17 de dezembro de 2010

My first kiss

- Quanto tempo, Mack. 
     Nathanny falou, entrando na cozinha. Enrolava a ponta do cabelo nos dedos, mordendo os lábios. Era um tarde fria de novembro. Nevava. Preparei um chocolate quente para nós dois, na tentativa de diminuir a tensão e o constrangimento que nos invadiam. Mas era impossível. Nathanny ainda me olhava estranho, meio torto. 
     Baixei os olhos, corando.
    - Agora você cozinha? - ela perguntou com sarcasmo. 
    - Sempre cozinhei. 
    - Ah. 
    Silêncio. 
    - Nath, o que aconteceu para que acabássemos assim? Quer dizer, éramos amigos antes. Por que não somos mais, hein? 
    - Ah, Mack. - deixou meu nome escorregar por sua língua, como se quisesse sentir seu gosto. - Você é mesmo um idiota! Como pôde esquecer? - riu, divertindo-se - Anos atrás, naquele píer. Nosso primeiro beijo, lembra-se? Foi a experiência mais esquisita da minha vida! Mordemos a língua um do outro, babamos. Éramos tão pequenos! Mal sabíamos o que fazer...
    Lembrei-me do que ela falava. Realmente foi uma experiência estranha - e completamente maravilhosa, eu diria. 
    Trouxe o beijo à memória. Estávamos os dois sentados no píer, comendo o chocolate que restara da Páscoa. Ano de 1983. Ríamos da cara lambuzada um do outro. Então falei a ela que tinha visto um filme em que os protagonistas comiam a boca um do outro. E o mais estranho é que eram felizes por isso. Nathanny apontou para mim e berrou:
    - Rá rá, Mack não sabe o que é um beijo!
    Fiquei vermelho, morto de raiva. Nath ria, olhando para mim. Era a menina mais bonita que já tinha visto. Tinha cachos castanhos que lhe cobriam o rosto e olhos gigantes que davam um ar de boneca a ela. Fazia muito sucesso entre os meninos. Mas era minha amiga, e isso ninguém podia tirar de mim. 
    Subitamente me acalmei, pensando que independentemente de quantas besteiras eu falasse ela continuaria ali, ao meu lado. Sorrindo com seus lábios de meia lua e seus olhos imensos. Corei, envergonhado. Não devia estar pensando isso, Mack, repreendia-me, irritado. Sorri, achando graça e falei a ela:
    - Eu te amo, Nathanny. Quer casar comigo?
    Para minha surpresa, ela respondeu:
    - Sim, eu quero, Mackenzie
    Depois disso nos beijamos. E, mesmo que tenhamos nos mordido e babado, ambos rimos e lembramos aquele beijo por muito tempo. Até que eu comecei a namorar. Mas naquele momento do beijo, Nathanny estava tão feliz, parecia quase... apaixonada. 
    Ah, não. 
    - Desculpe-me, Nath... - sussurrei, envergonhado. - Não cumpri minha promessa, não foi?
    - Esperei por anos pelo garoto do primeiro beijo. E onde estava você, Mack? Onde?
    - Estava aqui, pensando em você. No nosso primeiro beijo. No único beijo. 
    - Você disse que me amava, Mackenzie. Por que mentiu?
    - Não menti. Eu te amava. Eu te amo, Nathanny. Sempre vou te amar, entende isso?
    Ela esfregou os olhos, incrédula. 
    - Desculpe, como?
    - Isso mesmo. E, a propósito - pigarreei -, Nath, quer casar comigo?
    Nathanny sorriu, caminhando em minha direção. E depois dos seus lábios nos meus, não tenho muitas lembranças. A não ser as daquela tarde, naquele píer, lambuzados de chocolate...

"Like a little school mate
In the school yard
We'll play jacks and uno cards
I'll be your best friend
And you'll be my valentine
Yes, you can hold my hand
If you want to"
- Big Girls Don't Cry - Fergie -


Pauta para a 12ª semana do projeto Entrelinhas, parte da gincana de fim de ano. Espero que curtam

3 comentários:

Thais Cristina, disse...

[aaa] muito fofo *-* de verdade! rs
Amor de criança é tão bom, né? inocente...
Realmente linda a história.
Boa sorte na Gincana!
Beijos ;)

Italo Stauffenberg disse...

selo pra vc lá no blog!

Abraço.

Italo Stauffenberg disse...

pode ir!

'-'

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