24 de junho de 2011

Às vezes...

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Às vezes é bom deitar na rua só para adivinhar o formato das nuvens no céu. Fechar os olhos e ouvir as rodas dos carros que vêm lá longe, numa velocidade constante de pena caindo. Sentir um frio na barriga e um medo enorme de ser atropelado; e ignorá-lo, assim como fez com o perigo de se deitar no asfalto frio. 
     
Às vezes - muitas vezes - dá vontade de jogar tudo pro alto e mandar todo mundo se ferrar. Dá vontade de brigar com o vento e se jogar do décimo quinto andar, sem olhar para trás. É quando a insanidade invade sem bater à porta e vem morar no coração por um tempo. Faz bagunça nas ideias, inverte os pensamentos. Magoa o coração

Às vezes - raras vezes - a coragem foge. É justamente o que faz a gente parar, deitar na rua e observar o céu. As nuvens, o som das rodas do carro cada vez mais próximas. O sono vem de leve e dá vontade de dormir ali. A insanidade pede aos olhos que se fechem, que mandem tudo se danar; mas o coração bate alto, da mesma altura da buzina do carro. 

Às vezes dá vontade de ficar.

Mas as pernas pulam nos pés e a gente corre, corre pra longe do perigo. 

Às vezes a gente pensa que a vida abandonou a gente. É quando o coração avisa à mente que a vida ainda vale a pena, que existe - além de toda a dor e sofrimento - uma coisa pela qual vale a pena lutar. 

E o coração desacelera, as pernas freiam na calçada, o carro passa xingando, as nuvens mudam de forma. E a vida continua. E ainda haverá mais "às vezes". Muitos mais. É porque tem horas que o "sempre" enche o saco; e só um "às vezes" é a solução.


Olá, amores. Esses dias andaram meio tristes. Um colega meu escolheu renunciar à vida. E está fazendo falta, viu? Muita. Mas sei que o melhor há de vir. Esse texto eu dedico a ele e a todos que fizeram a mesma escolha. Beijinhos ;* s2

21 de junho de 2011

Sobre o amor: leia nas entrelinhas

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"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar." 
( Carlos Drummond de Andrade)

É engraçada a ideia que as pessoas fazem do amor. Pernas bambas, coração disparado, boca seca, mente vazia, borboletas sobrevoando o estômago. E, vez por outra, um sorriso idiota e uma tentativa fracassada de fala. Ah, como seria maravilhoso se o amor fosse simples e puro assim. Sem entrelinhas, sem mensagens ocultas e, principalmente, sem segredos. Mas, se o amor é tão simples assim, por que tão poucas pessoas conseguem senti-lo?
      Simples. Porque amar não é isso. Amar vai além de dizer "eu te amo", ultrapassa os beijos de bom dia e boa noite, cruza a linha do "juntos para sempre". Aliás, o "para sempre" deixou de significar grande coisa desde que os filmes da Disney o transformaram em duas horas de puro clichê, algumas lágrimas e créditos finais. Fim. Esqueceram-se de que, da porta do cinema para fora, a realidade é bem diferente.
     Se é assim, Letícia, o que é amar?
     Amar é um verbo transitivo direto segundo a gramática, mas intransitivo segundo Mário de Andrade. É a contradição que joga o certo contra o desejado. É a percepção de que ninguém é feliz sozinho. E de que, apesar de não existirem as metades da laranja, a analogia se encaixa perfeitamente. São as metades de um coração que aprendem a se costurar com linhas nem sempre tão fortes, nem sempre tão certas.
     Mas capazes de suportar anos de uso.
     É descobrir que nem anos de convivência são suficientes para desvendar os mistérios do outro; e como é possível, a cada dia, sentir-se mais perto, mais ligado a quem você ama. É ter dentro de si a certeza de que nem trezentos litros de água são eficazes contra o fogo que queima dentro do coração e faz o corpo inteiro arder em chamas.
     Quem o sente, sabe o quão poderoso é o amor, mesmo no silêncio.
     Quem não o sente, precisa dizer que o faz, além de dar uma descrição detalhada de como é senti-lo. São as tais borboletas no estômago.
     Sinto  infomá-los, mas isso é paixão, atração. É o início de uma coisa que pode vir a ser amor um dia. Não, não estou dizendo que isso não faz parte do verbo amar. Só que amar não implica apenas nisso.
     Implica na sensação de conhecer uma pessoa a sua vida inteira e simplesmente não poder mais viver sem ela. Implica em não conseguir imaginar uma vida em que a pessoa não exista e se perguntar como você sobreviveu até ali sem ela.
     E implica em sentir tudo isso dentro de si sem precisar que Deus e o mundo também saibam.
     Sair dizendo "eu te amo" até para o cimento da calçada não é amar. É querer amar, mas não conseguir. E isso, meus caros, é de longe a forma mais triste de decepção. Afinal, como cantava Renato Russo, "Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria..."
   

