16 de outubro de 2010

Send It On - Parte V

    Eu precisava de um tempo sozinha. 
    Arranquei meu telefone da parede, saí do computador e me joguei na cama. Ainda tinha que pesar o quão fundo eu tinha ido na minha própria idiotice. Você tem um namorado, Yasmin, minha consciência me lembrou. E quem se importa com ele? , meu irracional rebateu, incisivo, Ele é virtual, isso não vale nada!, completou.
    As duas vozes começaram a se misturar. Uma berrava Jared, a outra Ian e no fim, eu não ouvia nenhuma das duas. Ou talvez não quisesse ouvir, tanto fazia. Só sei que tinha que dar um jeito nisso, nem que tivesse de magoar um deles ou os dois. 
    Religuei as tomadas e peguei o fone. Discar os números foi mais complicado, eu não sabia para quem ligava primeiro. Essa história de dúvida já estava cansativa. Fechei os olhos e disquei sem ver, rezando para ter feito a escolha certa. 
    Ian atendeu ao segundo toque. 
     - Alô? 
     - Oi, Ian... - sussurrei, suando frio - Podemos conversar? 
     - Não é uma boa hora... 
    Ouvi estalos, depois um chiado e então... nada. Ele não tinha desligado, mas a linha estava vazia. 
    Um minuto depois, ele voltou a falar: 
    - Vamos terminar aqui.
    - Por quê, você tem que desligar?
    - Não estou falando da ligação. Estou falando da gente. E disso que a gente chama de namoro. Tchau.
    E de repente, não havia mais ninguém do outro lado. 
    Desliguei também, mal acreditando no que acabar de ouvir. Como meu (ex) namorado podia fazer isso sem dar ao mínimo uma explicação? Mordi meus lábios, praguejando-o. Fiquei imaginando a cara com que ele me disse isso. A cara de pau. Sem vergonha.
    Mas vendo por outro lado, eu estava solteira agora. O que significava que eu era toda do Jared. E isso era... perfeito? Senti meus olhos brilharem de excitação enquanto eu arrancava novamente o telefone do gancho. 
    Como a vida dá voltas. Impressionante.  
    Quando eu ia discar o último número, a campainha tocou. Corri para atender, imaginando quem era. Meu pai não voltaria aquela noite, minha madrasta tinha ido a um SPA, meu irmão estava na casa de um amigo. Meu Deus, será que tinha acontecido alguma coisa com ele? Não... eles teriam telefonado e não batido campainha.
    Parei de cogitar e fui logo atender. 
    Mal abri a porta, alguém me agarrou com força pela cintura e pregou a boca na minha, enchendo meu rosto com um hálito de menta. E, depois de me agarrar, ele murmurou:
    - Oi. 
    E com mais um beijo, completou:
    - Vim te ver.


               Dedicado à minha amiga Thaís, que me deu idéias :)

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