12 de outubro de 2010

À minha pequena


Itália, 12 de setembro de 1989
  
Minha pequena sereia, 

    Não sei ainda com que coragem comecei essa carta. Sim, eu sei como essa frase soa clichê, piegas ou como queira chamar, mas nada se encaixa melhor do que ela. Eu me sinto vazio, minha pequena. Vazio, sozinho e preso - como um peixe em um aquário. A verdade é que me sinto preso há um certo tempo. Sinto-me preso a você, à sua doçura, ao seu olhar, à sua voz. E isso está me matando, Ariel. 
    Lenta e gradualmente. 
    Agora, aqui na Itália, é noite. Uma noite fria e sem estrelas. Às vezes me perguntava como sobrevivia a noites assim, negras e gélidas. Hoje, eu sei bem a resposta: eu sobrevivia por sua causa. Porque eu sabia que quando voltasse ao mar, quando sorrisse, você sorriria de volta para mim. 
    Mas a distância com o tempo matou isso.
    Há dois anos - marquei todos os dias nos meus intermináveis calendários - que não a vejo. Dois terríveis e longos anos. Você foi para o Pacífico, eu vim para cá e assim ficamos. Não posso ir aí, você não pode vir aqui. Empacamos.
    Hoje, a noite é cor de breu. Mas ela não está mais escura que minha alma. E, eu descobri uma coisa nesses últimos anos. Sabe o quê, amor? Descobri que sou dependente. Eu preciso de você como preciso do ar para respirar. E nem a maior distância matará isso. 
    Ela terá que me matar primeiro. 
    Mas, Ariel, tudo vai mal para mim. Porque a escuridão da minha alma se tornou maior que a da noite e depois disso, a minha tendência só é piorar. Então... volta logo. Vem me ver.
    Por favor?

Uma promessa de amor eterno, 
Eric.



Dedicado à minha amiga:)
(ele te ama sim, calma. kkkk') 

Um comentário:

Christine Wengrzynek disse...

Muito legal o texto, todo cheio de sentimentos... Interessante, uma carta diferente eu diria ^^


http://cgw-sonhoperdido.blogspot.com/