22 de outubro de 2010

Something Inside Me


2° lugar - Bloínquês (Edição Visual)

    De uma forma ou de outra, eu precisava esclarecer as coisas.
    Peguei as chaves do carro e bati a porta, caminhando cautelosa até o lugar combinado. A entrada da campina era escondida, mas de muito fácil acesso para quem já conhecia bem o lugar. E Jack e eu conhecíamos como ninguém. Ele mais do que eu, o que lhe dava vantagem.
    E me deixava na defensiva mais uma vez.
    Parei depois de dez passos e respirei fundo. O que exatamente eu esperava que acontecesse? Sim, eu queria um milagre. Queria que tudo voltasse no tempo e fosse diferente. Não devia tê-lo conhecido, muito menos ido tão longe com ele.
    Engravidado.
    - Oi, Carmem - sua voz sussurrou.
    - Oi. - respondi, fria e distante - Será que pode aparecer?
    - Com prazer, amor.
    Um vulto atravessou a campina e parou à minha frente, fazendo todo meu corpo tremer. Um sorriso malévolo e sedutor atravessou seus lábios, e com o olhar fixo em mim, ele perguntou:
    - Queria me ver?
    - Sim, muito.
    - Hmm... bom ouvir isso. - dedilhou meus lábios trêmulos - Estava com saudade da minha gatinha.
    - Cala a boca, Jack. Temos que conversar.
    - Sobre o o quê? Sua gravidez?
    - Vo-você sabe?
    - Tenha dó, Carmem. - bufou - Nós fizemos sexo. Isso era previsível.
    - E o que fazemos agora?
    - Fazemos? - repetiu incrédulo - Carmem, acorda! Eu sou um fugitivo da lei! Acha que posso assumir filhinhos?!
    - Mas eu... eu não!
    - Você não é burra, meu amor. Eu sei que não é. Então não finja que não entende...
    Respirei fundo mais uma vez, digerindo as informações. Um nó esmagava meu cérebro, impedindo raciocínios lógicos como aquele que ele acabara de me impor. É óbvio que ele não assumiria nada. Mal podia usar o próprio nome!
    - Idiota! - me xinguei como conclusão.
    - Escuta, - pediu, amolecendo o tom de voz - eu te amo, Carmen. Como nunca amei ninguém na vida. Mas agora, estou numa situação ruim. Eu matei um homem. Devia estar na cadeia a essa hora.
    - Não quer ficar comigo?
    Ele não respondeu de imediato.
    Reprimi as lágrimas que lutavam com toda força para sair e esperei. Uma hora ele tinha que falar.
    - Não é isso, amor. - respondeu por fim - É só que você me encontrou na hora errada, entende?
    Assenti.
    - Eu quero de verdade ser um homem bom. - suspirou - Mas eu não sou. E já fui longe demais para voltar agora.
    - Certo... - engoli em seco - Compreendo. E o que eu faço agora?
   Ele ficou em silêncio.
   De repente, começou a chorar. Soluços irrompiam por seu corpo, chacoalhando-o em meus braços. Nunca o tinha visto chorar daquele jeito, tão impotente, inútil. Ele agarrou meu rosto e pressionou febrilmente seus lábios contra os meus, absorvendo tudo o que podia do meu beijo.
    E então, algo frio espetou minha barriga. Uma arma.
    - O que está fazendo?
    - Eu não posso ser pai, - respondeu, retornando ao tom duro - não assim, não agora.
    - Não faça isso. Por favor?
    Mas ele não me ouviu.
    Ouvi um clac e depois um único tiro. Uma dor dilacerante atingiu minha barriga, me derrubando no chão. Jack sorriu e se agachou, beijando minha testa.
    - Durma bem, amor.
    Seu vulto retornou pela campina, sumindo na noite negra e fria. Meu corpo inerte continuou ali, estirado, sozinho. Eu me sentia triste, magoada .
    E agora, tinha certeza de que por dentro, eu estava vazia.



Notas da autora
Quando vi essa imagem, pensei: "Preciso escrever sobre ela, nem que o texto saia um lixo" e bem, ele deu nisso. Se saiu um lixo ou não, eu não sei, só sei que pelo menos eu escrevi. E então, vocês gostaram?
Beeijoos ♥

2 comentários:

disse...

Muito bom!
Criativa hein...
Não sei se é uma historia veridica ou não mas esta muito bem reproduzida!
Também estou participando da edição visual dessa semana.
Boa sorte pra você!

Até mais!

Camila disse...

PERFEITO! apesar do fim ser triste.
Mereceu ganhar segundo lugar *-*

http://blogcamilaq.blogspot.com/