31 de agosto de 2011

Lobo mau.

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Frank caminhava em silêncio pela escuridão. Não sabia de suas roupas, ou onde havia conseguido todas aquelas cicatrizes que atravessavam seu rosto. Estava frio àquela hora da madrugada e ele tremia. Muito. Mas não era só de frio que tremia - o medo lhe sacudia o corpo inteiro. Ele gemeu. 
      - Olá. - sussurrei-lhe, saindo de trás da árvore onde estava escondida. - Vim te ajudar. 
      Ele arregalou os olhos para mim. 
      - De onde você saiu? - perguntou com a voz rouca do susto. 
      - Não importa muito. Só precisa saber que eu conheço você e que posso lhe esclarecer muita coisa... se me deixar te ajudar. 
      Mordi os lábios, esperando ele absorver a ideia. 
      - Então...? - incitei-o. Ele sorriu fraquinho, arfando um pouco por causa da dor.
      - Obrigado. 
      Sorri de volta e tirei alguns panos, roupas e um cantil da bolsa. Limpei seus ferimentos e lhe entreguei a roupa para que se vestisse. Fazia menos de quinze graus àquela altura. Ele colocou a calça e  blusa com algum esforço, se sentou ao meu lado e pegou duas maçãs que estavam na minha cesta. 
      - Pode me explicar agora. - murmurou, mordendo uma das maçãs. - Porque, honestamente, estou perdido. 
      Eu sabia que não deveria contar nada a ele, principalmente sobre quem ele era. Mas Frank estava quase tão desesperado quanto a metade da população que ele andava infernizando. Era difícil não sentir pena daquela figura machucada e triste. E sem me controlar, acabei contando tudo o que sabia. 
      - Eu conheço você, Frank. Há mais tempo do que pode imaginar. Sou filha de um dos servos que trabalha para o seu pai. - hesitei por um instante, assistindo-o absorver o que lhe contava - Lembra-se há um ano atrás, quando chegou ao castelo um tal de Sr. Lorenzetti, que seu pai contratara para ensinar-lhe a caçar? - ele assentiu em silêncio, esperando eu continuar - Ele era um antigo praticante de magia negra, famoso da França por suas maldições. Papai já havia me alertado a permanecer distante do homem. Mas eu não podia imaginar que você seria a vítima dele. Logo você, o filho do senhor. Mas foi. Tão logo começaram seus treinamentos, o povo começou a falar de uma besta que atacava as pessoas à noite. Foi então que comecei a reparar que, em noites de Lua cheia, você saía à meia-noite e só retornava na manhã seguinte, todo machucado e confuso. No início achei que estivesse bebendo, mas logo percebi que não era bem assim. Comecei a conversar com as senhoras vizinhas minhas, e elas me disseram que, no último lugar em que Lorenzetti trabalhara, surgiu uma besta parecida, conhecida como lobisomem, um homem que em noites de Lua cheia se transforma em lobo e ataca as pessoas.
       Ele colocou a cabeça entre as mãos e chorou baixinho.
       - Ele me amaldiçoou - experimentou as palavras. - O que dizia a tal maldição?
       - "Um homem que mata um lobo na primeira noite do círculo cheio, terá dentro de si a alma do morto e viverá em eterno desespero"... ou desalento. Não sei bem. 
      - Ah. - murmurou. - As pessoas já sabem que eu sou a besta?
      Balancei a cabeça, negando, e ele me fitou por um instante . 
      - Mas um dia descobrirão. E então eu serei morto.
      Não respondi.
      - Eu te verei de novo, milady?
      - Sim. Da próxima vez que acordar sozinho e não se lembrar de onde esteve na noite anterior...
      Sorri e afaguei sua mão.
      - Mas da próxima vez, lembre-se de suas roupas.

"Não houve tempo em que o homem
Por sobre a Terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais."
(O Lobo, Pitty)

2° LUGAR - EDIÇÃO CONTO/HISTÓRIA, BLQ. 


Opaa, tô sumida, né não? Bem, mas vocês sumiram também, entãaaaaaaao. Saudade daqui tá enorme, geeeente. Mas, como eu venho dizendo há séculos e séculos, amém, minha escola tá muuuuuuito puxada, e eu simplesmente não to dando conta. Vou aparecer aqui sempre que der, mesmo que não seja muito. Beeeeijos, cats =** (detalhe: esse texto é MEEEEGA inspirado na Garota da Capa Vermelha e O Lobisomem, haha'. Espero que tenham gostado =**)
 

31 de julho de 2011

Macaco de imitação.

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ao som de Fuckin' Perfect, Pink 

Ele não é nada além de um pedaço de vidro dentro de uma moldura. Talvez esteja em um prego, ou escondido atrás de uma porta de armário. Talvez nunca tenha visto o mundo que há além da janela do banheiro. Mas ele não liga, se contenta em repetir os rostos que o olham, sem se importar com a realidade de cada um deles. É um simples macaco de repetição.

Mas você não pensa assim, não é mesmo?
 
Através dos seus olhos, ele é um monstro que mostra a você tudo o que se recusa a enxergar. Reflete o que há além da maquiagem. As olheiras pela noite que você deixou de dormir para estudar mais um pouco. O sorriso que minguou conforme a vida ia magoando o coração. Os dois quilos que os chocolates acumularam na barriga. E o brilho que lentamente desapareceu dos olhos.

Engraçado o que a tristeza e a falta de auto confiança fazem com a gente, né?

Mas não, garota, a solução não é quebrar todos os espelhos. Não é deixar de comer, deixar de amar, deixar de crer e de sonhar. Apagar de vez o sorriso. A verdade é que uma hora você terá de encarar a si mesma. Porque a sua vida também refletirá quem você é.

Simplesmente ignore. Ignore aquilo lá dentro que diz que está tudo errado; que você está errada. Não, você é perfeita do jeito que é - com os quilos a mais, as espinhas, os cravos, o cabelo ressecado, as olheiras... com tudo que faz parte do seu ser. Mudar por fora todo mundo pode. Na maioria das vezes até será indolor. Agora, as mudanças internas, minha querida, essas só você poderá fazer. E nem sempre serão fáceis. Mas sempre serão necessárias.

Quer queira, quer não queira. Cabe a você escolher de que lado estará quando elas acontecerem: do que você é ou do que parece ser quando se olha no espelho.

Sumi por um looooooooooooooooooongo tempo, né mesmo? Bem, férias, falta de tempo, de coragem, de inspiração. Mas sei lá, mesmo que esta última ainda não tenha voltado, sinto que tenho que escrever sobre alguma coisa. Qualquer coisa. Esse texto foi inspirado na música Fuckin' Perfect, da Pink, como falei lá no início. Booooom, é isso. Beijinhos, meus cats =**

13 de julho de 2011

Rock n' Roll,

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não se aprende nem se ensina
(Raul Seixas)

Não é barulho, não é dos infernos, não é maldição. É vida, libertação. Não, não há como entender o rock, porque o seu significado ultrapassa qualquer explicação.

Feliz dia do rock, 



                                     (Rock and Roll, Led Zeppelin)

24 de junho de 2011

Às vezes...

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Às vezes é bom deitar na rua só para adivinhar o formato das nuvens no céu. Fechar os olhos e ouvir as rodas dos carros que vêm lá longe, numa velocidade constante de pena caindo. Sentir um frio na barriga e um medo enorme de ser atropelado; e ignorá-lo, assim como fez com o perigo de se deitar no asfalto frio. 
     
