23 de fevereiro de 2011

What If? - parte IV

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Mordi os lábios e fechei os olhos, sentindo as ondas quebrando sobre meus pés. Como a vida pode ser tão maravilhosa e complicada ao mesmo tempo?, quer dizer, eu estava com um Zorro super gato e mascarado do meu lado. Em meus dias normais eu curtiria o momento e deixaria rolar. Mas não era um dia normal, nem o cara certo. Christian era Charlie demais para mim. 
    - Tá tão quietinha - ele disse, olhando o mar se quebrando à sua frente -, no que está pensando? 
    - Está tudo tão complicado, Christian... 
    Ele franziu o cenho, em sinal para que eu continuasse. 
    - Para começar, eu não sei como vim parar aqui. E depois, não sei o que é aqui. Alucinação? Sonho? Além disso, tirando você, eu não tenho mais ninguém com quem contar. E mesmo você. Pôxa, eu não te conheço nem há um dia! 
    - Ei, relaxa. 
    Christian tinha um poder enorme de ser perfeito. Impressionante. Até o sorriso mais superficial ficava lindo nele. Pena que fosse superficial demais para me enganar. Ele só queria que eu parasse de encher seu saco. Só isso. 
     - Ah, como se você ligasse, senhor Eu-Me-Acho-O-Zorro.
    Ele revirou os olhos. 
    - Acha mesmo que só tô querendo calar tua boca? 
    Encarei-o, com a sobrancelha arqueada.
    - Tenho certeza.
    Um faísca de frustração atravessou seus olhos. Eu o irritava, então...
    - Pois está errada. 
    E ficou em silêncio, apenas olhando o mar. 

Revoltada. Era isso que eu estava. Eu não tinha falado porcaria nenhuma e ele tinha ficado irritadinho. Mas que merda de garoto frouxo. Na verdade, não sei de quem estava com mais raiva: de mim, por ter confiado nele, ou dele, por ter me mandado relaxar. Minha cabeça fervia. Precisava me acalmar. 
    Tirei a blusa e corri em direção ao mar, deixando a água me engolir. Me afogar eu não ia. O resto que se danasse. Christian continuou calado, apenas me olhando. Parecia alheio a tudo que eu fazia. Se eu me matasse, ele provavelmente nem notaria. 
     - EU TE ODEIO! - berrei para ele. 
     Ele sorriu, exibindo seus dentes brancos perfeitos. Mas que ódio desse menino! 
     - Isso quer dizer que sente alguma coisa por mim. Nem que seja ódio.
     - Você tá mudando de assunto. 
     - Não estou, não. 
     Bufei.
     - O que você está querendo dizer? - perguntei, trincando os dentes. 
     - Que você gosta de mim, May. 
     - Isso não é verdade, Christian. Você sabe que não. 
     Mas minhas bochechas coradas me entregaram. Ele ria, enquanto se aproximava de mim - mais lindo do que nunca. Meu corpo todo tremeu. Talvez eu gostasse mesmo dele. Caminhei para fora do mar, tremendo de frio, mas sentindo meu sangue ferver por dentro. Christian já estava muito perto. Perto demais. 
     Aceitei seus braços quando ele os passou por minha cintura, deixando-me a centímetros de sua boca. Seu hálito de menta soprou em meu ouvido:
     - Eu te amo, Maria Lúcia. 
     Nossos lábios estavam prestes a se encaixar quando me dei conta: Como ele sabia meu nome, se nunca havia contado qual era?

"What if I said I loved you?
Would you be the one to run to?
Or would you watch me walk away
Without a fight"
What If - Ashley Tisdale

CONTINUA...

MIL DESCULPAS, tchucos! Tives quatro provas essa semana, estou a ponto de enlouquecer. Mas eu escapei do livro de história para dar o ar da minha graça (haha', muito engraçado, '¬¬). Enfim, aqui está mais uma parte de What If?. Sei que compliquei, se não entenderem nada alguma coisa, é só perguntar. Além disso, estou enrolando muito, por isso entendendo se pararem de ler pela metade ou se se irritarem com o final. Vou tentar postar a quinta  parte mais rápido, mas não posso prometer, porque lá na escola está uma correria só. Ah, e me desculpem pelo tamanho do post.  Beijos de maçã.

