23 de abril de 2011

I still love you.

- Quem é ele, minha filha? - mamãe me perguntou, olhando para o homem que nos encarava, do outro lado da rua. - Você o conhece?
    Olhei-o também. Estava encostado num poste, fumando distraidamente. Todo o peso daqueles olhos verdes voltou a cair sobre mim, como se nunca tivesse deixado meu coração. Ele estava mais alto, é claro. Mas ainda era o mesmo cara sexy, divertido e malicioso de antes. Ainda usava a calça jeans larga, a blusa dos Beatles e o gorro preto, sempre com um cigarro preso aos lábios. Era o mesmo, só um pouco mais triste.
    E eu era a culpada. 
    - Não sei quem é. - trinquei os dentes, segurando as lágrimas. 
   André, de alguma forma, conseguiu ouvir, porque seu rosto se contraiu e ele arqueou uma sobrancelha, curioso com a minha ousadia. Era, provavelmente, a mentira mais deslavada que eu contava. Baixei os olhos para os meus pés e sussurrei: 
    - Vamos, mamãe? 
    - Engraçado você dizer isso - ela me ignorou - Se você não conhece o menino, por que ele te espera todo dia depois da escola? 
    - Como sabe que ele me espera?
    Ela franziu o cenho, pensando.
    - Se fosse diferente, ele não te olharia com tanto amor. 
    Não aguentei. Ergui os olhos para ver a reação dele. André sorriu do outro lado da rua, jogando a guimba de cigarro no chão. Por que mamãe tinha que falar tão alto? 
    - Já chega, mamãe. Vamos embora. 
    Ela suspirou e assentiu. Foi o tempo de eu pisar na rua e as lágrimas começaram a escorrer, uma atrás da outra, em uma mistura de saudade e culpa. Minha pernas pareciam de gelatina. Meu corpo todo formigava. 
    - O ônibus! - minha mãe gritou, trazendo-me de volta à realidade. Me puxou pelo braço, arrastando-me como se fosse de pano. Cheguei ofegante à porta.  
    Quando já estava segura em minha gaiola, arrisquei uma última olhada. E, como em todas as outras tardes, ele pôs uma expressão de derrota do rosto e murmurou as quatro palavras que me matavam por dentro:
    - Eu ainda te amo.
   
"You tell me that you're leaving, and I'm trying to understand
I had myself believing I could take it like a man
But if you gotta go, then you gotta know that's killing me" 
I Still Love You - Kiss

Meu plano não era escrever alguma coisa de amor. Mas é tudo que tá passando pela minha cabeça esses dias. Foi mal mesmo. Enfim... o que acharam? Meio pirada, né? É que eu to meio viajada esses dias (Você quis dizer: sempre). Bem, é isso... Beijos de maçã para vocês ;*

14 comentários:

Railma R. Medeiros! disse...

Acho que ninguém peca ao escrever sobre amor, não é mesmo? A história é triste, porém, linda demais, meus parabéns. parte do ônibus, achei tão interessante a maneira que você mostrou o fato dela estar viajando em pensamentos. hihi ' Tô te seguindo aqui querida, sucesso sempre!

Me visite também: http://railmamedeiros.blogspot.com/

mila disse...

é inevitável falar de amor, rs
e ficou lindo o texyto :3

beijos

Gabe Candido disse...

Eu adorei o texto, mas fiquei com pena do André, tadinho. :/
Parabéns pelo blog.
Bjs

Julie Duarte disse...

Escrever sobre o amor não é algo que pensamos: ah, vou falar sobre esse sentimento. É algo que sai de você, sem saber, talvez. As palavras fluem.

Tânia T. disse...

Que história linda... triste, mas linda!

O amor é mesmo assim... sem explicação.

Adorei o conto!

Bjuu =*

Julie Duarte disse...

Agora que percebi que tem a música do Kiss ali! Gente, que linda *-*

p, beck. disse...

- triste, porém muito bonito. :)

Monique Premazzi disse...

Amor sempre nos persegue. Incrível. E achei esse texto perfeito, me fez sorrir em diversas partes, principalmente quando ele sorri para ela depois que a mãe dela diz que ele fica esperando todos os dias no colégio. Fofo!
Se cuida, beijinhos s2

16 Amargos disse...

Seguindo!


http://dezesseisamargos.blogspot.com/

Monique Premazzi disse...

Eu também estou com pena de terminar o conto, mas como eu mesmo disse, aliviada. É chato ficar postando as partes do conto e nunca acabar D: KKKKKKKK

Beijinhos, se cuida! s2

Nina Auras disse...

Então continue viajada, porque esse texto estava bem, bem lindo, Letícia! E sabe o que eu notei esses dias? Eu te tenho no orkut, não lembro se tenho no msn, e a gente nunca conversou direito. Poxa, assim não dá né? OASHOASHOS *-*

E eu acho que a mãe captou algo que a menina precisava ouvir para seguir em frente - ou voltar atrás, nunca se sabe. Adorei o texto, de verdade. Eu acho que você entende de amor, principalmente se está passando pela tua cabeça esses dias.

Beijos!

Monique Premazzi disse...

Awn, obrigada pelo comentário lá no blog Leeti *-* Cadê o post novo? Bom, postei a última parte de OBL \o

Beijinhos, se cuida s2

Monique Premazzi disse...

Obrigada mesmo por comentar no último capitulo de OBL *-* Que bom que você gostou, viu? E eu estou pensando num conto novo, pra você voltar a querer quebrar o computador, mas não quebra não o.o
KKKKKKKKKKKKKKK

Beijinhos, se cuida s2

Pamela Dal'Alva? disse...

não li o de cima pq fiquei com preguiça.. mais amei esse.. *-*
cortou totalmente quando amae gritou no onibus.. rsrs

Mais pq eles nao podem ficar juntos??