17 de outubro de 2010

Send It On - Parte VII


Minha cor voltou aos poucos, quando os berros de mais umas pessoas ecoaram atrás dele. 
    - Você não está sozinho. - falei, aliviada. 
    - Não, não estou mesmo. Mas se você não vier me ver, eu juro que me mato. Está me ouvindo, Yasmin? 
    - Sim. 
    - Ótimo. - disse com a voz áspera - Eu sei que suas passagens são para hoje. Então, apareça aqui. Ou... Bem, não preciso repetir, né?
    E, fazendo um barulho de queda, ele desligou o celular. 
    - Quem era? - perguntou Jared, assim que desliguei. 
    - Ian. Ele disse que vai se matar se eu não for para o Rio ainda hoje. 
    - Engraçado, as pessoas normalmente fazem ameaças de morte, não de suicídio. 
    Jared riu.
    - Isso não devia ter graça, Jared.
    - Qual é, Yasmin? O Ian nunca se mataria! É egoísta demais para isso. 
    - Como pode ter tanta certeza? 
    - Acredite, eu sei. 
    Deixei passar. 
    - E agora, o que fazemos?
    - Vamos para o Rio. - ele deu de ombros. - Não é o que o bebê chorão quer? 
    - Para de zoar. 
    Demos meia volta e caminhamos de volta para casa, esgotados. Até onde meu ex-namorado aparentemente psicótico poderia ir? Parece que eu ia descobrir aos poucos, começando pela ameaçada de suicídio. 
    Quantos andares ele pretendia subir antes de se jogar? 
    - Estou com medo, Jared... 
    - Não precisa. - me abraçou - Eu estou contigo nessa.
    Não respondi, apenas aproveitei o gosto daquelas palavras enquanto elas sumiam no vácuo. 
    Assim que entramos pela porta da cozinha, um novo ar surgiu. Era denso, dolorido, pesado. Na sala, estavam meu pai, minha mãe, minha madrasta e meu irmão. Todos calados, com semblante preocupado.
    Foi só ficarmos à vista que todos os olhares se voltaram para nós. 
    - O que...? - comecei a perguntar.
    Então, olhei para o telefone no centro da mesinha e senti meu chão tremer e girar várias vezes. Precisei que Jared me segurasse para não desabar. Ian tinha ligado para eles também. Agora sim eu estava ferrada. 
     Montei o acontecido: Ian ligou para a empregada, que se desesperou e ligou para o escritório de meu pai, que ligou para minha madrasta, que aquela hora devia estar buscando meu irmão. Ela o trouxe para casa e esperou meu pai. Quando ele chegou, ligou para minha mãe, que veio me esperar também. E agora, eu estava sendo fulminada por olhares apavorantes.
     Eram ques demais para mim. 
     - E o que fazemos agora? - ecoei minha pergunta. 
     - Vocês vão para o Rio. - ordenou meu pai. - Temos que salvar esse maluco. 
     - Vão indo, - disse minha mãe - providenciamos a autorização no caminho.
     Os outros deram de ombros. 
     - Sorte, Ya... - disse meu irmão, com o dedo na boca. 
     Assenti, ainda sem fala. 
     O celular tocou de novo. Puxei-o do bolso, murmurando um alô quase mudo. Previa o inferno pela frente. Uma voz aflita murmurou:
     - Oi, Yasmin. - era o pai do Ian - O Ian saiu daqui descontrolado. Sabem para onde ele pode ter ido?
     Desliguei sem responder.
     Tínhamos menos tempo do que eu imaginava.

Nenhum comentário: