30 de janeiro de 2013

Física da saudade


Nas três leis da saudade
Não cabe nenhuma teoria física,
Nenhuma inércia ou força,
Nenhum movimento uniforme

A velocidade do peito é inconstante
Os experimentos são improváveis
Cálculos são impossíveis 
O pensamento não é retilíneo

Circular só é a tristeza
Que roda, roda e se afoga em si
Curvilínea segue a vida
Na incerteza de direção e sentido 

A distância não se mede em metros
Nem tem qualquer comprimento
Distância de quem ama  se mede em tempo
Tempo sem relógios de tic tac

Saudade é quase  escalar
Sem vetor que guie, sem seta que aponte
É um horizonte vazio
No qual se abrigar

Nas leis da saudade 
Não há Newton, não há padrão
Há só quem tem um coração
Lotado de uma recordação
Impossível de se esquecer 

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