Às vezes - muitas vezes - dá vontade de jogar tudo pro alto e mandar todo mundo se ferrar. Dá vontade de brigar com o vento e se jogar do décimo quinto andar, sem olhar para trás. É quando a insanidade invade sem bater à porta e vem morar no coração por um tempo. Faz bagunça nas ideias, inverte os pensamentos. Magoa o coração

Às vezes - raras vezes - a coragem foge. É justamente o que faz a gente parar, deitar na rua e observar o céu. As nuvens, o som das rodas do carro cada vez mais próximas. O sono vem de leve e dá vontade de dormir ali. A insanidade pede aos olhos que se fechem, que mandem tudo se danar; mas o coração bate alto, da mesma altura da buzina do carro. 

Às vezes dá vontade de ficar.

Mas as pernas pulam nos pés e a gente corre, corre pra longe do perigo. 

Às vezes a gente pensa que a vida abandonou a gente. É quando o coração avisa à mente que a vida ainda vale a pena, que existe - além de toda a dor e sofrimento - uma coisa pela qual vale a pena lutar. 

E o coração desacelera, as pernas freiam na calçada, o carro passa xingando, as nuvens mudam de forma. E a vida continua. E ainda haverá mais "às vezes". Muitos mais. É porque tem horas que o "sempre" enche o saco; e só um "às vezes" é a solução.


Olá, amores. Esses dias andaram meio tristes. Um colega meu escolheu renunciar à vida. E está fazendo falta, viu? Muita. Mas sei que o melhor há de vir. Esse texto eu dedico a ele e a todos que fizeram a mesma escolha. Beijinhos ;* s2

21 de junho de 2011

Sobre o amor: leia nas entrelinhas

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"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar." 
( Carlos Drummond de Andrade)

É engraçada a ideia que as pessoas fazem do amor. Pernas bambas, coração disparado, boca seca, mente vazia, borboletas sobrevoando o estômago. E, vez por outra, um sorriso idiota e uma tentativa fracassada de fala. Ah, como seria maravilhoso se o amor fosse simples e puro assim. Sem entrelinhas, sem mensagens ocultas e, principalmente, sem segredos. Mas, se o amor é tão simples assim, por que tão poucas pessoas conseguem senti-lo?
      Simples. Porque amar não é isso. Amar vai além de dizer "eu te amo", ultrapassa os beijos de bom dia e boa noite, cruza a linha do "juntos para sempre". Aliás, o "para sempre" deixou de significar grande coisa desde que os filmes da Disney o transformaram em duas horas de puro clichê, algumas lágrimas e créditos finais. Fim. Esqueceram-se de que, da porta do cinema para fora, a realidade é bem diferente.
     Se é assim, Letícia, o que é amar?
     Amar é um verbo transitivo direto segundo a gramática, mas intransitivo segundo Mário de Andrade. É a contradição que joga o certo contra o desejado. É a percepção de que ninguém é feliz sozinho. E de que, apesar de não existirem as metades da laranja, a analogia se encaixa perfeitamente. São as metades de um coração que aprendem a se costurar com linhas nem sempre tão fortes, nem sempre tão certas.
     Mas capazes de suportar anos de uso.
     É descobrir que nem anos de convivência são suficientes para desvendar os mistérios do outro; e como é possível, a cada dia, sentir-se mais perto, mais ligado a quem você ama. É ter dentro de si a certeza de que nem trezentos litros de água são eficazes contra o fogo que queima dentro do coração e faz o corpo inteiro arder em chamas.
     Quem o sente, sabe o quão poderoso é o amor, mesmo no silêncio.
     Quem não o sente, precisa dizer que o faz, além de dar uma descrição detalhada de como é senti-lo. São as tais borboletas no estômago.
     Sinto  infomá-los, mas isso é paixão, atração. É o início de uma coisa que pode vir a ser amor um dia. Não, não estou dizendo que isso não faz parte do verbo amar. Só que amar não implica apenas nisso.
     Implica na sensação de conhecer uma pessoa a sua vida inteira e simplesmente não poder mais viver sem ela. Implica em não conseguir imaginar uma vida em que a pessoa não exista e se perguntar como você sobreviveu até ali sem ela.
     E implica em sentir tudo isso dentro de si sem precisar que Deus e o mundo também saibam.
     Sair dizendo "eu te amo" até para o cimento da calçada não é amar. É querer amar, mas não conseguir. E isso, meus caros, é de longe a forma mais triste de decepção. Afinal, como cantava Renato Russo, "Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria..."
   

12 de junho de 2011

[...] alguma coisa sobre rosas [...]

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Nenhuma rosa é completa sem seus espinhos - um amante deve espetar seus dedos, deixá-los sangrar, antes que a rosa chegue às mãos de sua amada;

Nenhuma rosa deve ser entregue em um buquê - deve ser especial sozinha, sem precisar de complementos;

Nenhuma rosa chegará as mãos da moça enquanto ela estiver acompanhada - deve ser entregue quando ela estiver sozinha em seu quarto, com tempo de sobra para pensar em seu amado;

Nenhuma rosa será considerada incompleta - a moça deve olhá-la e suspirar, sem nunca pensar que ela deveria estar acompanhada de outras;

Nenhuma rosa deixará de ser vermelha - será sempre da cor da paixão, da encomenda à entrega; será cor de sangue vivo, como aquele que corre pelas veias do apaixonado;

Nenhuma rosa será entregue em outro dia que não seja o dos namorados - virá sempre acompanhada de um bilhete, na data marcada, contendo apenas três palavras: "eu te amo"; fora isso, mais nada;

Nenhuma rosa será enviada em vão.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS ♥

Tchucos', não pude deixar de passar por aqui num dia especial desses. Fiz um texto bem meia-boca, mas que é engolível. Espero que desculpem minha falta de inspiração para um dia lindo desses. Beeijos e feliz dia dos namorados pra vocês s2

8 de junho de 2011

Sobre sentimentos

5 passaram por aqui
Pela janela do meu quarto a chuva cai ruidosa, batendo fortemente contra o vidro. Mesmo que eu tampe os ouvidos ainda posso ouvi-la chiando, perturbando minha cabeça já não muito normal. Tudo em meu quarto está fora de foco, fora de contexto. Inclusive eu. 
    Respiro fundo e me deito na cama, sufocando o choro no travesseiro. Há muito tempo aquele é meu canto da dor, dos segredos secretos que só confidencio às paredes, que os guarda com todo cuidado.
    Faz tempo que eu sofro em silêncio. 
    Meu diário está sobre a mesinha de cabeceira. Ganhei-o em um amigo oculto há uns dois anos. Desde então pouco escrevi nele, além de uns poemas idiotas e umas frases que eu tirei de livros que li. 
    Pego uma caneta e arrisco um novo poema. Sei que vai doer lê-lo mais tarde, por isso prometo a mim mesma que jogarei o papel fora assim que terminar de escrever. A caneta desliza pelo papel.

    São dois olhos bem pequenos
    Miúdos, de menina
    Pouco sabem de tristeza
    Pouco sabem de sentir
    Mal conhecem o vazio
    De perder o olhar doce
    O sorriso meigo
    Que ainda chega aos olhos 
    Mal sabem que a vida
    Nos derruba, nos tortura
    Nos faz crescer, nos machuca
    Nos ensina que viver
    É bem mais que se feliz

    Larguei a caneta, amassei o papel. Escrever doía mais que só pensar. 
    A verdade é que a vida machuca, nos engana. Faz com que acreditemos em amor verdadeiro, em felicidade plena. Mas tudo isso é passageiro. E, por mais que digam que os momentos tristes são compensados pelos felizes, sou obrigada a discordar. 
    Não porque a felicidade não seja linda, mas porque nem todos os sorrisos do mundo são capazes de tirar a dor da primeira lágrima de decepção. 

