26 de março de 2011

What If? - parte final


Nova York, Estados Unidos

Elas ficavam cada vez mais fracas e distantes. Mesmo se pusessem as mãos sobre meu peito, as batidas de meu coração já seriam baixas demais. Ninguém as escutaria. Fechei os olhos, ouvindo os passos apressados dos médicos e enfermeiros, com seus desfibriladores e injeções. A cada choque, mais distante ficavam os passos e as vozes.
    - May! - uma voz rouca gritou, cortada pelos soluços. - Por favor, fica...
    Mais um choque, dessa vez mais forte. Doeu demais. 
    - Eu te amo, fica... - gemeu baixinho. 
   A voz que vinha de fora era a de Charlie. Um fogo queimou por dentro de mim, como um último esforço de sobrevivência. Alguma coisa em mim tremeu e voltou a bater. Meu coração? 
    - Os batimentos voltaram - ouvi um dos médicos dizer - Graças a Deus... 
    - Ela vai ficar bem! - avisou um enfermeiro a quem quer que estivesse do outro lado dos vidros. 
    - Deixem-na descansar - o médico voltou a falar, mais calmo - E tentem acalmar o garoto lá fora. Senão vamos acabar com outro paciente aqui. 
    E riu um riso gostoso, de quem acabara de vencer uma briga.
.    .    .
Me olhar no espelho foi um choque. Eu estava da cor da camisola do hospital e com olheiras fundas e roxas. Alguns cortes estavam espalhados pelo meu nariz e minha testa, como riscos em um quadro. Peguei uma escova e comecei a pentear meus cabelos, tentando ressuscitar os fios loiros ressecados. Pelo visto ia precisar de ajuda. 
    - Mãe!
    - Me deixa adivinhar - pôs os dedos na testa, fingindo pensar -, seu cabelo? 
    Bufei, irritada com a piadinha. Ela pegou a escova e começou a pentear os cachos, desamassando-os. Quando terminou, o que tinha acima da minha cabeça voltou a parecer meu cabelo. Sorri, satisfeita, e lhe dei um beijo estalado na bochecha. 
    - Vou na lanchonete, tá? 
    Mamãe assentiu e me deu dinheiro. 
    Apertei todos os botões dos elevadores e esperei um abrir. Voei para dentro e pedi o primeiro andar. Ninguém mais entrou comigo, então fiquei me olhando no espelho mais um pouco, assustada com as costelas aparecendo sob a camisola fina. Nunca fui tão magra assim. 
    Já passava das dez da noite, então tudo estava praticamente deserto. Exceto por um menino encapuzado, que lia uma revista qualquer, batendo os pés contra o chão. Tinha o rosto franzido, meio irritado. Parecia contrariado, sei lá. Me aproximei dele e cutuquei seu ombro. Ele olhou para mim e relaxou a expressão. 
    - Oi, May... - sussurrou, como estivesse arrancando uma dor de dentro de si. 
    - Charlie! - exclamei, esmagando-o contra os meus braços. - Mamãe me disse que você estava em casa. E eu não achei que... não achei... AI MEU DEUS! 
    Ele riu, apertando seus braços em volta de mim. Beijou minha testa de me colocou de pé em seus tênis, para ficar da sua altura. Olhou fundo em meus olhos e suspirou, inebriando-me com seu hálito doce. Quis beijá-lo. 
    - Você se lembra, Charlie? - perguntei, pensando em Zorro, em Petalúnia, em tudo... 
    - De quê, prima? 
    Prima? Nada de amor, de boneca, de nada?
    - Você me ama, Charlie? - perguntei, repetindo parte da história de como-vim-parar-aqui. 
    Ele franziu o cenho, nervoso. 
    - Por favor, não cometa o mesmo erro. - murmurei em seu ouvido. - Não faça tudo de novo. 
    Ele crispou os lábios, para depois sorrir. Balançou a cabeça, concordando. 
    - Sim, eu te amo. E sim, eu me lembro. De tudo... Petalúnia, do mar, de como eu me maquiei para parecer Zorro. E, cara, devo admitir, não sei como vocês aguentam com pó-de-arroz e base na cara. Parece massa corrida! 
    Ri, batendo em seu ombro. Meu Zorro estava de volta, então.
    - Então... assim... - mordi os lábios, hesitando - Será que você pode me beijar ou tá difícil? 
    Charlie riu, enlaçando minha cintura. Fechei os olhos e esperei. Ele beijou meu pescoço e meus lábios. Arranhei de leve suas costas, enrolando seu cabelo em meus dedos. Meu coração bateu tão vivo, como nunca antes. Era possível ouvir as batidas, mesmo entre seus braços e seus lábios.
    - Acho que vou te chamar de Zorro de agora em diante. - gemi em seu ouvido, ofegante.
    - Tá certo, meu amor. À vontade. 
    Desci de seus pés e me desamassei, me preparando para subir de volta. Sorri para Charlie e peguei o elevador. Mais uma vez subi sozinha.
    - Demorou, flor. - minha mãe falou. 
    - Ah, é que lá em baixo tava passando um filme... - menti. 
    Ela arqueou uma sobrancelha. 
    - Que filme, hein?
    - A Lenda do Zorro, mamãe. 
    E mordi os lábios, escondendo um sorriso malicioso.

"But What if I need you baby?
Would you even try to save me?
Or would you find some lame excuse
To never be true
What if I said I loved you?
Would you be the one to run to?
Or would you watch me walk away"
What If - Ashley Tisdale

FIM

Última parte tipo, nada a ver, né? Mas tudo bem... Por aqui eu me despeço de What If?, e espero que não fiquem desapontados com o final... Nunca me dou bem com finais de história. Enfim..., é isso. Beijos de maçã, tchucos' ;*

7 comentários:

Monique Premazzi disse...

AWWWWWWWWWWWWWWWWWWN, CHARLIE [AAA]
Ficou demais essa história, nem acredito que acabou, da até tristeza.
Relaxa, o final ficou bom e eu sou péssima com finais, sei como é isso. Eu nunca sei quando eu devo terminar uma coisa. É tenso! KKKKKKKKKKKKK

Awn, eu queria mais ):
Proximo conto já está pensando sobre? RAM

Beijinhos.
s2

Anna Carolina Vale . disse...

Sério, qual o problema dele? Ele ia mesmo fingir que nao lembrava de nada e deixar a mulher da vida dele pra lá?
AAH, homens --'

Enfim, adorei esse final, impactante, emocionante e fofo. Espero o proximo conto *---*

beijos :**

_Paulinha disse...

Seguiindo, se puder segue o meu
http://olharfixante.blogspot.com/ *.*
Gostei mt do seu blog, 3 bjs, continue assim!

Luciane Guedes disse...

Adorei,Leti,não está nada melosa,está é muito criativa.Para onde a gente vai quando quase morre?Você acabou de criar mais uma possibilidade:Petalúnia!Parabéns!A magia de escrever está nisso!

Julie Duarte disse...

AAA, vou ler o começo pra conseguir entender o final KOAPSKOPSA
Ei amor, há vagas abertas para a equipe do blog, confere lá!

Italo Stauffenberg disse...

já virou escritora, e isso um livro!

^^

parabéns pela criatividade em prolongar um conto assim!

abração

Flavinhaf disse...

aaawn ameeei o final da historia *-*
Parabens, historia muito linda! :D