17 de outubro de 2010

Send It On - Parte VI


    Era difícil acreditar que ele estava ali de novo.
    Depois de dois anos, meu Jared estava de novo perto de mim, me beijando como fazia antes de terminarmos. Antes de eu magoá-lo. Entrei na cozinha e procurei a coca-cola. Onde meus pais a tinham colocado? 
    - Droga, tudo some quando eu to procurando. 
    Senti dois braços me envolverem pela cintura. 
    - Eu acabei de aparecer. 
    Me virei para ele, agarrando seu pescoço e puxando seu rosto para o meu. 
    - Me desculpe por mentir, Jared... - engasguei com as lágrimas. - Eu... eu não sei por que fiz aquilo. 
    - Eu sei. 
    Como?
    - Porque eu disse que podia estar gostando de outra. 
    Disso eu não me lembrava.
    - E estava?
    - Não... porque eu sempre gostei de você, minha boneca. Só de você. Para sempre. 
    - Para sempre, sempre. - repeti, sentindo o gosto das palavras na minha boca. 
    Fui interrompida por seus lábios ávidos contornando meu pescoço e meu queixo. Agarrei seu pescoço mais forte, espremendo seu corpo de encontro ao meu. Caramba, que saudade desse cheiro de colônia, desses cabelos cacheados, desse sorriso malicioso que sempre me irritava. Desses lábios carnudos e rosados. 
     Nossa... eu estava realmente louca. Minha mãe tinha toda razão.
     - Diga? - pediu ele, docemente. 
     Hesitei.
     Quando eu e Jared éramos pequenos, inventamos uma promessa de amor que a maioria consideraria ridícula, mas que por um motivo desconhecido por mim, se tornou a coisa mais especial para ele. Eu não tinha que perguntar o que devia dizer, só tinha que ecoar as palavras que usara anos atrás. 
     - Mesmo que me arranquem os biscoitos, que me tirem os brinquedos, eu nunca vou esquecer você. Porque mais que os carrinhos e as bonecas, mais que o chocolate, você é um pedacinho de mim. E de todas as lembranças que eu vou guardar, é a única que vou cuidar todos os dias para não esquecer. 
     Pigarreei.
     - Funcionou - falei - Eu nunca esqueci mesmo.
     - Eu também não.
     Ficamos em silêncio, apenas abraçando um ao outro. 
     Um momento tão intimo, que me senti envergonhada quando minha empregada chegou em casa e nos pegou assim, parados no meio da cozinha, agarrados um ao outro. Ela não disse nada, só saiu dali e começou seus serviços diários. Mas percebi que ela evitava a cozinha ao máximo. 
      Rimos.
      - E agora, o que vamos fazer? 
      - Não sei. - admiti. - Que tal, sei lá... Tomar um sorvete? 
      - Hmm... - beijou meu rosto - delícia. 
      Ri do duplo sentido. 
      - Você continua idiota, né, Jared? 
      - Minha especialidade. 
      Saímos para a rua, deixando várias preocupações para trás. 
      Já pela metade do caminho, senti meu celular vibrar no bolso. O número de Ian piscava na tela. Fiz um sinal para Jared esperar e atendi. Uma voz trôpega murmurou:
      - Alô, Yasmin?
      Meus Deus, ele estava bêbado!
      - Eu preciso de você. 
      - Onde você está, Ian?
      - No alto de um prédio. 
      E, com um soluço, completou:
      - Eu vou me matar.

                                      
Dedicado à Marianna, minha priminha do coração ♥

Um comentário:

Caroline Rodrigues disse...

Coitada dela!E agora o que irá fazer!?
Perdida entre o que ser e o que gostaria de ser!
;D
gosteei!