(Por incrível que pareça, ao som de Fuckin' Perfect - Pink)

Olá, tchucos, como vão vocês? Eu não vou 100%, mas vou bem, obrigada. Finalmente consegui escrever alguma coisa que eu queira mesmo postar (ok, talvez não queira, mas postei mesmo assim), espero que curtam, comentem e blá-blá-blá. Beijocas ;*

9 de maio de 2011

Pra falar de amor.

7 passaram por aqui
É a primeira vez que consigo ouvir de verdade o meu coração. Bate dolorido sob a palma da minha mão, cansado da solidão do "eu". É tudo tão triste aqui. Nem as barras de chocolate e os potes de sorvete preenchem o espaço vazio que ficou no lugar onde antes havia amor, sentimento verdadeiro.
     - Vai mesmo fazer isso? - Daniel me acordou do transe. 
     - Já não mandei você ir embora? 
     Ele respirou fundo, segurando-se para não bater na minha cara. 
     - Essa casa também é minha, tá legal? 
     - Ah. Prefere que eu vá, então?
     Daniel contornou a cama, sentando na cabeceira. Pôs a cabeça entre as mãos. Só fazia isso quando queria se matar ou me matar. Qualquer um que fosse, deixou-me nervosa e me fez recuar. 
     - Desculpe. 
     - Tanto faz. - murmurou entre dentes - Por que faz isso, Mel? Por que tenta me matar de raiva toda vez que eu tento resolver as coisas? Parece que tem medo de mim, cruz credo! 
     Foi a minha vez de respirar fundo, para segurar as lágrimas. Lá vamos nós de novo. 
     - A culpa não é sua. 
     - Ah, então agora a gente ter se casado é motivo de culpa? E suponho que seja sua, não é?
     - Não é culpa de ninguém.
     - E o divórcio, é culpa de quem? 
     - Minha. 
     Ele franziu os lábios, ficando vermelho. Era impressionante como conseguíamos discutir esse assunto todas as vezes que nos olhávamos na cara. A verdade é que, por mais que eu diga que tenho certeza da minha decisão, isso dói demais. E eu ainda o amo, o que piora tudo. 
     - Vai mesmo fazer isso? Jogar o casamento de 10 anos pro ar na primeira dificuldade que passamos? - ele perguntou, olhando fundo em meus olhos. Daniel sabia o quanto era difícil para mim. Ainda mais olhando naquelas piscinas azuis, sentindo aquele perfume que eu gostava tanto...
     - Talvez... - mordi os lábios, hesitando. Ele sorriu, incitando-me a continuar - Talvez a gente possa tentar de novo, eu não sei...
     Desviei o olhar para minhas mãos, numa tentativa de facilitar as coisas. Já era bem complicado sem todo aquele joguinho de sedução que só ele sabia fazer.
     - Tem sido bem difícil sem você aqui. 
     Ele tirou uma mecha de cabelo do meu rosto, secando umas poucas lágrimas que teimaram em cair. Sorri e fiz carinho em seu rosto, catando os pedaços do meu coração, esperando que Daniel os colasse de volta.
     - Pensei que tinha te perdido de vez, meu amor. - sussurrou
     - Se lembra dos votos que fiz no nosso casamento? - perguntei. Ele assentiu, num gesto tímido. - Pois é. Podem ter se passado dez anos, mas eu ainda sou fiel a eles. Eu ainda vou amá-lo, por tudo e apesar de tudo. 
     Daniel escorregou na cama até meu lado e me imprensou contra os travesseiros, soprando seu hálito de hortelã em meu rosto. Mais provocação? Mordi o lábio inferior e fechei os olhos, esperando. E, quando seus lábios encontraram os meus, foi como na primeira vez, mesmo depois de dez anos. Porque, diferente de todos os potes de sorvete da minha geladeira, o amor não tem validade. Nem preço.

"Ontem pensei que estaria melhor
Sem você, sem nós dois
Poderia viver
O meu mundo se pôs entre recordações
E a vontade de ser novamente seu par
Ai, como eu gostaria de te encontrar
Pra falar de amor, pra falar de amor..."
- Pra falar de amor, Erasmo Carlos -
Poisé, como vocês já devem ter percebido, eu não consigo sossegar com um layout só, então, mudei de novo. Mas dessa vez tem um motivo bom, eu juro: Eu mudei também. Alguma coisa em mim mudou. Amadureci, sofri e vivi mais. E, quanto ao post, maaaais amor. E aí, o que acharam? Me digam nos comentários, porque minha bola de cristal quebrou ;) Beeeeijos, meus anjos ;*

23 de abril de 2011

I still love you.

14 passaram por aqui
- Quem é ele, minha filha? - mamãe me perguntou, olhando para o homem que nos encarava, do outro lado da rua. - Você o conhece?
    Olhei-o também. Estava encostado num poste, fumando distraidamente. Todo o peso daqueles olhos verdes voltou a cair sobre mim, como se nunca tivesse deixado meu coração. Ele estava mais alto, é claro. Mas ainda era o mesmo cara sexy, divertido e malicioso de antes. Ainda usava a calça jeans larga, a blusa dos Beatles e o gorro preto, sempre com um cigarro preso aos lábios. Era o mesmo, só um pouco mais triste.
    E eu era a culpada. 
    - Não sei quem é. - trinquei os dentes, segurando as lágrimas. 
   André, de alguma forma, conseguiu ouvir, porque seu rosto se contraiu e ele arqueou uma sobrancelha, curioso com a minha ousadia. Era, provavelmente, a mentira mais deslavada que eu contava. Baixei os olhos para os meus pés e sussurrei: 
    - Vamos, mamãe? 
    - Engraçado você dizer isso - ela me ignorou - Se você não conhece o menino, por que ele te espera todo dia depois da escola? 
    - Como sabe que ele me espera?
    Ela franziu o cenho, pensando.
    - Se fosse diferente, ele não te olharia com tanto amor. 
    Não aguentei. Ergui os olhos para ver a reação dele. André sorriu do outro lado da rua, jogando a guimba de cigarro no chão. Por que mamãe tinha que falar tão alto? 
    - Já chega, mamãe. Vamos embora. 
    Ela suspirou e assentiu. Foi o tempo de eu pisar na rua e as lágrimas começaram a escorrer, uma atrás da outra, em uma mistura de saudade e culpa. Minha pernas pareciam de gelatina. Meu corpo todo formigava. 
    - O ônibus! - minha mãe gritou, trazendo-me de volta à realidade. Me puxou pelo braço, arrastando-me como se fosse de pano. Cheguei ofegante à porta.  
    Quando já estava segura em minha gaiola, arrisquei uma última olhada. E, como em todas as outras tardes, ele pôs uma expressão de derrota do rosto e murmurou as quatro palavras que me matavam por dentro:
    - Eu ainda te amo.
   
