8 de junho de 2011

Sobre sentimentos

Pela janela do meu quarto a chuva cai ruidosa, batendo fortemente contra o vidro. Mesmo que eu tampe os ouvidos ainda posso ouvi-la chiando, perturbando minha cabeça já não muito normal. Tudo em meu quarto está fora de foco, fora de contexto. Inclusive eu. 
    Respiro fundo e me deito na cama, sufocando o choro no travesseiro. Há muito tempo aquele é meu canto da dor, dos segredos secretos que só confidencio às paredes, que os guarda com todo cuidado.
    Faz tempo que eu sofro em silêncio. 
    Meu diário está sobre a mesinha de cabeceira. Ganhei-o em um amigo oculto há uns dois anos. Desde então pouco escrevi nele, além de uns poemas idiotas e umas frases que eu tirei de livros que li. 
    Pego uma caneta e arrisco um novo poema. Sei que vai doer lê-lo mais tarde, por isso prometo a mim mesma que jogarei o papel fora assim que terminar de escrever. A caneta desliza pelo papel.

    São dois olhos bem pequenos
    Miúdos, de menina
    Pouco sabem de tristeza
    Pouco sabem de sentir
    Mal conhecem o vazio
    De perder o olhar doce
    O sorriso meigo
    Que ainda chega aos olhos 
    Mal sabem que a vida
    Nos derruba, nos tortura
    Nos faz crescer, nos machuca
    Nos ensina que viver
    É bem mais que se feliz

    Larguei a caneta, amassei o papel. Escrever doía mais que só pensar. 
    A verdade é que a vida machuca, nos engana. Faz com que acreditemos em amor verdadeiro, em felicidade plena. Mas tudo isso é passageiro. E, por mais que digam que os momentos tristes são compensados pelos felizes, sou obrigada a discordar. 
    Não porque a felicidade não seja linda, mas porque nem todos os sorrisos do mundo são capazes de tirar a dor da primeira lágrima de decepção. 

(Por incrível que pareça, ao som de Fuckin' Perfect - Pink)

Olá, tchucos, como vão vocês? Eu não vou 100%, mas vou bem, obrigada. Finalmente consegui escrever alguma coisa que eu queira mesmo postar (ok, talvez não queira, mas postei mesmo assim), espero que curtam, comentem e blá-blá-blá. Beijocas ;*

5 comentários:

Jaynne Santos disse...

No meu caso é mais o contrário, cada palavra que escrevo leva um pouco da minha dor. Talvez elas depositem-na em outros corações, ou talvez a guarde pra si... Mas elas levam de mim, não toda a dor, mas o suficiente para que eu possa escrever do amor com o tempo.

Um beijo.

Tânia T. disse...

A vida não brinca.. ela nos aperta, exige coragem e no fundo, só quer que sejamos felizes.. os momentos ruins não vêm por acaso.


Tudo passa'

Leeti.. adorei o post!! Escreves tão bem... *--*

BJuxx

Luria Corrêa . disse...

E por incrível que pareça, já escrevi um texto quase da mesma forma. E levanto no meio da noite constantemente para escrever histórias, sério mesmo haha Ficou lindo seu post. Lindo.

Abraço.

(Ah, tem vaga para colaborador lá no blog, se quiser: www.disturbiossobrios.com)

Emerson Aroeira disse...

As palavras que insisto escrever, são minhas, de minhas dores, mas, as vezes, não são! Difícil é dizer quem é o dono dos sentimentos...

Volto sempre!

Monique Premazzi disse...

Eu acho que escrever dói pelo simples fato de nesses textos conter tanto do nosso sofrimento, fazendo com que lembre por aqueles segundos tudo aquilo que machuca.
Decepção é uma droga, machuca mais do que qualquer coisa. Acaba a confiança que poderia ser linda antes.

Amei o post. E essa musica da Pink com certeza inspira muita gente! Ela é demais. Beijinhos s2