9 de maio de 2011

Pra falar de amor.

7 passaram por aqui
É a primeira vez que consigo ouvir de verdade o meu coração. Bate dolorido sob a palma da minha mão, cansado da solidão do "eu". É tudo tão triste aqui. Nem as barras de chocolate e os potes de sorvete preenchem o espaço vazio que ficou no lugar onde antes havia amor, sentimento verdadeiro.
     - Vai mesmo fazer isso? - Daniel me acordou do transe. 
     - Já não mandei você ir embora? 
     Ele respirou fundo, segurando-se para não bater na minha cara. 
     - Essa casa também é minha, tá legal? 
     - Ah. Prefere que eu vá, então?
     Daniel contornou a cama, sentando na cabeceira. Pôs a cabeça entre as mãos. Só fazia isso quando queria se matar ou me matar. Qualquer um que fosse, deixou-me nervosa e me fez recuar. 
     - Desculpe. 
     - Tanto faz. - murmurou entre dentes - Por que faz isso, Mel? Por que tenta me matar de raiva toda vez que eu tento resolver as coisas? Parece que tem medo de mim, cruz credo! 
     Foi a minha vez de respirar fundo, para segurar as lágrimas. Lá vamos nós de novo. 
     - A culpa não é sua. 
     - Ah, então agora a gente ter se casado é motivo de culpa? E suponho que seja sua, não é?
     - Não é culpa de ninguém.
     - E o divórcio, é culpa de quem? 
     - Minha. 
     Ele franziu os lábios, ficando vermelho. Era impressionante como conseguíamos discutir esse assunto todas as vezes que nos olhávamos na cara. A verdade é que, por mais que eu diga que tenho certeza da minha decisão, isso dói demais. E eu ainda o amo, o que piora tudo. 
     - Vai mesmo fazer isso? Jogar o casamento de 10 anos pro ar na primeira dificuldade que passamos? - ele perguntou, olhando fundo em meus olhos. Daniel sabia o quanto era difícil para mim. Ainda mais olhando naquelas piscinas azuis, sentindo aquele perfume que eu gostava tanto...
     - Talvez... - mordi os lábios, hesitando. Ele sorriu, incitando-me a continuar - Talvez a gente possa tentar de novo, eu não sei...
     Desviei o olhar para minhas mãos, numa tentativa de facilitar as coisas. Já era bem complicado sem todo aquele joguinho de sedução que só ele sabia fazer.
     - Tem sido bem difícil sem você aqui. 
     Ele tirou uma mecha de cabelo do meu rosto, secando umas poucas lágrimas que teimaram em cair. Sorri e fiz carinho em seu rosto, catando os pedaços do meu coração, esperando que Daniel os colasse de volta.
     - Pensei que tinha te perdido de vez, meu amor. - sussurrou
     - Se lembra dos votos que fiz no nosso casamento? - perguntei. Ele assentiu, num gesto tímido. - Pois é. Podem ter se passado dez anos, mas eu ainda sou fiel a eles. Eu ainda vou amá-lo, por tudo e apesar de tudo. 
     Daniel escorregou na cama até meu lado e me imprensou contra os travesseiros, soprando seu hálito de hortelã em meu rosto. Mais provocação? Mordi o lábio inferior e fechei os olhos, esperando. E, quando seus lábios encontraram os meus, foi como na primeira vez, mesmo depois de dez anos. Porque, diferente de todos os potes de sorvete da minha geladeira, o amor não tem validade. Nem preço.

"Ontem pensei que estaria melhor
Sem você, sem nós dois
Poderia viver
O meu mundo se pôs entre recordações
E a vontade de ser novamente seu par
Ai, como eu gostaria de te encontrar
Pra falar de amor, pra falar de amor..."
- Pra falar de amor, Erasmo Carlos -
Poisé, como vocês já devem ter percebido, eu não consigo sossegar com um layout só, então, mudei de novo. Mas dessa vez tem um motivo bom, eu juro: Eu mudei também. Alguma coisa em mim mudou. Amadureci, sofri e vivi mais. E, quanto ao post, maaaais amor. E aí, o que acharam? Me digam nos comentários, porque minha bola de cristal quebrou ;) Beeeeijos, meus anjos ;*