"You tell me that you're leaving, and I'm trying to understand
I had myself believing I could take it like a man
But if you gotta go, then you gotta know that's killing me" 
I Still Love You - Kiss

Meu plano não era escrever alguma coisa de amor. Mas é tudo que tá passando pela minha cabeça esses dias. Foi mal mesmo. Enfim... o que acharam? Meio pirada, né? É que eu to meio viajada esses dias (Você quis dizer: sempre). Bem, é isso... Beijos de maçã para vocês ;*

15 de abril de 2011

Prazer, Hann, em maldade e espírito

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Do meu quarto, 15 de abril de 2011

Hannibal Lecter, 

    Psicopata, frio, cruel e doentio. Será que finalmente achei um nome que se encaixa em você? Não sei. Raciocinando da sua forma, eu estaria rindo e concordando, enquanto despedaço flores que nada tem a ver com a minha vida. Mas eu me cansei, entende? De ser falsa, analisar tudo friamente. Porque, antigamente, eu não era assim. Foi a tua frieza, a tua maldade e malícia que fizeram isso comigo. E eu te pergunto: Por quê? Por que ser falso quando quero ser verdadeira? Por que tirar palavras da minha boca para impressionar quem já gosta de mim, do jeitinho que eu sou? Sim, eu posso até ser aguada e sem sal sem suas histórias, mas pelo menos sou sincera, perfeita ao meu modo. Menos ridícula e plástica. Menos superficial.
    Às vezes você consegue. Faz com que eu me sinta péssima, achando que toda a merda que eu faço é culpa minha. Só que eu tenho consciência de que não é a voz boa que me manda falar mal dos outros. Ela é a que me avisa que não devo fazer isso. Mas, sei lá, você é mais forte, lado B. Sua burrice me contagia. É como naquela história, em que há um anjinho e um diabinho, e o diabinho fala mais alto. Só depois o anjinho reaparece para me consolar.
    Dói, Hannibal. Magoa. Ver-me perdendo meus amigos por sua culpa. Sentir-me tão frágil a ponto de ser controlada por ti. Sorrir, quando quero me jogar no chão e chorar; ter que pedir perdão por todas as besteiras que disse pelas costas dos outros. Não foi por mal, isso eu te garanto. Por exemplo, lembra-se de quando eu estava sentada naquele corredor, conversando com minhas amigas, e falei mal de certos garotos? Eu só queria que elas prestassem atenção em mim. Achei que talvez, falando mal de outros, eu me tornaria melhor. Ah, como eu sou ignorante, Hann. 
    Como a gente pode ser ridículo às vezes. Você mesmo sabe. É o primeiro a fazer isso.
    Agora, eu me pergunto, será que, em todas as vezes, era mesmo você? Ou será que sou mesmo ruim, boba assim? É como Sócrates disse: "Eu só sei que nada sei". A vantagem dele é que ele sabia, sim, alguma coisa. Eu não sei mesmo. 
    Por isso, eu decidi uma coisa. Vou deixar você. Quero ser sempre eu mesma, sem suas intervenções de diabinho barato. Então, resumindo, essa carta é uma despedida. Adeus, Lado B. Adeus Hannibal Lecter. Pode envenenar e comer os cérebros que quiser, com suas ideias de  psicopata incubado. Menos o meu. 
Fique em paz e até nunca mais, 
Letícia.







Confesso que algumas partes são verdade. Mas eu não tenho um Hannibal Lecter dentro de mim, graças a Deus. Bem, espero que gostem e comentem. Tô com saudade daqueles comentários que vocês deixavam pra mim, benhês. Enfim, é isso. Beeeijos de chokito, ;*

8 de abril de 2011

15 anos; Meme *-*

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Vamos as perguntas e respostas:
1 - Existe um livro que você leria muitas e muitas vezes sem cansar? Qual?
Ah, existem váaaaaaaaarios, mas o que eu nunca mesmo vou parar de amar é Orgulho e Preconceito, que marcou demais a minha vida.

2 - Se você pudesse escolher apenas um livro para ler o resto de sua vida, qual escolheria?
Como já escolhi Orgulho e Preconceito na de cima, vou escolher Uma rua como aquela, que também é maravilhoso.

3 - Indique um livro para que os outros possam ler.
Bem, benhê, eu indico todos do Harlan Coben, em especial Não conte a ninguém.

4 - Indique 10 blogs para responder este Meme.
Marie, e seu Suddenly, Ballerina
Thatz, e seu O diário
Sheila, e seu I Think So...
Helen, e seu Mundo Adolescente
Leti, e seu Believe
Stella, e seu Plush Love
Angus, e seu This is me
Carolina Vale, e seu Desventuras&Infortúnios

5 - Linke o blog que te indicou: http://secretsofalittlegirl.blogspot.com

Enfim, meus tchucos', a foto eu tirei no meu aniversário (06/04/2011, 15 anos *-*) e pus aqui em troca do post que eu devia ter feito e NÃO fiz. E o meme eu tô pra por há séculos e séculos, amém. Foi a fofa da Nique que me indicou. Brigada, gata ;* Beeeeeeeijooos de mel, benhês ;*

31 de março de 2011

Falha na entrega.

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(Da esquerda para a direita: Bela, eu e Raquel)

"Sexta-feira, 11 de março", meu calendário dizia, olhando nos meus olhos. Suspirei e terminei de vestir a farda, agarrando minha boina como se ela fosse o último rolo de papel higiênico da Terra. Dei bom dia para minha mãe, comi um biscoito e desci para o ponto de ônibus. 
    Dentro do busão, nada de especial. Tirando a minha vizinha chata, dizendo que eu estava linda, pondo e tirando a minha boina. Sorte minha que ela não tinha dormido à noite, então, começou a roncar ali mesmo. 
    Na Pedro Primeiro, engarrafamento. Os clássicos suspiros impacientes. Ah, claro, sem me esquecer do perfume do esgoto frente ao aeroporto da Pampulha e o cheiro de chulé podre da lagoa. Mas, mesmo assim, consegui descer no ponto. 
    Subi a ladeira feito uma louca, tropeçando nos meus pés e sufocando no próprio ar. Mas era a entrega da minha boina e eu não perderia por nada desse mundo e dos outros planetas.  
    Entrei no Colégio Militar - sim, meu bem, eu estudo lá - e corri para o meio dos outros novatos. Cumprimentei minhas amigas cats e me preparei para a formatura. Arreganhei a boca, exibindo meus dentes com resto de biscoito para todo mundo. 
    Tudo corria bem, até que anunciaram a entrega. Um pouco confusa, minha mãe me perguntou: 
    - Cadê a boina pra eu por em você?
    Comecei a chorar, desesperada.
    - Ah, não! Esqueci no ônibus!
    Em algum lugar da cidade, minha vizinha roncava, com uma boina vermelha na mão.

Redação da escola - tirei dez, obrigada ;* Enfim, uma pequena lembrança do dia mágico que foi a entrega da minha boina. Claro que a maior parte da história é fictícia, mas ainda assim, valeu a pena. E, é claro, falar da escola contou muito na minha nota, HAHA'
E sobre What If?... quero que saibam que fiquei SUPER HIPER MEGA feliz com os comentários, é a primeira vez que alguém tem paciência com as minhas histórias. Assim que tiver mais tempo, crio uma mais criativa e menos enrolada. Vou tentar fazer menor, mas não prometo nada, HAHA' :B
AAAH >.<, visitem o blog da minha xará, AQUI.  

