31 de agosto de 2011

Lobo mau.

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Frank caminhava em silêncio pela escuridão. Não sabia de suas roupas, ou onde havia conseguido todas aquelas cicatrizes que atravessavam seu rosto. Estava frio àquela hora da madrugada e ele tremia. Muito. Mas não era só de frio que tremia - o medo lhe sacudia o corpo inteiro. Ele gemeu. 
      - Olá. - sussurrei-lhe, saindo de trás da árvore onde estava escondida. - Vim te ajudar. 
      Ele arregalou os olhos para mim. 
      - De onde você saiu? - perguntou com a voz rouca do susto. 
      - Não importa muito. Só precisa saber que eu conheço você e que posso lhe esclarecer muita coisa... se me deixar te ajudar. 
      Mordi os lábios, esperando ele absorver a ideia. 
      - Então...? - incitei-o. Ele sorriu fraquinho, arfando um pouco por causa da dor.
      - Obrigado. 
      Sorri de volta e tirei alguns panos, roupas e um cantil da bolsa. Limpei seus ferimentos e lhe entreguei a roupa para que se vestisse. Fazia menos de quinze graus àquela altura. Ele colocou a calça e  blusa com algum esforço, se sentou ao meu lado e pegou duas maçãs que estavam na minha cesta. 
      - Pode me explicar agora. - murmurou, mordendo uma das maçãs. - Porque, honestamente, estou perdido. 
      Eu sabia que não deveria contar nada a ele, principalmente sobre quem ele era. Mas Frank estava quase tão desesperado quanto a metade da população que ele andava infernizando. Era difícil não sentir pena daquela figura machucada e triste. E sem me controlar, acabei contando tudo o que sabia. 
      - Eu conheço você, Frank. Há mais tempo do que pode imaginar. Sou filha de um dos servos que trabalha para o seu pai. - hesitei por um instante, assistindo-o absorver o que lhe contava - Lembra-se há um ano atrás, quando chegou ao castelo um tal de Sr. Lorenzetti, que seu pai contratara para ensinar-lhe a caçar? - ele assentiu em silêncio, esperando eu continuar - Ele era um antigo praticante de magia negra, famoso da França por suas maldições. Papai já havia me alertado a permanecer distante do homem. Mas eu não podia imaginar que você seria a vítima dele. Logo você, o filho do senhor. Mas foi. Tão logo começaram seus treinamentos, o povo começou a falar de uma besta que atacava as pessoas à noite. Foi então que comecei a reparar que, em noites de Lua cheia, você saía à meia-noite e só retornava na manhã seguinte, todo machucado e confuso. No início achei que estivesse bebendo, mas logo percebi que não era bem assim. Comecei a conversar com as senhoras vizinhas minhas, e elas me disseram que, no último lugar em que Lorenzetti trabalhara, surgiu uma besta parecida, conhecida como lobisomem, um homem que em noites de Lua cheia se transforma em lobo e ataca as pessoas.
       Ele colocou a cabeça entre as mãos e chorou baixinho.
       - Ele me amaldiçoou - experimentou as palavras. - O que dizia a tal maldição?
       - "Um homem que mata um lobo na primeira noite do círculo cheio, terá dentro de si a alma do morto e viverá em eterno desespero"... ou desalento. Não sei bem. 
      - Ah. - murmurou. - As pessoas já sabem que eu sou a besta?
      Balancei a cabeça, negando, e ele me fitou por um instante . 
      - Mas um dia descobrirão. E então eu serei morto.
      Não respondi.
      - Eu te verei de novo, milady?
      - Sim. Da próxima vez que acordar sozinho e não se lembrar de onde esteve na noite anterior...
      Sorri e afaguei sua mão.
      - Mas da próxima vez, lembre-se de suas roupas.

"Não houve tempo em que o homem
Por sobre a Terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais."
(O Lobo, Pitty)

2° LUGAR - EDIÇÃO CONTO/HISTÓRIA, BLQ. 


Opaa, tô sumida, né não? Bem, mas vocês sumiram também, entãaaaaaaao. Saudade daqui tá enorme, geeeente. Mas, como eu venho dizendo há séculos e séculos, amém, minha escola tá muuuuuuito puxada, e eu simplesmente não to dando conta. Vou aparecer aqui sempre que der, mesmo que não seja muito. Beeeeijos, cats =** (detalhe: esse texto é MEEEEGA inspirado na Garota da Capa Vermelha e O Lobisomem, haha'. Espero que tenham gostado =**)