12 de fevereiro de 2011

What If? - parte III

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Sorri e continuei caminhando, de mãos dadas com Zorro. Já dava para ouvir as primeiras ondas se quebrando na praia. Era a primeira vez no dia que eu chegava perto de algum tipo de água. Claro que tinha que ser salgada, para eu não poder beber. Mas ainda assim, era bom ouvir seu som.
   - Feliz? - Zorro sussurrou em meu ouvido, apertando sua mão contra a minha. 
   - Muito. Obrigada mesmo. 
   Ele sorriu, entortando os lábios. 
   Duas horas caminhando juntos e já parecíamos dois amigos de infância. O mais engraçado é que não falamos absolutamente nada além de "Que calor" e "Que sede". Bem, as reclamações partiram de mim. Zorro não disse nada. Nem seu nome, na verdade. 
    - Er... você tem um nome? - perguntei, envergonhada. 
    Ele crispou os lábios e franziu o cenho. 
    - Pode me chamar de Christian. 
    - Certo, Christian... onde estamos mesmo? 
    Ele relaxou o rosto e soltou minha mão para olhar em volta.
    - Chuto que em Petalúnia - disse, meio perdido -, pelo menos parece muito. 
    - Ah, tanto faz também. Já tô ferrada mesmo. 
    Christian pegou minha mão de novo, me conduzindo a uma casinha com uma placa que dizia "Sant's Hotel". Christian empurrou a porta, fazendo apitar um sensor de presença. Uma senhora barriguda surgiu quase que na mesma hora, com uma prancheta na mão e um olhar infantil no rosto.
     - Quarto para dois? - sugeriu, mal-intencionada. 
     - Não. Dois quartos. - corrigi, vermelha. 
     - Hm, certo...
     Olhou a prancheta e sorriu um sorriso desdentado, tirando duas chaves do bolso.
     - Quartos 103 e 104, no segundo andar. O jantar sai às sete. 
     E saiu rebolando um quadril bem avantajado.
     - Então, Christian... onde fica Petalúnia exatamente?
     - Tenha certeza de que não no geoatlas. 
     - Sei. - respondi, por não saber mais o que dizer. 
     - Ei, que tal irmos à praia? Ainda dá para pegar a maré alta. 
     - Claro, mas... será que posso beber água antes?
    Ele riu e passou suas mãos por meu ombros, encostando minha cabeça em seu peito. O toque áspero e leve dele era absurdamente parecido com o de Charlie. Mordi os lábios. Ele deve ter pedido água, mas não me lembro.
     Meu cérebro congelou no momento em que percebi que Christian me abraçou exatamente do mesmo modo que Charlie fez antes de tudo virar de cabeça para baixo.

"Every time I speak you try to stop me
Cause every little thing I say is wrong
You say you're noticing but you never see
This is who I really am, that you can't believe"
What If - Ashley Tisdale
 
CONTINUA...

Esta provavelmente foi a pior parte de todas. Me desculpem por isso, tchucos (HAHA', apelido infame), mas é que eu não tô com muita cabeça, sabe?, mas também não quero deixar o CBBB parado, então... prometo fazer mais bonito na próxima parte e por favor não desistam de What If?, só fiz feio desta vez. Beijinhos e até a próxima.
      

6 de fevereiro de 2011

What If? - parte II

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Sacudi a areia da minha calça jeans, borbulhando de ódio. Estava andando há mais de uma hora e nenhum sinal de vida. Que vontade de matar minha imaginação!, para onde a infeliz tinha me levado dessa vez? Bufei, tirando minha blusa de frio. Devia estar uns quarenta graus. Eu estava muito, muito longe mesmo de Nova York.
    - Merda!
   Berrei. Ninguém ia me ouvir mesmo.
  Depois que alguém invisível bateu à porta, uma luz quase me deixou cega e meu primo desapareceu, eu fui misteriosamente teleportada para cá. Uma terra tão deserta quanto o Saara. Nunca vi tanta areia reunida em um lugar só, Senhor! Olhei para meu All Star imundo e minhas calça jeans cheia de pontinhos bege. Suspirei. Era melhor me entregar e morrer de inanição.
   Meus lábios começavam a rachar e minha garganta a arder. Por que não imaginei uma garrafa de água mineral também?
   - Quero minha Nova York de volta... - gemi baixinho - A neve, a touca, o chocolate quente. Assistir à Oprah com meu primo me atormentando...
   Charlie! Quase me esqueci dele.
   Preguei os olhos com fita adesiva invisível e desejei que meu primo também estivesse ali. Se eu estivesse certa e tudo fosse obra da minha imaginação - ou alucinação -, talvez eu conseguisse puxar meu primo comigo. Até porque não custava tentar. Não tinha mais nada a perder mesmo. Pedi mais algumas vezes, respirei fundo e abri os olhos, já preparada para a decepção.
    Eu sei o que estão pensando: meu primo aparece, a gente se abraça e juntos achamos a saída daquele deserto maluco.
    Mas quando eu abri os olhos meu primo não estava lá. No lugar onde desejei que ele aparecesse, havia um garoto de capa preta e máscara, fitando-me com certa curiosidade. Se eu fosse mais fundo na análise, diria que ele era um Zorro de 17 anos.
    Minha imaginação tem um poder incrível.
    Ele estendeu sua mão para mim e sorriu:
    - Se importaria se saíssemos daqui?
    Pisquei, atônita, e o segui. Algo naqueles olhos não me era estranho.