26 de março de 2011

What If? - parte final

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Nova York, Estados Unidos

Elas ficavam cada vez mais fracas e distantes. Mesmo se pusessem as mãos sobre meu peito, as batidas de meu coração já seriam baixas demais. Ninguém as escutaria. Fechei os olhos, ouvindo os passos apressados dos médicos e enfermeiros, com seus desfibriladores e injeções. A cada choque, mais distante ficavam os passos e as vozes.
    - May! - uma voz rouca gritou, cortada pelos soluços. - Por favor, fica...
    Mais um choque, dessa vez mais forte. Doeu demais. 
    - Eu te amo, fica... - gemeu baixinho. 
   A voz que vinha de fora era a de Charlie. Um fogo queimou por dentro de mim, como um último esforço de sobrevivência. Alguma coisa em mim tremeu e voltou a bater. Meu coração? 
    - Os batimentos voltaram - ouvi um dos médicos dizer - Graças a Deus... 
    - Ela vai ficar bem! - avisou um enfermeiro a quem quer que estivesse do outro lado dos vidros. 
    - Deixem-na descansar - o médico voltou a falar, mais calmo - E tentem acalmar o garoto lá fora. Senão vamos acabar com outro paciente aqui. 
    E riu um riso gostoso, de quem acabara de vencer uma briga.
.    .    .
Me olhar no espelho foi um choque. Eu estava da cor da camisola do hospital e com olheiras fundas e roxas. Alguns cortes estavam espalhados pelo meu nariz e minha testa, como riscos em um quadro. Peguei uma escova e comecei a pentear meus cabelos, tentando ressuscitar os fios loiros ressecados. Pelo visto ia precisar de ajuda. 
    - Mãe!
    - Me deixa adivinhar - pôs os dedos na testa, fingindo pensar -, seu cabelo? 
    Bufei, irritada com a piadinha. Ela pegou a escova e começou a pentear os cachos, desamassando-os. Quando terminou, o que tinha acima da minha cabeça voltou a parecer meu cabelo. Sorri, satisfeita, e lhe dei um beijo estalado na bochecha. 
    - Vou na lanchonete, tá? 
    Mamãe assentiu e me deu dinheiro. 
    Apertei todos os botões dos elevadores e esperei um abrir. Voei para dentro e pedi o primeiro andar. Ninguém mais entrou comigo, então fiquei me olhando no espelho mais um pouco, assustada com as costelas aparecendo sob a camisola fina. Nunca fui tão magra assim. 
    Já passava das dez da noite, então tudo estava praticamente deserto. Exceto por um menino encapuzado, que lia uma revista qualquer, batendo os pés contra o chão. Tinha o rosto franzido, meio irritado. Parecia contrariado, sei lá. Me aproximei dele e cutuquei seu ombro. Ele olhou para mim e relaxou a expressão. 
    - Oi, May... - sussurrou, como estivesse arrancando uma dor de dentro de si. 
    - Charlie! - exclamei, esmagando-o contra os meus braços. - Mamãe me disse que você estava em casa. E eu não achei que... não achei... AI MEU DEUS! 
    Ele riu, apertando seus braços em volta de mim. Beijou minha testa de me colocou de pé em seus tênis, para ficar da sua altura. Olhou fundo em meus olhos e suspirou, inebriando-me com seu hálito doce. Quis beijá-lo. 
    - Você se lembra, Charlie? - perguntei, pensando em Zorro, em Petalúnia, em tudo... 
    - De quê, prima? 
    Prima? Nada de amor, de boneca, de nada?
    - Você me ama, Charlie? - perguntei, repetindo parte da história de como-vim-parar-aqui. 
    Ele franziu o cenho, nervoso. 
    - Por favor, não cometa o mesmo erro. - murmurei em seu ouvido. - Não faça tudo de novo. 
    Ele crispou os lábios, para depois sorrir. Balançou a cabeça, concordando. 
    - Sim, eu te amo. E sim, eu me lembro. De tudo... Petalúnia, do mar, de como eu me maquiei para parecer Zorro. E, cara, devo admitir, não sei como vocês aguentam com pó-de-arroz e base na cara. Parece massa corrida! 
    Ri, batendo em seu ombro. Meu Zorro estava de volta, então.
    - Então... assim... - mordi os lábios, hesitando - Será que você pode me beijar ou tá difícil? 
    Charlie riu, enlaçando minha cintura. Fechei os olhos e esperei. Ele beijou meu pescoço e meus lábios. Arranhei de leve suas costas, enrolando seu cabelo em meus dedos. Meu coração bateu tão vivo, como nunca antes. Era possível ouvir as batidas, mesmo entre seus braços e seus lábios.
    - Acho que vou te chamar de Zorro de agora em diante. - gemi em seu ouvido, ofegante.
    - Tá certo, meu amor. À vontade. 
    Desci de seus pés e me desamassei, me preparando para subir de volta. Sorri para Charlie e peguei o elevador. Mais uma vez subi sozinha.
    - Demorou, flor. - minha mãe falou. 
    - Ah, é que lá em baixo tava passando um filme... - menti. 
    Ela arqueou uma sobrancelha. 
    - Que filme, hein?
    - A Lenda do Zorro, mamãe. 
    E mordi os lábios, escondendo um sorriso malicioso.

"But What if I need you baby?
Would you even try to save me?
Or would you find some lame excuse
To never be true
What if I said I loved you?
Would you be the one to run to?
Or would you watch me walk away"
What If - Ashley Tisdale

FIM

Última parte tipo, nada a ver, né? Mas tudo bem... Por aqui eu me despeço de What If?, e espero que não fiquem desapontados com o final... Nunca me dou bem com finais de história. Enfim..., é isso. Beijos de maçã, tchucos' ;*

20 de março de 2011

20/03 - Feliz dia,

6 passaram por aqui
dos blogueiros, meus tchucos'!


Essa imagem me seduziu, HAHA'. Beeeeeeijos para vocês ;*
   

18 de março de 2011

What If? - parte VII

3 passaram por aqui

Senti meu coração batendo sob minha mão. Era lento e aconchegante, como nunca antes. Doze anos antes. Respirei fundo, absorvendo o ar frio da manhã. Abracei as pernas e voltei a olhar as ondas que se quebravam na praia. Tudo era silêncio. Charlie ainda roncava no quarto ao lado. O resto do Sant's Hotel via televisão no conforto da cama ou dormia debaixo dos cobertores. 
    Desci da mureta da varanda e fui para o quarto. Minha cama estava uma zona: cobertores enrolados, lençóis só na metade da cama, travesseiros no chão. Me joguei na dezorganização. Dormir de novo parecia bom, pelo menos até que meu primo acordasse. Tirei a calça jeans e cocei os olhos, sentindo-os queimar de cansaço. De repente, tudo sumiu. 
 . . .

- May... - uma voz distante me chamava. - Ah, minha filha, queria tanto que você pudesse me ouvir... Eu e seu pai sentimos tanta saudade. Você não faz nem ideia... 
    Eu estou te ouvindo, mamãe. E também sinto a sua falta. 
    - Charlie, ele... - minha mãe começou a rir, em choque - Nossa, como ele chora. Nunca vi aquele menino chorar tanto. É só alguém falar seu nome e... - engasgou com as lágrimas - Sinto pena dele. Acho que ele te ama, meu bebê.
    Você não faz nem ideia, mãe.
    - Tomara que um dia você perceba isso. - pegou minha mão e eu soube que ela sorria. - Agora tenho que ir. Mas nunca se esqueça de que a gente te ama muito. Volta logo, minha menina. Você não sabe a falta que faz.
    NÃO!, não vai, não me deixa. MÃE!
. . .

