5 de outubro de 2010

Who's that girl?

     Não que ninguém em entendesse.
     Pelo contrário, muita gente me entendia. Meus próprios pais eram compreensivos, mais até que a maioria dos adultos. Meus amigos, um poço de atenção. E eu mesma conseguia me decifrar e me sentir bem com o que era. 
     Mas ninguém me via como ele. 
     Tudo que viam em mim era um garota de quinze anos loira e de olhos azuis. Nada que um espelho não pudesse me dizer. Só que não era isso que ele via. Ele via através da imagem superficial. Conseguia enxergar meus defeitos sem criticá-los e julgar minhas atitudes com um simples olhar. 
     No reflexo que ele enxergava, eu era a garota da risada estranha, dos olhos arregalados e da personalidade instável. Era a idiota que sempre tinha uma opinião a dar, por mais que ela fosse desnecessária. Tinha mania de colocar a franja nos olhos só para tirá-la depois. 
     Eu era a garota dele.
     Então, quem é essa que eu vejo agora? 
     Ela não sou eu. Não tem o mesmo olhar, a mesma personalidade, nem é pernóstica. Não fala, não come direito e não sorri. Não se dá ao trabalho nem de fingir ser feliz. Ela só existe, não vive. 
     Por que ela é assim? 
     Eu queria que ele estivesse aqui para me responder, porque eu já não sei mais a resposta. Mas ele não está. Ele se cansou de fazer de mim uma coisa que eu insistia em não ser, só por teimosia. E o amor dele sumiu, evaporou, foi vencido pelo cansaço.
     Levanto o espelho, olhando mais uma vez a imagem que aparece no vidro. 
     Uma inutil fotografia da superficie. Fútil, direta, clara, dura. Verdadeira. 
     - Ally! - ouço alguém me chamar. 
     - Já vou. - respondo - Um minuto
     Largo o espelho no chão, feliz. 
     Estou livre de mim mesma de novo.
"Who's that girl?
Where's she from?
No, she can't be the one
That you want
That has stolen my world"
- Hilary Duff - Who's that girl?-




Notas da autora
- Pauta para o Palavras Mil
- Foto do We♥It
- Outro link aqui
Andei pensando sobre algumas coisa que aconteceram comigo nesses últimos meses. Acho que esse texto resume bem alguns dos sentimentos, apesar de na verdade eles não serem tão amargos. 
     E fico feliz de dizer que a pessoa que me vê assim não me magoou.

4 comentários:

Italo Stauffenberg disse...

bom texto.

aiaiai, é um relato de sua vida, isso ae?

^^

Sorte com sua pauta!

Irene Moreira disse...

Leeti
Muito bom mesmo. Adorei sua história e como levou o texto.
Boa sorte!

Beijos

DILERMArtins disse...

Mas bah, guria.
Muito bom mesmo; aos quinze realmente temos mais perguntas do que respostas...Mas, com o tempo, isso muda...
Parabéns pelo texto e boa sorte na sua participação.

Guilherme Augusto Codignolle Souza disse...

Muito sentimento no que escreves. Prende a gnt na leitura. Cheguei aqui pela indicação no Mil Palavras. Gostei e vou ficar. Conquistaste um seguidor. ^^

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