20 de fevereiro de 2014

.De como começamos (e por que eu te amo).

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Para: Vinícius, que me amou apesar da minha chatice. 


Há doze meses atrás, eu escolhi uma música. Chamei a música de nossa e adotei a letra para mim. Você não entendeu na hora (ou talvez tenha entendido... é você); mas uma coisa que eu sei que você sabe é que nada meu é à toa. E, hoje, alguns minutos depois de completarmos o décimo mês de namoro , eu posso finalmente explicar. Vai ficar meio grandinho, mas vai valer a pena. 

(Música: Somewhere Only We Know - Keane)

"I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand. [...]"  
Andei mesmo por 17 anos numa terra que não era desabitada, mas era solitária (a solitária era eu, não a terra). Conhecia de cabeça, corpo e mente todos os caminhos - e todos eram tão iguais, por Deus!. 
"Oh! Simple thing 
where have you gone?
I'm getting old and I need something to rely on [...]"
E sabe o que era engraçado, amor? Sempre me faltava alguma coisa. Não me sentia 
incompleta - eu era bem completa, na verdade. Só que, um dia, eu parei e percebi que eu não queria completude: queria confiança. Queria uma mão, um pé ou uma orelha para puxar quando eu estivesse caindo. Um ombro, um braço, um pedacinho da mão para chorar. Eu precisava ser eu - mas um eu que fosse, além de meu, de mais alguém. 
"So tell me when 
you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin"
E aí... você. Sabe aquelas horas em que uma coisa parece tão desencaixada que até... encaixa? Foi assim. Eu, na minha crise existencial, confidencial, completudinal. Você, no seu "ninguém me cativa o suficiente para ser meu tudo". Ou cativava, não é? Porque, em um, dois meses, você já batia na porta da minha mente bagunçada, pedindo abrigo. Pedindo pelo menos um começo - você cuidaria para que ele virasse um livro, não um capítulo.
"And if you have a minute why don't we go
Talking about that somewhere only we know?"
Você me pedia um começo, apenas (algo tão simples, vendo agora); eu dizia sempre que não era capaz de começar nada com ninguém: era inatingível, inamável, insensível. (Alguma vez você acreditou?). Você não discutia. Só me esperava. E, enquanto isso, vivíamos no nosso mundo de outros mundos - você de Netuno, eu de Vênus, "dois membros reais destinados ao matrimônio". Ah, amor, nunca vou entender de onde você tirou paciência. Eu era um porre com namoro, credo! Mas você continuava a insistir, me pedindo sempre para conversarmos sobre um "nós". 
"I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place we used to love?
Is this the place that I've been dreaming of?"
Até me dá vontade de rir (e chorar, mas essa parte a gente pula, tá?) quando eu lembro do medo que eu sentia. Eu ficava simplesmente apavorada com a ideia de gostar de alguém de novo! Eu sonhava com um amor que desse certo, claro. Mas isso não diminuía o pavor que eu sentia de dar errado. E, ao mesmo tempo, eu surtava por não conseguir controlar o que eu sentia por você, que era cada vez mais intenso (eu começava não só a gostar de você, mas a amar você ). E, no meio de tudo isso, de toda essa confusão, você apenas esperava. (Era paciência, amor ou os dois?)
"This could be the end of everything 
So why don't we go
Somewhere only we know?"
Ontem fizemos dez meses, e tirei essa hora para desmontar a (nossa) música, encaixando a história do nosso começo nela. Depois, para os outros momentos, vieram outras músicas. Elas, eu vou desmontando ao longo do nosso infinito para sempre, que começou dez meses atrás, num quintal, num fim de tarde, quando uma menina paranoica disse:
- Tudo bem, eu vou tentar. 


[continua  (para sempre)...]