- Bom dia, meu amor - uma voz rouca e doce sussurrou em meu ouvido. - Dormiu bem? 
    Pisquei algumas vezes, tentando me acostumar à escuridão. Alguém tinha fechado as cortinas. Senti sua respiração no meu rosto, depois seus lábios no meu pescoço. Uma hora ou outra Charlie ia me beijar e perceber meu rosto molhado de choro. Empurrei-o e me levantei, indo para o banheiro. 
    - Aconteceu alguma coisa? - ele perguntou, meio perturbado.
    - Não. - respondi do banheiro. - Me dá só um minuto. 
    Enchi minha mão de água e joguei tudo no meu rosto. Mas parecia que as lágrimas não queriam ir embora. Meu sonho me perturbava a cada cinco minutos, fazendo com que as intrusas voltassem a escorrer, molhando meu rosto todo de novo. 
    Charlie ainda me esperava sentado na cama. 
    - Melhor? - perguntou assim que me sentei ao seu lado. 
    - Muito. 
    Ele ficou em silêncio, me observando. Sorri, malvada. 
    - Não vai me beijar, não? 
    Charlie riu, deitando-me em seu colo. Me pareceu mais sexy do que nunca. Pregou seus lábios aos meus, com sua mão em minha nuca. A outra se intercalava entre nuca e costas, desesperadas. As minhas eu prefiro nem comentar. 
    - Sonhei com a minha mãe hoje. - contei, em meio a seus lábios. 
    Sua boca congelou e ele se afastou de mim. 
    - O que foi, Charlie? 
    - Não acredito nisso! - exclamou, animado. Me abraçou forte e pulou da cama, comigo no colo - Que ótimo, May! 
    - Perdi alguma coisa? - perguntei, meio confusa. 
    - Você não sonhou, Maria Lúcia. Você ouviu!
    - E isso significa alguma coisa?
    Ele revirou os olhos e suspirou. 
    - Significa tudo. 
    Me deu mais um selinho. 
    - Significa que você está acordando. Simplesmente isso.

"Makes me want to know right now
If it's me you'll live without
Or would you change your mind
What if I need you?"
What If - Ashley Tisdale 


CONTINUA...

Enfim, aqui estamos. Dessa vez devo mesmo desculpa a vocês, porque não postei não por falta de tempo, e sim por falta de inspiração. Mas acho que ela voltou, graças a Deus. Espero que gostem, e comentem. Não vou mais promete postar rápido, porque vou acabar descumprindo a promessa. Mas prometo que a próxima parte vai ser bem legal. Beijos de melão, tchucos ;*

9 de março de 2011

What If? - parte VI

7 passaram por aqui



CHARLIE'S FLASHBACK

- Charlie! - ela gritou, agarrando minha mão - O que pensa que tá fazendo?
    Boa pergunta.
    - Nada, ué... - trinquei os dentes, nervoso - Eu sei lá.
    Ela me olhou um pouco.
    - Por que você tá tão estranho, Charlie? - May me perguntou, enrolando meu cabelo em seus dedos - Me conta. 
    Segurei as pontas para não avançar nela ali mesmo, beijando-a até perder a respiração. Doze anos. Doze anos escondendo meus sentimentos, mentindo para os outros. Mentindo para ela. Só que não dava mais. Era amor demais para esconder. 
    - Por nada, Maria. - fui grosso e seco. 
    - Você mudou. - ela concluiu, desenrolando seus dedos e se afastando de mim. - Não é mais o Charlie. É alguma coisa diferente dele. Eu não gosto disso. 
    - Bom, esse sou eu. Goste você ou não. 
    May sorriu, decepcionada. Vi seus olhos brilharem com as lágrimas que ela ameaçava derramar. 
    - Charlie? - sussurrou, meio rouca. Fiz que estava ouvindo, mas não a olhei. - Você me ama? 
    Soltei um risinho irônico. 
    - Não. Não te amo. 
    Ela ficou em silêncio. 
    - Ah.  - murmurou, fungando. - Eu... eu... 
    May não conseguia concluir a frase. Isso me deixou nervoso.
    - VOCÊ O QUÊ?
    - Nada. Nada, não. 
    Ela se levantou, levando a bacia de pipoca consigo. Ouvi seus pés contra os degraus, correndo rápido demais. E então um baque. Pipocas no chão, a bacia caindo escada abaixo. E ela, rolando as escadas, batendo forte contra os degraus. Um último gemido. E então, seu corpo sangrando ao pé da escada. Tudo porque ela queria ir para longe de mim.  
    May estava desacordada quando liguei para a ambulância. A única coisa que me perguntava  enquanto discava os números era: E se eu nunca tivesse mentido que não a amava, será que as coisas seriam diferentes?

- Por que será que não me lembro de nada disso? - murmurei, quando ele acabou de me contar a história. 
    - Os médicos disseram que era provavel que você apagasse o acidente da memória. Por ser traumático, sabe? 
    Fitei meus pés, pensando se deveria mesmo dizer o que estava prestes a dizer. 
    - Eu acho que não foi o acidente que me traumatizou. 
    Charlie entendeu de imediato. Pude ver a dor em seus olhos. 
    - Me desculpe, Maria... - gemeu, começando a chorar - Você sabe que eu não queria. Eu... eu... 
    - Ei, ei... não chora, não. A culpa não foi sua. 
    Acariciei suas bochechas com as costas das mãos, secando as lágrimas. 
    - É bom ouvir que você me ama. Mesmo que você tenha demorado doze anos para contar. 
    Ele riu, puxando-me para um beijo demorado. Lábios mornos contornavam os meus enquanto aproximavamos ainda mais nossos corpos. Tudo mais parecia pegar fogo. Nossas respirações estavam entrecortadas. Sua barba me pinicava, dando pequenos choques em meu rosto. E... meu Deus, por favor não para!
    - Sabe... - murmurei, assim que ele me soltou - doze anos valeram a pena. 
    Charlie riu, desamassando minhas roupas. Limpei o batom de seu rosto e arrumei sua blusa. Parecia que tinhamos saido de uma centrifugadora. 
    - Sabe, isso aqui tá ótimo. Mas você sabe que uma hora vamos ter que voltar. - disse, pegando a mão de Charlie. - Como vamos sair de Petalúnia?
    - Quando você acordar.
    - E quando vai ser isso?
    - Sinceramente? - ele perguntou, sorrindo torto. Balancei a cabeça, concordando. - Eu não faço a mínima ideia. 

"When I say that I want you
You know that I mean it
And in my hour of weakness
There's still time to try"
What If - Ashley Tisdale

CONTINUA... 

É isso aí, tchucos', consegui postar mais uma parte antes do fim do feriado. Quero terminar até o fim dessa semana, então... vou postar mais rápido do que de costume (ainda bem, coff, coff). Mas e aí, o que estão achando? Comentem, ok? Beijinhos de leite condensado ;*
 

5 de março de 2011

What If? - parte V

5 passaram por aqui
 


Fugi de seus lábios, virando a cabeça em direção ao mar. Meus pés e minhas mãos tremiam de frio e nervoso. Meu Deus, em que confusão eu tinha me metido? Lágrimas atrás de lágrimas desciam por meu rosto. Talvez eu - de alguma forma estranha e inexplicável - amasse mesmo Zorro. Muito. O suficiente para me sentir traída e magoada.
    - Como sabe meu nome? - perguntei, secando meu rosto.
    - Por que está chorando, May?
    Olhei-o, furiosa com a mudança de assunto. 
    - O que você tá escondendo de mim, Christian?
    - Nada.
    - Ah, sério? - disse, em um tom debochado. - Desembucha, seu idiota!
    Ele riu e olhou bem fundo nos meus olhos, fazendo meu coração disparar.
    - Você me ama, May?
    Mordi os lábios, pensativa.
    - Amo demais. Por quê?
    - Me dá um minuto?
    Assenti. Christian correu em direção ao mar, tirando a máscara e a capa no caminho. Enterrou os pés na areia e se deixou engolir pelo mar, molhando-se da cabeça aos pés. Refletindo a lua, ele parecia um pedaço do céu. Sorri involuntariamente.
    - May? - ele me chamou, caminhando de volta.
    Olhei-o de cima a baixo. Estava mais moreno. Fui subindo os olhos, até fixá-los em seu rosto. Um menino tremia à minha frente, sorrindo meio torto enquanto esperava minha reação. Meu corpo inteiro congelou e eu quis matá-lo.
    - Charlie! - gritei, incrédula.
    - Eu mesmo.
    Minhas bochechas ficaram vermelhas. Ele me abraçou, fazendo meu ódio se dissipar em menos de um segundo. Apertei meus braços em volta de sua cintura, voltando a chorar.
    - O que foi? - Charlie perguntou, sussurrando em meu ouvido. - Fiz alguma coisa errada?
    - Não. Eu fiz.
    - O que você fez?
    - Me apaixonei por você.
    Ele não respondeu. Resolvi mudar de assunto.
    - E então, como vim parar aqui?
    - Não se lembra?
    - Lembrar de quê? 
    - Do acidente. 
    Meu coração parou por um instante. 
    - Eu morri, é isso? Por isso estou em Petalúnia?
    - Não. Ainda não. Petalúnia é uma linha entre a vida e a morte. Como um coma, eu acho.
    - Ah. Estou em coma. Ótimo. - murmurei, tentando manter a calma. - E como isso aconteceu? 
    Ele suspirou, botando uma expressão mais sombria no rosto. 
    - Me desculpe, May. 
    - Por quê?
    Charlie chutou a areia, evitando me olhar nos olhos. Estava nervoso. 
    - Me desculpar porque... - mordeu os lábios e franziu o cenho - porque a culpa foi minha. 
    E depois, olhando para mim, completou:
    - Eu quase matei você, Maria Lúcia. Por isso você tem que me desculpar. 