12 de junho de 2011

[...] alguma coisa sobre rosas [...]

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Nenhuma rosa é completa sem seus espinhos - um amante deve espetar seus dedos, deixá-los sangrar, antes que a rosa chegue às mãos de sua amada;

Nenhuma rosa deve ser entregue em um buquê - deve ser especial sozinha, sem precisar de complementos;

Nenhuma rosa chegará as mãos da moça enquanto ela estiver acompanhada - deve ser entregue quando ela estiver sozinha em seu quarto, com tempo de sobra para pensar em seu amado;

Nenhuma rosa será considerada incompleta - a moça deve olhá-la e suspirar, sem nunca pensar que ela deveria estar acompanhada de outras;

Nenhuma rosa deixará de ser vermelha - será sempre da cor da paixão, da encomenda à entrega; será cor de sangue vivo, como aquele que corre pelas veias do apaixonado;

Nenhuma rosa será entregue em outro dia que não seja o dos namorados - virá sempre acompanhada de um bilhete, na data marcada, contendo apenas três palavras: "eu te amo"; fora isso, mais nada;

Nenhuma rosa será enviada em vão.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS ♥

Tchucos', não pude deixar de passar por aqui num dia especial desses. Fiz um texto bem meia-boca, mas que é engolível. Espero que desculpem minha falta de inspiração para um dia lindo desses. Beeijos e feliz dia dos namorados pra vocês s2

8 de junho de 2011

Sobre sentimentos

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Pela janela do meu quarto a chuva cai ruidosa, batendo fortemente contra o vidro. Mesmo que eu tampe os ouvidos ainda posso ouvi-la chiando, perturbando minha cabeça já não muito normal. Tudo em meu quarto está fora de foco, fora de contexto. Inclusive eu. 
    Respiro fundo e me deito na cama, sufocando o choro no travesseiro. Há muito tempo aquele é meu canto da dor, dos segredos secretos que só confidencio às paredes, que os guarda com todo cuidado.
    Faz tempo que eu sofro em silêncio. 
    Meu diário está sobre a mesinha de cabeceira. Ganhei-o em um amigo oculto há uns dois anos. Desde então pouco escrevi nele, além de uns poemas idiotas e umas frases que eu tirei de livros que li. 
    Pego uma caneta e arrisco um novo poema. Sei que vai doer lê-lo mais tarde, por isso prometo a mim mesma que jogarei o papel fora assim que terminar de escrever. A caneta desliza pelo papel.

    São dois olhos bem pequenos
    Miúdos, de menina
    Pouco sabem de tristeza
    Pouco sabem de sentir
    Mal conhecem o vazio
    De perder o olhar doce
    O sorriso meigo
    Que ainda chega aos olhos 
    Mal sabem que a vida
    Nos derruba, nos tortura
    Nos faz crescer, nos machuca
    Nos ensina que viver
    É bem mais que se feliz

    Larguei a caneta, amassei o papel. Escrever doía mais que só pensar. 
    A verdade é que a vida machuca, nos engana. Faz com que acreditemos em amor verdadeiro, em felicidade plena. Mas tudo isso é passageiro. E, por mais que digam que os momentos tristes são compensados pelos felizes, sou obrigada a discordar. 
    Não porque a felicidade não seja linda, mas porque nem todos os sorrisos do mundo são capazes de tirar a dor da primeira lágrima de decepção. 

(Por incrível que pareça, ao som de Fuckin' Perfect - Pink)

Olá, tchucos, como vão vocês? Eu não vou 100%, mas vou bem, obrigada. Finalmente consegui escrever alguma coisa que eu queira mesmo postar (ok, talvez não queira, mas postei mesmo assim), espero que curtam, comentem e blá-blá-blá. Beijocas ;*