"What if I need you baby?
Would you even try to save me?
Or would you find some lame excuse"
What if - Ashley Tisdale

CONTINUA...

Bem gente, mais uma parte. Essa semana eu devo sumir daqui. Minhas aulas vão começar pra valer e vai ter muita matéria. Então, já vou pedindo desculpas adiantadas e novamente que não me abandonem. Ah, e fico muito feliz que vocês tenham gostado do último post, adorei os comentários. E continuem dizendo o que estão achando. É muito importante para mim. Beijinhos de melancia.

4 de fevereiro de 2011

What If? - parte I

11 passaram por aqui
Encolhi meus braços, abraçando meus ombros. Cara, como estava frio. Nova York nessa época do ano era indigerível. Neve apesar do sol, floquinhos irritantes no cabelo, luvas que pinicam e toucas de crochê. Bem, das toucas até que eu gosto. Derrubei um chocolate quente guela abaixo e me joguei no sofá, ligando a televisão. The Oprah Winfrey Show. Peguei uma bacia de pipoca e fiquei assistindo, no conforto do aquecedor.
   - Oi, May - ele me cumprimentou com um sorriso torto. Tirou as botas de neve e deu uma volta pela casa, parando na escada - Mãe? 
   - A tia saiu. - respondi. Charlie abriu a boca para falar alguma coisa, mas desistiu. Então continuei: - Antes que pergunte, o tio também foi. Foram à Starbucks. Voltam as oito. E fiquei quieto, Charlie! - completei, remedando minha tia. Ele arregalou os olhos com a imitação. Dei de ombros - Ela mandou dar o recado, ué! 
   - Não precisava dar uma de esquisita! 
   - Eu sou esquisita, Charlie! 
   Ele mordeu os lábios. 
   - É, tem razão.
   Ele deu outro sorriso torto e tirou o cachecol, jogando-o do outro lado da sala. Revirei os olhos, perplexa. Os anos se passavam e meu primo continuava um desleixado. Charlie riu pelo nariz, emitindo um som engraçado. Bobo. 
   - Para com isso - mostrei a língua para ele -, seu irritante! 
   Charlie mostrou a língua de volta e desabou a meu lado no sofá. Pegou o controle da minha mão e passou o braço pelo meu ombro, deitando-me no seu colo. Algum tipo de brincadeira? Corei. Ele riu e passou os dedos por minhas bochechas frias e rosadas. Nunca o tinha visto tão carinhoso comigo. 
   Na verdade, ele nunca tinha sido carinhoso comigo. 
   - Charlie! - agarrei sua mão, que já descia por meu pescoço - O que pensa que tá fazendo?
   - Nada, ué... - e então pensou um pouco - Eu sei lá. 
   Ele me soltou e voltou à sua posição normal. Não, não. Estava parado demais. Tinha alguma coisa errada. Soltei um suspiro e me preparei para perguntar por quê. Ele continuava muito quieto. Abri a boca para falar.
   Foi quando ouvi um barulho vindo da porta. Três batidas e um brilho intenso. 
   E tudo, inclusive Charlie, sumiu.

"Get real, who you playing with?
I never thought he'd be like this
You were supposed to be there by my side"
What If - Ashley Tisdale
 
Certo, eu não sei bem o que é isso. Talvez uma tentativa de história. Enfim, minha inspiração me deu tchauzinho e saiu pra viajar. Então, por enquanto, só vão encontrar textos desse tipo por aqui. Mas não sumam, porque assim que minha amiga voltar de viagem eu volto com meus textos - os menos esquisitos. Merece continuação, gente? Bem, é isso. Beijinhos de maçã.