"I'm so sick of worrying
That you're gonna quit over anything
I could trip and you'd let go like that
And everything that we ever were
Seems to fade but not the hurt
  Cause you don't know the good things from de bad"
What If - Ashley Tisdale
  
CONTINUA...

Bem, tchucos', está aí mais uma parte de What If?. Comecei a desenrolar e acho que só precisarei de mais duas partes para isso. Mas veremos... Juro que não quero enlouquecer vocês. Só que, como eu disse, minha escola tá MUUUUITO difícil, então... tô beeeeem enrolada com ela. Enfim... é isso. Espero que gostem e comentem. Beijos de Halls de cereja ;*
    
    

23 de fevereiro de 2011

What If? - parte IV

6 passaram por aqui

Anteriores - Parte I - Parte II - Parte III

Mordi os lábios e fechei os olhos, sentindo as ondas quebrando sobre meus pés. Como a vida pode ser tão maravilhosa e complicada ao mesmo tempo?, quer dizer, eu estava com um Zorro super gato e mascarado do meu lado. Em meus dias normais eu curtiria o momento e deixaria rolar. Mas não era um dia normal, nem o cara certo. Christian era Charlie demais para mim. 
    - Tá tão quietinha - ele disse, olhando o mar se quebrando à sua frente -, no que está pensando? 
    - Está tudo tão complicado, Christian... 
    Ele franziu o cenho, em sinal para que eu continuasse. 
    - Para começar, eu não sei como vim parar aqui. E depois, não sei o que é aqui. Alucinação? Sonho? Além disso, tirando você, eu não tenho mais ninguém com quem contar. E mesmo você. Pôxa, eu não te conheço nem há um dia! 
    - Ei, relaxa. 
    Christian tinha um poder enorme de ser perfeito. Impressionante. Até o sorriso mais superficial ficava lindo nele. Pena que fosse superficial demais para me enganar. Ele só queria que eu parasse de encher seu saco. Só isso. 
     - Ah, como se você ligasse, senhor Eu-Me-Acho-O-Zorro.
    Ele revirou os olhos. 
    - Acha mesmo que só tô querendo calar tua boca? 
    Encarei-o, com a sobrancelha arqueada.
    - Tenho certeza.
    Um faísca de frustração atravessou seus olhos. Eu o irritava, então...
    - Pois está errada. 
    E ficou em silêncio, apenas olhando o mar. 

Revoltada. Era isso que eu estava. Eu não tinha falado porcaria nenhuma e ele tinha ficado irritadinho. Mas que merda de garoto frouxo. Na verdade, não sei de quem estava com mais raiva: de mim, por ter confiado nele, ou dele, por ter me mandado relaxar. Minha cabeça fervia. Precisava me acalmar. 
    Tirei a blusa e corri em direção ao mar, deixando a água me engolir. Me afogar eu não ia. O resto que se danasse. Christian continuou calado, apenas me olhando. Parecia alheio a tudo que eu fazia. Se eu me matasse, ele provavelmente nem notaria. 
     - EU TE ODEIO! - berrei para ele. 
     Ele sorriu, exibindo seus dentes brancos perfeitos. Mas que ódio desse menino! 
     - Isso quer dizer que sente alguma coisa por mim. Nem que seja ódio.
     - Você tá mudando de assunto. 
     - Não estou, não. 
     Bufei.
     - O que você está querendo dizer? - perguntei, trincando os dentes. 
     - Que você gosta de mim, May. 
     - Isso não é verdade, Christian. Você sabe que não. 
     Mas minhas bochechas coradas me entregaram. Ele ria, enquanto se aproximava de mim - mais lindo do que nunca. Meu corpo todo tremeu. Talvez eu gostasse mesmo dele. Caminhei para fora do mar, tremendo de frio, mas sentindo meu sangue ferver por dentro. Christian já estava muito perto. Perto demais. 
     Aceitei seus braços quando ele os passou por minha cintura, deixando-me a centímetros de sua boca. Seu hálito de menta soprou em meu ouvido:
     - Eu te amo, Maria Lúcia. 
     Nossos lábios estavam prestes a se encaixar quando me dei conta: Como ele sabia meu nome, se nunca havia contado qual era?

"What if I said I loved you?
Would you be the one to run to?
Or would you watch me walk away
Without a fight"
What If - Ashley Tisdale

CONTINUA...

MIL DESCULPAS, tchucos! Tives quatro provas essa semana, estou a ponto de enlouquecer. Mas eu escapei do livro de história para dar o ar da minha graça (haha', muito engraçado, '¬¬). Enfim, aqui está mais uma parte de What If?. Sei que compliquei, se não entenderem nada alguma coisa, é só perguntar. Além disso, estou enrolando muito, por isso entendendo se pararem de ler pela metade ou se se irritarem com o final. Vou tentar postar a quinta  parte mais rápido, mas não posso prometer, porque lá na escola está uma correria só. Ah, e me desculpem pelo tamanho do post.  Beijos de maçã.

12 de fevereiro de 2011

What If? - parte III

13 passaram por aqui

Anteriores - Parte I - Parte II

Sorri e continuei caminhando, de mãos dadas com Zorro. Já dava para ouvir as primeiras ondas se quebrando na praia. Era a primeira vez no dia que eu chegava perto de algum tipo de água. Claro que tinha que ser salgada, para eu não poder beber. Mas ainda assim, era bom ouvir seu som.
   - Feliz? - Zorro sussurrou em meu ouvido, apertando sua mão contra a minha. 
   - Muito. Obrigada mesmo. 
   Ele sorriu, entortando os lábios. 
   Duas horas caminhando juntos e já parecíamos dois amigos de infância. O mais engraçado é que não falamos absolutamente nada além de "Que calor" e "Que sede". Bem, as reclamações partiram de mim. Zorro não disse nada. Nem seu nome, na verdade. 
    - Er... você tem um nome? - perguntei, envergonhada. 
    Ele crispou os lábios e franziu o cenho. 
    - Pode me chamar de Christian. 
    - Certo, Christian... onde estamos mesmo? 
    Ele relaxou o rosto e soltou minha mão para olhar em volta.
    - Chuto que em Petalúnia - disse, meio perdido -, pelo menos parece muito. 
    - Ah, tanto faz também. Já tô ferrada mesmo. 
    Christian pegou minha mão de novo, me conduzindo a uma casinha com uma placa que dizia "Sant's Hotel". Christian empurrou a porta, fazendo apitar um sensor de presença. Uma senhora barriguda surgiu quase que na mesma hora, com uma prancheta na mão e um olhar infantil no rosto.
     - Quarto para dois? - sugeriu, mal-intencionada. 
     - Não. Dois quartos. - corrigi, vermelha. 
     - Hm, certo...
     Olhou a prancheta e sorriu um sorriso desdentado, tirando duas chaves do bolso.
     - Quartos 103 e 104, no segundo andar. O jantar sai às sete. 
     E saiu rebolando um quadril bem avantajado.
     - Então, Christian... onde fica Petalúnia exatamente?
     - Tenha certeza de que não no geoatlas. 
     - Sei. - respondi, por não saber mais o que dizer. 
     - Ei, que tal irmos à praia? Ainda dá para pegar a maré alta. 
     - Claro, mas... será que posso beber água antes?
    Ele riu e passou suas mãos por meu ombros, encostando minha cabeça em seu peito. O toque áspero e leve dele era absurdamente parecido com o de Charlie. Mordi os lábios. Ele deve ter pedido água, mas não me lembro.
     Meu cérebro congelou no momento em que percebi que Christian me abraçou exatamente do mesmo modo que Charlie fez antes de tudo virar de cabeça para baixo.

