu ainda precisava encontrar uma resposta. Pensa, Yasmin, pensa...
   - Oi, Jared...
   - Yasmin?! - gritou, incrédulo - Meu Deus, quanto tempo! 
   - Pois é. - minha pele pegava fogo. - Er... será que a gente pode conversar um pouco? 
   - Claro. 
   - Prometo não demorar. 
   Expliquei a ele tudo de trás para frente, com as letras de cabeça para baixo. E, ao contrário do que eu esperava, ele não me repreendeu. Tudo o que fez foi dizer que entendia e que faria tudo o que pudesse para ajudar. Por último, me perguntou quem me dera seu telefone. Quando disse o nome de Ian, ele gemeu, bufou e disse que precisava desligar. 
    E desligou. 
    Senhor do céu, como eu tinha me metido nessa? 
    Há mais ou menos seis anos, eu e Jared estudamos juntos. Éramos melhores amigos, contávamos um com o outro para tudo. Isso até eu perceber que Jared não era meu melhor amigo. Quer dizer, era, mas não queria ser. Foi então que eu descobri que uma grande amizade pode virar um grande amor, mas um amor nunca volta a ser simplesmente amizade.
    Cortamos contado logo depois que disse que não estava mais apaixonada por ele. 
    E agora, Ian... 
    Como os dois se conheciam?
    Eu precisava de respostas, e muitas. E só quem podia dá-las era Ian. Corri para casa, rezando para chegar a meu quarto. Era sábado, duas e meia da tarde. Isso queria dizer que ele estava no msn, me esperando. 
    Abri as portas sem enxergar as maçanetas e me joguei na cadeira, ligando o estabilizador. Assim que a tela ficou azul, abri o msn e digitei senha e usuário. Tamborilei os dedos na mesa enquanto os contatos apareciam. 
     A janela de Ian logo piscou:
     "E aí, como foi?" - ele perguntou
     "Ainda não sei direito"
     "Como assim?"
     "De onde você conhece o Jared, Ian?" 
     "Do Espírito Santo, por quê?"
     "Há quanto tempo conhece ele?"
     "Muito, muito tempo"
     "O que ele é seu?"
     "Primo. Por quê?" 
     "Sinto que temos muitos problemas pela frente, porque..." - parei os dedos no ar, hesitando - "Porque nós namoramos" 
      Não houveram respostas. 
      Eu o tinha perdido de vez.



Notas da autora 
Gente, eu viajei de vez. Se a história tinha algum sentido até agora, o perdeu totalmente. KKKK'. Mas tenham paciência comigo, ando meio estranha esses dias. Sabe? Bloqueada, cansada, irritada. Coisas de aborrecente (né, mãe?) 
E desculpem o tamanho do post, mas a conversa do msn torna tudo muuuuuito maior ;)