"Every time I speak you try to stop me
Cause every little thing I say is wrong
You say you're noticing but you never see
This is who I really am, that you can't believe"
What If - Ashley Tisdale
 
CONTINUA...

Esta provavelmente foi a pior parte de todas. Me desculpem por isso, tchucos (HAHA', apelido infame), mas é que eu não tô com muita cabeça, sabe?, mas também não quero deixar o CBBB parado, então... prometo fazer mais bonito na próxima parte e por favor não desistam de What If?, só fiz feio desta vez. Beijinhos e até a próxima.
      

6 de fevereiro de 2011

What If? - parte II

14 passaram por aqui











Anteriores - Parte I

Sacudi a areia da minha calça jeans, borbulhando de ódio. Estava andando há mais de uma hora e nenhum sinal de vida. Que vontade de matar minha imaginação!, para onde a infeliz tinha me levado dessa vez? Bufei, tirando minha blusa de frio. Devia estar uns quarenta graus. Eu estava muito, muito longe mesmo de Nova York.
    - Merda!
   Berrei. Ninguém ia me ouvir mesmo.
  Depois que alguém invisível bateu à porta, uma luz quase me deixou cega e meu primo desapareceu, eu fui misteriosamente teleportada para cá. Uma terra tão deserta quanto o Saara. Nunca vi tanta areia reunida em um lugar só, Senhor! Olhei para meu All Star imundo e minhas calça jeans cheia de pontinhos bege. Suspirei. Era melhor me entregar e morrer de inanição.
   Meus lábios começavam a rachar e minha garganta a arder. Por que não imaginei uma garrafa de água mineral também?
   - Quero minha Nova York de volta... - gemi baixinho - A neve, a touca, o chocolate quente. Assistir à Oprah com meu primo me atormentando...
   Charlie! Quase me esqueci dele.
   Preguei os olhos com fita adesiva invisível e desejei que meu primo também estivesse ali. Se eu estivesse certa e tudo fosse obra da minha imaginação - ou alucinação -, talvez eu conseguisse puxar meu primo comigo. Até porque não custava tentar. Não tinha mais nada a perder mesmo. Pedi mais algumas vezes, respirei fundo e abri os olhos, já preparada para a decepção.
    Eu sei o que estão pensando: meu primo aparece, a gente se abraça e juntos achamos a saída daquele deserto maluco.
    Mas quando eu abri os olhos meu primo não estava lá. No lugar onde desejei que ele aparecesse, havia um garoto de capa preta e máscara, fitando-me com certa curiosidade. Se eu fosse mais fundo na análise, diria que ele era um Zorro de 17 anos.
    Minha imaginação tem um poder incrível.
    Ele estendeu sua mão para mim e sorriu:
    - Se importaria se saíssemos daqui?
    Pisquei, atônita, e o segui. Algo naqueles olhos não me era estranho.

"What if I need you baby?
Would you even try to save me?
Or would you find some lame excuse"
What if - Ashley Tisdale

CONTINUA...

Bem gente, mais uma parte. Essa semana eu devo sumir daqui. Minhas aulas vão começar pra valer e vai ter muita matéria. Então, já vou pedindo desculpas adiantadas e novamente que não me abandonem. Ah, e fico muito feliz que vocês tenham gostado do último post, adorei os comentários. E continuem dizendo o que estão achando. É muito importante para mim. Beijinhos de melancia.

4 de fevereiro de 2011

What If? - parte I

11 passaram por aqui
Encolhi meus braços, abraçando meus ombros. Cara, como estava frio. Nova York nessa época do ano era indigerível. Neve apesar do sol, floquinhos irritantes no cabelo, luvas que pinicam e toucas de crochê. Bem, das toucas até que eu gosto. Derrubei um chocolate quente guela abaixo e me joguei no sofá, ligando a televisão. The Oprah Winfrey Show. Peguei uma bacia de pipoca e fiquei assistindo, no conforto do aquecedor.
   - Oi, May - ele me cumprimentou com um sorriso torto. Tirou as botas de neve e deu uma volta pela casa, parando na escada - Mãe? 
   - A tia saiu. - respondi. Charlie abriu a boca para falar alguma coisa, mas desistiu. Então continuei: - Antes que pergunte, o tio também foi. Foram à Starbucks. Voltam as oito. E fiquei quieto, Charlie! - completei, remedando minha tia. Ele arregalou os olhos com a imitação. Dei de ombros - Ela mandou dar o recado, ué! 
   - Não precisava dar uma de esquisita! 
   - Eu sou esquisita, Charlie! 
   Ele mordeu os lábios. 
   - É, tem razão.
   Ele deu outro sorriso torto e tirou o cachecol, jogando-o do outro lado da sala. Revirei os olhos, perplexa. Os anos se passavam e meu primo continuava um desleixado. Charlie riu pelo nariz, emitindo um som engraçado. Bobo. 
   - Para com isso - mostrei a língua para ele -, seu irritante! 
   Charlie mostrou a língua de volta e desabou a meu lado no sofá. Pegou o controle da minha mão e passou o braço pelo meu ombro, deitando-me no seu colo. Algum tipo de brincadeira? Corei. Ele riu e passou os dedos por minhas bochechas frias e rosadas. Nunca o tinha visto tão carinhoso comigo. 
   Na verdade, ele nunca tinha sido carinhoso comigo. 
   - Charlie! - agarrei sua mão, que já descia por meu pescoço - O que pensa que tá fazendo?
   - Nada, ué... - e então pensou um pouco - Eu sei lá. 
   Ele me soltou e voltou à sua posição normal. Não, não. Estava parado demais. Tinha alguma coisa errada. Soltei um suspiro e me preparei para perguntar por quê. Ele continuava muito quieto. Abri a boca para falar.
   Foi quando ouvi um barulho vindo da porta. Três batidas e um brilho intenso. 
   E tudo, inclusive Charlie, sumiu.

"Get real, who you playing with?
I never thought he'd be like this
You were supposed to be there by my side"
What If - Ashley Tisdale
 
Certo, eu não sei bem o que é isso. Talvez uma tentativa de história. Enfim, minha inspiração me deu tchauzinho e saiu pra viajar. Então, por enquanto, só vão encontrar textos desse tipo por aqui. Mas não sumam, porque assim que minha amiga voltar de viagem eu volto com meus textos - os menos esquisitos. Merece continuação, gente? Bem, é isso. Beijinhos de maçã.